Adolpho Lutz: entomologia, tabanídeos
Capítulo 1935
Sobre algumas novas espécies de
mutucas do gênero Esenbeckia
Rondani*
Das 22 espécies do gênero Esenbeckia Rondani, assinaladas no catálogo de O. Kroeber para o Brasil, tivemos ocasião de ver e estudar dezesseis, inclusive as respectivas variedades; consideramos ainda E. mattogrossensis Lutz, a qual aparece na obra citada, cremos que por engano durante a sua composição (cf. Kroeber: 1931, p.250, 1932, p.85), sob o gênero Mycteromyia Philippi, com o qual nada tem que ver. Não examinamos E. enderleini Kroeb., E. erosa End., E. lemniscata End., ? E. picea (Thunb.), E. suturalis (Rond.), e E. tristis Kroeb. O tipo de E. enderleini Kroeb. é um macho proveniente de Tucumã, a fêmea, descrita pelo mesmo autor como sendo dessa espécie, provém do Brasil, Rio; se não houve engano de rótulo devem ser feitas reservas sobre a identidade específica entre esses dois exemplares. Os tipos de E. erosa End. e E. lemniscata End. são provenientes de Curuzu de Fierro, localidade que desconhecemos e que Kroeber assinala ambiguamente como sendo ora na Argentina (1932, p.71), ora no Paraguai (idem, p.80); considerando ainda que, pelo menos no que diz respeito a E. erosa, esse autor fez alguma confusão, não temos por demonstrada a presença dessas espécies no Brasil. E. picea (Thunb.) acha-se no rol das “species inquirendae”. Restam, pois, apenas duas, E. suturalis (Rondani) e E. tristis Kroeber, a serem consideradas na fauna brasileira e que desconhecemos. Examinamos também algumas espécies dos Estados vizinhos, e resultou dessa revisão geral a verificação de algumas novas que passamos a descrever:
Esenbeckia tetragoniphora n. sp.
Fêmea: Comprimento do corpo: 20mm; das antenas: 2,5mm; da tromba: 4,2mm; das asas: 18mm; largura das asas: 6mm; distância vértico-clipeal: 3,7mm.
Cabeça: Olhos escuros. Pós-fronte larga, com os lados moderadamente convergentes, mais larga embaixo que em cima, 2,2 vezes mais longa que larga embaixo, 1,5 vez mais larga embaixo que em cima, coberta de pólen escuro, com calosidade larga e alta, ocupando quase todo o espaço entre a placa ocelar e o calo antenal e cerca de 3/5 da largura da pós-fronte, com a forma de um losango de metades desiguais, sendo a superior bem mais longa, de cor castanha escura e muito brilhante; placa ocelar um pouco saliente, coberta de pólen escuro; ocelos cor de âmbar mais ou menos carregada; craniália coberta de pólen escuro e com cerdas proclinadas negras. Frontoclípeo revestido de pólen escuro, com brilho cin-zento-prateado, sobretudo sobre as antenas. Calo antenal saliente, coberto de pólen escuro; antenas com os 1° e 2° artículos enegrecidos, revestidos de cerdas curtas, negras, o 1° possuindo ainda embaixo algumas brancas mais longas; flagelo castanho muito escuro, com o último anel de comprimento equivalente ao dos três precedentes reunidos. Probóscida mais loanga que a distância vértico-clipeal, negra brilhante; lábio e labelos relativamente finos. Palpos quase tão longos quanto o lábio, com o tegumento castanho; a estipe é quase desnudada, apresenta algumas cerdas curtas, brancas as da base e escuras as do ápice; o segmento distal é revestido de cerdas negras, exceto na face externa que é quase totalmente desnudada, tem a forma de foice. Genas e pós-genas revestidas de pólen escuro, com cerdas níveas: ao lado da sutura frontal logo abaixo de calo antenal, formando a barba, estas relativamente às demais espécies do gênero pouco desenvolvidas e no ângulo vibrissal com algumas escuras misturadas com brancas; as das pós-genas são muito pequenas e raras.
Tórax: Mesonoto com o tegumento castanho quase negro, mais claro nas bordas do escudo, revestido de cerdas decumbentes negras e algumas esparsas e raras, douradas; ambas muito curtas; as cerdas são mais desenvolvidas nos calos umeral, pré e pós-alares e sobre as asas, no calo umeral há algumas brancas, sobre as asas e no calo pós-alar formam tufos níveos, no calo prealar há um grupo de douradas longas, junto à sutura do mesonoto. Pleuras com tegumento de cor semelhante à do mesonoto, apenas um pouco mais escura; revestidas de cerdas níveas, que formam tufos na propleura, parte superior e posterior da mesopleura, pteropleura e escamopleura; o disco da mesopleura, assim como o esclerito espiracular são cobertos de cerdas castanhas. Hipopleura com duas a três cerdas, metapleura nua.
Asas: Membrana castanha; na margem posterior a membrana apresenta-se hialina, ligeiramente enfuscada, nas seguintes regiões: uma parte estreita mal delimitada na margem de R , cujo limite 4 anterior parece paralelo às nervuras r e r M e 2 M são hialinas, 4 5; 1 2 apresentando apenas, cada, na base uma pequena mancha enfuscada, a parte hialina excede as células, invadindo R e 1 M 52 nas quais acompanham paralelas e de perto m e i-m; a parte apical 1 de M e M e uma região subtriangular sobre A + , com a borda 3 4 1 2 anterior paralela a a e a posterior paralela à borda da asa. Tégulas 1
com cerdas curtas, negras, e longas, branco-amareladas; escâmula com franja axilar de cerdas longas, níveas; escamas pardas; balancins com haste e capítulo castanhos, irregularmente avermelhados.
Pernas: Quadris com o tegumento semelhante ao das pleuras, revestidos de cerdas níveas; pernas com o tegumento castanho quase negro, revestidas de cerdas negras exceto inferiormente em t e tarsos 1, 2, 3 onde são cor de âmbar avermelhados. 1
Abdome: Com o 1°-2° segmentos amarelo-córneos, marcados de castanho-ne-gro; os demais enegrecidos. 1° tergito castanho-negro em torno do escutelo; 2° com uma mancha quadrangular, ocupando o terço mediano e o comprimento do esclerito, exceto uma pequena faixa posterior, com os lados curvos, de concavidade externa, e com uma mancha de cada lado, subtriangular, ocupando os lados quase que até o bordo livre do segmento; 1° tergito com cerdas negras no meio, numa extensão maior que a ocupada pela mancha tegumentar, com os lados e a borda posterior revestidos de cerdas brancas; 2°-6° tergitos revestidos de cerdas pretas, com pequenas regiões laterais e apicais obtriangulares de cerdas níveas; 7° só com cerdas pretas. 1° esternito desnudado, com uma mancha obtriangular mediana preta; 2° revestido de cerdas níveas, exceto sobre uma mancha linear lateral pouco conspícua, paralela ao bordo do tergito, onde o tegumento e cerdas são castanhos; o 2° esternito possui ainda uma mancha tegumentar negra formando uma faixa longitudinal, estreita mas conspícua; 3° esternito com o tegumento enegrecido exceto em duas regiões semicirculares, submedianas junto ao 2° esternito, muito reduzidas, onde o tegumento é córneo; é revestido de cerdas brancas ou branco-sujas; 4°-7° enegrecidos, revestidos de cerdas negras, o 4° com franja de cerdas níveas, o 5° com poucas níveas nos cantos.
Tipo: Rotulado: Bolívia; Pangonia lugubris Macq.; (a lápis) erosa.
Discussão Taxonômica: Com o rótulo de Esenbeckia erosa End. possuímos dois exemplares, um determinado por Kroeber, o outro determinado não só por Kroeber como ainda por Enderlein. Ambos afastam-se da descrição original de E. erosa End. no que diz respeito à calosidade da pós-fronte e ao número de segmentos abdominais com marcação pretasobre fundo córneo. O último dos exemplares mencionados verificamos com segurança pertencer à espécie E. clari. var. infuscata Lutz. Quer nos parecer que Enderlein admitiu, no que foi secundado por Kroeber, (ver Kroeber, 1932, p.71) uma variabilidade para E. erosa. Nesse caso erosa seria uma variação de clari var. infuscata. Em abundante material que possuímos de E. clari var. infuscata, assim como de outras espécies afins, não pudemos verificar variações dessa natureza, não nos parecendo portanto justificada tal hipótese. Por isso consideramos também o primeiro dos exemplares como uma espécie distinta e descrevemo-la como nova, distinguindo-se de E. erosa End. pela presença de uma calosidade conspícua na pós-fronte, e por ter o 3° segmento abdominal sem a marcação assinalada para E. erosa; de E. clari var. infuscata Lutz, por apresentar marcação negra sobre fundo córneo no 2° segmento abdominal, o que não se verifica em infuscata, na qual o 2° tergito é completamente enegrecido e o 2° esternito apresenta-se córneo apenas numa faixa transversal, interrompida no meio por uma pequena mancha triangular escura de ápice dirigido para a extremidade; não atingindo os lados e que ocupa cerca de 1/3 basal do segmento; além disso E. clari var. infuscata apresenta a pós-fronte com os lados muito mais convergentes na parte superior. No trabalho citado de Kroeber, a primeira descrição de variedades de E. erosa deve ter sido feita segundo o exemplar que possuímos de E. tetragoniphora n. sp.; a segunda de igual modo nos parece ter sido feita segundo o exemplar já referido de E. clari var. infuscata, e os “2 sehr bleiche Weibchen der Wiener Sammlung” etc., devem corresponder aos exemplares mencionados por Lutz (1909, p.664) os quais Kroeber (cit., p.81) quando trata de E. clari e var. infuscata diz não ter visto, por já os ter confundido com E. erosa End.
Esenbeckia bitriangulata n. sp.
Macho: Comprimento do corpo: 18mm; das antenas: 1,8mm; da tromba: 3,5mm; das asas: 15mm; largura das asas: 5mm; distância vértico-clipeal: 3,8mm.
Cabeça: Olhos contíguos; sem divisão nítida entre as regiões de córneas maiores e menores; de cor verde esmeralda cambiante para azul pavão. Placa ocelar e craniália formando um conjunto arredondado e saliente, esta revestida de pólen e cerdas proclinadas amarelo-citrino; a placa ocelar apresenta-se obscurecida, com pólen branco-acinzentado e com três ocelos muito conspícuos, de cor âmbar carregada, junto à base dos quais, respectivamente, existem cerdas escuras. Frontoclípeo acompanhando a direção das genas, revestido de pólen cinzento-amarelado, revestimento, porém, escasso, em alguns pontos deixando ver o tegumento cor de âmbar mais ou menos carregado com algumas cerdas amarelo-citrinas; tormas com pólen pouco mais acinzentado. Calo antenal pouco saliente, coberto de pólen amarelo acinzentado. Antenas com o 1° e 2° artículos cor de âmbar, revestidos de cerdas curtas e negras, o 1° possui ainda embaixo algumas mais longas, finas e brancas; com flagelo cor de laranja na base e obscurecido no ápice (do 4° anel em diante), o segmento apical é longo e de comprimento equivalente ao dos cinco precedentes reunidos. Probóscida de comprimento equivalente à distância vértico-clipeal, negra, brilhante, labelos pequenos; palpos atingindo 0,46 do comprimento do lábio, com o tegumento alaranjado, a estipe é revestida de cerdas semelhantes às da barba, exceto no ápice onde existem cerdas negras e internamente onde há algumas muito longas, claras; o segmento terminal é em forma de estilete, revestido de cerdas negras e curtas, exceto na face externa da metade apical que é desnudada. Genas e pós-genas revestidas de pólen cinzento amarelado; de cerdas amarelo citrinas, ao longo da sutura frontal e ainda entre a base das antenas e os olhos formando uma série, além das que formam a barba.
Tórax: Mesonoto (inclusive escutelo) com o tegumento escuro, coberto de pólen cinzento ocráceo de que resulta um aspecto oliváceo, revestido de cerdas semi-eretas amarelo-citrinas, mais desenvolvidas e densas nos calos pré e pós-alares e sobre as asas; no escutelo há ainda algumas eretas misturadas com pretas. Pleuras com tegumento de cor semelhante ao do mesonoto, porém, mais claro e menos oliváceo. As cerdas também são de cor semelhante às do mesonoto, são muito desenvolvidas e densas na propleura, parte superior e posterior da mesopleura, pteropleura e na escamopleura; esparsas na esternopleura e pós-pleura; raras na hipopleura e metapleura.
Asas: Membrana hialina muito ligeiramente enfuscada; C, ápice de Sc. 1 M, estigma e base da álula apenas mais amareladas. Margem anterior da asa encurvando-se para diante na altura da inserção de sc – c; tégulas com cerdas longas amarelo-citrinas, escâmula com franja axilar de cerdas longas, branco-amareladas; escamas amarelo-citrinas. Balancins com a haste e capítulo amarelos ligeiramente alaranjados.
Pernas: Quadris com tegumento e cerdas semelhantes aos das pleuras, ex , porém, com cerdas negras no ápice. Fêmures com 1
cerdas amarelo-citrinas; com algumas castanho-escuras, ao longo da face anterior. f com tegumento castanho nos 2/3 basais, no 1/3 1
apical vai tomando cor de âmbar; f com tegumento castanho em 2 cerca da metade basal, na restante vai se tornando cor de âmbar; f , 3 exceto o ápice, com o tegumento castanho; tíbias e tarsos anteriores e médios com tegumento castanho claro, com cerdas amarelas cor de âmbar e algumas negras sobretudo na parte dorsal dos tarsos e ainda algumas raras na parte dorsal anterior das tíbias; tíbias e tarsos posterior castanhos mais escuros, com cerdas pretas, as da face ventral avermelhadas.
Abdome: Os três primeiros segmentos com o tegumento transparente amarelo córneo claro; 1° tergito com o tegumento castanho em torno do escutelo, revestido de cerdas amarelo-citrinas e algumas pretas, raras, entremeadas na borda posterior, não atingindo porém os lados; 2° e 3° tergitos com uma mancha basal e mediana, triangular, castanha, com o ápice dirigido para trás, quase que atingindo a borda posterior do segmento; são revestidos de cerdas pretas exceto uma parte basal, triangular, lateral do 2°, o bordo livre do 3°, sobretudo nos cantos onde existem cerdas amarelo-citrinas e algumas esparsas no resto do 2° o 3° apresenta ainda duas manchas tegumentares basais laterais castanhas e inconspícuas; 4°-7° tergitos com tegumento castanho, mais claro nas bordas; o 4° apresenta duas manchas submedianas claras, deixando assim entrever o vestígio de uma mancha triangular semelhante à dos tergitos precedentes; 4°-7° tergitos são revestidos de cerdas negras, exceto nas bordas que são franjadas de cerdas amarelo-citrinas. Esternitos 1-3, completamente transparentes; 4-7 castanhos; 1 desnudado, 2 revestido de cerdas amarelo-citrinas; 3-7 de cerdas negras exceto nas bordas, que são franjadas de amarelo-citrinas.
Discussão taxonômica: a espécie mais próxima desta é, sem dúvida alguma, a Esenbeckia balzapambana End. Desta um de nós possui um exemplar rotulado – Balzapamba (Equad.) R. Haensch S. – det. Kroeber 1930 – cujos caracteres confirmados pelas descrições de Enderlein e Kroeber nos serviram para a diagnose que segue. Abdome: as manchas escuras medianas dos tergitos de E. balzapambana são subquadrangulares e compõem uma faixa longitudinal de lados aproximadamente retos e contínuos, em E. bitriangulata n. sp. são triangulares; além disso o 2° tergito em E. balzapambana é quase completamente revestido de cerdas amarelo-citrinas, só havendo algumas pretas esparsas sobre a mancha mediana e formando uma franja na borda posterior, ao passo que em E. bitriangulata n. sp. esse tergito é quase completamente revestido de cerdas pretas, só havendo amarelo-citrinas, lateralmente, confinadas a uma zona triangular que não é visível dorsalmente; no 3° tergito em E. balzapambana existem duas zonas conspícuas, submedianas, revestidas de cerdas amarelo-citrinas que não se observam em E. bitriangulata n. sp.; nos demais tergitos em E. balzapambana existem cerdas amarelo-citrinas apenas nos cantos das bordas, ao passo que em E. bitriangulata n. sp. formam franja; os tergitos 2 e 3 em E. balzapambana são revestidos de cerdas amarelo-citrinas, as bordas são franjadas de cerdas negras; em E. bitriangulata n. sp. o 2° é completamente revestido de cerdas amarelo-citrinas, e o 3° é revestido de cerdas pretas sendo, ao inverso do que se dá em E. balzapambana, as bordas franjadas de cerdas amarelo-citrinas.
Tipo: Rotulado: Verrugas Carrijon, Peru A. 16 – Abril. Townsend – A descrição é baseada em dois exemplares, rotulados com as mesmas indicações.
Esenbeckia melanogaster n. sp.
Macho: Comprimento do corpo: 17mm; das antenas: 2mm; da tromba: 3,3mm; das asas: 19mm; largura das asas: 6mm; distância vértico-clipeal: 4,7mm.
Cabeça: Olhos contíguos, de cor verde vegetal, escuros; sem divisão nítida entre as regiões de córnea maiores e menores. Placa ocelar e craniália formando um conjunto arredondado e saliente, revestido de pólen cinzento-amarelado; nesta última há cerdas castanhas proclinadas; ocelos conspícuos, cor de âmbar mais ou menos carregada. Frontoclípeo acompanhando a direção das genas; revestido de pólen amarelo o qual se torna cinzento nas tormas. Calo antenal pouco saliente, coberto de pólen cinzento-amarelado. Antenas com os 1° e 2° artículos pardo-âmbar, revestidos de cerdas curtas e negras; o 1° artículo possui ainda algumas brancas, mais longas e finas, sobretudo externa e inferiormente, com flagelo de cor uniformemente alaranjada, o segmento terminal muito longo, de comprimento equivalente aos dos cinco precedentes. Lábio curto e grosso, labelos muito desenvolvidos, tendo o comprimento equivalente a cerca de 2/3 do lábio; ambos negros brilhantes. Palpos com tegumento de cor alaranjada; a estipe é revestida de cerdas semelhantes às da barba, porém, com algumas negras no ápice; o segmento terminal é filiforme, longo, de comprimento igual ao do lábio, moderadamente curvo e revestido de cerdas negras, exceto numa região reduzida da parte externa no 1/3 apical, que é desnudada. Genas e pós-genas revestidas de pólen cinzento-amare-lado, de cerdas amarelo citrinas, ao longo da sutura frontal, e ainda entre a base das antenas e os olhos formando uma série, além das que formam as barbas; nestas, sobretudo, há algumas castanhas misturadas.
Tórax: Mesonoto (inclusive escutelo) com tegumento escuro, mais claro nos lados do escudo, coberto de pólen cinzento-ocráceo do que resulta uma coloração geral pardo-olivácea, revestido de cerdas semi-eretas amarelo-citrinas, mais obscurecidas as da parte posterior do mesonoto; mais desenvolvidas e densas com algumas poucas castanhas misturadas, na notopleura, calo pós-alar e sobre as asas; cerdas castanhas eretas também presentes no meio do escutelo. Pleuras com tegumento semelhante ao do mesonoto, porém mais escuro do que o do mesonoto; as cerdas são pardas, existindo algumas poucas amarelo-citrinas misturadas, sobretudo na mesopleura; as cerdas, de um modo geral, são muito desenvolvidas e densas na propleura, na parte superior e posterior da mesopleura, pteropleura e escamopleura; a pós-pleura possui cerdas menos desenvolvidas, sendo amarelas na parte súpero-externa e castanhas na parte ínfero-mediana; hipopleura e metapleura apenas na parte superior com algumas poucas branco-amareladas, mal desenvolvidas.
Asas: Membrana hialina, muito ligeiramente enfuscada; células C, ápice de Sc, estigma 1 M e parte anterior da álula amarelos, mais escuros que o resto da membrana. Tégulas com cerdas longas amarelo-citrinas, misturadas com algumas castanho-escuras.
Escâmula com franja axilar de cerdas ruivo-pardacentas; escama amarelo-âmbar. Balancins com haste e capítulo ligeiramente alaranjados.
Pernas: Quadris com tegumento e cerdas castanho-negras semelhantes aos das pleuras, na parte anterior do 1° existem ainda algumas pardas. Fêmures com tegumento castanho-negro escuro, exceto numa porção apical, sobretudo de f e f que são muito 1 2 claras; revestidos de cerdas castanho-negras. Tíbias e tarsos anteriores e médios com tegumento castanho claro, revestidos de cerdas curtas negras, ou cor de âmbar-avermelhado, negras, sobretudo na face posterior dos tarsos e na parte dorsal anterior das tíbias; tíbias e tarsos posteriores com tegumento castanho escuro, revestidas de cerdas curtas, negras, na face inferior dos tarsos mais claras e avermelhadas.
Abdome: Com tegumento brilhante, castanho-avermelhado quase negro; no 2° e 3° segmento, entrevê-se, sobretudo quando examinados sob uma forte iluminação, fracos vestígios de manchas triangulares mais escuras correspondentes às de E. bitriangulata n. sp. Tanto os tergitos como os esternitos são revestidos uniforme e exclusivamente de cerdas negras, exceto o 1° esternito que é desnudado.
Fêmea: Comprimento do corpo: 19mm; das asas: 19mm; das antenas: 2,4mm; da tromba: 4,1mm; das asas: 1,9 mm; largura das asas: 6,5mm; distância vértico-clipeal: 4,7mm.
Cabeça: Pós-fronte com os lados paralelos, em cima e embaixo, porém, alargada; cerca de 3,5 vezes mais longa que larga, revestida de pólen ocráceo, mais escuro junto à placa ocelar; esta muito pouco saliente. 1° e 2° segmentos antenais castanho-escuros acinzentados. Flagelo das antenas com o ápice do artículo terminal enfuscado. Palpos de comprimento aproximadamente igual ao do lábio. Artículo terminal em forma de bainha de sabre, com o tegumento castanho-alaranjado, com a região desnudada conspícua, formando um sulco, e ocupando cerca dos 2/3 apicais, não atingindo porém o ápice. Revestimento de cerdas da cabeça, sobretudo os que formam as barbas, mais escuras que as do macho, francamente pardas.
Tórax: Cerdas amarelas do mesonoto relativamente mais curtas que as do macho, decumbentes e formando lanugem; além disso acham-se entremeadas de muitas cerdas suberetas castanhas.
Pleuras: As cerdas são amarelo-pardacentas na fêmea, mais escuras e mais entremeadas de cerdas castanhas.
Asas: Apenas mais enfuscadas que as do macho. Tégulas com cerdas negras apenas.
Pernas: Como as do macho, mais escuras porém, só existindo cerdas mais claras na face inferior dos tarsos do 1° par.
Abdome: Completamente negro, cor de piche e revestido de cerdas negras, aveludadas.
Discussão taxonômica: A espécie mais próxima é a Esenbeckia nigriventris Kroeb., da qual apenas a fêmea se encontra descrita. Não vimos exemplares desta espécie, estabelecemos, portanto, o diagnóstico diferencial pela descrição e figura de Kroeber. Em E. nigriventris Kroeb. a vitta frontalis apresenta-se com os lados divergentes, mais afastados embaixo que em cima – unten bedeutend breiter, fast doppelt so breit wie oben, – E. melanogaster n. sp. apresenta-se com os lados paralelos; em E. nigriventris Kroeb. o conjunto cuneiforme formado pelos calos superior e médio quase atinge os ocelos – bis zu den Ocellen bildend –, em E. melanogaster n. sp. esse conjunto é fusiforme e termina muito antes dos ocelos. A cor do tegumento em E. nigriventris Kroeb. é mais clara, confiram-se as expressões – bleichgelbbraun e blassrotbraun – empregadas por Kroeber em relação aos 1° e 2° artículos antenais e tórax, respectivamente, com as que empregamos para E. melanogaster n. sp.; o mesmo se dá quanto à cor do tegumento e cerdas das pernas, em E. nigriventris Kroeb. – p – rotgelb, vorherrschend rotgelb behaart. Hueften schwarz, gruengelblich behaart. f – an der Basis teilweise schwarz behaart; p goldrot 3 behaart, auch die etwas verdunkelten Tarsen.; o abdome de E. melanogaster n. sp. distingue-se facilmente do de E. nigriventris Kroeb. pela presença exclusiva de cerdas negras aveludadas, ao passo que em E. nigriventris – Ueber die Flaeche des 1. und 2. Tergits sind zarte gelbgruenliche Haare verbreitet, am 3. scheinen sie nur einen breiten Hinterrand zu bedecken (nur seitlich gut und dicht erhalten); am 4. und 5. nur in den Hinterecken. Sonst ist die Behaarung russchwarz. Bauch wie die Oberseite, aber vorherrschend schwarz behaart. Gelbgruene Behaarung am 2. bis 4., aber ohne dass sich irgend eine Zeichnung ergibt.
Tipo: Macho – Rotulado: Verrugas Carrijon, Peru A. 16. Abril. Townsend. A descrição é baseada em três exemplares, dois machos e uma fêmea, rotulados com as mesmas indicações.
Esenbeckia distinguenda n. sp.
Fêmea: Comprimento do corpo: 17mm; das antenas: 2,1mm; da tromba: 2,7mm; das asas: 16mm; largura das asas: 5,5mm; distância vértico-clipeal: 4,3mm.
Cabeça: Olhos escuros, com fraco brilho acobreado, exceto na borda inferior onde há um pouco de cor verde-amarelada. Pós-fronte 4,6 vezes mais longa que larga embaixo, mais estreita no meio, aproximadamente tão larga em cima quanto embaixo, coberta de pólen cinzento-ocráceo claro, o qual se torna pardo na região da placa ocelar e imediações; placa ocelar um pouco saliente, enegrecida, com três ocelos conspícuos cor de âmbar claro, craniália provida de cerdas ocráceas proclinadas; calosidade muito conspícua, saliente, alargando-se ligeiramente na parte inferior, onde termina em ponta de lança quase junto ao calo antenal, sua parte superior atinge a placa ocelar; é cor de âmbar muito brilhante. Frontoclípeo seguindo a direção das genas, coberto de pólen ocráceo claro. Calo antenal ligeiramente saliente, coberto de pólen semelhante ao da pós-fronte. Antenas: 1° e 2° segmentos com o tegumento amarelo-âmbar, revestidos de cerdas ruivas e curtas, o 1° embaixo com algumas longas amarelo-claras; flagelo amarelo alaranjado claro, o último segmento de comprimento equivalente ao dos três precedentes reunidos, ligeiramente enfuscado. Probóscida relativamente curta, de comprimento menor que a distância vértico-clipeal, forte, castanho-negra, brilhante, com labelos bem desenvolvidos, encorpados assim como o lábio. Palpos de comprimento aproximadamente igual ao do lábio, com o tegumento cor de âmbar alaranjado; estipe com cerdas semelhantes às da barba, apenas umas poucas no ápice são ruivas; segmento terminal relativamente curto e largo, em forma de bainha de sabre truncado, revestido de cerdas ruivo-negras, menos na face externa que é plana e possui apenas algumas cerdas dispersas. Genas revestidas de pólen cinzento, com uma série de cerdas brancas junto à sutura frontal logo abaixo do calo antenal; no ângulo vibrissal com algumas escuras, pouco conspícuas; com barba branca; pós-genas revestidas de pólen cinzento claro, com cerdas brancas, dispersas, e curtas, ruivas, ao longo da borda ocular.
Tórax: Mesonoto com o tegumento cinzento alaranjado, coberto de pólen amarelo; escutelo, exceto no meio, de cor alaranjada mais viva que o resto do mesonoto. Revestido de cerdas alaranjadas e decumbentes douradas, nos calos pré e pós-alares, sobre as asas e nos cantos do escutelo, são mais longas e densas. Pleuras com tegumento obscurecido com pólen cinzento; as cerdas da propleura, parte superior e inferior da mesopleura, pteropleura e da escamopleura são mais longas e densas, nas três últimas mencionadas são amarelas, as da propleura assim como as cerdas dos demais escleritos são brancas; no esclerito espiracular há cerdas alaranjadas; hipopleura e metapleura quase nuas.
Asas: Membrana hialina, levemente tingida. C, ápice de Sc, estigma, 1 M e parte anterior de álula amareladas e de coloração um pouco mais intensa; R, 2 M, extrema base de 1 M , R , R sobretudo na 2 1 3 base e sobre o pecíolo de R , e R sobre r de cor pouco mais 4 4 5 carregada que a da membrana restante. As tégulas não puderam ser observadas; escâmula com franja axilar de cerdas amarelas; escama cor de âmbar claro.
Pernas: Quadris com o tegumento semelhante ao das pleuras, revestido de cerdas níveas; pernas com o tegumento ocráceo alaranjado, as posteriores pouco mais escuras; revestidas de cerdas amarelo-douradas, as do par posterior pouco mais escuras, ruivas.
Abdome: Com o tegumento cor de âmbar alaranjado claro, 2°-7° tergitos revestidos de cerdas ruivas, 2°-4° nos cantos apicais com cerdas amarelo-pálidas, as quais formam franja no 2° e 3°; 1 esternito desnudado, 2° com uma mancha tegumentar basal castanha mal definida, de cada lado, 3° com uma mancha alongada castanha, ocupando cerca de 1/4 lateral e a 1/2 basal de cada lado, o 4° parece ter manchas semelhantes, mais desenvolvidas e de regra confluentes na linha mediana; torna-se difícil no entanto distingui-las porque na altura do 4° segmento, em todos os exemplares por nós examinados, transparece o sangue de que se alimentou o animal; 5°-7° esternitos mais ou menos uniformes na coloração, apenas um pouco mais avermelhados que os da base do abdome; 2°-7° esternitos revestidos de cerdas ruivas, 2°-4° franjados de cerdas dourado-claras.
Tipo: Rotulado: Mendes 18-III-10. Descrição baseada em três exemplares.
Discussão taxonômica: Muito próxima de E. vulpes Wied. da qual se distingue por ter a pós-fronte relativamente muito mais longa e estreita, 4,6 vezes mais longa que larga embaixo; pela existência de uma calosidade na pós-fronte muito conspícua; por ter marcação tegumentar escura nos esternitos, e por ter os segmentos abdominais franjados de cerdas mais claras que as do resto do abdome, é de conformação mais delicada e de coloração geral mais amarela. A julgar pela descrição parece relacionada ainda com E. Reinburgi Surcouf; os caracteres de E. distinguenda n. sp. porém não concordam com os seguintes tópicos da descrição original de E. reinburgi: “bande frontale élargie à la base, retrécie au vertex” “poils noirs” (antenas: 1° e 2° segmentos, patas) “la pubescence hérissée est brunâtre” (tórax) “pois noirâtes sur le disque” (abdome) e ainda com os caracteres tidos por Sourcouf como próprios de E. reinburgi:
Cette espèce se distingue de toutes celles que nous
connaissons par les palpes hérissées (ceux de la plupart des
autres Esenbeckia sont presque glabres) et par la quatrième
cellule marginale postérième fortement reserrée, além disso o
habitat das duas espécies é muito diverso; E. Reinburgi sendo
do Equador: Quito, alt.: 2.816 m.
Esenbeckia obscurithorax n. sp.
Macho: Comprimento do corpo: 14mm; das antenas: 1,7mm; da tromba: 3,5mm; das asas: 12,5mm; largura das asas: 4mm; distância vértico-clipeal: 3,5mm.
Cabeça: Olhos contíguos; sem divisão nítida entre as regiões de cornes maiores ou menores; de cor acobreada no centro e verde-esmeralda na borda. Placa ocelar e craniália formando um conjunto arredondado e saliente, com tegumento obscurecido, revestido de pólen amarelo-acinzentado, com três ocelos conspícuos, cor de âmbar claro, e com cerdas negras proclinadas. Frontoclípeo um tanto intumescido, seguindo a direção das genas, revestido de pólen amarelo-alaranjado, ligeiramente acinzentado para os lados. Calo antenal pouco saliente, coberto de pólen ocráceo; antenas com 1°-2° artículos amarelo-âmbar, revestidos de cerdas negras, o 1° embaixo com algumas longas brancas; flagelo alaranjado, 1° anel com raras cerdas microscópicas negras, último ligeiramente enfuscado. Probóscida fina, de comprimento aproximadamente igual à dimensão da distância fronto-clipeal, negra brilhante, labelos cerca de 1/2 do comprimento do lábio. Palpos em forma de estilete, atingindo 0,45 do lábio, amarelo-alaranjados, estipe na base com cerdas brancas semelhantes às da barba, no ápice com algumas curtas e negras; segmento terminal com algumas cerdas curtas, negras, na base e ao longo da borda inferior; o restante desnudado, com uma ou outra cerda. Genas e pós-genas revestidas de pólen ocráceo ligeiramente acinzentado e de cerdas brancas mais desenvolvidas, sobretudo as que formam a barba e as que constituem uma pequena série ao longo da sutura frontal logo abaixo das antenas.
Tórax: Mesonoto com o tegumento obscurecido, exceto nos lados do escudo e suturas e nos cantos do escutelo onde se mostra cor de âmbar alaranjado; coberto de pólen cinzento-ocráceo, de cerdas sub-eretas alaranjadas que se misturam com pretas sobretudo abundantes no escudo (raras no pré-escudo) e com algumas cerdas decumbentes douradas esparsas; as cerdas são mais desenvolvidas e densas na notopleura, sobre as asas, calo pós-alar (ambos últimos com algumas pretas misturadas) e na borda do escutelo. Pleuras com o tegumento obscurecido, exceto na propleura, esclerito espiracular e pós-pleura onde é cor de âmbar alaranjado; as cerdas da propleura, borda superior e posterior da mesopleura, pteropleura e escamopleura são mais desenvolvidas e densas que as dos restantes escleritos, e são também mais amarelas, sobretudo as da mesopleura que são francamente alaranjadas; as dos demais escleritos são branco-amareladas; hipopleura e metapleura quase nuas.
Asas: Membrana hialina, muito levemente tingida. C, ápice de Sc, 1 M e estigma amarelados e de coloração mais intensa. Tégulas com cerdas negras e alaranjadas, estas sempre longas; escâmula com franja axilar de cerdas longas, alaranjadas; escama cor de âmbar.
Pernas: Quadris com o tegumento obscurecido e com cerdas branco-amareladas como o das pleuras; pernas com o tegumento alaranjado, tíbias e tarsos posteriores com o tegumento castanho; fêmures revestidos de cerdas pretas, f com cerdas alaranjadas ao 2 longo da parte súpero-posterior; tíbias e tarsos anteriores e médios com cerdas cor de âmbar avermelhada, exceto algumas ao longo da parte súpero-anterior onde há negras; t e as da face inferior do ts 33 que são arruivadas.
Abdome: Com o tegumento cor de âmbar alaranjado, obscurecendo-se progressivamente para a ponta; 1° tergito com cerdas amarelas, 2°-6° revestidos de cerdas pretas, 2°-4° franjados de cerdas douradas, 5° e 6° com cerdas douradas nos cantos apicais; 1° esternito desnudado, 2° com cerdas amarelas, 3° e 6° com cerdas pretas, 3°-5° franjados de amarelo, 6° com cerdas amarelas nos cantos apicais – 4°-6° segmentos obscurecidos.
Fêmea: Comprimento do corpo: 14mm; das antenas: 1,7mm; da tromba: 4mm; das asas: 12,5mm; largura das asas: 4mm; distância vértico-clipeal: 3,5mm.
Pós-fronte com os lados paralelos, em cima e embaixo, porém, alargados, aproximadamente tão larga em cima quanto embaixo; cerca de 3,4 vezes mais longa que larga embaixo, revestida de pólen cinzento ocráceo; sem calosidade; placa ocelar obscurecida, com três ocelos conspícuos cor de âmbar carregada, ligeiramente saliente; craniália com cerdas escuras proclinadas. Palpos atingindo cerca de 2/3 do comprimento do lábio; segmento terminal falciforme, desnudado em ambas as partes, com cerdas negras minúsculas ao longo das bordas superior e inferior. No restante a fêmea é perfeitamente igual ao macho, exceto na conformação do abdome que é mais largo na fêmea. Uma das fêmeas apresentava as cerdas pleurais, dos cantos dos tergitos, do ventre assim com as de f ao 2 longo da parte súpero-posterior, níveas em vez de amarelas; concordava, porém, em todos os demais pormenores e medidas restantes (esta achava-se determinada por Kroeber, como E. aff. ferruginea).
Tipo: Macho. Rotulado: Esenbeckia ferruginea Macq.; Faz. Murtinho, Mato Grosso, R. Spitz, XII, 1929. Descrição baseada num macho e quatro fêmeas, estas rotuladas: Bigorna, Cuiabá, 31-III-1915 – Rosário Oeste, Dr. G. Corrêa, XII-1914 – Faz. Murtinho. R. Spitz, XII-1929, determinada por Kroeber como E. aff. ferruginea Macq. 1930. Todas três, como se vê, são provenientes de Mato Grosso; a 4a acha-se rotulada: Assunção, Paraguai 9-XI-1915. Discussão taxonômica: Muito próxima da E. ferruginea var. nigrovillosa Kroeber, com a qual não a posso identificar por não apresentar os “1. und 2 Fuehlerglied durchaus weissgelb behaart”. Tanto mais que um dos exemplares foi visto por Kroeber e não por este identificado com aquela sua espécie.
Esenbeckia infrataeniata n. sp.
Fêmea: Comprimento do corpo: 16,5mm; das antenas: 1,7mm; da tromba: 2,8mm; das asas: 17mm; largura das asas: 5mm; distância vértico-clipeal: 3,6mm.
Cabeça: Olhos de cor acobreada no centro e verde esmeralda na borda. Pós-fronte 2,9 vezes mais longa que larga embaixo, com os lados ligeiramente curvos convergindo um pouco em cima, alargada em cima e embaixo; coberta de pólen ocráceo pardacento; placa ocelar pouco saliente, com três ocelos conspícuos,cor de âmbar; craniália com cerdas negras proclinadas; calosidade relativamente pequena, claviforme, cor de âmbar. Frontoclípeo com pólen ocráceo pardacento, o qual se apresenta obscurecido nas tormas. Calo antenal pouco saliente, coberto de pólen semelhante ao da pós-fronte. Antenas com o 1° e 2° segmentos de cor âmbar, revestidos de cerdas negras; as longas, brancas da parte ínfero-lateral acham-se nesta espécie reduzidas a duas ou três amareladas; flagelo alaranjado; com o último segmento longo, de comprimento equivalente ao dos seis precedentes reunidos, é ligeiramente enfuscado. Probóscida de comprimento menor que a distância vértico-clipeal, relativamente fina, castanha com os labelos enegrecidos; estes bem desenvolvidos. Palpos de comprimento pouco maior que o do lábio, de cor âmbar; estipe na base com cerdas semelhantes às da barba, no ápice com cerdas escuras; segmento terminal filiforme, revestido de cerdas negras, a zona desnudada reduzida a uma ínfima porção na altura do terço apical. Genas revestidas de pólen ocráceo pardacento, com uma série de cerdas amarelo-sujas junto à sutura frontal logo abaixo do calo antenal; no ângulo vibrissal com um grupo de cerdas negras; com barba branco amarelada; pós-genas com pólen ocráceo e cerdas amarelo-sujas, inclusive as que ficam ao longo da borda ocular.
Tórax: Mesonoto com pigmento castanho claro; o escutelo, porém, é alaranjado exceto na parte basal mediana, revestido de pólen ocráceo mais ou menos pardacento, com cerdas sub-eretas negras e decumbentes douradas claras; nos calos pré e pós-talares, sobre as asas e nos cantos do escutelo as cerdas são mais densas e longas. Pleura com tegumento semelhante ao do mesonoto, porém, mais obscurecido; as cerdas da propleura, parte superior e posterior da mesopleura, pteropleura e escamopleura são mais longas e densas; as da mesopleura são branco-amareladas dispostas em torno de algumas negras, as dos demais escleritos são branco-amareladas, havendo ainda algumas raras negras na escamopleura na parte superior e formando um grupo de negras também na parte mais inferior da esternopleura; hipopleura e metapleura quase desnudadas.
Asas: Membrana pouco enfuscada, esboçando-se uma certa diferenciação sobretudo perceptível em R , sobre a haste de R , e 1 4 sobre r , e ao longo de M. C, ápice de Sc, estigma e 1 M 5
amarelados. As tégulas não puderam ser observadas; escâmula com franja axilar de cerdas branco-amareladas; escama de cor âmbar; balancins com haste e capítulo amarelo-alaranjados.
Pernas: Quadris com o tegumento semelhante ao das pleuras, revestidos de cerdas negras, o 1° e o 3° com algumas poucas brancas na base; pernas cor de âmbar, fêmures com cerdas pretas e branco-amareladas, estas ao longo da face posterior; tíbias e tarsos anteriores e médios com cerdas amarelo-avermelhadas, escuras só na parte dorsal dos quatro últimos tarsos; tíbias e tarsos posteriores semelhantes aos outros, porém, as cerdas escuras estendem-se ao longo da face superior de todos esses segmentos.
Abdome: 1° a 7° tergitos cor de âmbar. 2°-7° progressivamente mais avermelhados; 2°-5° com os lados escuros revestidos de cerdas negras, exceto o 7° com grupos de cerdas branco-amareladas nos cantos apicais; algumas no meio do 1° e uma franja reduzida praticamente a uma série de cerdas avermelhadas do 2° ao 6°. 1° esternito cor de âmbar desnudado; 2°-4° cor de âmbar com manchas medianas e laterais castanhas, e ainda com uma faixa estreita transversal logo abaixo da borda obscurecida. 5°-7° mais ou menos uniformemente obscurecidos; o 2° e o 3° são revestidos de cerdas brancas, havendo pretas nas regiões obscurecidas; os demais revestidos de cerdas pretas; 2°-6° franjados na borda de cerdas brancas. As manchas tegumentares medianas e laterais são muito características, as laterais formam uma faixa contínua e conspícua de cada lado, ocupando cerca de 1/6 da largura dos segmentos, e são bem visíveis desde o 2° ao 4° esternitos; a mediana é constituída no 2° esternito por um pequeno triângulo de ápice dirigido para diante, na parte apical do esternito; no 3° é formada por uma mancha semicircular basal, de contornos apagados, contígua à precedente; no 4° é formada por trapézio com a base voltada para o ápice do abdome e ocupando todo o comprimento do segmento e cerca do terço mediano; nos segmentos restantes a mancha mediana atinge as laterais, estas no entanto são ainda perceptíveis por serem mais escuras.
Tipo: Rotulado: Pto. Bertoni, Paraguay, Coll. Bertoni. Descrição baseada neste único exemplar.
Discussão taxonômica: Esta espécie é muito próxima de E. enderleini Kroeber, descrita de um macho proveniente de Tucumã. A fêmea que Kroeber descreve como desta espécie é proveniente do Brasil, Rio, sobre o que já tivemos ocasião de nos manifestar. E. infrataeniata n. sp. bem poderia ser a verdadeira fêmea desta espécie, no entanto, as manchas ventrais características da espécie acima descrita não existem de todo em E. enderleini, segundo a descrição original e a chave dada no mesmo trabalho por Kroeber; cremos portanto prematuro avançar essa hipótese e por isso a descrevemos como nova.
Esenbeckia ecuadorensis n. sp.
Fêmea: Comprimento do corpo: 17mm; das antenas: 2,4mm; da tromba: 3,3mm; das asas: 17mm; largura das asas: 5mm; distância vértico-clipeal: 4,4mm.
Cabeça: Olhos de cor verde vegetal, escuros. Pós-fronte 4,3 vezes mais longa que larga embaixo, mais estreita no meio, tão larga em cima quanto embaixo, coberta de pólen cinzento-amarelado, o qual se torna pardo canela no terço superior; placa ocelar um pouco saliente, enegrecida, com três ocelos conspícuos cor de âmbar claro; craniália provida de cerdas negras proclinadas; calosidade representada por uma crista mediana, estreita no meio, alargando-se em cima onde se confunde com a placa ocelar e embaixo onde se torna claviforme, coberta de pólen semelhante ao do resto da pós-fronte. Frontoclípeo seguindo a direção das genas, coberto de pólen cinzento-amarelado. Calo antenal não formando saliência em relação à pós-fronte, coberto de pólen semelhante ao da parte inferior desta. Antenas: 1° e 2° segmentos com o tegumento amarelo-âmbar, revestidos de cerdas negras e curtas, o 1° na parte ínfero-lateral com algumas longas, brancas, flagelo cor de laranja, com o último anel de comprimento equivalente ao dos três precedentes reunidos, ligeiramente enfuscado. Probóscida relativamente curta, de comprimento pouco menor que a dimensão da distância vértico-clipeal, forte, casta-nho-negra, com lábio e labelos encorpados. Palpos de comprimento pouco maior que o do lábio, com o tegumento pardo-alaranjado, na base com cerdas semelhantes às da barba, no ápice com cerdas escuras; segmento terminal relativamente curto e largo, em forma de bainha de sabre, truncado, com o tegumento cor de laranja e revestido de cerdas negras menos na face externa, que é quase plana e possui apenas umas poucas cerdas dispersas. Genas revestidas de pólen cinzento, com uma série de cerdas brancas junto à sutura frontal logo abaixo do calo antenal, no ângulo vibrissal, com um grupo de cerdas castanhas, com barba branca; pós-genas revestidas de pólen cinzento amarelado, com cerdas brancas dispersas e negras e curtas ao longo da borda ocular.
Tórax: Mesonoto com o tegumento ocráceo-alaranjado, revestido de pólen amarelo e de cerdas negras sub-eretas e amarelo-douradas decumbentes, nos calos pré e pós-alares, sobre as asas e nos cantos do escutelo, há cerdas mais longas e densas eretas, negras e alaranjadas misturadas. Pleuras com o tegumento pardo, revestido de pólen cinzento; as cerdas da propleura, parte superior e posterior da mesopleura, pteropleura e da escamopleura são mais longas e densas, as da mesopleura são compostas de cerdas alaranjadas dispostas em torno de negras, as da escamopleura são formadas por negras e branco-amareladas misturadas; no esclerito espiracular há cerdas amarelas, as dos demais escleritos são brancas mais ou menos amareladas, hipopleura e metapleura quase nuas.
Asas: Membrana enfuscada. C, ápice de Sc, estigma 1 M e parte anterior da álula amareladas. R, 2 M exceto a parte central apical, extrema base de 1 M , R , R , sobretudo na base e sobre o pecíolo 2 1 3
de R , e R sobre r de cor um pouco mais carregada. Tégulas com 4 4 5
cerdas negras e alaranjadas, estas sempre longas; escâmula com franja axilar de cerdas longas e brancas; escama cor de âmbar.
Pernas: Quadris com o tegumento semelhante ao das pleuras, revestidos de cerdas níveas; pernas com o tegumento castanho escuro, revestidas de cerdas negras exceto na face inferior de t e 1 tarsos 1 e 2, neste sobretudo junto às articulações, onde as cerdas são cor de âmbar avermelhado.
Abdome: Com o 1° e 2° tergitos amarelo-córneos (2° com uma estreita linha mediana longitudinal apenas mais escura); 3°-6° castanho-negros, com a borda apical transparente, formando faixa, muito conspícua no 3° e 4°; o 3° apresenta ainda uma como que ampliação da faixa, amarela, maior no meio, de modo que a parte castanho-negra apresenta-se como duas manchas triangulares basais alargadas e confluentes na linha mediana (num dos exemplares essas manchas se acham isoladas); 1° tergito revestido de cerdas negras, exceto nos cantos onde são níveas; 2°-4°revestidos de cerdas negras, franjadas na borda apical de cerdas brancas, que são mais conspícuas nos cantos; 7° apenas com cerdas negras. 1°-3° esternitos amarelo-córneos; 2° revestido de cerdas brancas, exceto em duas regiões basais-laterais, triangulares, onde são pretas, e que corresponde a uma mancha tegumentar semelhante, presente só num dos exemplares; 3° com uma mancha tegumentar castanha, triangular, basal em cada lado, revestido de cerdas negras e na borda apical com franja de cerdas brancas; 4°-7° semelhantes aos tergitos.
Tipo: Naranjal, Equador. Prof. F. Campos. VII-918. Descrição baseada em três exemplares.
Discussão taxonômica: Esta espécie é muito próxima de Esenbeckia translucens (Macq.); distingue-se por ser mais atarracada, não possuir calosidade na pós-fronte; pela forma da pós-fronte e pela coloração das cerdas pleurais e por não possuir as manchas tegumentares do 1° tergito características de E. translucens. Distingue-se facilmente de E. gracilis Kroeb. pelo tamanho, pela ausência de calosidade na pós-fronte e pela coloração das pernas.
Esenbeckia arcuata Williston
fêmea. Brasil: Chapada; H. H. Smith. 1895, Kans. Un Quart. 3:190.
Fêmea: Comprimento do corpo: 13mm; das antenas: 1,7mm; da tromba: 3,6mm; das asas: 13mm; largura das asas: 4mm; distância vértico-clipeal: 3,3mm.
Cabeça: Olhos de cor verde esmeralda. Ocelos cor de âmbar mais ou menos carregada; placa ocelar pouco saliente, coberta de pólen pardo escuro. Pós-fronte com os olhos convergentes, mais estreita em cima; 1,5 vezes mais larga embaixo que em cima, 2,9 vezes mais longa que larga embaixo; coberta de pólen ocráceo acinzentado; calosidade estreita, quase linear, da forma do de um ! invertido, castanha, quase sem brilho, ocupando aproximadamente o terço médio; craniália com cerdas negras proclinadas. Frontoclípeo revestido de pólen ocráceo, ligeiramente alaranjado, e acinzentado nas tormas. Calo antenal coberto de pólen ocráceo acinzentado. Antenas com os 1° e 2° artículos de cor amarelo-âmbar; revestidos de cerdas curtas, negras; no 1° artículo existem ainda algumas brancas mais longas embaixo; flagelo uniformemente alaranjado, com o último segmento de comprimento equivalente ao dos quatro precedentes reunidos. Lábio relativamente longo e muito grosso, castanho escuro brilhante, labelos negros brilhantes de comprimento equivalente a 0,63 do do lábio, muito desenvolvidos, em geral ficam abertos e recurvados como pinças de um forficúlida; a probóscida tem o comprimento apenas mais curto que o do tórax. Palpos de comprimento equivalente ao do lábio, com o tegumento amarelo alaranjado, a base da estipe é revestida de cerdas semelhantes às da barba, no ápice há algumas negras; o segmento distal tem forma de bainha de sabre, é de comprimento equivalente ao do lábio, e revestido de cerdas negras curtas, exceto na face externa que é escavada e desnudada na quase totalidade. Genas e pós-genas revestidas de pólen cinzento; com cerdas níveas, as que formam a barba, mais desenvolvidas, ângulo vibrissal com algumas cerdas negras.
Tórax: Mesonoto com o tegumento cor de âmbar, revestido de pólen ocráceo-alaranjado, ligeiramente obscurecido no meio, sobretudo posteriormente, e no centro do escutelo; revestido de pêlos esparsos dourados decumbentes misturados com negros sub-eretos, estes mais longos; pilosidade mais desenvolvida nos calos pré e pós-alares, onde predominam os negros, e sobre as asas onde predominam os dourados; no escutelo os pêlos são mais longos, porém esparsos. Pleuras com tegumento de cor semelhante ao do mesonoto, porém mais obscurecidas; revestidas de cerdas níveas, mais longas e densas na propleura, parte superior e posterior da mesopleura, pteropleura e escamopleura; as da pteropleura são ligeiramente mais amareladas; hipopleura e metapleura apenas com algumas esparsas na parte superior.
Asas: Membrana hialina, muito ligeiramente enfuscada; células C, ápice de Sc, estigma, 1 M e parte anterior da álula amarelas, mais escuras que o resto da membrana, i-r de comprimento aproximadamente igual à dimensão do segmento de r , 4 compreendido entre a base desta e a de i-r. Tégulas com cerdas longas, negras, escâmula com franja axilar de cerdas longas níveas. Escamas de cor amarelo-âmbar claro. Balancim com a haste de cor pardo-alaranjada, com o capítulo um pouco mais claro.
Pernas: Quadris com tegumento e revestimento semelhantes aos das pleuras, pernas com tegumento pardo-ferruginoso, p , porém, 3 mais castanha sobretudo a tíbia e o tarso, revestidas de cerdas negras, longas nos f, e curtas no restante; em f há algumas cerdas 2 brancas na face posterior; na face inferior de ts e ts , as cerdas são 1 avermelhadas, assim como as da face inferior dos tarsos 2-3, perto das articulações.
Abdome: Com os segmentos basais amarelo-córneos transparentes, os apicais com faixas basais castanhas. 1° e 2° tergitos amarelos córneos, o 2° com apenas uma linha longitudinal mediana ligeiramente escura; 3°-7° com a base castanha e a borda distal córnea, no 3° a parte córnea se expande irregularmente nos 2/3 medianos, nos demais toma o aspecto de faixas regulares, que vão diminuindo de largura nos segmentos apicais; revestidos de cerdas pretas, comfranja conspícua de cerdas brancas na borda distal, desde o 1° ao 6°; estas franjas são mais largas nos lados. 1°-3° esternitos córneos, 1° desnudado, 2° inteiramente revestido de cerdas brancas, 3° com a metade basal revestida de cerdas negras, 1/2 apical revestida de cerdas brancas, com uma mancha tegumentar látero-basal mal definida, quadrangular ocupando o quarto lateral e o terço basal do segmento, esternitos 4° a 7° semelhantes aos tergitos.
Descrição baseada em dois exemplares colhidos na Serra da Chapada, Mato Grosso, IV, 15. 1 de Rosário-Oeste, VII-914, e 1 de Bigorna-Cuiabá, 31-III-915, ambas localidades assim como a de Chapada situadas nas imediações da Serra da Chapada. Examinamos também um exemplar perfeitamente idêntico aos precedentes colhido em Lassance 31-III-915, estado de Minas; todos esses exemplares se achavam classificados como E. arcuata Will por A. Lutz, na coleção do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.
Esenbeckia arcuata var. Ricardoae var. nov.
Fêmea: Comprimento do corpo: 14,5mm; das antenas: 2mm; da tromba: 4,9mm; das asas: 14mm; largura das asas: 5,5mm; distância vértico-clipeal: 3,7mm.
Cabeça: Olhos de cor verde vegetal, escuros. Ocelos cor de âmbar mais ou menos carregada; placa ocelar pouco saliente, coberta de pólen pouco mais escuro que o da pós-fronte. Craniália coberta de pólen semelhante ao da placa ocelar, com cerdas negras proclinadas. Pós-fronte com os lados curvos, mais estreita na altura do 1/3 inferior; quase tão larga embaixo quanto em cima; 4,1 vezes mais longa que larga embaixo; coberta de pólen pardo-canela; calosidade estreita, qua- se linear, da forma do traço de um ! invertido, castanha, quase sem brilho ocupando aproximadamente os 2/4 médios. Frontoclípeo revestido de pólen pardo-canela. Calo antenal pouco saliente, coberto de pólen pardo-canela. Antenas com 1° e 2° artículos cor de âmbar avermelhado, revestidos de cerdas negras; no 1° artículo existem embaixo algumas poucas mais longas, brancas; flagelo alaranjado, com o segmento apical de comprimento equivalente aos três precedentes reunidos, muito ligeiramente enfuscados. Lábio muito robusto, castanho-escuro brilhante; labelos mais escuros, muito longos, de comprimento cerca de 0,85 do do lábio, curvos e finos, com o aspecto da pinça de um forficúlida; a probóscida tem o comprimento equivalente ao do tórax. Palpos de comprimento pouco menor que o do lábio (0,85) com o tegumento pardo, exceto na face externa do segmento terminal que é em quase toda sua extensão escavada, mais clara, desnudada; a base da estipe é provida de cerdas semelhantes às da barba, o ápice tem algumas negras; o segmento distal tem a forma de uma bainha de sabre, é de comprimento pouco menor que o do lábio, revestido de cerdas curtas e negras, exceto na face externa. Genas revestidas de pólen cinzento; obscurecidas no ângulo vibrissal, onde existem cerdas castanhas com algumas cerdas branco-amareladas na sutura frontal logo abaixo do calo antenal, e com cerdas branco-amareladas bem desenvolvidas formando a barba; pós-genas cinzento-pálidas, revestidas de cerdas branco-amareladas curtas.
Tórax: Mesonoto com o tegumento alaranjado, revestido de cerdas alaranjadas semi-eretas; pilosidade mais desenvolvida nos calos pré e pós-alares, sobre as asas e no escutelo. Pleuras com o tegumento de cor semelhante ao do mesonoto, recobertas, porém, de pólen esbranquiçado; com as cerdas da mesopleura alaranjadas, da escamopleura branco-amareladas, e alaranjadas misturadas, as dos demais escleritos branco-amareladas; cerdas mais longas e densas na propleura, parte superior e posterior da mesopleura, pteropleura e escamopleura; hipopleura e metapleura apenas com algumas pouco conspícuas na parte superior.
Asas: Membrana enfuscada, coloração acentuada sobretudo ao longo do pecíolo de R e de r , assim como ao longo de cu ; células 4 5 1 C, parte apical de Sc, estigma e 1 M, mais amareladas, i-r de comprimento aproximadamente igual à dimensão do segmento de r , compreendido entre a base desta e a de i-r. Tégulas com cerdas 4
longas, alaranjadas, escâmulas com franja axilar de cerdas longas, escamas cor de âmbar, balancins com haste e capítulo alaranjados.
Pernas: Quadris com tegumento semelhante ao das pleuras, revestidos de cerdas brancas, algumas pretas, porém, na parte apical da face externa de cx e cx ; p com tegumento cor de âmbar 1 2 avermelhado, em p um pouco mais escuro, em f há algumas 3 2 cerdas amarelas na face póstero-inferior, revestidas de cerdas negras, longas no f e curtas nos segmentos restantes; embaixo o ápice de t e t e a face inferior de t e dos tarsos com cerdas 2 3 1 avermelhadas.
Abdome: Com o tegumento amarelo córneo transparente com faixas castanhas. 1° e 2° tergitos amarelo córneos; o 2° com apenas uma fina linha longitudinal ligeiramente mais escura, a qual não é constante; 3°-7° com faixa basal castanha, e distal estreita córnea, sempre presente no 3°, nos demais às vezes muito reduzida ou nula; revestidos, o 1° de cerdas pretas de cada lado do escutelo, de cerdas amarelas na borda e nos lados; 2°-7° revestidos de cerdas pretas, com cerdas amarelas misturadas com brancas nos cantos, e quando muito algumas amarelas, esparsas ao longo das bordas sobretudo dos 4°-5°. 1° e 2° esternitos inteiramente córneos, o 1° desnudado, o 2° revestido de cerdas brancas, e algumas pretas na porção lateral basal; 3°-4° córneos, ambos com uma mancha triangular basal e lateral castanha no tegumento, os 2/3 basais revestidos de cerdas pretas e o 1/3 apical de cerdas brancas em faixa; 5° e 6° escuros, revestidos de cerdas pretas exceto nos cantos onde há algumas brancas.
Um dos exemplares, colhido em Boca do Oti, apresentava misturadas com as demais, cerdas pretas no mesonoto e mesopleura, assim como as manchas triangulares do 4° esternito confluentes.
Tipo: Rotulado: S. Thomé, Tarauacá, Manaus 20-XI-912. Descrição baseada em quatro exemplares. Dois acham-se rotulados: Bocca do Oty, Tarauacá, Manaus, 17-XI-912 e um: Empresa Rio Acre, Manaus, 26-XI-912.
O nome foi dado em atenção a Miss Gertrude Ricardo.
Discussão taxonômica: Esta variedade distingue-se da forma típica, por ser mais robusta, pelo índice e conformação da pós-fronte, pela coloração das cerdas das pleuras, sobretudo as da mesopleura, pela presença de manchas triangulares em vez de uma faixa basal no 4° esternito, além da coloração geral que é mais escura, sobretudo a das asas. A estrutura da probóscida é absolutamente característica da espécie e de sua variedade.
Todos os tipos foram depositados nas coleções do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro; alguns co-tipos continuam em mãos de um de nós (O. C.).
As cores dos olhos são descritas de exemplares tratados por um método já comunicado por um de nós. Nos casos de verificação de um desenho verde sobre fundo escuro o método tem se mostrado seguro; quanto à reabilitação da cor com sua nuança natural até então tem se comportado bem, mantemos no entanto ainda algumas reservas e por isso queremos nos ressalvar.
Grande parte do material descrito acima pertence à coleção do Instituto Oswaldo Cruz, reunida pelo Dr. A. Lutz; alguns dos exemplares, porém, os determinados por Kroeber, nos foram cedidos por Frei Thomaz Borgmeier, a quem agradecemos.
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* Trabalho realizado em colaboração com Gustavo Mendes de Oliveira Castro, entomologista do Instituto Oswaldo Cruz; publicado em dezembro de 1935 nas Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Typ. do Instituto Oswaldo Cruz, t.30, fasc. 3, p.543-62. [N.E.]