Auto da Barca do Inferno
Anjo
Ora, vai além embarcar,
Ali não estarás a importunar.
BRÍZIDA
Pois estou-vos eu contar
O porque me haveis de levar.
ANJO
Não penses em importunar,
Que não podes vir aqui.
BRÍZIDA
E que má hora eu servi,
Pois não me há de aproveitar!...
– Volta Brízida Vaz à Barca do Inferno, dizendo: –
Ó barqueiros da má hora,
Venha a prancha, pois aqui me vou.
Já há muito que aqui estou,
E pareço mal estar cá fora.
DIABO
Ora entrai, minha senhora,
E sereis bem recebida;
Se vivestes santa vida,
Vós o sentireis agora...
Assim que Brízida Vaz embarcou, veio um Judeu, com um bode às costas; e, chegando ao batel dos danados, diz: