Auto da Barca do Inferno
Diabo
À barca, à barca, venham lá!
Que temos gentil maré!
– dirigindo-se ao companheiro –
Ora põe o barco à ré! (vira a traseira do barco)
COMPANHEIRO DO DIABO
Está feito, está feito!
DIABO
Bem feito está!
Vai agora, em má hora,
Esticar aquele palanco (corda)
E desocupar aquele banco, Para a gente que virá.
– falando para o ar –
À barca, à barca, hu-u!
Depressinha, que se quer ir!
Oh, que tempo para partir,
Louvores a Belzebu!
– dirigindo-se ao companheiro – Mas então! que fazes tu?
Limpa todo aquele leito! (espaço entre o Mastro e a Popa do barco)
COMPANHEIRO
Em boa hora! Feito, feito!
DIABO
Abaixa-me esse cu!
Liberta aquela poja (corda com que se vira a vela) E afrouxa aquela driça. (corda com que se levanta a vela)
COMPANHEIRO
Oh-oh, caça! Oh-oh, iça, iça!
DIABO
Oh, que caravela esta!
Põe bandeiras, que é festa.
Vela ao alto! Âncora a pique!
Ó poderoso Dom Henrique,
Cá vindes vós? Que coisa é essa?...
Aproxima-se o Fidalgo e, chegando ao barco infernal, diz: