Diálogos sobre a religião natural

David Hume · Capítulo 21 de 26

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Diálogos sobre a religião natural

VII. Carta a Adam Smith

Podes ficar surpreso em me ouvir falar de viver anos,

considerando o estado em que me viste e a opinião que tanto eu quanto todos os meus amigos em Edimburgo têm a este respeito. Mas embora eu não possa visitar o temperamento alegre de nosso amigo John, me encontro muito recuperado em trânsito, e espero que as águas de Bath e outras viagens possam acarretar minha cura.

Pela pouca companhia que tenho visto, acho que a cidade está

bem cheia de seu livro 79, que recebe aprovação geral. Muitas pessoas acham disputáveis alguns pontos particulares, mas isto certamente esperavas; estou feliz em ser um desta gente, já que esses pontos serão o assunto de futura conversa entre nós.

Saio para Bath, creio que na segunda-feira, por direções de Sir

John Pringle, que diz não ver nada a temer no meu caso. Se me escreveres, hem!, hem!, digo, se me escreveres, manda tuas cartas

num envelope para o Sr. Strahan 80, que terá meu endereço.

Lamento muito, ao sair de Edimburgo, que eu perca muito de tua

companhia, da qual eu teria desfrutado neste verão.

Sou, caro Smith,

Teu, sincera e afetuosamente,

DAVID HUME.

Para Adam Smith Esqr em Kirkaldy.

 

VII. Carta a Adam Smith

 

(L, v. II, p. 317-8)

 

Londres, 3 de maio de 1776

Meu caro senhor,

Depois de ter refletido com mais maturidade sobre aquele artigo

do meu testamento pelo qual deixo-te o uso de todos os meus papeis, com o pedido de que publiques meus Diálogos sobre a religião natural, dei-me conta de que tanto por causa da natureza do trabalho quanto de tua situação, pode ser impróprio apressar a publicação. Portanto, tomo a presente oportunidade para qualificar esse pedido amigável: contento-me em deixar inteiramente à tua discrição em que momento publicarás aquela obra ou se de fato a publicarás mesmo. Encontrarás entre meus papéis uma obra bem inofensiva, chamada Minha vida, que compus poucos dias antes de deixar Edimburgo, quando pensei, como todos os meus amigos, que minha vida não tinha esperanças. Não pode haver objeções a que essa pequena obra seja mandada à Sra. Strahan, Cadell e aos proprietários de meus outros trabalhos para ser afixada em qualquer edição futura. Sou, caro senhor,