Baía de Todos os Santos: aspectos humanos

Carlos Caroso · Capítulo 18 de 23 · parte 3/3

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Baía de Todos os Santos: aspectos humanos

Diversidade, visibilidade e dimensão pública da vida religiosa na Baía de Todos os Santos

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

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Anexo A - Festas religiosas em Salvador

a) São Nicodemus

 

Padroeiro dos trabalhadores do Porto de Salvador, a festa acontece na última segunda-feira de novembro. Há 66 anos ela congrega fiéis portuá- rios devotos e curiosos que se fazem presentes às homenagens. Inicia-se com a alvorada no cais do Carvão, seguida de procissão no cais do porto, celebração da missa na Capela de São Nicodemus e oferecimento de caruru para os presentes. Também conhecida como Festa do Cachimbo, esse devoção começou no início da década de 40, tendo se transforma- do bastante ao longo dos anos. Na década de 80 a missa passou a ser celebrada na atual capela. Antes, as orações ocorriam na Igreja de Nossa Senhora do Pilar e a imagem de Nicodemus ficava protegida na sede da estiva, atrás do Mercado do Ouro.

 

b) Santa Bárbara

No dia 4 de dezembro acontece a festa que se inicia, como em outras festividades religiosas, com uma alvorada de fogos às 5 horas da manhã, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, onde também é rea- lizada a missa. Devido ao numeroso público, é realizada também uma missa campal. Finalizando os festejos, a imagem de Santa Bárbara deixa a igreja seguindo em procissão até o quartel de bombeiros na Barroquinha, fazendo uma parada para seguir adiante até o Mercado de Santa Bárbara onde é servido um caruru para a população. O caruru de Santa Bárbara é realizado em diversas localidades da Cidade. A devoção à Santa Bárbara, padroeira dos bombeiros, enche as ruas de vermelho, incendiando as ruas com fé e muita cerveja.

c) Nossa Senhora da Conceição da Praia

A festa em louvor à Nossa Senhora da Conceição da Praia é a mais antiga festa religiosa do Brasil, sendo comemorada desde o ano de 1550. A pri- meira capela de taipa foi erguida a mando de Tomé de Souza que, segundo alguns relatos, teria ajudado na sua construção. A imponente igreja atual teve a sua construção iniciada em 1739. O ponto alto da festa religiosa, que se inicia dias antes com a novena em louvor à santa, é a procissão que percorre as ruas do comércio levando a imagem de Nossa Senhora da Conceição da Praia e do Deus menino. Durante o trajeto, uma parada obrigatória na Igreja do Corpo Santo, onde junta-se ao cortejo a imagem de São José.

d) Santa Luiza

Até hoje, centenas de fiéis formam fila para armazenar a água da Fonte de Santa Luzia, localizada numa gruta ao lado da Igreja de Nossa Senhora do Pilar. A igreja guarda a imagem da Santa desde o século XIX, quando um incêndio destruiu a sua capela que se localizava na região portuária de Salvador. A Festa se inicia às 5:30 da manhã do dia 13 de dezembro com uma alvorada de fogos. Várias missas se seguem durante a manhã e à tarde. Após a missa das 16:30 horas, uma procissão percorre as ruas do Comércio em direção à Basílica da Conceição da Praia.

e) Senhor Bom Jesus dos Navegantes

 

A celebração – cujos preparativos têm início no dia 27 de dezembro, fi- nalizando no primeiro domingo após o dia primeiro de janeiro com uma missa e procissão terrestre – tem seu ápice no primeiro dia do Ano Novo, quando ocorre a procissão marítima. Particularmente na Festa do Bom Jesus dos Navegantes identificamos duas personagens – Jesus e Maria – representadas por três imagens distintas: o Bom Jesus dos Navegantes, Nossa Senhora da Boa Viagem e Nossa Senhora da Conceição da Praia. O culto envolve ainda duas importantes igrejas, a Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia e a Igreja da Boa Viagem, além da Galeota Gratidão do Povo que faz o percurso marítimo transportando a imagem do Bom Jesus.

Festa da Nossa Senhora dos Navegantes na Ilha de Bom Jesus dos Passos.

Fotos: Ivy Santana.

 

f ) Festa da Lapinha

Em Salvador, a Festa de Reis acontece no bairro da Lapinha, tendo o seu ápice no dia 5 de janeiro quando ocorre o desfile dos Ternos de Reis que vêm de diversos locais da cidade. Devidamente armados com fantasias e instrumentos, fazendo representações dos Reis Magos e outras persona-gens através de música, dança e versos, os ternos encantam a população que enche o Largo da Lapinha e seus arredores. Um dos ternos mais tradi- cionais é o Rosa Menina que vem do bairro de Pernambués. Fundado em 1945, esse terno é hoje o mais antigo da cidade. A missa principal, celebrada em geral pelo Arcebispo da cidade, acontece na Igreja da Lapinha onde é possível admirar um maravilhoso presépio em tamanho natural.

g) Nosso Senhor do Bonfim

A lavagem do Bonfim é a maior festa de largo da Bahia e o ponto alto das comemorações da festa do Senhor do Bonfim. Neste dia, milhares de pessoas vestindo branco seguem em animado cortejo da Basílica da Conceição da Praia até a Colina Sagrada, num percurso de oito quilômetros. Mães e filhas de santo com seus jarros de flores e água de cheiro seguem em direção à Colina para lavar o adro da Igreja do Bonfim. Autoridades, fiéis, pagadores de promessa e foliões acompanham o cortejo a pé, em carroças e caminhões. Novena, missa solene e festa popular complementam as comemorações.

h) Festa de Iemanjá em Itapuã

Nas ruas de Itapuã o Bando Anunciador inicia o ritual de despertar os moradores do bairro ao som das violas, banjos, cavaquinhos, bandolins e maracas. É o início da Lavagem de Itapuã. Uma multidão vai se formando até que, às cinco horas, uma alvorada de fogos anuncia o nascer do sol e a pré-lavagem da escadaria da Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã pelos nativos do bairro. Esta lavagem inicial foi introduzida na festa a partir de um sonho da já falecida moradora do bairro Dona Niçu. Ela introduziu também o seu tradicional café da manhã servido a todos os participantes da festa, tradição seguida por seus filhos mesmo após a sua morte. Durante a manhã os rituais religiosos acontecem simultaneamente ao desfile de blocos de chão como "As Donzelas", "Galera do Mar" e o "Male de Balê". As ruas são tomadas por baianas, pescadores, ciclistas, capoeris- tas e cavaleiros. Ao meio dia acontece a lavagem oficial das escadarias. Durante a tarde a festa costuma ferver debaixo de um sol de verão e ao som de trios elétricos que fazem a alegria da população até a noite..

i) Festa de Iemanjá no Rio Vermelho

As homenagens a Iemanjá atraem uma multidão de pessoas que preten- dem levar suas oferendas para a Mãe das Águas, pedindo proteção, num ritual único e emocionante. Flores e perfumes são os presentes preferidos da orixá. As oferendas são levadas para a casa do peso na Colônia de Pesca do Rio Vermelho, onde serão distribuídas em diversos balaios colocados em barcos que partirão para o alto mar ao som de um espocar de fogos de artifício para, enfim, serem atirados ao mar. Pelas ruas do Rio Vermelho, diversas barracas de bebidas e comidas se espalham nas calçadas. Várias casas realizam festas particulares com atrações musicais e Djs, dando um tom pop a essa festa tão tradicional que enche de branco e de fé as ruas do bairro. No passado a festa experimentou a presença de trios elétricos que atraía um número maior de pessoas. Entretanto a experiência descaracterizava a essência pacífica da manifestação, gerando diversos episódios de violência.

 

Anexo B - Procissões na BTS

a) Ilha de Maria Guarda.

Com apenas 1 km de extensão, a vila de pescadores da ilha herdou dos índios canoeiros Tupinambás a arte da pesca. A procissão marítima re- alizada nessa ilha é em homenagem a Santo Antonio dos Navegantes e, segundo relatos, essa festividade já ocorre há cerca de 90 anos. Ela acontece no sábado de aleluia pela manhã e termina no domingo de páscoa após uma missa na igreja local cuja padroeira é Nossa Senhora da Conceição e que tem sua festa realizada no dia 2 de janeiro. A organização fica a cargo da comunidade e da prefeitura de Madre de Deus. É formada uma comissão de tesoureiros para administrar o dinheiro enviado pela prefeitura. Os participantes são basicamente os moradores da ilha, os filhos da terra que foram morar em outros lugares, moradores das ilhas próximas e veranistas. O largo é enfeitado e rodeado de barracas com venda de diversos produtos, sendo que as lanchas e embarcações são dos próprios morados e visitantes, não havendo participação de escunas ou lanchas de aluguel.

b) Ilha das Fontes (município de São Francisco do Conde).

Seu nome tem origem nas suas fontes de água doce, considerada a melhor das redondezas, a Ilha das fontes fica localizada a cerca de 5 km de são Francisco do Conde. É de propriedade de um grupo de lavradores, mais a visitação é aberta. A procissão marítima da Ilha das Fontes também é em homenagem a Santo Antonio dos Navegantes ocorrendo há 70 anos, segundo relato de moradores da região. A data de realização da festa é 27 de fevereiro e tem duração de um dia - tem seu inicio pela manhã e encerra ao cair da noite. Após o termino do cortejo inicia-se as comemorações de largo.

c) Ilha de Madre de Deus.

Distando 70 Km de Salvador, é um município de grande importância, devido a existência do terminal marítimo da Petrobrás. São duas procis- sões marítimas que ocorrem na Ilha de Madre de Deus: a Igreja Matriz Nossa Senhora Mãe dos Homens, que realiza procissão marítima em homenagem à Nossa Senhora do Monte Serrat; já na Capela de Nosso Senhor do Bonfim a procissão é em homenagem ao próprio Senhor do Bonfim. Ambas as festas são centenárias e acontecem no dia 25 de de- zembro e no domingo que antecede a festa do Senhor do Bonfim de Salvador, respectivamente.Como nas outras procissões citadas anterior- mente a maior parte dos participantes são moradores da ilha; pessoas que lá nasceram lá e moradores das ilhas vizinhas e os veranistas. Por se tratar de um município independente financeiramente, Madre de Deus possui recursos para proporcionar certo conforto aos participantes das festas: há oferta de restaurantes lanchonetes e pousadas, na praça principal há barracas oferecendo comidas e bebidas. A procissão marítima de Nossa Senhora de Monte Serrat é maior e, consequentemente, a organização das embarcações é mais elaborada, fazendo parte do cortejo escunas e outras grandes embarcações com venda de camisetas. A procissão sai da frente da casa de uma moradora de Madre de Deus que fica próxima à igreja matriz e vai até a igreja de Nossa senhora da Boa Viagem em Salvador onde é celebrada uma missa pela manhã e a tarde depois que os participantes beberam e comeram muito ao lado da igreja o cortejo retorna á ladeira da matriz onde encerra a procissão e continua a festa. A procissão marítima do senhor do Bom Fim é realizada nas proximidades e as embarcações são particulares.

d) Ilha de Bom Jesus dos Passos (município de Salvador).

 

A ilha de Bom Jesus dos Passos localiza-se entre a Ilha dos Frades, a Ilha das Vacas e o município de Madre de Deus. É uma ilha com aproximada- mente quatro mil habitantes que tem como principal meio de vida a pesca, o trabalho com transporte em embarcações e a prestação de serviços no terminal marítimo da Petrobras localizada na Ilha de Madre de Deus. Pertencendo ao município de Salvador, fica a uma distancia de aproxima- damente 70 km da capital, o que acarreta certo abandono por parte do poder público. A festa é em homenagem a Senhor Bom Jesus dos Passos e a procissão marítima é só uma parte das festividades que tem uma duração de 12 dias. A procissão marítima é em homenagem a Nossa Senhora dos Navegantes. A festa do padroeiro tem cerca de trezentos anos mais o acom- panhamento marítimo teve inicio a 107 anos atrás após um milagre no mar. O dia da procissão marítima é no segundo sábado de janeiro. A festa tem início em uma sexta feira com um período de novenas, tem a procissão marítima, três missas e três procissões terrestres sendo encerrada na terça feira (no 12º dia) com a volta da imagem do padroeiro para o altar principal, momento conhecido como a Subida. A festa é organizada pela Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos e pela comunidade que se organizam em comissões de festas e nove responsáveis pela novena. Os principais participantes são os moradores da ilha, filhos da terra que moram em outras localidades, moradores das ilhas próximas e veranistas. Desde a primeira noite da novena até o ultimo dia observam-se barracas com venda de produtos diversos, principalmente comidas e bebidas Existem duas pousadas pequenas e um espaço gratuito para camping. O dia em que ocorre a procissão marítima é o mais movimentado a população da ilha chega a duplicar. Para participar da procissão costumam ser alugadas diversas escunas e lanchas por grupos locais que vendem as camisas e oferecem bebida e comida dentro da embarcação.

 

Festa e procissões na BTS.

Fotos: Ivy Santana.

 

Anexo C - Festas religiosas na BTS

Tabela 3 - Festas religiosas nos municípios do entorno da BTS

 

jan fev Mar Abr Mai jun jul ago Set out nov dez

Itaparica x x X X x x

Vera Cruz x X x X X x x

Jaguaripe x x

Salinas da Margarida x

Maragogipe X x X X

Saubara X

São Francisco do Conde x x x X X x

Madre de Deus x x X

Candeias x x

Salvador x x x x x

 

Fonte: Secretaria de Turismo da Bahia

 

Note-se que a cidade do recôncavo que mais realiza festas é Cachoeira, oito meses durante o ano.

 

1 Ressaltamos que investigar os interesses de pesquisa é também se perguntar sobre a relevância de determinados temas e questões para a sociedade como um todo. É importante questionar sobre as áreas geográficas que possuem maior investimento de pesquisa, quais temas e religiosidades têm sido mais estudados, em quais condições os trabalhos foram realizados (se são resultados de pesquisas acadêmicas, se foram realizados no nível da graduação ou pós-graduação, se estão publicados ou se encontram em bibliotecas universitárias etc.). Perguntas como essas possibilitam inferir a qualidade e o aprofundamento das pesquisas, os desequilíbrios de temáticas e regiões, com maior e menor investimento de pesquisa, o grau de visibilidade social dos trabalhos. São todas questões que nos auxiliam a compreender adequadamente as características de uma região com grande diversidade, especialmente se tomarmos como referência as relações entre Salvador e o entorno da BTS.

 

2 Para que a pesquisa pudesse ser realizada, adotamos como critério de seleção a produção em universidades brasileiras. Foram pesquisados o banco de teses e dissertações da Capes, diversas bibliotecas em Salvador (biblioteca da UFBA e outras), teses e dissertações. Também foram pesquisados artigos e trabalhos disponibilizados na internet, principalmente através do banco de periódicos Scielo e do Google acadêmico. Além disso, foram consultados períodos de referência na área de religião, como Religião e Sociedade e Afro-Ásia, livros e coletâneas sobre o assunto. Aproveitamos para agradecer o valioso trabalho de coleta e organização de dados realizado pelos auxiliares de pesquisa Lucas Carwile e Ivy Santana.

 

3 Observamos contribuições pontuais de outras pós-graduações localizadas no Estado da Bahia: Mestrado em Cultura e Turismo da Universidade Estadual de Santa Cruz – parceria UESC/UFBA (2); Mestrado em Família na Sociedade Contemporânea da Universidade Católica de Salvador (5); Mestrado em Cultura, Memória e Desenvolvimento Regional (2) e Mestrado em Educação e Contemporaneidade (1), ambos da Universidade do Estado da Bahia; Mestrado em Desenvolvimento Regional e Urbano da Universidade Salvador (1). Também existem trabalhos defendidos em programas de pós-graduação da Universidade de Brasília (2), Universidade Federal da Paraíba (1), Universidade de São Paulo (8), Universidade Metodista de São Paulo (1), PUC de São Paulo (4) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (5).

 

4 Vale observar que, dentre as teses, dissertações e trabalhos pesquisadas, apenas uma se refere explicitamente ao estudo de um centro umbandista em Salvador (BORGES, Mackley, 2006), justamente a dissertação na área de Música. Tivemos acesso a uma dissertação sobre o trabalho de um pai de santo umbandista em Salvador, defendida na Universidade da Califórnia. (FALGOUST, 2008) Em razão do recorte assumido neste trabalho e explicitado anteriormente, essa dissertação não foi contabilizada.

 

5 Jadson Santos (2001, p. 68-69) destaca os seguintes terreiros: Ilê Axé Alaketo Oxum, o Alto do Rosarinho; Yemanjá Ogunté, Baixa da Olaria; Centro de Caboclo Jeremias, Ladeira Manoel Vitorio; Toloy Rum Pam Rum Toloy, Alto da Levada e Rua do Caquende; Candomblé de Dona Nilta, Alto da Levada; Ogum Meji, Ladeira Manuel Vitorio; Ilê Axé Alaketu Oxum Apara, Ponta da Calçada; Candomblé da Dalva, Rua Senhor dos Passos; Candomblé de Dona Dionísia, Rua da Faceira no Caquende; Candomblé do Ventura; Candomblé de Dona Anália, Ladeira do Rosarinho. No passado, os destacados são os seguintes: João Miguel dos Santos, Rua do Recreio, 9 Caquende; Antonio de Jesus, Rua São Diogo; Donata Raimunda Conceição, Rua São Cristóvão; Damiana Maria Alexandrina de Jesus, Belém de Cachoeira; Euridice Wanda Melo, Travessa do Caquende, 15; Justiniano de Jesus, Ladeira da Cadeia; Gerônimo Pereira da Conceição, Terra Vermelha; Aurelina de Jesus; Hermínio Lopes Ramos, Caixa D'água; Maria de Lourdes Ramos, Caquende; Seu Vicente, Ladeira do Caquende/Levada; Madame Maria Rangel, Tororó.

 

6 Edmar Santos (2007, p. 94-95) apresenta o seguinte relato de Gaiaku Luiza (1909-2005), em entrevista realizada em 2003, sobre as antigas participantes da Irmandade: "Na Boa Morte quem não tinha candomblé, frequentava. Tinha umas senhoras aqui, andavam de saia mas não era de candomblé, descendente, mas não era. [...] Aquelas senhoras aposentadas [no sentido da idade]. Eram negociantes, vendiam suas casas, negócio de venda, se a vendagem saía."

 

7 A importância do ritual da lavagem não é exclusividade da festa do Bonfim. É o que acentua Guimarães (2004, p. 143): "É impossível pensar a grande maioria das festas sem suas 'lavagens' e, consequentemente, sem as baianas que efetivamente realizam o ritual de limpeza e purificação. Por surpreendente, mesmo paradoxal, que pareça, é impossível separar essas festas das comemorações em louvor aos santos da Igreja Católica".