Educando Meninos

James Dobson · Capítulo 8 de 19

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Educando Meninos

7. Mães e filhos

 

OLHE, MÃE, AGORA É a sua vez. Vamos falar do que significa ser menino e como você pode relacionar-se melhor com eles. Tenho o maior respeito e admiração por aquelas que são abençoadas por terem recebido a graça de ser mães. Há algumas tarefas na experiência humana que exigem as habilidades e a sabedoria necessárias a uma mãe no cumprimento de seus deveres diários. Ela deve ser uma psicóloga residente, médica, teóloga, educadora, enfermeira, cozinheira, motorista, bombeira e, ocasionalmente, policial. Se tiver sucesso em cada uma dessas responsabilidades, ela terá de repetir tudo outra vez amanhã.

A fim de compreender o mundo em que vive a mãe jovem, nossos leitores do sexo masculino talvez queiram acompanhar uma delas numa visita pela manhã ao pediatra. Depois de ficar sentada 45 minutos com um garotinho irritado, febril, no colo, a mamãe e o bebê são finalmente recebidos no consultório. O médico examina a criança doente e depois diz à mulher com expressão séria: — É preciso que ele fique quieto durante quatro ou cinco dias. Não deixe que coce a erupção. Ele não pode cuspir o remédio, e você vai ter de ficar atenta às suas fezes.

— Está bem, dr.! Mais alguma recomendação?

— Sim, mais uma. Esta doença é altamente contagiosa. Faça com que seus quatro outros filhos fiquem longe dele. Volte dentro de uma semana.

O surpreendente sobre as mães é que a maioria delas conseguiria cumprir o recado e fazê-lo com amor e graça. Deus as fez boas em sua missão. Deu a elas paixão pelos filhos. A maioria delas daria literalmente a vida para proteger as crianças que lhe foram confiadas. Apesar dessa dedicação, porém, muitas mulheres admitem que educar meninos tem sido um desafio especial. Como mencionado antes, elas lembram como era ser uma menininha enfeitada de babados, mas só têm uma vaga ideia de como seus filhos sentem, pensam e se comportam. Os meninos tendem a fazer bagunça, provocar os outros irmãos, correr pela casa e desafiar cada decisão e ordem que lhes dão.

Um de meus colegas, o dr. Tim Irwin, compartilhou sua observação de que as mulheres que não cresceram com irmãos ficam no geral espantadas com os meninos — com a aparência, sons e cheiros que eles geram. Algumas admitem não terem “ideia” de como lidar com eles. Uma sugestão óbvia é ajudar os meninos a liberarem seu excesso de energia envolvendo-os em atividades onde lutas, risos, corridas, acrobacias e gritos sejam aceitáveis. Futebol, judô e basquete são algumas das possibilidades. As mães também precisam fazer com que as mentes e mãos dos meninos estejam sempre ocupadas. Isso é do seu maior interesse. Meu pai disse certa vez sobre nosso menino irrequieto: “Se você deixar que esse menino fique entediado, vai merecer o que ele fizer”. O padrasto de Shirley, depois de cuidar de nossos filhos por uma semana, sugeriu: “Boas crianças, mas você tem de mantê-las ao ar livre”. Bom conselho!

Há outra característica dos meninos que aposto que você notou. Eles quase não escutam a maior parte do tempo. Têm habilidade notável para ignorar tudo o que não lhes interessa. Os homens são também assim. Minha mulher não consegue entender como posso escrever um livro, inclusive este, enquanto um jogo de futebol televisionado está berrando no escritório. Na verdade, não assisto e componho ao mesmo tempo, mas posso desligar o som em minha mente até que decida ouvi-lo, como quando um replay aparece na tela. Depois de assistir por alguns momentos, volto ao que estava fazendo. Este é um “talento” que enlouquece as mulheres. Os maridos conseguem ler um relatório do trabalho e não ouvir nada que está sendo dito a um metro de distância. Uma senhora frustrada chegou a pôr um fósforo aceso na parte de baixo do jornal que o marido estava lendo, o que chamou a atenção dele quando a chama alcançou seu rosto. Ela disse que a única outra maneira de despertá-lo seria dançar completamente nua na mesa da sala de jantar. Não tenho certeza de que isso daria certo!

Os meninos têm essa mesma habilidade de ignorar as mães. Eles sinceramente não escutam as palavras que estão sendo despejadas em seus ouvidos. É por esse motivo que recomendo às mães que toquem fisicamente os filhos quando quiserem obter sua atenção. Quando se voltarem para olhá-la, dê suas mensagens em frases curtas. Vou falar a respeito de comunicação com os meninos mais tarde, mas, por ora, quero discutir os vários indícios do desenvolvimento, começando ao nascer.

Nos capítulos anteriores, falamos sobre o papel essencial que os pais desempenham no início do desenvolvimento dos meninos, mas as mães também fazem parte disso. Não há meios de enfatizar excessivamente a importância do que é chamado de “elo infantil” entre mãe e filho de ambos os sexos. A qualidade desse relacionamento terá implicações para a vida inteira e pode até determinar a vida ou a morte. Mary Carlson, uma pesquisadora da Escola de Medicina Harvard, estudou recentemente um orfanato romeno lotado, onde, fila após fila, bebês ficavam abandonados em seus berços. Os funcionários tinham trabalho demais, e os bebês quase nunca eram tocados, nem mesmo para serem amamentados. O que mais surpreendeu Carlson foi o silêncio opressivo no berçário. Ninguém chorava, ninguém tagarelava, nem sequer um choramingo. Depois de exames físicos aos 2 anos, Carlson descobriu que os bebês tinham índices muito altos, no sangue, de certo hormônio do estresse chamado cortisol. Esse hormônio em quantidades excessivas pode afetar o cérebro. (Mencionamos este fenômeno no quarto capítulo.) O crescimento foi retardado, e as crianças agiam como se tivessem metade da idade

cronológica. 1 Mesmo que consigam sobreviver, jamais se recuperarão totalmente.

Mas, quais as implicações de circunstâncias menos trágicas onde o relacionamento mãe-menino simplesmente falha em assumir uma forma definida? Essa pergunta específica foi estudada na Universidade de Harvard. Os pesquisadores descobriram que o elo na vida é essencial, sendo até ligado à saúde física quarenta ou cinquenta anos mais tarde. É incrível, mas 91% dos estudantes da faculdade que disseram não ter gozado de relacionamento próximo com as mães desenvolveram doenças coronárias arteriais, hipertensão, úlceras do duodeno e alcoolismo na meia-idade. Só 45% desses homens que se lembravam do calor e proximidade materna tiveram doenças similares. Ainda mais surpreendente é o fato de que 100% dos participantes deste estudo cujos pais eram frios e distantes vieram a sofrer várias moléstias na meia-idade. Em resumo, a qualidade dos primeiros relacionamentos entre os meninos e suas mães é um poderoso presságio de saúde psicológica e física durante a vida inteira. Quando certas necessidades não são satisfeitas na infância, os

problemas pairam em toda a estrada. 2

Em vista da natureza delicada das crianças pequenas, é talvez compreensível por que eu continuo firmemente contrário à colocação delas nas creches, a não ser que não haja alternativa. Pode até parecer que as crianças estão lidando adequadamente com uma série de babás temporárias, mas elas foram destinadas a ligar-se emocionalmente com a mãe e o pai e desenvolver-se com segurança na proteção de seus braços. Essa crença foi raramente desafiada durante cinco mil anos, mas muitas mulheres hoje acham que não têm escolha além de voltar ao trabalho o mais depressa possível depois de dar à luz. Se você é uma delas, deixe-me dizer respeitosa e compassivamente que compreendo as pressões financeiras e emocionais que você enfrenta. Mas, para as mães recentes que têm outras opções, eu recomendaria enfaticamente que não entreguem seus bebês para as creches, muitas das quais têm funcionárias que ganham pouco e não possuem suficiente treinamento. Elas também não compartilham sua dedicação irracional a essa criança.

Minha opinião sobre este assunto é comprovada. O Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano conduziu o estudo mais abrangente sobre este tema feito até hoje. Mais de 1.100 mães e crianças em dez dos principais centros de cuidados nos Estados Unidos foram avaliadas quando as crianças tinham 6, 15, 24 e 36 meses. Os resultados preliminares foram publicados no jornal USA Today, como segue:

As mulheres que trabalham se preocupam em deixar seus filhos pequenos aos cuidados de outras pessoas, com medo de prejudicar o relacionamento entre eles. Notícias do governo federal confirmam que têm razão em preocupar-se. Quanto mais horas a criança fica com outros nos três primeiros anos de vida,

a tendência é de uma interação menos positiva entre mãe e filho.3

As descobertas preliminares confirmam que deixar uma criança muito pequena numa creche significa menos envolvimento sensível entre mãe e filho. A criança tende também a reagir menos positivamente à mãe. Em outras palavras, o elo entre mãe e filho é um tanto afetado pela experiência, especialmente quando a natureza da mãe inclina-se para a insensibilidade.

Esses dados foram expedidos quando o estudo não estava ainda completo. Ao ser concluído em 2001, os pesquisadores anunciaram descobertas ainda mais perturbadoras. Eles disseram que as crianças que passavam a maior parte do tempo nas creches tinham três vezes mais probabilidades de apresentar problemas comportamentais no jardim de infância do que as cuidadas principalmente pelas mães. Esses resultados foram baseados em avaliações das crianças pelas mães, pelas pessoas que cuidavam delas e pelas professoras do jardim de infância. Havia uma correlação direta entre o tempo passado na creche e atitudes como agressão, rebeldia e desobediência. Quanto mais tempo passado nesses ambientes fora de casa, tanto maiores os problemas comportamentais. O dr. Jay Belsky, um dos principais investigadores do estudo, disse que as crianças que passam mais de trinta horas por semana em creches “são mais exigentes, insubmissas e agressivas. Elas tiveram mais pontos em relação a: participar de mais brigas, crueldade, provocação, mesquinharia, assim como falar demais, exigir que suas demandas sejam

imediatamente satisfeitas”.4

Depois da publicação deste estudo, houve grita das comunidades liberais, que afirmam há anos que as crianças dos centros de cuidados infantis vicejam melhor. Elas atacaram a metodologia do estudo e consideraram inválidas as suas descobertas. Outras exigiram mais dinheiro federal para programas de qualidade para as creches. Não há dúvida de que melhores opções são necessárias para os pais que precisam depender das creches. Todavia, tenho uma ideia melhor. Por que não reduzir os impostos sobre os pais, a fim de que as mães possam fazer o que a maioria delas deseja desesperadamente — ficar em casa com os filhos?

Num estudo conduzido pela Public Agenda, 70% das mães de crianças com menos de 5 anos queriam deixar o trabalho. Setenta e um por cento disseram que a creche era o “último recurso”. Ao perguntarem qual o arranjo melhor para as crianças pequenas, 70% responderam que um dos pais em casa é o preferível, 14% disseram que quando os pais trabalham em horários diferentes é melhor e 6% preferem um parente próximo. Só 6% consideravam que um centro de cuidados

infantis de qualidade é a melhor opção.5 Deborah Wadsworth, presidente da Public Agenda, disse: “Quando se trata de entregar o filho a outro adulto que não conhecem,

elas ficam ansiosas”.6

Quando nossa primogênita tinha 2 anos, eu estava terminando meu doutorado na Universidade da Califórnia do Sul. Cada centavo disponível era necessário para sustentar meus estudos e despesas associadas. Embora não quiséssemos que Shirley trabalhasse enquanto Danae era pequena, sentimos que não havia opção. Shirley lecionava e nossa menininha ia para uma creche todas as manhãs. Certo dia, quando chegamos ao centro, Danae começou a chorar incontrolavelmente. “Não! Não! Não, papai!” — ela me disse. Agarrou-se ao meu pescoço enquanto a levava até a porta e suplicou que eu não fosse embora. As crianças nessa idade não gostam de separar-se dos pais, mas aquilo era um tanto diferente. Danae tinha o olhar aterrorizado, e suspeitei que ficara muito perturbada da última vez em que estivera ali. Só podia, entretanto, imaginar o que acontecera. Dei meia-volta e fui para o carro com minha filhinha preciosa nos braços. Quando estávamos sozinhos, disse a ela: “Danae, prometo que você nunca mais terá de ficar de novo na creche”. E cumpri a promessa.

Shirley e eu conversamos sobre como resolver o problema. Decidimos finalmente vender e “comer” um dos nossos Volkswagens, o que permitiu que ela ficasse em casa para cuidar de nossa filha durante um ano. Quando o dinheiro estava acabando, eu já saíra da escola e Shirley pôde, então, ser mãe em tempo integral. Nem todos poderiam ter feito o que fizemos e, certamente, há milhares de pais e mães sozinhos que não têm alternativas. Se for esse o caso, você simplesmente tem de fazer o seu melhor. Se um parente ou amigo puder ficar com seu filho durante o dia, isso é melhor do que uma creche, em iguais circunstâncias. O necessário é a continuidade no relacionamento entre a criança e a pessoa que cuida dela diariamente.

A conclusão de muitos estudos sobre a infância e o desenvolvimento da criança pequena é sólida: os bebês têm várias necessidades emocionais essenciais. Entre elas estão o toque, a conexão, a permanência, a formação e a afirmação. Sofro pelas muitas crianças violentadas e negligenciadas hoje, cujas necessidades são tragicamente ignoradas. Não há nada mais triste nesta vida do que uma criança que não é amada ou que se sente mal amada. Desejo algumas vezes que os bebês nascessem com um letreiro no pescoço advertindo: “Aviso! Cuidado! Frágil! Tenha amor por mim. Proteja-me! Dê-me um lugar em seu coração”.

Apesar da importância inicial do laço mãe-filho, pode parecer estranho que os meninos precisem separar-se das mães durante o período entre 15 e 36 meses. Os meninos, ainda mais que as meninas, ficam negativos nessa idade e resistem a quaisquer esforços para dominá-los ou dirigi-los. Dizem não para tudo, até para as coisas de que gostam. Fogem quando chamados e berram desesperadamente na hora de dormir. No geral, respondem melhor aos pais, mas não muito. Creia você ou não, este é o momento de oportunidade para a mãe. Ela deve tomar conta nesses dias deliciosos, mas desafiadores da tenra infância. Não basta deixar a disciplina apenas para o pai. O respeito pela sua autoridade e liderança é firmado neste período, e as oportunidades perdidas serão difíceis de recuperar mais tarde. Lembre-se de que os meninos necessitam desesperadamente de supervisão. Eles precisam ser também literalmente “civilizados”. Na ausência de uma liderança firme, mas amorosa, eles tendem a seguir suas inclinações egoístas e destrutivas, que podem ser prejudiciais para um menino e para os outros membros da família. Vamos tratar melhor dos princípios da disciplina no capítulo 16.

Quais as outras implicações para as mães durante este período de desligamento e diferenciação? De um lado, elas não devem sentir-se rejeitadas e feridas pela gravitação dos filhos em direção aos pais. Lembrem-se de que o comportamento não é pessoal. Os meninos são geneticamente programados para sentir-se assim. Lembro-me de ter-me sentido embaraçado com os abraços e beijos de minha mãe quando tinha 3 anos. Certo dia, disse a ela que isso era “tolo”. Sua resposta sábia foi: — Eu também acho. — Eu queria e precisava do amor dela, mas já sentia um impulso estranho na direção de meu pai. Embora a maioria das crianças não seja capaz de articular esse impulso, o que está acontecendo é um processo saudável mediante o qual a virilidade vai desabrochar na hora oportuna. As mães devem encorajar os pais a marcar presença ao lado dos filhos quando a necessidade é maior. Mostrem a eles esta parte do meu livro, mesmo que não leiam o resto. Os homens tendem a ficar extremamente ocupados durante os primeiros anos da vida do filho, e sua mente se fixa em outras coisas. Um empurrão delicado chamará melhor a atenção deles do que inundá-los com culpas e críticas.

Com a passagem do tempo, a sexualidade dos meninos ficará mais aparente.

Não acredite nem por um momento que eles são assexuados, desde a mais tenra infância. Algumas crianças pequenas e pré-escolares vão segurar ou esfregar os genitais, o que tem sido incorretamente chamado de masturbação. Isso embaraça e preocupa as mães, mas não tem implicações morais nem é algo permanente. Indica simplesmente que o menino descobriu “o lugar em que tem boas sensações”. Ele pode ser ensinado que há uma hora certa e uma hora errada para tocar em si mesmo, mas não deve ser envergonhado ou castigado por ser “ligado” adequadamente.

Quando eu tinha 5 anos estava deitado na cama com minha tia-avó. Ela era uma mulher idosa com algumas ideias recatadas. Eu tinha quase adormecido e ela lia. De repente, disse alarmada “O que você está fazendo debaixo das cobertas?”. Pode acreditar, eu não estava fazendo nada sob os lençóis. Nem sequer sabia que havia algo interessante a ser feito ali. Acho engraçado quando penso naquele momento, mas fiquei confuso e imaginando por que minha tia estava preocupada. Não cometa um erro igual com seus meninos.

Durante os primeiros anos, os meninos às vezes fantasiam com relação às mulheres ou meninas. Não que pensem em intercurso, que poucos deles compreendem, mas têm vagos pensamentos sobre nudez ou outras imagens sexuais das mulheres. Tudo isso faz parte da experiência masculina.

Lembro-me de uma amiga que estava com seu filho de 7 anos no carro. De repente, ele começou a fazer uma série de perguntas relevantes sobre sexo. Insistiu em que ela contasse tudo sobre os bebês e como eram concebidos. Para sua mãe, não foi fácil ter sido confrontada tão cedo com questões com as quais não esperava lidar senão dali a dois ou três anos. Ela contou tudo. Enquanto a mãe falava, o menino ficou olhando para a frente sem fixar os olhos. Quando a lição terminou, ele estendeu o braço e apertou o botão para abrir a janela, depois pôs a cabeça para fora, dizendo: “Oooohhhh! Que nojo! Vou vomitar! Não quero nem lembrar disto”. Algumas semanas mais tarde, quando seu priminho nasceu, ele contou ao irmão menor de onde a criança viera. Mas ele não entendera direito. “A mãe e o pai”, disse ele “tiveram de fazer aquela coisa de esper” (significando coisa de esperma).

Os 10 anos para a maioria dos meninos é uma época adorável. Alguns a chamaram de período “angélico”, quando a colaboração e a obediência estão no auge. Isso não vai mais acontecer. Aos 11 anos, o menino típico provavelmente vai tornar-se caprichoso e mal-humorado. Pode irritar a mãe, provocar os irmãos e irmãs menores e avançar um pouco mais os seus limites. Isto significa que a testosterona está começando a correr e a rebelião da adolescência vem chegando. Depois, vêm os 12 e os 13. Nos três anos seguintes, segure, se puder!

A falecida conselheira e autora Jean Lush foi minha entrevistada há alguns anos para discutir este assunto de mães e filhos no programa Focus on the Family. Esta é uma parte do que ela disse sobre o início da puberdade:

De todo aconselhamento que já fiz e de minhas leituras, posso dizer... nossa, o décimo terceiro ano pode ser um ano difícil. Vou dar-lhe um exemplo de minha família. A mãe notou que o filho estava de mau humor e disse: — Venha cá e veja estas fotos. Quero que me ajude a escolher qual vou usar para o Natal. São retratos meus. — O menino aproximou-se e disse: — Não gosto de nenhuma delas. Você está com mau hálito. Vou para o meu quarto. — A

mãe falou: — Fiquei tão magoada! — Duas horas depois, porém, o garoto saiu do quarto e disse: — Amo você, mamãe. — Ele a beijou e foi dormir. Esta foi uma atitude típica do rapazinho de 13 anos. Nessa idade ele vai mostrar-se muitas vezes rude e implicante. Vai gritar com os pais, bater portas e mudar várias vezes de humor. Mas, de repente, sai do casulo e volta a ser um membro agradável da família. Esses meninos entre os 13 e os 14 anos são realmente difíceis de entender.

Outra coisa: o menino alcança a maturidade masculina sobre o corpo

morto da mãe. Não se esqueça disso. Ele não apenas a mata, mas a “esfaqueia” lentamente. Vou explicar. Penso que muitos meninos têm medo da masculinidade à sua frente. É claro que nem todos são assim. Alguns apenas prosseguem com facilidade, mas há outros que perguntam ansiosos: “Será que um dia vou tornar-me um homem de verdade?”. Nesses casos a mãe está em seu caminho. Se for próxima demais, a criança pode sentir-se engolida por ela. Afinal de contas, ela é uma mulher. Fica entre ele e o fato de ser homem. Os meninos que lutam mais são, às vezes, aqueles que tiveram relacionamentos mais aproximados com as mães. Portanto, o que fazem para tirá-la da frente? Têm de “matá-la”. Matar é o menino que disse: “Você tem mau hálito”. Essa foi a sua maneira de estabelecer a sua masculinidade. Esse episódio foi muito difícil para a mãe, que se sentiu rejeitada e ferida pelo filho, mas é uma transição que elas têm de aceitar. As mães cujos filhos de repente passam por este tipo de alienação ficam inclinadas a perguntar a si mesmas: “O que estou fazendo de errado? Não sei o que fazer. Meu filho é um pequeno tirano”. Fique

firme. Melhores dias virão.7

Mas e se dias melhores não vierem? E se a atitude do Júnior piorar cada vez mais na adolescência? Estou certo de que isso aconteceu, ou acontecerá, com um ou mais de seus filhos. É um impulso hormonal e ocorre nas melhores famílias. Quando a hostilidade e a rebelião começam a aparecer, como você impede seus filhos (e filhas) de explodirem e fazerem algo idiota? Já tratei desse assunto em outros livros, mas quero oferecer uma descoberta que não havia compartilhado antes. Um Estudo de Saúde pesquisou 11.572 adolescentes para determinar quais os fatores mais úteis para a prevenção do comportamento negativo, tal como violência, suicídio, uso de drogas, comportamento sexual precoce e gravidez na adolescência. Estes foram os resultados da pesquisa: A presença dos pais é muito positiva em quatro momentos críticos do dia — de manhã, depois da escola, na hora do jantar e na hora de dormir. Quando esse contato regular é combinado com outras atividades compartilhadas entre pais e filhos, um resultado altamente positivo é obtido. Os pesquisadores observaram também que os adolescentes que tinham um sentimento de ligação com os pais (sentimentos de calor, amor e cuidado) tinham menos

probabilidade de se envolverem em comportamentos prejudiciais.8

Alguns de meus leitores talvez perguntem: “Como posso estar com meu adolescente de manhã, à tarde e à noite? Tenho muito trabalho a fazer”. Na verdade, você tem simplesmente de decidir o que é mais importante para você a esta altura. Não vai ser tão importante daqui a alguns anos, mas sua disponibilidade agora pode fazer a diferença para seu filho entre sobreviver ou pular do penhasco.

Meus pais tiveram de enfrentar essa escolha difícil quando eu tinha 16 anos. Meu pai era um evangelista que viajava a maior parte do tempo, enquanto minha mãe ficava em casa comigo. Durante a adolescência, comecei a ficar implicante com minha mãe. Nunca cheguei à rebelião total, mas estava definitivamente namorando a possibilidade. Nunca esquecerei a noite em que minha mãe telefonou para meu pai. Eu estava escutando quando ela disse: “Preciso de você”. Para minha surpresa, meu pai cancelou imediatamente uma lista de quatro anos de reuniões, vendeu nossa casa e mudamos para o sul. Assumiu ali um pastorado para poder ficar comigo até que terminasse a escola secundária. Aquele foi um enorme sacrifício para ele, do qual nunca se recuperou profissionalmente. Mas ele e minha mãe sentiram que meu bem-estar era mais importante do que as suas responsabilidades imediatas. Meu pai ficou em casa comigo durante aqueles anos difíceis quando eu poderia ter entrado em sérias dificuldades. Quando falo com reverência de meus pais hoje, como costumo fazer, uma das razões é por terem dado prioridade a mim quando eu estava escorregando para perto da beirada. Você faria o mesmo pelo seu adolescente?

Você talvez não seja chamado para fazer uma mudança assim radical em seu estilo de vida. A solução é, às vezes, muito mais simples, segundo um estudo conduzido pelo dr. Blake Bowden, do Hospital Infantil de Cincinnati. Ele e seus colegas pesquisaram 527 adolescentes para saber que características de família e de estilo de vida estavam relacionadas com a saúde e o ajuste mental. O que eles, mais uma vez, observaram foi que os adolescentes cujos pais jantavam com eles cinco vezes por semana ou mais tinham menos probabilidade de usarem drogas, ficarem deprimidos ou terem problemas com a lei. Tinham também mais probabilidade de se saírem bem na escola e de serem cercados por um círculo de amigos que serviam de apoio. O benefício foi visto até para as famílias que não comiam juntas em casa. Os que se reuniam em restaurantes fast-food tiveram os mesmos resultados. Em contraste, os adolescentes mais desajustados tinham pais que só comiam com eles

três noites ou menos por semana.9

Não é interessante como os dois estudos registrados chegaram à mesma conclusão? O envolvimento dos pais é a chave para ajudar os filhos a atravessarem as tempestades da adolescência. Esta é outra investigação associada a crianças menores. A dra. Catherine Snow, professora de educação da Faculdade de Educação de Harvard, acompanhou 65 famílias durante um período de oito anos. Ela descobriu que a hora do jantar tinha mais valor para o desenvolvimento da criança

do que a das brincadeiras, da escola e de ouvir histórias.10 Há claramente poder em “partir o pão” juntos.

O que essas descobertas significam? Há algo mágico sobre sentar juntos durante uma refeição? Não, e os pais que acreditam nisso vão ficar certamente decepcionados. O que o estudo de Bowden mostra é que os relacionamentos familiares são o que importa para os adolescentes. Quando os pais têm tempo para seus filhos, quando se reúnem quase todos os dias para conversar e interagir — neste caso enquanto comem —, seus adolescentes vão muito melhor na escola e na vida. Conclusão? As famílias dão estabilidade e saúde mental às crianças e aos adolescentes.

Com tanta evidência positiva para apoiar as refeições em família, não é pena que só um terço das famílias norte-americanas comam juntas na maioria das noites? O mundo caótico em que vivemos nos pressionou de todos os lados e nos levou a comer às pressas. Algumas pessoas “jantam” mais nos carros ou escritórios do que em casa, engolindo um sanduíche ou um hambúrguer enquanto dirigem. Graças a Deus é possível mudar esta tendência. Com determinação e planejamento, devemos cruzar os mundos uns dos outros pelo menos uma vez ou duas a cada dia. O ingrediente mais importante não é o que está à mesa — podemos servir uma comida feita em casa ou pedir um prato no restaurante. O que faz a diferença é deixarmos regularmente tempo para sentar e conversar juntos.

A refeição pode também ser a peça decorativa para as tradições familiares, que dão identidade e sentimento de pertencer a cada membro. Nos Estados Unidos, temos alimentos específicos para cada feriado. Peru no Dia de Ações de Graças e Natal, feijões vermelhos e presunto no Dia de Ano-Novo, presunto assado na Páscoa, hambúrguer grelhado (feito de peru) no dia Quatro de Julho e comida chinesa na véspera de Natal (não me pergunte o porquê). As várias tradições têm muitas dimensões, que vão muito além da escolha de alimentos. Cada um de nós fica à espera dessas datas, que são sempre cheias de riso, espontaneidade e significado. As crianças gostam desses tipos de atividades repetidas que as ligam a seus pais. Espero que você também tenha as suas próprias tradições similares.

Em último lugar, as refeições familiares continuam sendo o cenário excelente para transmitir as verdades da sua fé. Enquanto as bênçãos do dia são recapituladas, os filhos veem a evidência do cuidado amoroso e fiel de Deus e a importância de honrá-lo com um momento de gratidão. Em nossa família, nunca comemos sem fazer uma pausa para primeiro expressar gratidão àquele que nos dá “toda boa dádiva e todo dom perfeito” (Tg 1.17). Creio que os filhos de pais cristãos deveriam aprender a “dar graças” em toda refeição. Os pais podem usar também esse período de conversa para discutir princípios bíblicos à mesa e aplicá-los às circunstâncias pessoais. Jesus usou o período de comunhão criado à mesa para apresentar muitos de seus ensinos. Atos 2.46-47 nos dá um vislumbre de quão importante era compartilhar a refeição para a primeira igreja ao descrever como os cristãos “partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus”.

Quanto mais seus filhos se sentirem parte de algo agradável e divertido, tanto menos precisarão rebelar-se contra isso. Esta não é uma promessa, apenas uma probabilidade.

Antes de deixarmos a mesa familiar, há outro ponto relativo à saúde que desejo mencionar. Com toda essa conversa sobre a importância do alimento, precisamos ter cuidado para não contribuir para a obesidade precoce. Um estudo médico recente, conduzido no Hospital Infantil de Colúmbia, em Ohio, confirmou que as crianças de hoje são mais pesadas e têm níveis muito mais elevados de colesterol e triglicérides do que as de quinze anos atrás. Um dos pesquisadores, o dr. Hugh Allens, declarou: “A não ser que essas tendências mudem, trinta milhões dentre os oitenta milhões de crianças vivas hoje nos Estados Unidos provavelmente, morrerão de problemas

cardíacos”.11 Que predição deprimente esta! A questão é que os lanches substituíram a boa nutrição, e até quando alimentos saudáveis estão sendo consumidos, as crianças não estão se exercitando o suficiente para queimar as calorias. Entre a televisão, idas de carro à escola, jogos de computador e passar tempo na pizzaria, as crianças não correm e pulam como costumavam. Os pais devem então descobrir atividades das quais possam participar com os filhos, tais como caminhadas, andar de bicicleta, brincar de apanhar a bola ou esquiar. As crianças estão ocupadas formando hábitos de uma vida inteira e, portanto, comer direito e fazer exercícios todos os dias contribuirão para sua saúde no futuro. Uma vez que seus filhos estejam no caminho certo, você talvez queira movimentar também o seu próprio “corpo”.

É possível que eu tenha passado tempo demais falando sobre comida, mas ela é uma parte importante da vida familiar. Vamos falar sobre outros aspectos do relacionamento mãe-filho no próximo capítulo.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

É difícil para mim admitir que tenho muito pouco respeito por meu marido. Ele quase nunca teve sucesso e não é um líder em nosso lar. Tento esconder essa atitude em relação a ele em casa, mas é difícil. O que posso fazer se acho que ele não merece a minha admiração?

Penso que você já sabe qual vai ser a minha resposta, mas vou dá-la de qualquer modo. Você, como mãe, tem as chaves para o relacionamento entre seus meninos e o pai. Se mostrar respeito por ele como homem, eles se inclinarão mais a admirá-lo e imitá-lo. Se pensar que é um coitado, um idiota ou um perdedor, essas atitudes vão influenciar diretamente a interação deles. Em um de meus livros anteriores, contei uma história pessoal escrita por Lewis Yablonsky, que merece ser repetida porque ilustra perfeitamente este ponto. Isto é o que ele escreveu sobre seu relacionamento com o pai, no livro Fathers and Sons.

Lembro-me muito bem de estar sentado à mesa do jantar com meus dois irmãos, meu pai e minha mãe e me encolhendo ao ouvir os ataques dela contra meu pai. — Olhem para ele — dizia ela em iídiche. — Seus ombros estão curvados, ele é um fracasso. Não tem a coragem de arranjar um emprego melhor ou ganhar mais dinheiro. É um homem vencido. — Ele mantinha os olhos no prato e nunca replicava. Minha mãe jamais exaltou os dons de persistência dele ou o fato de trabalhar tanto. Em vez disso, se concentrava constantemente no lado negativo e criou uma imagem para seus três filhos de um homem sem ânimo para lutar, esmagado por um mundo sobre o qual não tinha controle.

O fato de ele não contestar as críticas constantes dela tinha o efeito de

confirmar a validade delas para os filhos. E o tratamento de minha mãe e a figura de meu pai não transmitiram a ideia de que o casamento é uma boa condição, ou que as mulheres eram basicamente pessoas. Não fiquei especialmente motivado a assumir o papel de marido devido às minhas

observações de meu pai pisoteado.12

Fica evidente que a mãe de Yablonsky prejudicou seriamente a imagem do pai, fazendo com que os filhos não quisessem imitá-lo. Esse é o poder da mulher no seio da família. Num certo sentido, ela serve como porteiro entre os filhos e o pai. Pode construir a relação pai-filho ou prejudicá-Ia para sempre. Os meninos, especialmente, nascem com a necessidade de “ser como o pai”, mas vão procurar modelos em outra parte se o “velho” parecer um imbecil insuportável em casa.

Minha mãe, que cometeu poucos erros em nosso lar, tropeçou grandemente neste ponto — não por desrespeitar meu pai, mas porque não permitiu que ele tivesse muito acesso a mim quando eu era pequeno. Ela tomou completa posse de mim desde o início. Eu era seu primeiro e único filho, tendo nascido de cesariana numa época em que esse era um parto arriscado. Ela tinha prazer em ser mãe e se dedicou à tarefa de cuidar de mim. Admitiu mais tarde, arrependida, que impedira que meu pai e eu tivéssemos um laço mais estreito nos primeiros anos. Desculpou-se por tê-lo magoado, fazendo com que se sentisse desnecessário na responsabilidade de criar um filho. As coisas iriam mudar enquanto eu crescia, mas minha mãe teve de reprimir-se um pouco antes que isso acontecesse.

Para resumir, insisto com você que facilite o acesso entre seus filhos e o pai. Isto é especialmente importante para os meninos, que olharão para esse homem como o exemplo a ser seguido.

O senhor mencionou que os meninos e os homens não são comunicadores naturais. Nossa, como isso descreve os “homens” em minha vida! O que posso fazer para manter todos falando uns com os outros? Toda família precisa de pelo menos uma pessoa bastante comunicativa, e parece que você é exatamente essa pessoa. Muitos meninos se inclinam a reprimir toda e qualquer frustração. A não ser que você tome a iniciativa de fazer com que se abram, alguns podem retrair-se e se introverterem emocionalmente. Recomendo que você faça o que for necessário para entrar no mundo de seu filho. Continue conversando, explorando e ensinando. A comunicação é o objetivo. Tudo depende disso.

Em 1991, Saddam Hussein e seu Exército iraquiano invadiram o pequeno país do Kuwait, rico em petróleo, e empregaram terrível brutalidade com o povo dali. Suas tropas estavam prontas para atacar a Arábia Saudita e controlar, assim, metade do suprimento de petróleo do mundo. O presidente dos Estados Unidos, George Bush, exigiu repetidamente que Saddam retirasse suas forças, mas ele recusou-se obstinadamente a isso. Em 17 de janeiro daquele ano, foi então lançada a Operação Tempestade do Deserto. Várias centenas de milhares de tropas aliadas atacaram o Exército iraquiano por terra, mar e ar. Qual você pensa que foi o principal alvo da batalha?

Você talvez ache que seriam os tanques de Saddam, ou seus aviões, ou os soldados da linha de frente. Em vez disso, os aliados destruíram a rede de comunicações do lraque. Bombardeios a esmagaram com bombas inteligentes e outras armas. Ao agir assim, nossas forças impediram que os generais do Iraque conversassem entre si. Eles não tinham meios de coordenar seus esforços ou dirigir os movimentos dos seus exércitos. A guerra terminou algumas semanas mais tarde.

O que aconteceu na Tempestade do Deserto tem relevância direta para as famílias. Quando o elo comunicativo entre os membros se interrompe, eles ficam desorganizados e distantes um do outro. Se os maridos e as esposas deixam de se falar, ou se pais e filhos silenciam, passa a haver falta de compreensão e ressentimento. Barreiras de aço são levantadas e a ira prevalece. Para muitas famílias este é o começo do fim.

Quero insistir com vocês, mães, para que conversem regularmente com seus filhos (e, como é natural, com todos os outros membros da família). Esta é uma habilidade que pode ser ensinada. Não poupe esforços para manter as linhas de comunicação abertas e claras. Procure saber o que seu marido e filhos estão pensando e sentindo. Os meninos devem ser especialmente o seu alvo, porque eles podem estar escondendo um caldeirão de emoções. Quando perceber que está se desenvolvendo um espírito fechado, não deixe passar mais um dia sem trazer os sentimentos ocultos à tona. Este é o primeiro princípio da vida familiar sadia.

A maior alegria de minha vida foi ter o privilégio de trazer dois filhos saudáveis ao mundo e criá-los dia a dia. É difícil para eu entender os que são contrários à maternidade e pensam que é só um desperdício do tempo das mulheres. O que poderia ser mais compensador do que ser mãe de alguém? A Bíblia refere-se aos filhos como uma “bênção” de Deus, e é justamente o que eles são. Seu comentário me fez lembrar de uma carta inspiradora que recebi recentemente de um médico amigo, falando a esse respeito. Ele nos mostra como a maternidade não é só uma bênção, ela é “sagrada”. Penso que você vai gostar de lê-la. A carta veio do dr. C. H. McGowen:

Prezado dr. Dobson,

Enquanto lia as Confissões de Agostinho recentemente, encontrei o adjetivo

sacro, que ele usou em referência a algo santo ou sagrado. Por ser médico, em nossa profissão usamos a palavra sacro para identificar o osso localizado no fim da espinha ou da pélvis. Como cristão, fiquei imaginando se teria havido alguma influência ou inspiração divina sobre os anatomistas antigos que estavam dando nomes às várias partes do esqueleto. Isso me levou a fazer algumas pesquisas quanto à possível associação da teologia e anatomia no que se refere a esse osso específico. Foi muito providencial, creio eu, que a parte da anatomia humana que guarda o canal do nascimento na mulher seja chamada, em latim, de sacrum, literalmente “osso santo ou sagrado”. Por que o anatomista da Antiguidade (Galan, cerca de 400 A.D., ou Vessálio, cerca de 1543 A.D.) escolheu este nome, em particular, para este osso?

O dicionário nos diz que a palavra sacro ou sagrado significa “propriedade

de Deus, santo, separado para um propósito especial e adequadamente imune à violência ou interferência”. Observemos agora a associação com o sacro. Ele guarda a pélvis com o seu canal do nascimento, que é a origem da vida física. Ele contém os órgãos que produzem as “sementes” da vida nos ovários. São os produtores dos óvulos que, quando fertilizados pelo esperma, tornam-se alma vivente implantada por Deus. O corpo que se desenvolve no útero, também localizado na pélvis, contém esta alma a partir do momento da concepção, e essa alma é declarada sagrada porque pertence a Deus. Ezequiel 18.4 diz: “Todas as almas são minhas”. O corpo é apenas a casa ou tenda para a alma.

O sacro, então, é um osso santo com propósito muito definido. Ele deu

apoio estrutural à criança em desenvolvimento no útero, que se torna cada vez mais importante à medida que ela cresce e ganha peso. Aos olhos de Deus, este lugar sagrado nunca deveria ser violado pela cureta do abortador, aparelho de sucção ou trocarte (este último no processo de aborto parcial no nascimento). Nada deve interferir durante qualquer estágio de desenvolvimento dessa vida preciosa que está crescendo ali. Nenhuma pílula ou “arma” cirúrgica deve violar esse domínio sagrado. Entrar nessa área por qualquer outra razão que não seja a de ajudar, ou trazer à vida, esse indivíduo que reside temporariamente no interior do corpo da mãe não é só uma violação da vida dessa pessoa, como também uma violação e intrusão na lei de Deus. Deus tem um propósito e plano para essa vida. Ele inspirou Davi a escrever: “No teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda” (SI 139.16b).

Obrigado, dr. Dobson, por tomar tempo para ler esta carta. O sacro é

realmente sagrado.13