Auto da Barca do Inferno
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AUTO DA BARCA DO INFERNO
GIL VICENTE
Obra anotada e atualizada para a grafia do português corrente
pela equipa da Luso-Livros
Esta obra respeita as regras
do Novo Acordo Ortográfico
Auto de moralidade criado por Gil Vicente em dedicação à sereníssima e muito católica rainha Leonor, nossa senhora, e representado, por sua ordem, ao poderoso príncipe e muito alto rei Manuel, primeiro de Portugal deste nome. Começa a declaração e argumento da obra:
Primeiramente, no presente auto, pressupõem-se que, no momento em que acabamos de morrer, chegamos subitamente a um rio, o qual, por força, teremos de passar num dos dois batéis que estão atracados num porto. Um deles vai em direção ao paraíso e o outro para o inferno. Os tais batéis têm, cada um, os seus comandantes na proa: o do paraíso um anjo, e o do inferno um comandante infernal e um companheiro.
O primeiro interlocutor é um Fidalgo que chega com um Pajem, que lhe segura um manto muito comprido com uma mão e uma cadeira de espaldas com a outra.
O comandante do Inferno começa o seu pregão mesmo antes do Fidalgo se aproximar.