Argo

Antonio Mendez e Matt Baglio · Capítulo 17 de 17

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Argo

16. Desfecho

Foram informados pelo Departamento de Estado que, se a notícia da fuga vazasse, havia uma boa 1 6 possibilidade de que os reféns sofressem represálias. Além disso, considerando a hipótese de a história de Argo vir a ser reutilizada para ajudar no resgate dos reféns, seria importante manter os detalhes da operação em segredo. Assim, em vez de serem autorizados a voltar para casa, eles ficariam escondidos numa base da Força Aérea dos Estados Unidos na Flórida até a libertação dos 53 reféns. Quando souberam que não poderiam sequer telefonar para suas famílias para informar-lhes que estavam sãos e salvos, começaram a resmungar. É claro que Lee, sendo Lee, perguntou se eles poderiam seguir para Fiji e não para a Flórida.

Passaram a noite no chalé nas montanhas, comendo pizza, tomando cerveja e sendo observados pelo chefe do setor médico da embaixada local. Disseram-lhes que não havia precedente de um grupo de funcionários do Departamento de Estado que tivesse ficado em cativeiro por um período de tempo tão prolongado. O Departamento de Estado estava ansioso para saber tudo que fosse possível para ter melhores condições de lidar com os reféns quando a situação se resolvesse. Em certo momento, foi-lhes pedido que fizessem um teste de estresse da Força Aérea, aplicado em controladores de voo, cujos resultados determinaram que a maioria estava “muito estressada”. Depois de interrogados, foi-lhes solicitado que entregassem todos os documentos falsificados, bem como o material relativo a Argo. No entanto, alguns deles guardaram seus cartões de visitas da Estúdio Seis e os possuem até hoje.

Apesar de todo o esforço do Departamento de Estado para manter a fuga dos seis em segredo, não demorou muito para que o mundo inteiro soubesse o que tinha acontecido.

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Jean Pelletier, do La Presse de Montreal, estava cozinhando aquela história havia mais de um mês. Quando descobriu que o governo canadense estava fechando a embaixada em Teerã em 28 de janeiro, ele concluiu que os americanos desaparecidos deviam ter conseguido sair. Uma vez que concordara inicialmente em não publicar a reportagem até o perigo ter passado, sentiu que havia mais do que cumprido a sua parte do acordo. Telefonou mais uma vez para a embaixada canadense em Washington pedindo confirmação, e os funcionários lhe disseram que preferiam que ele segurasse a história até que a crise inteira chegasse ao fim. Pelletier, porém, alegou que seus “instintos” lhe diziam

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que devia publicar naquele momento.Preocupado com a possibilidade de que algum outro jornalista desse o furo de reportagem antes dele e em parte pressionado por seus editores, ele resolveu finalmente soltar a matéria. O jornal a publicou na manhã de 29 de janeiro. Logo depois, a reportagem foi transmitida pelas emissoras de rádio e TV e antes da hora do almoço já havia se espalhado pelo

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mundo todo.

Com a notícia divulgada, não havia mais necessidade de manter os hóspedes em reclusão. Temendo que a história pudesse ser relacionada ao governo suíço, que ainda mantinha em funcionamento a embaixada no Irã, o Departamento de Estado apressadamente colocou os hóspedes numa van e os levou para a Base Aérea de Ramstein, na Alemanha.

Eu estava de volta a Frankfurt elaborando o meu relatório pós-operação quando a notícia estourou. Reportagens ressaltavam como os canadenses haviam abrigado os seis americanos por quase três meses antes de organizar sua fuga. Não foi feita menção alguma à CIA, ou a Argo, o que era ótimo. A última coisa de que a Casa Branca ou a Agência precisavam era que os iranianos soubessem que a CIA conduzira operações em Teerã, o que quase certamente teria colocado as vidas dos reféns em perigo. Por fim, uma vaga referência acabaria sendo feita no New York Times , dizendo que a CIA fornecera assistência técnica, mas nos dezessete anos seguintes o mundo jamais saberia a verdade

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acerca de Argo.

Na esteira do artigo de Pelletier e de outras matérias subsequentes, as manifestações de gratidão dos americanos para com o governo canadense foram sem precedentes. Lembro-me de aterrissar no Aeroporto JFK em 1º de fevereiro e pegar um exemplar do New York Post que trazia uma enorme manchete de quase dez centímetros na primeira página que dizia: “Obrigado, Canadá!”. Em bares e restaurantes, os canadenses eram tratados com tapinhas nas costas e drinques de graça. Quase em toda parte viam-se bandeiras com a folha de bordo, placas e até letreiros expressando a gratidão americana ao nosso vizinho do norte.

Em 30 de janeiro, o Congresso dos Estados Unidos aprovou uma resolução em homenagem ao Canadá, e, no dia seguinte, o presidente Carter ligou pessoalmente para agradecer ao primeiro-ministro

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Joe Clark.

Com o envolvimento da CIA mantido em segredo, a parte do leão do crédito pela operação foi para Ken Taylor. Ele se transformou da noite para o dia numa sensação e foi apelidado de “Pimpinela Escarlate” da diplomacia. Depois de voar de Teerã para Copenhague, acabou em Paris, onde foi recebido no Aeroporto Charles de Gaulle por uma multidão de fotógrafos e repórteres. Ele daria uma entrevista coletiva no dia seguinte e depois partiria para uma turnê de relações-públicas que duraria onze meses e que o levou a praticamente toda cidade importante dos Estados Unidos e do Canadá. Receberia as maiores honrarias dos dois países, inclusive a Medalha de Ouro do Congresso (entregue a gente do calibre de Dalai Lama e do papa João Paulo II). Aonde quer que fosse, era sempre delicado, tentando transferir o crédito para outros, mas claramente não se esquivava dos holofotes. É claro que Taylor estava fazendo apenas o que queríamos que fizesse, ou seja, desviar o foco das atenções dos Estados Unidos para o Canadá. Mesmo que ele quisesse, não poderia ter mencionado o papel da CIA. E, de certa forma, o que ele fazia era manter outra história de fachada, tirando a culpa dos Estados Unidos e passando para o Canadá.

Entre aqueles que sabiam, porém, a ideia de que o Canadá agira sozinho tornou-se uma oportunidade para diversão. Mais tarde fiquei sabendo que, típico do homem, Jerome Calloway mandara colocar um anúncio de página inteira no jornal local de Burbank que dizia: “Obrigado, Canadá — nós precisávamos disso!”

Quando a notícia do resgate chegou ao Irã, as reações foram previsíveis. No Ministério do Exterior, Bruce Laingen, Vic Tomseth e Mike Howland foram acusados de ajudar e instigar a fuga de algum modo e tiveram seus privilégios de telefone e telex permanentemente retirados. Na embaixada dos

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Estados Unidos, por sua vez, foi relatado que um dos militantes chamou o resgate de “ilegal”. Mas talvez a reação mais famosa tenha partido de Sadegh Ghotbzadeh, ministro do Exterior iraniano, que disse: “Cedo ou tarde, aqui ou em qualquer lugar do mundo, o Canadá pagará por essa violação da

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soberania do Irã.” Ghotbzadeh acabou condenado pelo governo iraniano e executado por um pelotão de fuzilamento, sob suspeita de compactuar com o Ocidente.

Depois que o resgate se tornou o segredo mais mal guardado do mundo, os hóspedes tiveram, enfim, permissão de voltar para casa. Passaram mais algumas noites na base militar na Alemanha, depois voaram para a Base Aérea Dover em Delaware num 707 executivo que pertencia ao comandante da OTAN, jantando filé-mignon e abacaxi fresco vindo do Havaí.

Quando chegaram ao Departamento de Estado, foram recebidos no saguão de entrada por uma multidão entusiasmada. Uma mulher segurava um cartaz que dizia NÓS AMAMOS VOCÊ, BOB ANDERS, E O CANADÁ TAMBÉM! A atmosfera estava elétrica. Depois de ouvir apenas notícias ruins sobre seus colegas aprisionados na embaixada, ali estava finalmente a oportunidade de celebrar uma vitória. Todas as suas emoções represadas extravasaram: eles batiam palmas, assobiavam, erguiam cartazes e vibravam livremente. Quando mais tarde lhe perguntaram sobre a chegada, Lee descreveu o

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momento como uma das poucas vezes em que sentiu vontade de chorar em público.

A escala seguinte foi num auditório no Departamento de Estado, onde Bob Anders leu uma declaração preparada de antemão dizendo que, devido à seriedade da situação, nem ele nem nenhum dos outros hóspedes podiam entrar em detalhes sobre a fuga. Ao comentar sua estada com os Sheardown, Bob informou que passaram a maior parte do tempo jogando Scrabble e acompanhando as notícias do mundo. Posteriormente, cada um deles ganhou de presente um jogo de Scrabble de luxo e uma carta do presidente da Hasbro — a fabricante do jogo.

Depois da coletiva, reuniram-se com Cyrus Vance e mais tarde tiveram um encontro com o presidente Carter na Casa Branca. Para os hóspedes, que vilipendiavam Carter nas discussões sobre o impasse da crise dos reféns nos jantares com os Sheardown, foi um encontro embaraçoso. Alguns deles, como Mark, ainda sentiam que o presidente conduzira mal toda a situação ao permitir que o xá entrasse nos Estados Unidos sem tomar providências para proteger a embaixada. No final, o charme sulista de Carter os conquistou, e eles foram embora com a sensação de que o presidente estava genuinamente preocupado com o bem-estar dos reféns.

Foi mais ou menos nessa época que aterrissei no Aeroporto JFK em Nova York. Eu pegara um voo de Frankfurt pela TWA e tive dificuldade para fazer com que botassem na geladeira a enorme lata de caviar com que Joe Stafford me presenteara. A comissária deu uma olhada e disse:

— Senhor, esse caviar é ou iraniano ou russo. Se for iraniano, não vou colocá-lo na geladeira antes que os reféns sejam libertados. Se for russo, depois que eles saírem do Afeganistão e as Olimpíadas forem remarcadas, teremos o maior prazer de achar um lugar para ele na nossa geladeira.

Olhei para ela com admiração. Tirei toda a minha roupa suja da sacola de mão e embrulhei a lata na minha roupa de baixo americana.

Antes de pegar o voo de conexão, liguei para a minha família do aeroporto e informei que chegaria em breve.

Foi um reencontro emocionante em Dulles quando Karen e as crianças foram me buscar. Muita coisa não foi dita, mas penso que todos podiam perceber que eu estava aliviado por voltar para casa. Mais tarde nessa noite, quando Karen e eu estávamos indo para a cama, ambos ficamos em silêncio durante um ou dois minutos. Finalmente, ela se virou para mim:

— Você é um herói nacional — ela falou e prosseguiu, após uma breve pausa —, mas ninguém nunca vai saber.

Cerca de uma semana depois, fui a Los Angeles com Hal e nossas esposas para me encontrar com Calloway e Sidell e suas mulheres. Após a publicação da história, a Estúdio Seis tinha desaparecido discretamente e era hora de manifestarmos a nossa gratidão. Dave, o funcionário da CIA para quem eu entregara os dez mil dólares em LA, também viera com sua esposa para a comemoração. Ao encostarmos no estacionamento do Universal Studios Sheraton, vimos na marquise o slogan, agora familiar, OBRIGADO, CANADÁ! E, quando nos registramos no hotel, recebemos botões de lapela metálicos gravados com os mesmos dizeres. Com orgulho, prendemos os botões nas nossas lapelas. Nossa festa de “encerramento”, a tradição hollywoodiana de comemorar o último dia de filmagem, estava sendo celebrada em segredo em meio às comemorações da grande operação de resgate feita pelo Canadá. Um observador casual teria pensado que éramos canadenses, pela forma como celebrávamos.

No fim da noite, propus um último brinde. Em pé na cabeceira da mesa e tremendo ligeiramente, ergui a taça e proferi uma palavra que pouca gente fora do nosso grupo iria ouvir ou compreender: “Argo!”

Em 11 de março, Stansfield Turner me convidou para acompanhá-lo à Casa Branca para seu encontro matinal com o presidente Carter. Disseram-me que eu teria dois minutos e meio para lhe contar brevemente a história de Argo e como conseguimos efetivá-la. A única pessoa no Salão Oval além de nós era Zbigniew Brzezinski, o assessor do presidente para assuntos de segurança nacional. Quando entrei na sala, o presidente estava ao telefone, sem o terno, debruçado sobre um memorando. Ele dizia a alguém para trocar a palavra “odeio” no pé da página dois por “abomino”. Clássico de Jimmy Carter — toda atenção aos detalhes. Turner me apresentou ao presidente e ele apertou minha mão, mas pareceu perplexo quanto a quem seria eu ou o que poderia ter feito. Turner tentou esclarecer, mas eu fui instado a contar minha história rápido para não atrasar o presidente. Quando chegou a hora do registro obrigatório, o fotógrafo da Casa Branca se adiantou e tirou várias fotos. O almirante Turner imediatamente se jogou diante da câmera, dizendo:

— Não, não, nós não podemos mostrar o rosto dele. É um agente secreto!

O presidente perguntou se não podia ficar apenas entre nós dois.

— Claro que sim — respondi.

Levaria apenas dezessete anos, mas eu acabaria obtendo permissão de ficar com a foto. Hoje ela está pendurada na minha biblioteca.

Quando cheguei a Foggy Bottom, fui até a sala de Fred Graves e ele me levou de imediato ao diretor do EST, Dave Brandwein. Tentei lhes contar sobre o meu encontro com o presidente, mas eles pareceram desinteressados.

— Aqui — disseram —, isto é mais importante.

*

Contaram-me que eu tinha sido promovido a GS15, o equivalente a um coronel O-6no exército americano.

Depois de sair do Edifício Sul e subir para o terceiro andar do Edifício Central, até meu escritório, peguei a minha secretária totalmente de surpresa:

— Adivinha só, Elaine. Fui promovido e me encontrei com o presidente, mas não nessa ordem.

— Você não recebeu meu recado? Você vai jantar na Casa Branca hoje à noite. Ligue para Jacques Dumas. Terá que estar lá às cinco.

Liguei para Jacques Dumas pelo telefone verde, a linha segura entre nossos escritórios e a central, para perguntar o que estava acontecendo. Ele explicou:

— Ah, sim. Eu inventei essa parte do jantar na Casa Branca para ter certeza de que você me ligaria. Na verdade, você vai se encontrar com Hamilton Jordan, o chefe de gabinete da Casa Branca, às cinco horas.

Minhas instruções eram ir até a Ala Oeste da Casa Branca e me encontrar com Jordan em seu escritório. Dirigi-me até a Avenida Pennsylvania, 1600, pela segunda vez no mesmo dia. Fui levado para a sala de Jordan pela sua secretária, Eleanor, informando-me que “Ham” logo chegaria. Finalmente, a porta se abriu e um rosto sorridente entrou na sala. Hamilton Jordan apertou minha mão e nos instalamos num par de cadeiras na área de estar enquanto ele se pôs a me dizer do que precisava. Jordan queria um disfarce, o melhor disfarce que pudéssemos levantar num tempo curto. E então me explicou por quê. Ele conseguira um encontro secreto paralelo com Sadegh Ghotbzadeh em Paris para discutir a libertação dos reféns. No entanto, o menor indício de que Ghotbzadeh estivesse se encontrando com Jordan botaria tudo a perder.

No dia seguinte, Eleanor me acompanhou até a barbearia no porão da Casa Branca. Ainda estava escuro quando descemos. A barbearia estava fechada, mas Eleanor me fez entrar. Fiquei surpreso de ver que era igualzinha a qualquer barbearia que eu conhecia: duas cadeiras, dois espelhos, duas pias. Ela puxou as persianas das janelas no nível do jardim e acendeu as luzes. Quando Jordan chegou, eu o fiz sentar em uma das cadeiras e usei uma peruca sob medida, bigode e óculos para alterar completamente sua aparência. Quando terminei, eu havia transformado um burocrata americano muito refinado numa figura que ele veio a chamar de “empresário latino-americano ordinário”. Recebi a descrição como um imenso elogio.

O encontro de Jordan fora parte de um cenário elaborado por dois homens, Christian Bourguet e Hector Villalon, dois aventureiros com acesso ao governo secular do Irã. Bourguet era um advogado francês envolvido em causas radicais, enquanto Villalon era um empresário argentino, que mais tarde

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Carter viria a descrever como tendo a reputação de “um jogador sul-americano de segunda linha”. Ambos eram velhos amigos de Ghotbzadeh e alegavam que podiam abrir uma linha direta entre a liderança iraniana e a Casa Branca. Era um tiro no escuro, mas Carter estava desesperado. Até esse ponto, não tinha havido nenhuma conversação direta em qualquer nível entre a Casa Branca e o Irã. Então, Carter mandou Jordan e Hal Saunders ao encontro dos dois homens em Paris, e no decorrer de algumas semanas eles conseguiram conceber um plano que diziam ter o apoio tanto de Ghotbzadeh quanto do presidente recém-eleito do Irã, Abulhassan Bani-Sadr. A convoluta ideia envolveria múltiplas etapas, a começar pela criação de uma comissão de cinco pessoas na ONU que se disporia a escutar as queixas do Irã. Essa comissão acabaria por assumir o controle dos reféns depois que fossem transferidos para um hospital em Teerã. Muitos achavam que o plano nada mais era do que um recurso para desviar a atenção. Ghotbzadeh era um maquinador por natureza, bom de lábia, mas que no final das contas pouco podia fazer em relação aos reféns. Quando Khomeini se recusou a permitir que a comissão da ONU se encontrasse com os reféns, todo o esquema ruiu.

Ninguém ficou mais frustrado com isso do que o presidente Carter. No começo de abril, parecia que a diplomacia tinha esgotado seus recursos. Em 7 de abril, ele expulsou todos os diplomatas iranianos dos Estados Unidos e adotou sanções comerciais unilaterais contra o país. Então, cinco dias depois, numa reunião do Conselho de Segurança Nacional, anunciou que estava pronto para deslanchar a Operação Garra de Águia.

Desde o começo, meu setor tinha sérias reservas sobre a viabilidade da Garra de Águia. No inverno de 1980, RAPTOR estabelecera uma nova vida no Ocidente e se alinhara com a comunidade de inteligência. Como ex-coronel iraniano, RAPTOR tinha íntimo conhecimento da topografia do país, inclusive da geografia da região que os homens do coronel Beckwith chamavam de Deserto Um. O plano, que evoluíra ligeiramente, exigia que oito helicópteros voassem para o Deserto Um de um porta-aviões americano no Mar da Arábia. Ali, estabeleceriam conexão com seis aviões C130. Os C130 trariam Beckwith e sua equipe de comandos da Força Delta e Rangers do Exército, bem como grandes recipientes de combustível para os helicópteros. Depois de serem reabastecidos, os helicópteros, então, transportariam os soldados para o Deserto Dois, o segundo local, nos arredores de Teerã. Dali, desfechariam seu ataque sobre a embaixada americana. Com seu conhecimento do local, RAPTOR percebeu na mesma hora que havia um problema. O local escolhido para o Deserto Um ficava numa rota de contrabando usada apenas à noite, e ele acreditava que os militares americanos tinham boa chance de ser descobertos se tentassem usar aquela área como base para a operação. Segundo relatos, ele advertiu os planejadores e Beckwith sobre o problema, mas foi rechaçado.

A história da Garra de Águia já foi escrita, e o mundo sabe que os helicópteros jamais chegaram à embaixada americana em Teerã. Na verdade, nem chegaram ao Deserto Dois. Os problemas começaram praticamente no início da missão. Quando os C130 chegaram ao Deserto Um, a previsão de RAPTOR se revelou verdadeira. Ao aterrissar, Beckwith e sua equipe encontraram diversos veículos desconhecidos atravessando a área em disparada. Pior ainda, acabou eclodindo um tiroteio que se transformou em incêndio. Aconteceu que um dos caminhões de contrabando estava levando combustível, e, quando um soldado tentou eliminá-lo com um foguete antitanque, a bola de fogo iluminou o céu do deserto numa extensão de quilômetros. Parecia que um dos homens no caminhão tinha conseguido escapar e chegara a um segundo veículo, que se evadiu a toda velocidade. Como se não bastasse, enquanto Beckwith contemplava a nova evolução dos fatos, um enorme ônibus Mercedes carregando perto de quarenta iranianos foi avistado, e os Rangers foram obrigados a fazê-lo parar sob a mira das armas. Isso colocou Beckwith diante de um imenso dilema e o obrigou a dividir suas forças. E lá se foi o elemento surpresa.

Enquanto isso se desenrolava, os oito helicópteros vindos do porta-aviões tinham seus próprios problemas. Dois deles tiveram panes mecânicas e foram forçados a retornar, enquanto um terceiro chegou ao Deserto Um, mas acabou ficando inoperável ao pousar. Cinco helicópteros não bastavam para completar a missão, e o presidente Carter decidiu abortá-la. Na confusão que se seguiu, um dos helicópteros colidiu com um C130 cheio de combustível. Oito soldados americanos perderam suas vidas, e vários outros se feriram. Os helicópteros e os C130 restantes voltaram sãos e salvos.

Segundo praticamente qualquer critério, o momento após o resgate fracassado foi o ponto mais baixo para os Estados Unidos durante a crise dos reféns no Irã, que durou 444 dias. Em seu livro Keeping Faith, Carter descreve esse dia como um dos piores de sua vida.

Alguns dias depois, Cyrus Vance, que desde o início fora contra a Operação Garra de Águia, renunciou ao cargo de secretário de Estado.

* * *

EM MAIO DE 1980, pelo nosso papel em ajudar a resgatar os seis hóspedes, Julio e eu recebemos a Intelligence Star [Estrela da Inteligência], uma das maiores honrarias na CIA. As medalhas e os certificados foram entregues na “bolha de segurança” — as instalações de segurança máxima da Agência —, num palco diante de algumas centenas de nossos colegas. O almirante Stansfield Turner fez as honras. Como fora uma operação secreta, minha família não teve permissão de participar da cerimônia.

Após uma breve estada no Panamá, o xá se mudara para o Egito, onde morreu em 27 de julho. Estranhamente, foi mais ou menos o cenário exato que Jerome e eu tínhamos imaginado para a nossa operação de dublê de corpo no começo da crise. Com o xá morto, os exércitos russos em marcha no Afeganistão e o Irã se cansando do embargo americano, Khomeini por fim sinalizou disposição de negociar. Os Estados Unidos foram também auxiliados inadvertidamente nessa questão pelo Iraque, que invadiu o Irã em setembro de 1980. A necessidade de munição e de partes sobressalentes americanas para suas armas foi apenas um incentivo a mais para levar os iranianos para a mesa de negociações.

Em 21 de janeiro de 1981, os 52 reféns americanos remanescentes foram finalmente libertados. Jimmy Carter voou para a Alemanha para recebê-los em pessoa, mas o prejuízo para sua carreira política já era irreversível. Seu fracasso em resolver a crise fez com que fosse visto como um líder fraco e ineficaz, e Ronald Reagan o derrotou com facilidade na eleição presidencial de 1980. Passando sal na ferida, os iranianos escolheram o dia da posse de Reagan para a entrega dos reféns. Ao todo, eles passaram quase quinze meses em cativeiro, tempo em que o governo dos Estados Unidos fora incapaz de fazer qualquer coisa para efetivar sua libertação.

Obviamente, as relações diplomáticas com o governo iraniano cessaram no dia em que a embaixada americana foi tomada. Mas ninguém poderia prever que, mais de trinta anos depois, os Estados Unidos e o Irã ainda não teriam nenhum contato formal. O Irã, país que um dia foi considerado amigo duradouro e aliado estratégico, continua sendo até hoje um estado imprevisível, governado por fundamentalistas islâmicos fanáticos. Durante a crise dos reféns, os Estados Unidos se frustraram pela sua inabilidade de negociar com um regime que punha os ideais da intolerância religiosa acima da razão e dos ditames da lei internacional. Infelizmente, pouca coisa mudou. Hoje, os Estados Unidos e o Irã estão mais distantes entre si do que nunca, enquanto a população iraniana sofre sob um regime corrupto e ineficaz.

Sabemos agora que, quando os estudantes militantes tomaram a embaixada americana, não esperavam permanecer por um período muito longo. Mas, à medida que a crise se prolongava, e com o apoio aparente do aiatolá Khomeini, eles descobriram que haviam inventado um novo instrumento para a negociação política: a tomada de reféns. Em nenhum outro país civilizado do mundo tal atitude teria sido tolerada pelo governo. E aí residiu a força dessa técnica. Com a aprovação de Khomeini, os estudantes não precisaram negociar.

O Irã, nesse ínterim, seguiu seu próprio exemplo, tomando reféns a seu bel-prazer sempre que sentia a necessidade de atenção internacional ou tinha alguma causa que necessitasse ser alavancada. Em 2007, quinze marinheiros da Marinha Real Britânica foram tomados como reféns e retidos por duas semanas. Em 2009, um navio britânico com cinco marinheiros foi abordado em águas internacionais e os marinheiros feitos reféns por mais de uma semana. Três andarilhos americanos que vagavam por território iraniano, conhecidos como “andarilhos-espiões”, foram tomados como reféns e dois deles retidos por mais de dois anos, libertados após o pagamento de uma fiança de um milhão de dólares. A embaixada britânica foi tomada em 2011; os arquivos, queimados; a bandeira, profanada; e o prédio, saqueado. Seis reféns foram tomados por pouco tempo, antes da interferência do governo. Os iranianos nunca pagaram o preço por ignorar as convenções da diplomacia internacional nem por fazerem de reféns cidadãos civis estrangeiros nas mais questionáveis circunstâncias. E não há motivo para acreditar que essa conduta seja abandonada num futuro próximo.

O Irã é, hoje, considerado uma zona de tensão, um local onde a próxima crise internacional pode estar muito bem fermentando. A insistência do país em buscar controle nuclear o tem colocado no topo da lista de estados vilões e lhe fez valer uma série de sanções internacionais por parte do resto do mundo. A imprevisível política externa praticada com Israel se assemelha a uma febre baixa que pode aumentar a qualquer momento.

Após a Primavera Árabe de 2011, ocasião em que toda a região experimentou turbulências, fui lembrado de que os iranianos não são árabes. São persas, uma etnia diferente com uma história diferente. Em 12 de junho de 2009, adeptos do candidato do partido de oposição Mir-Hossein Mousavi tomaram em massa as ruas de Teerã naquela que ficou conhecida como Revolução Verde. O objetivo era protestar contra a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad. O comparecimento às urnas foi incrivelmente elevado, e muitos iranianos desconfiam que Ahmadinejad tenha manipulado o resultado. Numa cena que lembrou de forma sinistra a violência que sacudiu a nação em 1978, os manifestantes entraram em choque com a polícia e foram recebidos com gás lacrimogêneo. Na luta que se seguiu, cerca de quarenta iranianos foram mortos. Isso foi seguido, em fevereiro de 2011, pelo que costuma ser chamado de Dia da Ira, quando defensores do candidato rival, Mousavi, decidiram fazer um comício em apoio à recente Primavera Árabe. Mas a centelha foi logo extinta pelos mulás e pela mão pesada da Guarda Revolucionária iraniana numa repressão sangrenta. Vários manifestantes foram agredidos e presos, e os jovens ativistas recuaram, talvez para protestar em outra ocasião.

Como agente da inteligência, não tenho mais confiança de que as antigas regras de relacionamento continuem a valer. É difícil negociar com um adversário que não quer colaborar. E é simplesmente impossível achar uma base comum com outro governo que não respeita as regras da diplomacia internacional. Quando as regras de governança fluem apenas dos traços religiosos do Islã, há pouco espaço para acordos ou concessões. O melhor que a nossa comunidade de inteligência pode esperar é manter um olho atento nos mulás e no governo iraniano, tentando prevenir qualquer patifaria que possam estar planejando. Uma tarefa assustadora, para dizer o mínimo.

* * *

QUANDO PENSO EM QUANTO tempo a história de Argo permaneceu em segredo, lembro-me do jantar de domingo à noite nos Sheardown, quando disse aos hóspedes que, mesmo que sentissem a tentação, não estavam autorizados a contar a ninguém o que realmente acontecera em Teerã. E isso, em sua maior parte, aconteceu. O único vazamento de alguma significância veio pouco depois que a história irrompeu, quando Jack Anderson disse em seu programa de rádio transmitido em todo o país que dois agentes da CIA tinham atuado como “mães galinhas”, fazendo os seis passarem pelo Aeroporto de Mehrabad. Presumimos que Anderson tivesse uma fonte na CIA, mas a história nunca decolou — nem no âmbito doméstico nem no internacional —, e nós suspiramos de alívio. Jean Pelletier acabaria como coautor de um livro intitulado The Canadian Caper [A travessura canadense], totalmente equivocado, pois basicamente manteve ao pé da letra a história de que o Canadá fizera tudo. A CIA não poderia ter ficado mais feliz.

Não foram escritos outros livros — nem por mim nem pelos hóspedes. E nenhum teria sido escrito, exceto pelo fato de que a CIA achou por bem me homenagear em 1997.

No seu quinquagésimo aniversário, a Agência buscou uma assessoria de comunicação para encontrar uma forma de celebrar a efeméride. Foi aconselhada a despir, mesmo que ligeiramente, seu manto de sigilo e realizar um evento público. Isso, por sua vez, tomou a forma de uma nomeação interna dos cinquenta mais importantes funcionários da CIA nos primeiros cinquenta anos. De forma surpreendente, fui um dos escolhidos.

O Prêmio Trailblazer foi apresentado com uma citação que dizia em parte que eu fora escolhido entre aqueles, “de qualquer grau hierárquico, de qualquer especialidade, em qualquer ponto da história da CIA, que se distinguiram como líderes, que fizeram uma diferença real na execução da missão da CIA, estabelecendo um padrão de excelência a ser seguido por outros”. Houve, de fato, uma cerimônia pública, para a qual a mídia foi convidada. Medalhas Trailblazer foram entregues para cada um de nós ou, em alguns casos, para os parentes próximos.

Foi a mídia, encarnada em Tim Weiner do New York Times , que solicitou a primeira entrevista. Alguém deixara escapar para ele a história do resgate dos hóspedes, mas eu disse que ele não podia usá-la. “Alguém poderia sair machucado”, eu disse. Ele escreveu a reportagem, mas não usou a operação no Irã. Então, quando consultei meus superiores na CIA, fui voto vencido. Solicitaram-me que contasse a história da operação iraniana para Dan Rather, do CBS Evening News. Quando protestei, dizendo “mas é dos nossos segredos mais bem guardados”, não me deram escolha. “Tenet quer”, disseram-me. Então, eu contei. Mas devo dizer que foi difícil permitir que meus lábios formassem as palavras da primeira vez que realmente verbalizei o que havíamos feito.

Fiquei preocupado com a segurança da minha família e com a reação iraniana depois que soubessem como tinham sido enganados. Os figurões do sétimo andar da central me garantiram que não havia perigo. “Eles jamais encontrariam a entrada da sua casa”, disse um superior, um homem que visitara meu ateliê de pintura ao longo dos anos e sabia que pegar a estrada de terra de mais de um quilômetro era um desafio para qualquer um.

Depois que a verdade veio à tona, não havia mais motivo para não celebrar a história com o público geral. Cora lembra-se de que, quando pôde finalmente contar à sua sogra, a mulher ficou furiosa:

— Por que você não me disse antes? — perguntou-lhe.

— Porque, quando você conta para um, conta para cem — Cora explicou.

Ainda no verão de 1980, convidei os hóspedes para um piquenique na minha casa. Esbarrei por acaso com Bob Anders na estação de metrô de Foggy Bottom, e ele chamou “Kevin!” do outro lado da plataforma. Nós nos abraçamos, como dois amigos que não se viam havia muito tempo. Os hóspedes estavam tão ocupados que foi difícil para eles achar um dia para nos reunirmos. Eles deram um jeito de me incluir antes de sua aparição no Yankee Stadium, quando o jogo noturno seria dedicado a eles.

Eu os convidei para o meu sítio no meio da mata para um churrasco clandestino. Ninguém podia saber. Foi só quando mandei o convite que eles descobriram meu verdadeiro nome. No churrasco, muitas vezes esqueciam e caíam no antigo hábito de me chamar de Kevin. Foi um encontro caloroso. Joe e Kathy não vieram, mas os outros estavam lá. Jack Kerry e sua esposa e Dan, da minha equipe, também puderam vir. Karen finalmente teve a oportunidade de conhecer aquela gente famosa. Jogamos tênis na nossa quadra de grama, e Lee foi a estrela do jogo, o que não surpreendeu ninguém, embora Bob também não fosse nenhum perna de pau.

Alguns deles tinham mudado; outros, não. Lee ainda era aquele velho pilantra. Cora parecia ter sido a mais afetada pelo período passado com os Sheardown. Antes de ir para o Irã, ela sempre colocara a carreira em primeiro lugar e dissera a Mark que não planejava ter filhos. Durante o tempo que passaram na casa dos Sheardown, porém, ela teve a sensação de pertencer a uma família. A experiência lhe deu uma perspectiva de vida totalmente nova, e ao voltar ela percebeu que suas prioridades tinham mudado ligeiramente.

Anos depois, visitei Jerome Calloway na Motion Picture and Television Country House, na Mulholland Drive, em Burbank, uma comunidade para aposentados do setor. Calloway e a esposa tinham se retirado para lá após um derrame que ele sofrera um pouco antes. Estava agora numa cadeira de rodas, com os movimentos limitados e dificuldade de falar, mas ainda tinha a velha centelha nos olhos e ficou claramente feliz por me ver de novo.

Quis me mostrar seu quarto. Ele e a mulher tinham apartamentos separados, e assim que entrei ficou claro o motivo. Era um quarto atulhado, enfeitado de recordações de uma longa e bem-sucedida carreira em Hollywood. Uma parede comprida, talvez de uns sete metros, estava coberta do chão ao teto com fotos em preto e branco emolduradas, reluzentes, de Jerome com todas as lendas do cinema que se podia imaginar: Shirley Temple, Audrey Hepburn, Katharine Hepburn, Walter Matthau, Elizabeth Taylor, Bob Hope... Era um passeio pelo túnel do tempo, se o túnel do tempo ficasse em um set de filmagem em Hollywood.

Seus troféus estavam arrumados numa prateleira na mesma parede, de uma ponta à outra. Estatuetas douradas de seus prêmios mais prestigiosos estavam enfileiradas. E, bem no centro, na frente, pendurada com um pouco de espaço ao redor, a Medalha de Mérito da CIA, uma das duas únicas concedidas a alguém que não pertencia ao corpo de funcionários da Agência. Era um reconhecimento especial a um homem muito especial.

Calloway virou a cadeira de rodas para ficar de frente para mim e aproximou-se para eu poder ouvi-lo mais facilmente. E começou:

— Andei pensando e decidi que, se este lugar algum dia pegar fogo e nós tivermos que sair depressa daqui, a única coisa que vou levar comigo é isso.

E apontou para a medalha.

— Está vendo, ela está pendurada baixinho, para eu poder agarrá-la desta maldita cadeira.

E rolou a cadeira para perto da parede, mostrando como conseguiria agarrar a medalha se algum dia precisasse.

Foi a última vez que vi Jerome. É uma grande lembrança de um homem que fez muito pelo seu país e que foi um bom e verdadeiro amigo.

A primeira regra em qualquer operação de tapeação é entender quem é seu público. No caso de Argo, o público não eram os iranianos, mas os próprios hóspedes. Enquanto esmiuçávamos a história de fachada nos mínimos detalhes, queríamos de fato convencer aqueles seis diplomatas americanos. É claro que, se algum funcionário iraniano tivesse de fato verificado, a história teria parecido legítima. Mas saber disso foi o que fez os hóspedes comprarem a história, em primeiro lugar. Eles acreditaram nela, o que lhes deu confiança de assumi-la.

O segundo motivo de Argo ter funcionado foi seu caráter totalmente inusitado. Era a proverbial história louca demais para ser mentira, impossível de verificar. Era algo que nenhum funcionário da inteligência, em sã consciência, teria escolhido como fachada. E aí residia sua beleza.

A maioria dos filmes de hoje é julgada como sucesso ou fracasso com base nas receitas de bilheteria. De certo modo, ainda que o nosso falso filme de ficção científica jamais tenha rendido um centavo, na minha cabeça ele teve a estreia mais bem-sucedida da história do cinema. Salvamos a vida de seis pessoas — um saldo nada mau para um filme que nunca existiu.

*

 Coronel de ordem superior, inclusive em termos de pagamento. [N. do T.]

Você terminou Argo

Antonio Mendez e Matt Baglio

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