Diálogos sobre a religião natural
X. Carta a Adam Smith
(L, v. II, p. 335-6.)
Edimburgo, 23 de agosto de 177683
Meu caríssimo amigo,
Estou obrigado a fazer uso da mão do meu sobrinho ao escrever-
te, já que não levanto hoje.
Não há homem em quem eu tenha mais confiança do que o Sr.
Strahan, mas ainda assim deixei a propriedade daquele manuscrito para o meu sobrinho David, no caso de, por algum acidente, ele não ser publicado dentro de três anos após meu falecimento. O único acidente que pude prever seria um com a vida do Sr. Strahan, e sem essa cláusula meu sobrinho não teria nenhum direito de publicá-lo. Faz a gentileza de avisar ao Sr. Strahan esta circunstância.
És gentil demais em pensar que algumas bagatelas que me
preocupam são tão dignas de tua atenção, mas dou-te toda a liberdade para fazer qualquer acréscimo que te aprouver na descrição de minha vida.
Vou muito rápido para o declínio, e na noite passada tive uma
pequena febre da qual esperei que abreviasse essa doença tediosa, mas infelizmente em grade medida passou. Não posso te propor que venhas cá por minha própria conta, já que me é possível ver-te numa parte tão pequena do dia, mas o Dr. Black pode informar melhor sobre o grau de força que pode de tempos em tempos remanescer comigo.
Adieu, meu caríssimo amigo.
David Hume
P.S. Foi uma asneira estranha mandar-te uma carta pelo portador.
Adam Smith Esqr. Kirkaldy