Educando Meninos
16. Disciplinando meninos
MINHA ESPOSA E EU, há poucos dias, fomos rapidamente ao supermercado para comprar alguns produtos. Quando chegamos, vimos uma mulher e seu filho de 5 anos numa luta de poder. Ele exigia que ela comprasse algo; quando a mãe recusou, ele teve um acesso de raiva. O conflito ainda fervia quando chegaram ao caixa em cuja fila estávamos. Sem perceber minha curiosidade, a mãe abaixou-se e falou calmamente ao filho.
— Eu ia dar-lhe o que tinha pedido — disse ela —, mas agora não tem mais jeito. Não recompensamos esse tipo de comportamento.
O garotinho, porém, não se deu por vencido. Ele continuou a resmungar e se queixar. Isso levou a mãe a dizer enfaticamente:
— Você sabe o que vai acontecer quando chegarmos em casa?
— Sei — respondeu o menino.
— O quê? — perguntou a mãe.
— Uma surra.
— Isso mesmo. E se continuar agindo assim, serão duas.
Com isso a baralha acabou. O garotinho acalmou-se e passou a se comportar como um cavalheiro. Eu raramente interfiro nesses tipos de episódios, mas aquela era uma exceção. A mulher merecia um elogio.
— Você é uma boa mãe — comentei.
— Não é nada fácil — respondeu com um sorriso.
A última vez que os vi, a mulher e o filho estavam indo na direção da porta.
Sem querer, a mulher nos dera uma demonstração de disciplina firme, mas amorosa, em circunstâncias bem difíceis. O menino desafiara a autoridade da mãe na frente de estranhos, onde ela estava em desvantagem. Apesar do constrangimento causado pela situação, ela permaneceu calma e no controle. Não gritou nem reagiu exageradamente. Em vez disso, deixou claro que as regras predominantes em casa seriam aplicadas, literalmente, no supermercado. Esse é o tipo de disciplina confiante e amorosa que minha santa mãe aplicava quando eu era criança e que tentei
descrever em meu primeiro livro para os pais, intitulado 1 Ouse Disciplinar.
Não vou tentar resumir os ensinamentos desse livro ou dos outros que escrevi sobre o tema da disciplina. Poderia ser, porém, útil oferecer algumas sugestões adicionais de importância para os meninos. Vamos começar examinando o papel de autoridade, que é essencial para a educação adequada de meninos e meninas — mas especialmente de meninos. O segredo para os pais é evitar os extremos de qualquer lado. No curso dos últimos 150 anos, as atitudes parentais mudaram radicalmente — da opressão e rigor de um lado para a permissividade e covardia do outro. Ambas são prejudiciais às crianças. Na era vitoriana, esperava-se que as crianças fossem vistas, mas não ouvidas. O pai era no geral uma figura repressiva e alarmante que castigava rispidamente os filhos pelos seus erros e suas faltas. A mãe era quem provia na maioria das vezes os cuidados, mas ela também podia ser severa. Essas técnicas dominadoras e punitivas refletiam a ideia de que as crianças eram adultos em miniatura que precisavam ser moldados mediante castigos, começando logo após o nascimento e continuando até bem depois da juventude.
Essa rigidez eventualmente levou o pêndulo para a outra extremidade do universo. Em fins da década de 1950 e começo da década de 1960, os pais haviam se tornado decididamente permissivos. O que foi chamado de abordagem “centrada na criança” tendeu a destruir a autoridade e criar alguns pequenos terrores no lar. De fato, os baby boomers, que foram criados naquele período, atravessaram barulhentamente a adolescência, justamente a tempo de agitar toda a sociedade.
Embora o espírito revolucionário gerado por eles tenha praticamente cessado, as famílias atuais continuam influenciadas por ele. Muitos representantes da geração das décadas de 1960 e 1970 criaram os seus filhos com as mesmas técnicas permissivas que testemunharam em casa. Como eles não receberam de seus pais, não podiam ensinar respeito e responsabilidade aos filhos. Agora, uma terceira geração apareceu em cena, a qual tem ainda menos familiaridade com os princípios tradicionais da educação de filhos. Estou falando em termos gerais, é claro, e há muitas exceções. Mesmo assim, é minha opinião que os pais de hoje estão mais confusos do que nunca sobre disciplina eficiente e amorosa. Ela se tornou uma arte perdida, uma habilidade esquecida. Mães e pais bem-intencionados foram mal orientados pelos princípios liberais da cultura pós-moderna, especialmente no que se refere ao comportamento desobediente ou rebelde. Observe as interações entre pais e filhos em público. O que se vê são mães frustradas gritando com seus filhos atrevidos, desrespeitosos, fora de controle. Todos podem reconhecer que há algo errado nisso. Foi sob essa perspectiva que eu disse à mulher no supermercado que ela era uma boa mãe.
Essas tendências não são apenas fruto das minhas observações do cenário social em mudança. Elas são validadas pela pesquisa. Um estudo recente da Universidade de Chicago confirmou que os pais atuais são mais negligentes e permissivos do que há uma década. A criança perfeita, na opinião dos participantes é um “pensador independente” que é “um trabalhador esforçado”. A obediência a regras, padrões e comportamentos prescritos tem menos prioridade. O diretor do Centro de Pesquisas, Tom W. Smith, resumiu as descobertas desta maneira: “As pessoas se tornaram menos tradicionais com o tempo, deixando de enfatizar a obediência e as famílias centradas nos pais para valorizar a autonomia dos filhos. Os pais esperam agora
que os filhos sejam autodisciplinados”.2
Para as mães e os pais que esperam que seus meninos disciplinem a si mesmos, só posso dizer: “Precisam de muita sorte”. A autodisciplina é um alvo valioso, mas raramente se desenvolve por iniciativa própria. Deve ser ensinada. Formar e moldar mentes jovens é um produto da liderança cuidadosa e diligente dos pais. Você pode estar certo de que requer grande esforço e paciência. Quanto ao desejo de alguns pais de terem pensadores independentes e trabalhadores esforçados, esse é outro devaneio. Os adultos pesquisados, aparentemente, esperavam filhos que fizessem coisas magníficas sem muito envolvimento dos pais. Isso é o mesmo que dizer: “Você pode fazer isso sozinho, filho, não me aborreça”. Se as coisas fossem assim fáceis, mães e pais dedicados não estariam trabalhando à noite para ajudar seus filhos a terminarem as lições de casa ou ensinando a eles princípios de caráter e valores. A noção de paternidade e maternidade sem esforço por parte das mães e pais ocupados está destinada a fracassar — especialmente com os pais renitentes que gostam de diversão e jogos. De qualquer lado que você olhe, os pais estão fisgados.
O Smithsonian Magazine mostrou certa vez um entalhador de pedras especializado da Inglaterra, Simon Verrity, que afiou suas ferramentas restaurando treze catedrais na Grã-Bretanha. Enquanto os autores observavam o trabalho dele, notaram algo muito interessante. Eles escreveram: “Verrity ouve atentamente a música da pedra sob seus golpes cuidadosos. Uma batida sólida e tudo vai bem. Um sibilo mais alto poderia significar um problema. Um pedaço de rocha talvez se quebrasse. Ele ajusta constantemente o ângulo do cinzel e a força do malho de acordo com o som, pausando frequentemente para passar a mão sobre a superfície recém-
esculpida”.3
Verrity compreendia bem a importância da sua tarefa. Ele sabia que um movimento forte poderia ser devastador, causando danos irreparáveis à sua obra de arte. Seu sucesso era devido à sua habilidade em ler os sinais cantados pelas pedras. De maneira similar, os pais precisam ouvir a “música” de seus filhos, especialmente durante os momentos de confronto e correção. É necessário muita paciência e sensibilidade para discernir como a criança está respondendo. Se você ouvir cuidadosamente, seus meninos e meninas lhe dirão o que estão pensando e sentindo. Ao afiar seu instrumento de trabalho, você também pode tornar-se um escultor-mestre que cria uma linda obra de arte. Mas lembre-se disto: A pedra não pode esculpir a si mesma.
Quero repetir aquilo que escrevi duas vezes antes neste livro: os meninos precisam de estrutura, eles precisam de supervisão e de serem civilizados. Quando criados num ambiente muito à vontade, sob o princípio de não intervenção e despidos de liderança, eles, no geral, começam a desafiar as convenções sociais e o bom-senso. Muitos se espatifam e queimam durante os anos de adolescência. Alguns nunca se recuperam. Esta é outra metáfora que pode ser útil: um riacho sem ribanceiras se torna um charco. É sua tarefa, como pais, construir o canal em que o riacho vai correr. E outra: a criança será controlada pelo leme ou pelas pedras. A autoridade, quando equilibrada pelo amor, é o leme que dirige seus meninos ao redor das pedras aguçadas que poderiam rasgar o fundo de seus frágeis barcos. Sem você, o desastre é inevitável. Autodisciplina, o que é isso?
Recebemos, no programa Foco na Família, uma carta de uma mãe que observou as mesmas tendências que me preocupam. Ela escreveu: “O que aconteceu com a espinha dorsal dos pais de hoje? Meu marido e eu ficamos cada vez mais espantados com o medo dos pais em tomar uma atitude — até com os filhos bem pequenos. Eles não parecem entender a ideia de que Deus lhes deu um cargo por uma razão muito boa, e será ele que lhes pedirá contas. Se os pais incutissem o conceito de autoridade adequado, que dá honra a Deus, em seus filhos, desde o começo, seria muito mais fácil reforçá-Ia quando chegam os anos da pré-adolescência”.
Esta mãe está absolutamente certa. Os pais são obrigados a cuidar de seus filhos jovens e ensiná-los a ter um comportamento respeitoso e responsável. Quando falham nessa missão, os problemas atacam silenciosamente ambas as gerações.
Você já deve ter percebido que gosto de animais e extraio deles muitas de minhas ilustrações. Um exemplo relevante são os cavalos. Podemos aprender algo sobre a disciplina dos filhos estudando como as éguas lidam com suas crias. Aprendi isto com Monty Roberts, autor do best-seller The Man Who Listens to Horses [O homem que ouvia os cavalos]. Visitei Monty recentemente em seu rancho em Solvang, Califórnia, para ver com meus próprios olhos seus famosos métodos de treinar cavalos. Monty começou me contando como crescera entre os cavalos e costumava montá-los em shows e rodeios, desde os 4 anos de idade. Um pouco mais tarde, apareceu em vários filmes de faroeste como dublê de atores infantis que não sabiam montar. Quando Monty tinha 13 anos, gostava de observar os cavalos selvagens nos desertos de Nevada. Ele se levantava bem cedo e passava o dia observando a manada com binóculos, a uma grande distância. Aos poucos, aprendeu a decifrar uma linguagem “falada” por todos os cavalos. Eles se comunicam com as orelhas e vários gestos e movimentos.
A égua mais velha, contou-me Monty, é a chefe do bando. Ela decide onde vão comer, beber e para onde dirigir-se. O garanhão pensa que é o encarregado, mas seu único papel é proteger as éguas e reproduzir. Quando uma cria, geralmente um potro, começa a comportar-se mal, mordendo e escoiceando os vizinhos, a égua corre diretamente para ele. Ela o derruba se não se mover rapidamente. Depois o persegue por cerca de 800 m. A égua volta à manada e se coloca diante do potro, olhando diretamente para ele. Ela está dizendo que ele não deve voltar, o que é muito ameaçador e perturbador para o animal. Os cavalos são animais que vivem em manadas e sentem-se atemorizados quando ficam sozinhos em lugares estranhos. Um leão da montanha ou outros predadores poderiam matá-los a não ser que o resto do bando esteja presente para protegê-los.
Em breve o potro nervoso começa a fazer um largo círculo em volta dos outros cavalos. Durante todo o tempo, a égua se move num círculo pequeno para manter o corpo diante dele e os olhos concentrados na sua direção. Finalmente, o cavalinho fica cansado e começa a fazer sinais de que está pronto para “negociar”. Ele faz isso baixando a cabeça, movendo os lábios e rangendo os dentes. Ele aponta uma orelha ereta para a égua, enquanto a outra pesquisa a paisagem por detrás para descobrir predadores.
Depois de algum tempo a égua faz sinal de que está disposta a conversar. Ela faz isso virando levemente o corpo para longe do potro e olhando para outro lugar. Ele volta aos poucos para a manada até que chega a fossar a velha senhora. Nesse ponto, ele é novamente aceito nas boas graças dela. Não é incomum que a égua tenha de disciplinar o potro, rechaçando-o várias vezes antes que ele decida obedecer às regras. No fim, porém, ele reconhece que ela é o chefe e que deve submeter-se ao seu controle.
Monty usa este conhecimento da linguagem dos cavalos para domar os magníficos animais, a fim de aceitarem a sela. Ao isolar o cavalo e depois fixar os olhos nele como uma égua faria, ele chega a montar um cavalo selvagem em apenas 30 a 45 minutos. Você deveria ver o processo em ação. É algo que vale a pena contemplar.
A ilustração dos cavalos não é diretamente aplicável às crianças, mas há algumas semelhanças úteis. A mãe e o pai são as figuras de autoridade, que não devem tolerar o comportamento rebelde ou desrespeitoso. Quando a criança insiste em quebrar as regras, ela é disciplinada apenas o suficiente para fazer com que se sinta desconfortável. Não, os pais não rechaçam o menino, mas devem tornar claro que estão infelizes com a maneira como ele se comportou. Isto pode ser feito aplicando umas palmadas quando o mau comportamento foi desafiador e desrespeitoso. Ou podem administrar um período de afastamento ou outros castigos menores. Qualquer que seja a disciplina, a criança deve considerá-la desagradável e odiosa. Depois do desconforto do confronto, haverá um momento em que a criança pedirá, simbolicamente, se não em palavras: “Posso voltar?”.
Nesse ponto, os pais devem acolhê-la de braços abertos. Esse é o momento de explicar por que ele entrou em dificuldades e como evitar o conflito em uma próxima vez. Os pais nunca devem recorrer aos gritos ou qualquer outra indicação de que estão frustrados e fora de controle durante o processo. Em vez disso, devem mostrar domínio da situação — como a égua que olha fixamente o potro indócil. Algumas palavras em voz baixa, faladas com convicção pela mãe ou pelo pai, transmitem, geralmente, confiança e autoridade, mais do que uma série de ameaças vazias e gestos descontrolados. Embora esta compreensão da disciplina seja bastante simples, alguns pais têm dificuldade para entendê-la. Se tiverem medo de tornar o filho desconfortável ou infeliz quando ocorre o mau comportamento, ou se temem que dano emocional permanente esteja sendo infligido quando são obrigados a castigar, não terão a determinação para vencer os confrontos inevitáveis surgidos. A criança sentirá a hesitação deles e os desafiará ainda mais. O resultado final será pais frustrados, irritados e ineficazes e filhos rebeldes, egoístas e voluntariosos.
A fim de me aprofundar nesta abordagem sobre criação de filhos, vou apresentar a você um amigo, o reverendo Ren Broekhuizen, que tem um conhecimento intuitivo de crianças. Ele tem 35 netos que o amam como um santo. Ren soube que eu estava escrevendo um livro cujo assunto era meninos e compartilhou algumas ideias comigo. As crianças, disse ele, precisam aprender que “o amor pode fazer cara feia”. Muitos pais têm hoje medo de mostrar desprazer com os filhos por medo de feri-los ou rejeitá-los. Os pequeninos precisam saber quem está no controle e que estão “seguros” aos cuidados dessa pessoa. Lembrar uma criança de que você é um chefe benevolente enfatiza que você espera ser obedecido. Há ocasiões em que a mãe ou o pai precisam firmar-se num joelho, olhar o menino ou a menina diretamente nos olhos (lembra-se da égua?) e dizer com confiança, mas sem raiva: — Não quero que se comporte mal outra vez, entendeu? — Sem gritar ou ameaçar, o seu tom de voz diz: — Leve a sério o que estou dizendo.
O reverendo Broekhuizen ilustrou este ponto relatando uma ocasião em que levou seu neto a uma loja de brinquedos. Antes de entrarem no prédio ele disse: — Não toque em nada a não ser que eu permita. — O garoto fez sinal que entendeu com a cabeça. As expectativas do avô tinham sido esclarecidas e o menino se conformou com elas perfeitamente. O conflito foi evitado.
Para usar outra analogia, estabelecer limites claros desta natureza é como colocar placas nas estradas advertindo: “Velocidade controlada por radar”. Elas lembram os motoristas de que há leis específicas governando a velocidade deles e que haverá consequências desagradáveis para os que excederem os limites. É assim que funciona o mundo adulto. O imposto de renda diz aos cidadãos: ”Entregue sua declaração até 30 de abril ou enfrente uma multa de 6%”. Na véspera do prazo, as pessoas fazem de tudo para cumprir a lei. Ou, para citar outro exemplo, a sua empresa diz: “Se quiser ser reembolsado pelas suas despesas de viagem, deve entregar recibos quando voltar de uma viagem autorizada”. Não há ira nesses acordos. É a maneira como são. Muitos pais parecem acreditar, no entanto, que uma abordagem similar quando aplicada a crianças é danosa ou injusta. Penso que estão errados. Estabelecer as regras antecipadamente e depois reforçá-las com firmeza é muito mais saudável para as crianças do que castigá-las e ameaçá-Ias depois que ocorrer o mau comportamento.
Outro ponto salientado pelo reverendo Broekhuizen refletiu sua observação de que os pais fazem demasiadas perguntas aos filhos. — Você quer ir para a cama agora? Quer guardar o seu brinquedo? Não acha que está na hora de comer? — As mães e os pais que oferecem essas propostas, seguidas de pontos de interrogação, estão na verdade tentando evitar dizer: — Faça isto porque é melhor e porque estou mandando. — Há ocasiões apropriadas para dizer exatamente isso. Os pais receberam de Deus a autoridade para dirigir e moldar o comportamento de seus filhos. Devem usá-la!
Depois de escrever minhas lembranças da conversa com Broekhuizen, enviei este manuscrito a ele para verificar se tinha sido citado corretamente. Ele respondeu com uma carta indo um pouco mais além com as ideias. Penso que o conteúdo da carta terá valor para os pais e a transcrevo a seguir:
Caro Jim:
Agradeço as suas boas palavras. É um privilégio colaborar com você neste
trabalho.
Acho que uma das grandes questões que seus leitores têm de resolver é esta:
“Creio realmente que tenho autoridade para ser o chefe aqui em casa?”. Penso que esta é uma das razões para haver tantos pontos de interrogação no fim das declarações parentais. Eles não têm certeza se isto é certo ou não. Uma mãe de quatro filhos, aflita, me disse certa vez: — Como o sr. conseguiu criar cinco filhos? Deve ter sido um caos contínuo. — Respondi: — O principal é que seus filhos saibam desde o começo quem manda. — Ela replicou: — Isso soa, porém, tão autoritário. — Penso que ela fala por uma geração inteira que não sentiu a autoridade enquanto crescia e não conhece o plano divino de que os pais são chamados para treinar seus filhos no caminho em que devem andar (Pv 22.6). O apóstolo Paulo disse: “Se a trombeta der som incerto, quem se preparará para a batalha?” (1Co 14.8). O que os filhos ouvem é um som incerto. Quantos de seus leitores acreditam sinceramente que sabem mais do que os filhos que Deus confiou aos seus cuidados? Lembro-me da mãe de um garotinho de 4 anos
que se recusava a ir para a cama antes das onze horas. Ela tem a autoridade para dizer-lhe o que fazer, mas teme fazer uso dela.
As chances de os pais saberem mais do que seus filhos operam numa escala
móvel. A partir da época em que são pequeninos até cerca de 5 anos, a mãe e o pai sabem 100% mais do que eles. As coisas começam então a mudar, vagarosamente. Quando chegam aos 8 e depois 18 ou 28 anos, as probabilidades continuam a se alterar na direção deles. Em algumas delas, meus filhos e filhas sabem muito mais do que eu agora. Mas, quando eram pequenos, eu sabia que era a autoridade segundo o plano de Deus. Ele me fizera responsável pela maneira como eu usava essa autoridade.
Vou continuar.
Outro aspecto dessa incerteza sobre quem é realmente o chefe é o que chamo
de “linha de gol móvel”. Observei, certo dia, uma criança correndo no parque na direção da rua. O pai disse: “Keith, pare aí, Keith! Keith! Pare ai. Você me ouviu”. Mas o Keith fora “treinado” para não ouvir. Ele alcançou o carro e ficou balançando no trinco da porta. O pai gritou: “‘Segure-se nesse trinco”. Foi uma abdicação total da sua autoridade. Assisto a esse mesmo drama no supermercado. Os gerentes colocam doces nas prateleiras dos caixas para que as crianças sentadas nos carrinhos possam alcançá-los. A criança diz: — Quero um doce. — A mãe responde: — Não, é muito cedo. — Ela levanta a voz e insiste: — Doce. — Ela grita: — Não! — Ela estende o braço e pega um doce. A mãe diz: — Não coma até chegar ao carro. — Outro fracasso total.
“Contar” para fazer os filhos obedecerem faz parecer enganosamente que o
pai está no controle, mas é também um alvo móvel. — Bill, venha aqui. Estou contando. Um, Dois, Tr... Bom menino. Obrigado por obedecer à mamãe. — Mas algo se perdeu no processo. Contar só faz a sua linha de autoridade recuar três passos. O que vem depois? Quatro? Cinco? Seis? Sua resposta deve transmitir a mensagem sem gritar ou ameaçar: — Estou falando sério!
Vou dizer mais uma coisa, desta vez sobre os avós, e depois prometo
terminar. Sorrimos docemente e pensamos que é engraçado estragar nossos netos. Esse é um grande erro. Quando alguma coisa se estraga eu a jogo fora. Meu trabalho como avô é estabelecer um exemplo tanto para os pais como para os filhos, sendo um líder amoroso. As avós costumam revirar os olhos e dizer que seus netos são “ativos”. “Ativo” para uma criança é um código para “fora de controle”. Sinto-me responsável por ajudar a treinar meus netos a serem educados e respeitosos com as pessoas e seus pertences quando estamos juntos. Sempre fico, porém, na retaguarda quando os pais estão presentes, porque não quero destruir a autoridade deles.
O rev. Broekhuizen acertou no alvo com este conselho. Mas e os pais que acreditam que devem ser eternamente positivos com os filhos e que qualquer coisa interpretada como negativa por eles deve ser evitada? Milhões de mães e pais parecem sentir-se assim. Discordo, no entanto, deles, não só com relação aos filhos, mas com a vida em si.
É claro que o pensamento positivo pode ser uma coisa boa. As pessoas naturalmente bem-dispostas são mais agradáveis no trato e parecem extrair mais coisas da vida. Elas são também mais produtivas do que aquelas que estão geralmente “para baixo” e desanimadas. Mas o pensamento negativo tem também as suas vantagens. É o meu pensamento negativo que me leva a apertar o cinto de segurança quando entro no carro. Posso ser ferido numa colisão se não fizer isso. É o pensamento negativo que me faz comprar um seguro de vida para proteger minha família. Eu posso morrer de repente e deixar meus entes queridos em dificuldades financeiras. É o pensamento negativo que me encoraja a evitar comportamento que possa ser aditivo — tal como usar drogas ilícitas, bebida ou pornografia. Há milhares de outros exemplos do que pode ser chamado “negativos benéficos”. A conclusão é que há poder em qualquer tipo de pensamento legítimo. De fato, se uma pessoa só quiser ler ou ouvir mensagens positivas, ela terá de passar por cima de pelo menos metade das Escrituras. Jesus pronunciou algumas das palavras negativas mais profundas já pronunciadas, inclusive a expectativa de as pessoas não regeneradas passarem a eternidade sem Deus. Todavia, sua mensagem para um mundo perdido e agonizante é chamada de Evangelho, significando “boas notícias”.
O interessante sobre positivos e negativos é que produzem o maior benefício quando trabalham em conjunto. Por exemplo, se você colocar o cabo elétrico no polo positivo da bateria de um carro, nada acontece. Pode até colocá-lo na boca se quiser, mas não haverá força. Se tirar esse cabo do polo positivo e colocá-lo no negativo, continua não havendo força. Mas o que acontece quando você liga os cabos no positivo e no negativo e depois toca os pontos de contato? Seu cabelo vai ficar de pé, se ainda tiver algum.
Esse princípio de juntar os positivos e os negativos é ilustrado repetidamente nas Escrituras. Considere esta passagem do livro de Isaías: “‘Vinde, pois, e arrazoemos, diz o SENHOR; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã” (Is 1.18). Que figura maravilhosa é esta do amor e perdão de Deus. Todavia, quatro capítulos depois, Isaías escreveu algumas palavras aterradoras sob a inspiração divina: “Por isso, se acende a ira do SENHOR contra o seu povo, povo contra o qual estende a mão e o fere, de modo que tremem os montes e os seus cadáveres são como monturo no meio das ruas. Com tudo isto não se aplaca a sua ira, mas ainda está estendida a sua mão” (Is 5.25).
Este equilíbrio entre compaixão e juízo se encontra desde Gênesis até Apocalipse. Ele se move entre a Criação e a Queda, entre a condenação e o perdão, entre o céu e o inferno. O maior exemplo é encontrado no livro de Isaías, onde as maravilhosas profecias sobre a vinda do Messias aparecem mescladas com predições terríveis da destruição de Israel. Ambas provaram ser exatas.
Aprender a equilibrar a interseção dessas duas forças é especialmente útil para compreender os filhos. Há uma hora de afirmação, ternura e amor. Ela alimenta o espírito e sela o laço entre as gerações. Mas há também uma hora para a disciplina e o castigo. As mães e os pais que tentam ser eternamente positivos, ignorando a irresponsabilidade e desafio por parte dos filhos, deixam de lhes ensinar que o comportamento tem consequências. Mas, cuidado! Os pais que são sempre punitivos e acusadores podem criar problemas graves de comportamento e emocionais. O apóstolo Paulo reconheceu este perigo e advertiu os pais a não exagerarem na disciplina. Ele disse: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do SENHOR” (Ef 6.4). Ele mencionou novamente a advertência em Colossenses 3.21: “Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados”. Que grande sabedoria está contida nessas duas passagens convergentes!
Alonguei-me um pouco aqui para tratar desta questão de equilíbrio na disciplina porque ela é a chave para todo o relacionamento entre pais e filhos. Permanecer na segurança do meio-termo como pais e mães é francamente difícil de conseguir. Nenhum de nós faz isso perfeitamente. Os melhores pais, entretanto, são aqueles que abrem um caminho entre a permissividade e a autoridade. Seus filhos, especialmente, vão vicejar sob a sua liderança, se evitar os extremos e tiver cuidado em “temperar” seu relacionamento com amor.
A palavra disciplina envolve não só a formação do comportamento e das atitudes do filho, como também o ato de dar a ele uma medida de autocontrole e da habilidade de postergar a gratificação. Ensinar a criança a trabalhar é um dos principais mecanismos pelo qual esta autodisciplina é adquirida. Como todos sabemos, porém, a maioria dos meninos tem grande aversão ao trabalho. Eles podem sentar-se e olhar para ele durante horas. É difícil fazer com que se movam, e muitos pais desistem. Parece muito mais fácil fazer tudo por eles. “A vida já é difícil”, dizem, “sem precisar que as crianças façam o que lhes desagrada”. Esse é um grave erro. Os que sabem como trabalhar têm no geral mais facilidade para vencer a volubilidade e a imaturidade, para reconhecer a ligação entre esforço e oportunidade e para aprender a lidar com o dinheiro. Isso serve também como preparação para a vida no mundo adulto que terão de enfrentar. Infelizmente, uma das queixas comuns feitas pela comunidade de negócios é que muitas crianças não querem trabalhar ou, se querem, não sabem como trabalhar. Isso deve ser verdade, porque uma alta porcentagem de adolescentes parece ir a pique quando colocada num emprego pela primeira vez.
Há outro fator a considerar. Ele se refere à ligação direta entre a autoestima e o trabalho significativo. O romancista russo Fyodor Dostoievsky escreveu certa vez: “Se você quiser esmagar literalmente um homem, dê-lhe um trabalho que seja de
natureza completamente irracional e sem sentido”.4 É verdade.
Num campo de concentração fora da Hungria, durante a Segunda Guerra Mundial, os prisioneiros judeus foram forçados a levar um monte de sujeira de uma extremidade do local à outra. No dia seguinte, tiveram ordem de pô-lo de volta. Isto continuou durante semanas até que um dia um velho começou a chorar incontrolavelmente. Ele foi levado pelos captores para ser executado. Dias depois, um homem que tinha sobrevivido três anos no campo separou-se subitamente do grupo e se atirou contra uma cerca eletrificada. Nas semanas que se seguiram, dúzias de prisioneiros enlouqueceram, fugindo do trabalho e sendo eventualmente abatidos a tiros pelos guardas. Só mais tarde foi verificado que a atividade inútil tinha sido ordenada por um comandante cruel como uma experiência em “saúde mental”. Ele queria ver o que aconteceria quando as pessoas fossem forçadas a fazer tarefas sem sentido. Os resultados ilustraram a relação entre trabalho e estabilidade emocional no confinamento trágico de um campo de concentração.
Esse elo é também relevante para o resto da humanidade. O trabalho dá significado e sentido à nossa existência. Os que são bons no que fazem geralmente se sentem bem sobre quem são. Eles se satisfazem em saber que lidaram com tarefas difíceis com excelência. Do lado contrário, as pessoas que falham profissionalmente têm frequentemente problemas em suas famílias e em outras áreas de sua vida.
Lembro-me de um verão há muitos anos quando Shirley e eu decidimos tirar férias de duas semanas para ficar em casa e descansar. Estávamos vivendo num ritmo frenético e achamos que seria gostoso dormir até mais tarde e apenas “ficar à toa”. Que decepção! Nós dois ficamos quase malucos. Ficávamos andando pela casa, nos perguntando o que fazer em seguida. Passei até várias tardes medonhas assistindo à televisão durante o dia. Isso deixa qualquer um deprimido. Compreendi com essa experiência que o trabalho está relacionado integralmente com meu senso de bem-estar e que não fazer nada não era nem de longe tão divertido quanto eu esperava.
Se o trabalho é algo valioso, como os pais ensinam seus meninos e suas meninas a desempenhá-lo? Penso que devem começar exigindo pequenas tarefas ou levando os pratos do jantar para a cozinha. A seguir, com cerca de 4 ou 5 anos, cada criança deve ter algumas responsabilidades domésticas simples, desde ajudar a lavar a louça até levar o lixo para fora. A quantidade de trabalho exigida deve ser razoável e apropriada à idade, lembrando-se de que a principal atividade das crianças é brincar. Quanto mais velhos ficam, tanto mais tarefas devem ser designadas para as quais não recebem nada além de apreciação. As crianças são, afinal de contas, membros atuantes da família e devem ajudar a carregar o fardo de mantê-la funcionando.
Aqui está uma recomendação nesse sentido que é algo controverso. Você talvez discorde dela. Creio que as crianças devem ser recompensadas quando a quantidade de trabalho que fazem vai além da obrigação, tal como passar o sábado inteiro ajudando o pai a limpar a garagem, lavar o carro ou pintar a cerca. Muitos pais são absolutamente contrários a essa ideia. Chamam isso de suborno, mas discordo. O mundo é assim. A maioria de nós vai para o trabalho todas as manhãs e recebe pagamento a cada fim de mês. Pagar a criança quando lhe pedem para investir o seu “suor” não só é justo como faz com que ela aprenda a conexão entre esforço e recompensa. Torna também o trabalho menos doloroso para os preguiçosos crônicos.
Outra sugestão: em vista de as crianças aprenderem por imitação, a instrução “mãos à obra” é útil. Em vez de dizer: “Vá arrumar a cama”, tente completar a tarefa com a criança. Trabalhar com um adulto é a forma mais enriquecedora de brincar para a criança, se isso for feito da maneira certa. Torne a tarefa divertida. Encontre coisas para rir a respeito. Se você repreender e criticar seu filho constantemente, ele começará a desenvolver atitudes negativas com relação ao trabalho. Transforme-o em um jogo, o que torna a vida mais fácil para todos.
Vou transmitir outra ideia que foi apresentada no exemplar da revista Parenting, de maio de 1992. Ela sugeriu que as crianças devem ser introduzidas ao trabalho ajudando-as a tornar-se pequenos empresários. O autor contou a respeito de um garoto de 14 anos que chegou a montar computadores pessoais e a vendê-los por
mais de mil dólares cada.5 Seu filho talvez não faça nada tão impressionante, mas há benefícios definidos em permitir que ele ganhe alguma experiência no mundo dos negócios. De fato, as crianças que ganham e lidam com dinheiro têm muito mais probabilidade de ter sucesso quando adultos. Cuidar de um empreendimento comercial pode ajudá-las a aprender aplicações matemáticas práticas, habilidade em relacionar-se com outras pessoas e, talvez ainda mais importante, as recompensas do trabalho árduo. As opções são muitas. As crianças mais novas podem fazer tarefas extras em casa para ganhar dinheiro. Aos 9 ou 10 anos, a maioria delas está pronta para fazer “bicos” na vizinhança. As possibilidades incluem cuidar de animaizinhos de estimação, levar recados para os vizinhos, recolher garrafas e latas para os centros de reciclagem, cuidar de outras crianças, aparar a grama e muito mais. É importante que os trabalhos não consumam muito tempo durante a infância, quando há tantas coisas mais a serem feitas.
Você deveria levar seu filho para trabalhar com você ocasionalmente. Muitos filhos não têm ideia de como seus pais ganham a vida. De fato ouvi (embora não tivesse podido comprovar esta estatística) que só 6% dos pais levam seus filhos para o lugar onde trabalham. Se isto for verdade, é uma pena. Há um século, as crianças não só sabiam o que os pais faziam para seu sustento, como tipicamente trabalhavam ao lado deles — os meninos aprendendo as ocupações dos pais e as meninas identificando-se com as mães. As crianças agora não têm ideia do que acontece a cada dia na IBM, AT&T ou no restaurante do Ralph.
Mais um pensamento: o entrevistador de rádio e autor Dennis Prager disse que ensinar os meninos a trabalharem é essencial para prepará-los para a vida adulta. Durante um de seus programas de rádio, ele perguntou a várias mulheres que características surgiam quando elas pensavam na masculinidade amadurecida. Quase todas mencionaram “responsabilidade” em suas respostas. Prager concordou, mas disse que isso não bastava. Alguns homens têm bons empregos, mas permanecem imaturos. Sua disposição para trabalhar deve ser combinada com a dedicação a uma causa, a algo maior do que eles próprios. Esses dois traços capacidade de viver responsavelmente e ter um senso de missão — ajudam os meninos a vencer seu egocentrismo e a começar a ver-se como homens. Como pais, então, nosso trabalho não é só ensinar os filhos a trabalharem, como também fazê-los conhecer o significado disso. Para os meninos, isso retrocede diretamente à ideia de prover e proteger suas famílias, para o que você os está ajudando a preparar-se. Tudo se ajusta.
Seu propósito em ensinar seus filhos a trabalhar é dar a eles uma amostra do mundo real. Não permita que seus filhos fiquem sentados na frente da televisão ou joguem videogames tediosos, ano após ano. Faça com que se movimentem. Faça com que se organizem. Faça-os trabalhar.
PERGUNTAS E RESPOSTAS
Meu filho tem 14 anos e não possui absolutamente qualquer conceito de dinheiro e como fazer uso dele. Ele pensa que o dinheiro nasce em árvores. O senhor tem quaisquer sugestões sobre como eu poderia prepará-lo para lidar com o mundo real quando for mais velho?
De acordo com nossa discussão sobre o trabalho, deixe-me acrescentar que dar trabalho a uma criança é o meio mais eficaz de ensiná-la sobre o significado do dinheiro. Quando eu era adolescente, aprendi mais sobre o valor de alguns dólares ao escavar uma vala a US$ 1,50/hora do que com os sermões de meus pais. Os dez dólares que ganhei tiveram grande significado para mim. Ganhei oito bolhas nas mãos por escavar a vala e meu rosto ficou queimado de sol, mas foi uma lição valiosa. Nunca a esqueci.
Além de aprender a trabalhar, sugiro que você ensine a seu filho alguns princípios simples de como lidar com o dinheiro.
Estas são algumas ideias úteis que lhe darão um ponto de partida:
1. Deus é o dono de tudo. Algumas pessoas pensam que o SENHOR tem direito a 10% da nossa renda, chamados de “dízimo”, e que os outros 90% nos pertencem. Isso não é verdade. Creio firmemente no conceito de dar o dízimo, mas não porque a parte de Deus fique limitada a um décimo. Não passamos de mordomos de tudo o que ele nos confiou. Ele é quem nos dá as posses — e, às vezes, as tira de nós. Tudo o que temos não passa de um empréstimo da parte dele. Quando Deus tomou a riqueza de Jó, este teve a atitude correta, dizendo: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1.21).
Se você compreende este conceito básico, fica claro que toda decisão de gastar é uma decisão espiritual. O desperdício, por exemplo, não é esbanjar outros recursos, é o mau uso dos recursos de Deus.
Os gastos com propósitos válidos, tais como férias, sorvete, bicicletas, jeans, revistas, raquetes de tênis, carros e hambúrgueres, são também comprados com o dinheiro de Deus. É por tudo isso que em minha família nos curvamos para agradecer ao SENHOR antes de cada refeição. Tudo, inclusive o nosso alimento, é presente da sua mão.
2. Há sempre uma troca entre tempo e esforço e dinheiro e recompensa. Você já deve ter ouvido a frase: “Não existe café de graça”. Devemos sempre pensar no dinheiro como estando ligado ao trabalho e ao suor do nosso rosto.
Veja como este segundo princípio tem significado para nós. Pense por um momento na compra mais imprestável e desnecessária que você fez em anos recentes. Talvez tenha sido um barbeador elétrico, que está agora na garagem, ou um artigo de roupa que nunca será usado. É importante compreender que esse item não foi comprado com o seu dinheiro; foi comprado com o seu tempo que você trocou pelo dinheiro. Com efeito, você trocou certa porção dos seus dias na terra por esse pedaço de lixo que agora atravanca a sua casa.
Quando compreender que tudo que compra é adquirido com uma parte da sua vida, isso deve torná-lo mais cuidadoso com o uso do dinheiro.
3. Não existe decisão financeira independente. Nunca haverá dinheiro suficiente para comprar tudo o que você gostaria de ter. Até os bilionários têm certas limitações em seu poder de consumo. Portanto, cada despesa tem implicações para outras coisas que você precisa ou deseja. Tudo está ligado. Isto significa que aqueles que não resistem à ideia de gastar seu dinheiro com lixo estão limitando a si mesmos em áreas de maior necessidade ou interesse.
Por falar nisso, maridos e esposas costumam brigar por causa do uso do seu dinheiro. Por quê? Porque seus sistemas de valores diferem, e eles discordam quanto ao que é desperdício. Minha mãe e meu pai eram típicos nesta questão. Se meu pai gastava cinco dólares com balas de espingarda ou bolas de tênis, ele justificava a despesa porque lhe dava prazer. Mas, se minha mãe comprava por cinco dólares um descascador de batata que não funcionava, ele achava isso um desperdício. Não importava o fato de ela gostar tanto de comprar quanto ele de caçar ou jogar tênis. As perspectivas de cada um eram simplesmente únicas.
Este terceiro princípio envolve o reconhecimento de que a extravagância em um ponto levará eventualmente à frustração em outro. Os bons gerentes de negócios são capazes de ver o quadro maior enquanto tomam suas decisões financeiras.
A gratificação retardada é a chave da maturidade financeira. Desde que temos recursos limitados e escolhas ilimitadas, a única maneira de prosperar financeiramente é negar-nos algumas das coisas que desejamos. Se não tivermos a disciplina de fazer isso, estaremos sempre endividados. Lembre-se de que, a não ser que gaste menos do que ganha, renda nenhuma será suficiente. É por esse motivo que algumas pessoas recebem aumento de salário e dentro em pouco se encontram ainda mais cheios de dívidas do que antes.
Deixe-me repetir esse conceito importante: nenhuma renda será suficiente se os
gastos não forem controlados. 6
Espero que esses quatro princípios ajudem seus filhos a construir um fundamento de estabilidade financeira sem comprometer o seu sistema de fé. Em resumo, o segredo para a vida bem-sucedida é gastá-la em algo que sobreviva a ela, ou, como disse o escritor de Hebreus: “Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes” (Hb 13.5).
Acho bom dar a seu filho uma ideia do que é preciso para criar e viver de acordo com um orçamento. Conheci um médico com quatro filhas que dava a cada uma delas uma mesada anual para roupas, a partir dos 12 anos. Elas tinham de parcelar cuidadosamente seu dinheiro durante o ano todo a fim de cobrir tudo o que precisavam. A menina mais moça era um tanto impulsiva e comemorou seu aniversário de 12 anos gastando toda a mesada num casaco caro. Foi difícil para os pais vê-la em dificuldades, mas eles tiveram a coragem de manter sua palavra e deixar que ela aprendesse uma lição valiosa sobre a administração do dinheiro. Lembro-me de uma mãe sozinha que convidou o filho de 15 anos a ajudá-la a preparar o formulário do imposto de renda. Quando o menino viu os custos ocultos de manter uma casa coisas como pagar os juros do financiamento e prêmios de seguro, ele ficou chocado.
O que seu filho deve compreender é que o dinheiro está ligado ao trabalho e que tudo o que você compra é uma troca. Se gastar demais numa coisa, não vai ter dinheiro para outra que poderia ser mais importante. Em outras palavras, você deve ensinar a seu filho que não podemos ter tudo na vida. Não existe também café de graça — a não ser que você o forneça para ele.
Não me preocuparia muito o fato de seu filho não compreender esses conceitos aos 14 anos. Conheço poucos jovenzinhos nessa idade que “entendem”. Mas está na hora de começar o processo de aprendizado.
Meu adolescente se queixa muitas vezes que meu marido e eu não confiamos nele. Ele costuma dizer que sempre que deseja alguma coisa nós fazemos objeção. Qual deveria ser a nossa resposta?
Os filhos costumam tirar o equilíbrio dos pais quando ocorrem confrontos. Um dos instrumentos mais eficazes dos adolescentes é esse que você está ouvindo. Os pais começam tipicamente a recuar e a dar explicações: “Não, querido, não é que não confiamos quando chega tarde, é que nós...”, e não sabem mais o que dizer. Ficam na defensiva, e a iniciativa muda para o outro lado.
Os pais nessa situação precisam lembrar a seus filhos que a confiança é divisível. Em outras palavras, seus filhos têm a sua confiança em certas situações, mas não em outras. Não se trata de uma proposição tudo ou nada. Referindo-me novamente ao mundo dos negócios, muitos de nós têm autorização para gastar o dinheiro da empresa de determinada conta, mas não têm acesso a toda a riqueza da corporação. A confiança, nesse caso, é especificamente limitada. Assim também, podemos ser autorizados a gastar talvez cinco mil reais para suprimentos ou equipamento, mas qualquer quantia além dessa exige a assinatura de um supervisor. Não se trata de os chefes temerem que a companhia seja enganada. Pelo contrário, a boa experiência de negócios ensinou que a confiança deve ser dada para circunstâncias e propósitos específicos. Isso é chamado de “concessão de autoridade”. Se aplicarmos essa ideia aos adolescentes, eles podem esperar permissão para fazer algumas coisas, mas não para outras. À medida que lidarem com os privilégios de maneira confiável, ganharão mais autonomia. O ponto é que você como pai não deve ter um sentimento de culpa quando seus filhos reclamarem falsamente de que estão sendo maltratados. Sugiro que não coma a isca.
Meu marido e eu estamos disciplinando demais nossos filhos. Existe outro meio de encorajá-los a colaborar?
O mau comportamento contínuo dos filhos pode refletir uma necessidade de atenção. Alguns preferem ser procurados por assassinato a não ser procurados de modo algum. Você poderia ficar surpresa. Verifique também os fundamentos. Quando o time de futebol está perdendo, o treinador geralmente volta às bases. Compre um bom livro sobre disciplina e veja se os seus erros podem ser identificados.
Temos um filho de 7 anos que tem feito uma porção de coisas bem terríveis a cães e gatos da vizinhança. Tentamos detê-lo, mas sem sucesso. Estou imaginando se há algo mais com que nos preocupar neste caso. Crueldade com animais pode ser um sintoma de problemas emocionais graves numa criança, e os que fazem tais coisas repetidamente não estão apenas passando tipicamente por uma fase. Isso deve ser definitivamente visto como um sinal de advertência que deve ser verificado. Não quero alarmá-la ou exagerar o caso, mas a
crueldade na infância está ligada ao comportamento violento na idade adulta. 7 Sugiro que leve seu filho a um psicólogo ou psiquiatra para avaliação e de modo algum tolere qualquer tipo de crueldade com animais.
O que devo fazer com meu filho de 22 anos que voltou para casa depois de abandonar a escola e fazer uma verdadeira confusão com sua vida? Ele não tem emprego; não faz sua parte nas tarefas domésticas e se queixa da comida que recebe.
Eu o ajudaria a fazer as malas — nesta tarde ou talvez mais cedo. Alguns jovens como o seu não têm intenção de crescer, e por que o fariam? O ninho é confortável demais em casa. O alimento vem à mesa, as roupas são lavadas, as contas são pagas. Não há qualquer incentivo para enfrentar o mundo frio e cruel da realidade, e eles estão decididos a não se mexer. Precisam de um empurrão firme. Sei que é difícil desalojar os filhos que voltam para casa. São como gatinhos peludos que ficam na porta de trás esperando um pires de leite morno. Mas permitir que fiquem, ano após ano, especialmente se não estiverem se preparando para uma carreira, é cultivar a irresponsabilidade e dependência. E isso não é amor, embora possa parecer muito com ele.
Chegou a hora de você entregar as rédeas a seu filho, gentil, mas diretamente, e forçá-lo a viver por conta própria. Se não fizer isso, vai paralisá-lo de todo ao tirar dele o incentivo de colocar sua vida em ordem. Boa sorte!