Educando Meninos
2. Vive la différence
UM DOS ASPECTOS MAIS agradáveis da minha responsabilidade na organização Focus on the Family é examinar as cartas e os e-mails que inundam nossos escritórios. Eu não vejo todas elas, pois são mais de 250.000 por mês. Recebo, porém, resumos regulares consistindo de parágrafos e comentários que nosso pessoal seleciona para que eu leia. Incluídos neles estão mensagens maravilhosas de pais e filhos que alegram (e às vezes entristecem) os meus dias. Uma das mais preciosas veio de uma garotinha de 9 anos chamada Elizabeth Christine Hays, que me enviou seu retrato e uma lista que compôs sobre meninos e meninas. Ela e a mãe me deram depois permissão para compartilhar sua deliciosa cartinha, como segue.
Querido James Dobson,
Espero que goste da minha lista de meninas melhores do que os meninos. Você é um bom sujeito. Sou cristã. Amo Jesus.
Amor,
Elizabeth Christine Hays
P.S. Por favor, não jogue fora a minha lista.
AS MENINAS SÃO MELHORES QUE OS MENINOS
1. As meninas mastigam com a boca fechada.
2. As meninas têm letra melhor.
3. As meninas cantam melhor.
4. As meninas são mais talentosas.
5. As meninas arrumam melhor o cabelo.
6. As meninas cobrem a boca quando espirram. 7. As meninas não enfiam o dedo no nariz.
8. As meninas vão ao banheiro com delicadeza. 9. As meninas aprendem mais depressa.
10. As meninas são mais bondosas com os animais. 11. As meninas não cheiram tão mal.
12. As meninas são mais espertas.
13. As meninas conseguem mais coisas que desejam. 14. As meninas não são tão nojentas.
15. As meninas são mais quietas.
16. As meninas não se sujam tanto.
17. As meninas são mais limpas.
18. As meninas são mais atraentes.
19. As meninas não comem tanto.
20. As meninas andam com mais cuidado.
21. As meninas não são tão rigorosas.
22. As meninas são mais delicadas para sentar. 23. As meninas são mais criativas.
24. As meninas têm melhor aparência do que os meninos. 25. As meninas penteiam melhor o cabelo.
26. As meninas se depilam mais vezes.
27. As meninas usam desodorante com mais frequência. 28. As meninas não têm tanto cheiro no corpo.
29. As meninas não gostam de ficar despenteadas. 30. As meninas gostam mais de ficar bronzeadas. 31. As meninas têm melhores maneiras.
A criatividade de Elizabeth Christine me divertiu tanto que incluí a lista dela na minha carta mensal e enviei-a para aproximadamente 2,3 milhões de pessoas. A resposta dos meninos e das meninas foi fascinante — e engraçada. Contudo, nem todos gostaram, inclusive uma mãe bastante irritada que pensou que eu havia insultado seu filho. Ela escreveu: “O sr. consideraria publicar uma carta similar sob o título ‘Os Meninos São Melhores que as Meninas’?”. A seguir comentou: “Duvido; não seria politicamente correto”. Essa foi a primeira vez que fui acusado de ser PC (politicamente correto)! Com um desafio desses, eu simplesmente tive de equilibrar a balança. Na minha carta mensal seguinte, convidei os meninos a me enviarem suas opiniões escritas sobre as meninas. Aqui estão itens selecionados das muitas listas que recebi nas semanas seguintes.
POR QUE OS MENINOS SÃO MELHORES QUE AS MENINAS
1. Os meninos podem assistir a um filme de horror e não fechar os olhos
nem uma vez.
2. Os meninos não têm de sentar toda vez que vão ao banheiro. 3. Os meninos não ficam facilmente embaraçados. 4. Os meninos podem ir ao banheiro na floresta. 5. Os meninos podem subir melhor nas árvores. 6. Os meninos podem agarrar-se ao estômago nas corridas velozes. 7. Os meninos não se incomodam com “dieta disto” e “dieta daquilo”. 8. Os meninos sabem dirigir melhor tratores do que as meninas. 9. Os meninos escrevem melhor que as meninas.
10. Os meninos podem construir fortes melhores do que as meninas. 11. Os meninos resistem mais à dor do que as meninas. 12. Os meninos são muito mais legais.
13. Os meninos têm menos chiliques.
14. Os meninos não desperdiçam a vida no shopping. 15. Os meninos não têm medo de répteis.
16. Os meninos se raspam mais do que as meninas. 17. Os meninos não rebolam quando andam.
18. Os meninos não se coçam.
19. Os meninos não fazem trança na cabeça de outro menino. 20. Os meninos não são arrogantes e convencidos. 21. Os meninos não choram e sentem remorso quando matam uma
mosca.
22. Os meninos não usam tanto desodorante.
23. Os meninos foram criados primeiro.
24. Os meninos aprendem a fazer barulhos engraçados com os sovacos
mais depressa.
25. Os meninos sabem fazer nós melhores — especialmente nos rabos de
cavalo.
26. Os meninos explodem com mais facilidade. 27. Sem meninos não haveria bebês. (Essa é uma nova ideia!) 28. Os meninos comem com vontade.
29. Os meninos não choramingam.
30. Os meninos cantarolam melhor.
31. Os meninos se orgulham do seu cheiro.
32. Os meninos não choram por causa de uma unha quebrada. 33. Os meninos têm mais senso de direção.
34. Os meninos sabem soletrar certo o nome do dr. Dobson. 35. Os meninos não falam clichês.
36. Os meninos não monopolizam o telefone.
37. Os meninos não são consumistas.
38. Os meninos põem a isca no anzol quando pescam. 39. Os meninos não penduram calcinhas em todo o banheiro. 40. Os meninos não acordam com o cabelo desarrumado. 41. Os meninos não são nojentos. (O quê?)
42. Os meninos não levam milhões de anos para se vestir. 43. Os meninos não se importam com a Barbie. 44. Os meninos não precisam ter 21 pares de sapatos (três para cada dia da
semana!!!).
45. Os meninos não usam um tubo de maquilagem o tempo todo. 46. 4Os meninos não se importam se o seu nariz não é perfeito. 47. Os meninos respeitam tudo e todos, inclusive MENINAS!
Além de receber muitas dessas listas “melhor”, foram-me enviadas notas que as crianças escreveram de próprio punho. O debate sobre meninos e meninas havia evidentemente despertado discussões animadas nas famílias em toda a América do Norte. Estes são alguns exemplos da nossa correspondência:
Gosto muito da página sobre “meninas são melhores do que meninos”. Eu a encontrei porque estava passando pela mesa e a palavra “menina” me chamou
a atenção. Acredito em cada palavra desse pedaço de papel. Tenho tentado convencer minha amiga Lenny de que as meninas são melhores do que os meninos e agora tenho uma prova. Sem ofensa! Obrigado por não ter-se livrado dele e por tê-lo publicado. Tenho oito, quase 9 anos.
FAITH, 8 ANOS
A maioria dos meninos não se importa com a lista de Elizabeth. Eles se interessam mais por esportes, diversões e não se incomodam com a sua aparência (a não ser que vão a algum lugar agradável). Fui obrigado a escrever esta carta. A maioria dos meninos não gosta de escrever.
MICHAEL, 12 ANOS
Elizabeth não tem uma pista.
ANTHONY, 8 ANOS
Recebemos sua carta hoje, com a lista chamada “Meninas são Melhores que Meninos”. Não achei que tudo fosse verdade. Só achei que parte dela era verdadeira porque meu irmão penteia seu cabelo melhor do que o meu.
STEPHANIE, 9 ANOS
Gostei muito de ler a carta de Elizabeth Christine Hays para você. Gostei especialmente das suas 31 razões por que as meninas são melhores do que os meninos. Meus pais me fizeram ler essas razões para meus irmãos. Os dois mais velhos riram o tempo todo. Estava claro que não concordavam. Mas, quando terminei, meu irmão de 4 anos disse: “Então as meninas são melhores do que os meninos”.
SARAH, 15 ANOS
Tenho 8 anos, li a carta que Elizabeth escreveu sobre as meninas serem melhores do que os meninos. Acho que tudo nessa carta é mentira. Tenho dois irmãos que são tão especiais quanto eu. Há um versículo na Bíblia que diz: “Porque o SENHOR não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o SENHOR, o coração” (1Sm 16.7). Todos devemos olhar para as outras pessoas como o SENHOR olha para nós.
ELISHA, 8 ANOS
Estava lendo a sua carta e vi a lista de trinta e uma razões por que as meninas são melhores do que os meninos. Sabe o que fiz com ela? Pisei em cima! Seu amigo, Peyton (não incluiu idade). P.S. Você tem permissão para publicar isto.
Você não aprecia a espontaneidade e criatividade das crianças? Os meninos e meninas têm uma visão muito arejada sobre quase tudo e, como vimos, eles olham a vida de lados opostos do universo. Até uma criança pode ver que os meninos e meninas são diferentes. O que é óbvio para a maioria das crianças e adultos tornou-se, infelizmente, objeto de uma esquentada controvérsia na década de 1970, quando uma ideia nova e tola lançou raízes. Um grupo pequeno, mas ruidoso, de feministas começou a insistir que os sexos eram idênticos exceto pelo seu aparelho reprodutivo e que qualquer singularidade de temperamento ou comportamento resultava de
preconceitos da cultura patriarcal.1 Tratava-se de um conceito radical sem qualquer apoio científico, exceto que era falho e motivado politicamente. A campanha penetrou toda a cultura. De repente, professores e profissionais que deveriam saber melhor começaram a concordar. Nenhuma dúvida a respeito. Homens e mulheres eram redundantes. Os pais tinham estado errados sobre seus filhos durante pelo menos cinco mil anos. A mídia adorou a noção, e a palavra unissex entrou na linguagem dos esclarecidos. Quem quer que desafiasse o novo dogma, como eu fiz em um livro escrito em 1975, intitulado What Wives Wish Their Husbands Knew About omen [O que as esposas gostariam que os maridos soubessem sobre as mulheres], era acusado de sexista ou coisa pior.
O movimento feminino tomou então um caminho novo e perigoso. Seus líderes se puseram a tentar modificar a maneira de criar os filhos (sendo este o motivo de nossa preocupação hoje, depois de todos esses anos). O entrevistador de televisão, Phil Donahue, e dezenas de sabichões disseram aos pais, dia após dia, que suas filhas eram vítimas de um preconceito sexista terrível e que os filhos deviam ser criados como as meninas. A mensagem deles era urgente. As coisas tinham de mudar imediatamente!, diziam. A namorada feminista de Donahue, e mais tarde esposa, Marlo Thomas, foi coautora de um best-seller quase ao mesmo tempo, chamado Free to Be You and Me [Livre para ser você e eu], que os editores descreveram como “o primeiro guia verdadeiro para a criação não sexista de filhos”. Ela aconselhava os meninos a brincarem com bonecas e jogos de chá, dizendo que podiam ser qualquer coisa que quisessem, inclusive (falo sério!) “avós e mamães”. O livro incluía várias poesias e histórias sobre inversão de papéis, tais como uma mãe pregando telhas de madeira no telhado, colocando prateleiras novas na sala e trabalhando com cimento. Enquanto isso, o pai estava na cozinha fazendo o café da manhã. As crianças foram ensinadas que os pais podiam ser grandes mães e as mães, por sua vez, bem
duronas.2 O livro vendeu vários milhares de exemplares e o movimento apenas começara.
Germaine Greer, autora do livro The Female Eunuch [A mulher eunuco], chegou a um extremo ainda maior. Ela declarou que a família tradicional havia “castrado as mulheres”. A seu ver, as mães deviam ocupar-se menos com as filhas, porque tratá-las gentil e bondosamente reforçaria os estereótipos sexuais e as tornaria mais “dependentes” e femininas. Greer insistiu também que as crianças seriam mais bem
servidas quando criadas por instituições em lugar dos pais.3 É difícil acreditar hoje que o livro dela, oferecendo esses e outros conceitos radicais, também ocupasse o alto de todas as listas de best-sellers. Isto ilustra a situação do feminismo radical culturalmente predominante na época.
A mais influente das primeiras feministas talvez tenha sido Gloria Steinem, fundadora da Organização Nacional de Mulheres e editora da revista Ms. Esta é uma amostra da sua perspectiva sobre o casamento e a criação de filhos:
Tivemos várias pessoas neste país com coragem suficiente para criar suas
filhas mais como filhos. O que é ótimo, por significar que são mais iguais... Existe, porém um número menor de indivíduos que tiveram a coragem de
criar seus filhos mais como as filhas. E é isso que precisa ser feito.4
Devemos deixar de criar os meninos para que pensem que precisam
provar a sua masculinidade mostrando-se controladores, não demonstrando emoção, ou não agindo como menininhas. Você pode perguntar [aos meninos]: — E se você fosse uma menina? — Eles ficam muito perturbados só de pensar que poderiam ser essa coisa inferior. Já gravaram na mente a ideia de que para ser meninos devem ser superiores às meninas, e esse é o
problema.5
[O casamento] não é uma parceria igual. Quero dizer, você perde o seu
nome, seu crédito, sua residência legal e é tratada socialmente como se a identidade dele fosse a sua. Não posso imaginar-me casada. Se todos têm de se
casar, isso é então claramente uma prisão, e não uma escolha.6 (Steinem casou-se no ano 2000.)
Supõe-se que todas as mulheres querem filhos. Mas eu jamais consegui ter
quaisquer sentimentos de pesar por não tê-los.7
Reflita um pouco sobre as citações de Steinem, Greer e outras primeiras feministas. A maioria delas nunca se casou, não gostava de crianças e se ressentia profundamente dos homens; todavia, aconselharam milhões de mulheres sobre como criar filhos e, especialmente, como produzir meninos sadios. Não há evidência de que Steinem ou Greer tivessem qualquer experiência significativa com crianças de qualquer dos sexos. Não é interessante que a mídia (segundo meu conhecimento) nunca se referisse a essa incongruência? E não é triste que fosse permitido a essas mulheres torcer e deformar as atitudes de toda uma geração de crianças?
A maior preocupação das feministas era o que consideravam o “sexismo” dos brinquedos das crianças. Como com tantas outras questões naqueles dias, Germaine Greer era a mais vocal. Ela disse: “De onde vem então a diferença [entre os sexos]? Se for inculcada em nós por pessoas como os fabricantes de brinquedos, que direcionam os meninos para os caminhões, as meninas para as bonecas, e por professores, pais, empregadores — todas as influências perversas de uma sociedade
sexista — este, talvez, seja um problema social que precisa ser corrigido”.8
Grande pressão foi exercida sobre as empresas para “corrigir” o problema. Lembro-me de ter sido procurado na época por um advogado que pediu minha ajuda para defender a cadeira de drogarias Sav-On. A corporação fora processada por uma advogada feminista, Gloria Allred, representando os pais de sete meninas que, insistiam, foram prejudicadas emocionalmente por falta de acesso a certos brinquedos em suas lojas. Allred afirmou, com cara de pau, que grande mal fora infligido a essas crianças pela presença de dois cartazes. “Brinquedos para meninos” e
“brinquedos para meninas”, colocados dois metros acima do corredor.9 Um psiquiatra então testemunhou (e foi muito bem recompensado por isso, tenho certeza) que as crianças haviam sido profunda e irreparavelmente prejudicadas pela “discriminação” da Sav-On. Ninguém perguntou por que os pais delas não as levaram simplesmente a outra loja. Mesmo assim, a Sav-On cedeu e concordou em
retirar de suas lojas os cartazes “relacionados com o gênero”. 10
Os varejistas de brinquedos foram depois disso avisados de que a segregação de brinquedos de acordo com o sexo não deveria ser tolerada. Eles entenderam a mensagem. Durante mais de duas décadas, a loja de brinquedos Toys “R” US usou uma abordagem de marketing neutra quanto ao gênero, como exigido pelas feministas. Mas não tiveram sucesso. Finalmente, a empresa realizou mais de dez mil pesquisas entre os clientes para saber mais sobre as preferências das crianças. Ficou evidenciado que os meninos e as meninas tinham interesses em coisas diferentes. Que surpresa! Armados com essa informação, os executivos da Toys “R” US decidiram que era afinal politicamente seguro apresentar os brinquedos em seções separadas, “mundo dos meninos” e “mundo das meninas”. Esta volta a uma abordagem tradicional provocou uma tempestade de protestos por parte da
Iniciativa Feminina da Saúde Reprodutiva e da União Feminina de Caratê.11 A empresa se manteve firme e outros varejistas de brinquedos a acompanharam. Não parecia sensato fazer qualquer outra coisa.
Christina Hoff Sommers tratou desse aspecto dos brinquedos em seu renomado livro, The War Against Boys (A guerra contra os meninos).
Ela relatou que a Hasbro Toys tentou agradar as feministas produzindo uma nova casa de bonecas destinada a interessar tanto meninos quanto meninas. Desse modo, poderiam vender o dobro de unidades. Houve, porém, um leve erro de cálculo quando à reação das crianças. As meninas tendiam a “brincar de casinha” usando a estrutura plástica da maneira tradicional. Suas bonecas se casavam, arranjavam a mobília de brinquedo, tinham filhos e faziam as coisas que tinham visto as mães fazerem. Os meninos também brincavam com as casas de boneca, mas não como previsto. Eles arremessavam o carrinho de bebê para o alto e no geral bagunçavam
a brincadeira das meninas.12 De volta à prancheta de desenho.
O movimento unissex prevaleceu, então, até fins da década de 1980, quando caiu finalmente vítima da tecnologia médica. O desenvolvimento de técnicas não invasivas, tais como imagens por ressonância magnética e escaneamentos PET, permitiu aos médicos e fisiologistas examinar o funcionamento do cérebro humano em muito maior detalhe. O resultado destruiu totalmente as asseverações das feministas. O cérebro dos homens e mulheres eram muito diferentes quando examinados no laboratório. Sob estímulos apropriados, eles “acendiam” em áreas
diferentes, revelando processos neurológicos únicos.13 Ficou claro que o cérebro de cada sexo é “ligado” de um modo, o que, juntamente com os fatores hormonais, justifica as características comportamentais e atitudinais associadas tradicionalmente com a masculinidade e a feminilidade. Foram essas marcas de referência que as feministas tentaram suprimir ou desacreditar, mas falharam. Mesmo assim, temos de admirar a sua ambição. Elas tentaram redesenhar metade da família humana em uma geração.
É de lamentar que as ideias geradas nos anos 1970 e perpetuadas de forma diferente hoje se achem profundamente arraigadas na cultura, embora nunca tivessem feito sentido. As práticas da criação de filhos mudaram para sempre. Muitos pais, por exemplo, relutam ou não estão preparados para ensinar aos meninos de que forma são diferentes das meninas ou o que a sua masculinidade realmente significa. Há também uma nova fonte de confusão emanando da poderosa agenda gay e lésbica. Seus propagandistas estão ensinando uma visão revolucionária da sexualidade, chamada “gênero feminismo”, que insiste que a orientação sexual é irrelevante. A genética pode ser simplesmente ignorada. O que importa é o “gênero” escolhido para nós pelos pais quando somos bebês, ou o papel sexual que nós mesmos escolhemos mais tarde na vida. Mary Brown Parlee articulou esta perspectiva na Psychology Today. “O sexo ‘designado’ para uma criança ao nascer é
tanto uma 14 decisão social quanto o reconhecimento de um fato biológico.”
Outra escritora feminista expressou-se deste modo: “Embora muitas pessoas pensem que os homens e as mulheres são a expressão natural de uma planta genética, o gênero é produto do pensamento humano e da cultura, uma construção
social que cria a ‘verdadeira natureza’ de todos os indivíduos”. 15 Portanto, se protegermos as crianças do condicionamento social e religioso, as pessoas ficarão livres para entrar e sair dos papéis sexuais existentes, segundo as suas preferências. Levando esse conceito até sua conclusão ilógica, as feministas e ativistas homossexuais querem eliminar os papéis tradicionais das mães e dos pais e, com o tempo, livrar-se de termos tais como mulher, marido, filho, filha, irmã, irmão, masculinidade, feminilidade, menino, menina, masculino e feminino. Essas referências à identidade sexual estão sendo substituídas por termos de gênero neutro, tais como cônjuge e criança.
Claramente, existem aqui sérias implicações para as mães e os pais. Recomendo a você que proteja seus filhos e filhas daqueles que estão adotando esses pontos de vista pós-modernos. Proteja seus filhos e filhas do gênero feminismo e dos que buscam confundir a sua sexualidade. Proteja a masculinidade de seus filhos, que vão estar sob pressão política cada vez mais intensa nos anos futuros. Busque apagar neles a percepção de que a maioria dos adultos do sexo masculino são predadores sexuais, violentos e sem consideração pelas mulheres.
É também importante para nós, como adultos, compreender nossa identidade sexual. Se não soubermos quem somos, nossos filhos ficarão duplamente confusos sobre quem eles são. Qualquer incerteza, qualquer ambiguidade nesse aspecto devem ser vistas como prejudiciais não só para nossos filhos e filhas, mas também para a estabilidade social em longo prazo.
Recomendo, por último, que você apoie suas instruções sobre sexualidade nas Escrituras, que nos dizem: “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1.27). Jesus, que foi o primeiro líder judeu a dar dignidade e posição às mulheres, disse: “Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne?” (Mt 19.4-5). Este é o plano divino. Ele não deixa dúvidas de que o Criador não fez um sexo único, mas dois, cada um maravilhosamente formado para “ajustar-se” e satisfazer as necessidades do outro. Qualquer esforço para ensinar as crianças de maneira diferente vai, com certeza, produzir tumulto na sua alma.
Vimos o que a identidade sexual não é. Vamos examinar agora brevemente o que torna os homens únicos e como essa compreensão nos ajuda a criar meninos sadios.
PERGUNTAS E RESPOSTAS
Temos um menino de 9 anos que não é absolutamente como você descreveu. Ele é quieto, atencioso, cuidadoso e muito, muito tímido. Isso significa que não é “completamente menino”? Deveríamos tentar mudá-lo, fazer com que seja mais afirmativo e agressivo?
O que é maravilhoso sobre a maneira como os seres humanos são formados é sua esplêndida variação e complexidade. Somos todos diferentes e únicos. Minha descrição de meninos agressivos, que gostam de correr riscos, representa um esforço para caracterizar os jovenzinhos, mostrando o que é típico e como são diferentes de suas irmãs. Todavia, eles também diferem uns dos outros de mil maneiras. Lembro-me de ter levado certo dia meu filho de 10 anos e seu amigo para um passeio de esqui. Enquanto subíamos de gôndola até o alto da montanha, preparei-me para tirar uma foto dos dois meninos com o lindo panorama visível por trás deles. Ryan, meu filho, estava sorrindo e fazendo palhaçadas para a câmera, enquanto Ricky ficou apenas sentado e quieto. Ryan pediu então a Ricky que sorrisse e brincasse como ele. Ricky respondeu solenemente: “Não sou esse tipo de pessoa”. E tinha razão. Os dois meninos tinham personalidades opostas. Ainda tenho esse instantâneo dos dois meninos — um parecendo maluco e o outro entediado quase até a morte. Cada um deles, “todo menino”.
Seu filho não está certamente sozinho em sua timidez característica. Segundo o New York Longitudinal Study, aproximadamente 14% das crianças são quietas e
passivas no berçário.16 Esse traço do seu temperamento tende a persistir durante a infância e além dela. Elas podem ser espontâneas ou engraçadas quando estão à vontade em casa. Quando estão entre estranhos, porém, fecham a boca e não sabem o que dizer. Algumas crianças são assim por terem sido magoadas ou rejeitadas no passado. A explicação mais provável é que nasceram desse jeito. Alguns pais ficam embaraçados com a introversão dos filhos e tentam mudá-los. É inútil. Nenhum incentivo ou empurrão fará com que venham a ser extrovertidos, gostem de aparecer e mostrem autoconfiança.
Meu conselho para você é seguir a corrente. Aceite seu filho como ele é. Depois, procure aquelas qualidades especiais que dão a ele individualidade e potencial. Cuide dele. Cultive-o e dê-lhe tempo para desenvolver sua personalidade única, diferente de todos os outros seres humanos na terra.