Educando Meninos

James Dobson · Capítulo 7 de 19

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Educando Meninos

6. Pais e filhos

 

QUANDO FIZ 17 ANOS, o Estado do Texas permitiu que eu tirasse a carteira de motorista. Foi uma decisão errada. Meu pai tinha acabado de comprar um Ford zero e deixou que eu desse uma volta com ele na hora do almoço certo dia. Esse foi outro grande erro. Centenas de outros estudantes estavam perto da escola quando passei, o que me deu uma ótima oportunidade para exibir-me. Eu queria também provar uma teoria que me intrigava. Em nossa cidadezinha, havia grandes valetas dos dois lados de certas interseções por onde corriam as águas das enchentes que ocasionalmente varriam nossas ruas. Pensei que se batesse nelas em alta velocidade, meu carro voaria por cima das valetas.

Havia evidentemente muito que eu não compreendia sobre a física de 1.250 kg de aço voando pela estrada. Aproximei-me do cruzamento apressadamente e bati na primeira valeta. A reação foi violenta. Kaboom! Lá se foi o chão do carro! Depois na segunda. Kabang! Minha cabeça bateu no teto e o carro estremeceu como um ioiô gigante. Minha vida inteira passou em frente de meus olhos. Mas os meus amigos texanos ficaram de boca aberta, dizendo: — Nossa! E agora?

Algumas semanas mais tarde, meu pai veio falar comigo. — Olhe, Bo (era assim que me chamava), levei o carro ao mecânico e ele disse que os quatro amortecedores estão estragados. É a coisa mais estranha. Eles no geral vão se desgastando aos poucos, mas o carro é novo e já estão em tiras. Você tem alguma ideia de como isso pode ter acontecido?

A única coisa que me salvou foi um lapso repentino de memória. Naquele momento eu realmente não me lembrava de ter batido nas valetas e disse então que não sabia! Ele aceitou minha negativa e eu escapei com vida. Algumas semanas mais tarde eu estava dirigindo perto de casa quando a coluna da direção quebrou, enviando o Ford para o meio-fio. Felizmente, ninguém morreu. Só anos mais tarde compreendi que eu havia estragado os amortecedores e provavelmente rachado a coluna da direção durante o “grande experimento físico”. Quem sabe que outros danos eu causara ao carro novo de meu pai naquele dia.

A essa altura eu já admitira para mim mesmo que era o culpado. Meu pai se esquecera do episódio e nunca mais o mencionou. Nem eu. Meu pai morreu sem saber a coisa idiota que eu fizera. Portanto, pai, se estiver me vigiando lá de cima, saiba que sinto muito e nunca mais farei isso. Vou poupar minha mesada durante seis anos para pagar os estragos.

Os meninos têm um meio de frustrar e irritar a alma de nós pais. Eles deixam nossas melhores ferramentas na chuva ou as misturam na bancada de trabalho. Perdem nossos binóculos ou deixam cair nossas câmeras. Muitos são atrevidos, irresponsáveis e difíceis de lidar. Ou agem de modo absolutamente irracional, tal como o pequeno Jeffrey se escondendo debaixo da cama enquanto a família corria a vizinhança gritando o seu nome. É claro que não devemos nos queixar. Fomos meninos no passado que também enlouquecemos nossos pais; devemos então dar um pouco de folga aos garotos. Apesar de todos os desafios associados à educação de um menino turbulento, um dos maiores privilégios da vida é quando um deles se agarra ao seu pescoço e diz: — Te amo, pai.

O general Douglas MacArthur, um de meus heróis, concordaria com esse sentimento. Ele foi um dos maiores líderes militares de todos os tempos. Levou os exércitos aliados à vitória sobre o exército imperial japonês na Segunda Guerra Mundial e depois comandou as forças das Nações Unidas na Coreia. Seu desembarque-surpresa em Inchon foi uma das manobras mais brilhantes da arte militar. Essas realizações no campo de batalha explicam por que MacArthur é reverenciado atualmente, muitas décadas após sua morte.

Mas há outra razão para que eu admire este homem. Está relacionada ao discurso que fez em 1942, depois de ter recebido um prêmio por ser bom pai. Estas foram suas palavras naquele dia: “Nada me tocou mais profundamente do que [esta honra que me foi dada] pelo Comitê Nacional do Dia dos Pais. Sou soldado de profissão e tenho grande orgulho nesse fato.

Tenho, porém, mais orgulho, infinitamente mais, de ser pai. O soldado destrói a fim de construir. O pai sempre constrói, nunca destrói. O primeiro tem o potencial da morte, o outro personifica a criação e a vida. Embora as hordas da morte sejam poderosas, os batalhões da vida são mais fortes ainda. Minha esperança é que meu filho, quando eu tiver partido, não se lembre de mim no campo de batalha, mas no

ambiente do lar”. 1 É exatamente assim que me sinto sobre meu filho e minha filha.

Vamos examinar um pouco mais de perto o que significa ser pai de meninos. No capítulo anterior, discutimos a importância do relacionamento pai-filho e a razão de o elo entre eles ser essencial ao desenvolvimento masculino. Quero agora me concentrar nas duas primeiras maneiras em que a influência do pai é transmitida no lar, começando com certo exemplo. Se a formação do caráter for o principal alvo da paternidade, e creio que é, então, o melhor modo para incutir isso é mediante a conduta e o comportamento do pai. A identificação com ele ensina muito mais do que fazer sermão, repreender, castigar, subornar e lisonjear. Os meninos observam atentamente os pais, notando cada detalhe de comportamento e valores. Isso é provavelmente verdade também em sua casa. Seus filhos imitam quase tudo o que você faz. Se perde a calma regularmente e insulta sua esposa, seus meninos vão tratar desrespeitosamente a mãe e outras mulheres. Se você bebe demais, seus filhos correrão o risco de abusar de substâncias químicas. Se falar palavrões ou fumar, ou brigar com o chefe ou os colegas, seus filhos seguirão provavelmente seu exemplo. Se for egoísta, mesquinho ou irado, verá essas características exibidas na próxima geração.

Felizmente, o contrário é também verdade. Se você for honesto, digno de confiança, interessado no bem-estar das pessoas, amoroso, autodisciplinado e temente a Deus, seus filhos serão influenciados por essas qualidades à medida que crescerem. Se for profundamente dedicado a Cristo e viver segundo os princípios bíblicos, seu filhos provavelmente seguirão os seus passos. Muito depende do que eles observarem em você, para o bem ou para o mal.

Alguém disse: “Eu prefiro ver um sermão a ouvi-lo”. Há verdade nessa declaração. As crianças talvez não se lembrem do que você diz, mas são geralmente influenciadas por toda a vida pelo que você faz. Considere por exemplo a tarefa de ensinar seus meninos a serem honestos. Você deve realmente ensinar o que a Escritura diz sobre a verdade, mas deve também procurar oportunidades para viver segundo esse padrão de justiça. Lembro-me de algo que aconteceu há anos no Estado da Geórgia quando o time da Escola Secundária de Rockdale venceu o campeonato de basquete. O treinador Cleveland Stroud não podia ter ficado mais orgulhoso da sua equipe. Mas então, alguns dias mais tarde, enquanto assistia ao filme do jogo, ele notou que havia um jogador inelegível na quadra por 45 segundos durante um dos jogos. Stroud telefonou para a Associação de Escolas Secundárias da Geórgia e falou sobre a violação, o que custou à escola o título e o troféu. Quando lhe perguntaram na conferência da imprensa, o treinador Stroud disse: “Alguns afirmaram que devíamos nos calar a esse respeito. Que foram apenas 45 segundos e que o jogador não era na verdade alguém que causasse impacto. Mas é preciso fazer o que é honesto e correto. Eu disse ao meu time que as pessoas esquecem os pontos dos jogos

de basquete, entretanto, elas nunca se esquecem do que você é feito”.2

Tenho certeza de que cada membro da equipe dos Bulldogs vai lembrar-se do caráter do treinador Stroud. Uma carta do editor do jornal local resumiu muito bem o episódio: “Temos escândalos em Washington e roubos na Wall Street. Graças a Deus vivemos em Rockdale County, onde a honra e a integridade estão vivas e são

praticadas”.3

Seus filhos e filhas precisam ver você fazendo o que é certo, mesmo quando isso seja inconveniente.

Isto faz surgir uma pergunta sobre as outras características que você está tentando modelar para seus filhos. Já pensou bem nisso? Sabe exatamente o que está tentando realizar em casa? Se não tem certeza de quem é como homem, ou o que está tentando dizer com “a mensagem da sua vida”, seus filhos (e filhas) não terão um exemplo consistente a seguir. Esse plano deve começar, creio eu, com um compromisso pessoal com Jesus Cristo, que guiará os seus passos nos dias vindouros. A não ser que o conheça, seus esforços para modelar a justiça serão inadequados e vazios.

Ao construir sobre esse fundamento, o alvo será tornar-se “um bom homem de família”. O dr. David Blankenhorn, chefe do Instituto de Valores Americanos,

destaca em seus escritos que esta frase quase foi obscurecida.4 A tradução literal seria “alguém que coloca a sua família em primeiro lugar”. Repare nas três palavras que formam a frase. Bom, referindo-se aos valores morais largamente aceitos; família, indicando propósitos maiores do que o “eu”; e homem, que reconhece uma norma de masculinidade. Ao que tudo indica, a cultura contemporânea não celebra mais um ideal compartilhado por todos de homem que dá a primazia à família. Onde vemos a masculinidade responsável representada? Bill Cosby a modelou na TV durante alguns anos, mas quem mais foi retratado na mídia como um bom homem de família? Não há muitos. Há mais probabilidade de atletas geniosos, de conquistadores ou de empresários que sacrificaram tudo, inclusive mulher e filhos, para fazer de sua empresa um sucesso. Na ausência de bons maridos e pais, os meninos impressionáveis acabam no geral seguindo modelos defeituosos.

Vamos observar mais cuidadosamente o que significa ser “um bom homem de família” no mundo atual. Para colocar isso em perspectiva, talvez fosse útil examinar quatro papéis tradicionais que os homens têm desempenhado em casa. O primeiro é servir como provedor da família. Ninguém discutia há cinquenta anos que a principal responsabilidade do homem fosse ser o “ganha-pão”. Isto ficou menos claro atualmente, o que é lamentável. Embora a maioria das esposas e mães trabalhe fora, continua sendo obrigação do homem assegurar que as necessidades financeiras da família sejam satisfeitas.

A segunda contribuição que o pai tem feito historicamente é servir como líder do clã. Este papel se tornou altamente controverso com o movimento feminino, mas foi raramente desafiado antes da década de 1960. Era frequentemente afirmado naqueles dias que “dois comandantes afundam o navio” e “dois cozinheiros estragam a sopa”. O pai era o árbitro final nos assuntos importantes. Admite-se que este papel de liderança era, às vezes, abusado por homens egoístas que tratavam suas esposas com desrespeito e seus filhos como bens pessoais, mas esse nunca foi o modo desejado para a função designada. As Escrituras, que parecem ordenar esta responsabilidade de liderança aos homens, também definem os limites da sua autoridade. É dito aos maridos que amem suas mulheres como sua própria carne, estando dispostos a dar suas vidas por elas. Eles são também advertidos a não tratar seus filhos com aspereza ou desconsideração. Esse sistema deu geralmente bons resultados durante milhares de anos.

A terceira contribuição feita por um pai é servir de protetor. Ele protegia os membros da família do mundo exterior e os ensinava como enfrentá-lo com sucesso. Era a ele que os membros da família procuravam quando se sentiam ansiosos ou ameaçados. Se outro homem tentasse abusar ou insultar sua esposa, o pai defendia a sua honra. Era sua responsabilidade ver se a casa estava segura à noite e se os filhos estavam em casa numa hora razoável. Cada membro da família sentia-se um pouco mais seguro com a sua presença.

Finalmente, a quarta contribuição feita por um pai eficiente era prover direção espiritual para a família. Embora falhasse muitas vezes neste papel, era sua obrigação ler as Escrituras para os filhos e ensinar-lhes os fundamentos da sua fé. Ele era o intérprete do código moral e dos rituais sagrados da família e se assegurava de que os filhos frequentassem a igreja todas as semanas. Sabe-se que nem todos os homens desempenharam adequadamente no passado cada um desses quatro deveres. Mas havia consenso amplo na cultura de que isto era o que eles deveriam fazer.

Vocês podem lançar suas pedras e garrafas em mim agora. Estou certo de que alguns de meus leitores estão arrepiados com a implicação de que é assim que os homens devem agir agora. Com todo respeito, porém, há sabedoria eterna nesses papéis tradicionais. Cada um deles está apoiado em ensinos bíblicos. É claro que se trata de coisas antigas, mas os homens têm sido definidos por essas responsabilidades há milênios.

É de lamentar que esses quatro papéis tenham sido ridicularizados e atacados por pós-modernistas e seus aliados na mídia. Como resultado, muitos pais têm um conceito errado do que devem fazer ou como fazer. Alguns deles renunciaram à sua autoridade no lar e não se envolvem de forma alguma ou tentam educar os filhos de modo mais característico das mães. Foi-lhes dito que precisam ser mais sensíveis e aprenderem a expressar suas emoções — desde a ira até o medo. Com efeito, os homens estão sendo pressionados a ser mais como as mulheres e as mulheres como os homens. Esta inversão de papéis confunde terrivelmente os meninos.

Não é inadequado que o homem tenha sentimentos profundos ou que revele suas paixões e pensamentos íntimos. Ele também não precisa apresentar um exterior gelado para o mundo à sua volta. Ao mesmo tempo, entretanto, existe na masculinidade lugar definido para a força e confiança em meio à tempestade, e esse papel cabe mais naturalmente aos homens. Assim como um grande carvalho oferece abrigo e proteção para todos os seres vivos que se aninham em seus ramos, um homem forte oferece segurança e conforto para cada membro da família. Ele sabe quem é como um filho de Deus e o que é melhor para sua esposa e filhos. Seus filhos têm necessidade de um homem assim para quem olhar e imitar. Eles desrespeitam pais fracos intimidados pelas mulheres ou cujas emoções estão sempre à mostra. Isso parece sentimental e contrário a tudo o que você ouviu? Assim seja. Os homens foram destinados a cuidar das pessoas a quem amam, mesmo que isso envolva sacrifício pessoal. Quando cumprem essa responsabilidade, as esposas, filhos e filhas vivem no geral em maior paz e harmonia.

As boas ilustrações da masculinidade tradicional e bíblica são difíceis de encontrar, mas há um exemplo de meus escritos anteriores que quero repetir. Ele descreve meu avô, que morreu um ano antes do meu nascimento. Este relato foi incluído em meu livro, Conversa Franca (Mundo Cristão), mas sua relevância neste ponto justifica nova leitura.

Durante a semana do Natal de 1969, os dois irmãos sobreviventes de meu pai e sua irmã se encontraram na Califórnia para uma reunião familiar. Nessa feliz ocasião, eles passaram a maior parte de cinco dias em reminiscências da sua infância na casa paterna. Um dos netos gravou as conversas em fitas-cassete e tive o privilégio de obter um conjunto completo. Que rica herança foi esta, dando-me uma visão do lar de meus avós e das primeiras experiências de meu pai.

Embora todas as conversas fossem interessantes para mim, havia um fio comum especialmente significativo que se estendeu pela semana inteira. Ele enfocava o respeito que aqueles quatro irmãos sobreviventes tinham pela memória do pai (meu avô). Ele morreu em 1935, no ano anterior ao meu nascimento, todavia, eles ainda falavam dele com reverência indiscutível 34 anos mais tarde. Meu avô vivia ainda na mente deles como homem de caráter e força admiráveis. Pedi que explicassem as qualidades que tanto apreciavam, mas recebi pouco mais do que generalidades.

— Ele era uma torre de força — disse um.

— A dignidade o envolvia como um halo — disse outro, com gestos apropriados.

— Nós o respeitávamos — replicou o terceiro.

É difícil resumir as sutilezas e complexidades da personalidade humana, e eles não conseguiram encontrar as palavras certas. Só quando começamos a falar sobre lembranças específicas é que a personalidade do patriarca tornou-se aparente. Meu pai forneceu a melhor evidência escrevendo suas memórias da morte do Avô Dobson, que reproduzi abaixo. Fluindo por toda a narrativa está o impacto causado em sua família por um grande homem, mesmo três décadas após seu falecimento.

OS ÚLTIMOS DIAS DE R. L. DOBSON

O ataque que tirou sua vida ocorreu aos 69 anos de idade e resultou finalmente na separação do círculo familiar. Durante muitos anos após sua morte, eu não podia passar pelo Hospital Tri-State sem notar determinada janela. Ela se destacava das outras, era especial por representar o quarto em que ele sofrera tanto. Os detalhes daqueles dias trágicos permanecem em minha memória, inalterados pela passagem do tempo.

Havíamos ficado três dias e três noites praticamente sem dormir, ouvindo-

o esforçar-se para respirar, ouvindo os sons da morte que se aproximava, sentindo o cheiro da morte. Papai estava em coma profundo. Sua respiração difícil podia ser ouvida de alto a baixo da ala em que estava. Andávamos pelos corredores daquele velho hospital durante horas, escutando a luta incessante que se tornava cada vez mais débil. Várias vezes a enfermeira nos chamara para entrar e nos despedirmos pela última vez — passamos pela agonia de desistir dele —, mas seu coração se reanimava e a vigília interminável começava outra vez. Finalmente, tínhamos ido para um quarto conjugado, não para dormir, mas, alguns nas cadeiras e outros nas camas, havíamos caído no sono da completa exaustão.

Às cinco para as quatro a enfermeira entrou e acordou um de meus irmãos

gêmeos. Robert despertou sobressaltado. — Ele morreu? — perguntou.

— Não, mas se vocês quiserem ver seu pai mais uma vez enquanto está

vivo, é melhor irem agora.

Todos foram logo avisados e fizemos fila para entrar no quarto rodeando

sua cama pela última vez. Lembro-me de estar à sua esquerda: alisei o cabelo em sua testa e coloquei a mão sobre a sua, grande e avermelhada, bem parecida com a minha. Senti a febre que precede a morte: 41 graus. Enquanto me achava ali, senti uma mudança em mim. Em vez de ser um homem crescido (tinha 24 anos na época), voltei a ser um menininho. Dizem que isto acontece frequentemente com os adultos que testemunham a morte de um dos pais. Pensei que estava na estação de trens em Shreveport, Louisiana, no fim da tarde e esperava a volta dele. O velho trem de passageiros estava chegando à estação e eu o vi “fazendo a curva”. Meu coração inchou de orgulho, voltei-me para o garotinho ao meu lado e disse: — Está vendo aquele homem grande na parte de trás do trem, com uma das mãos no freio e a outra no pequeno apito que dá sinal para o engenheiro? Esse homem grandão é meu pai! — Ele apertou os freios e ouvi as rodas parando. Desceu do último vagão,

e eu corri e me atirei em seus braços. Dei-lhe um abraço apertado e senti o cheiro da fumaça do trem em suas roupas. — Papai, amo você — disse eu.

Tudo voltou. Apertei aquela mão enorme e falei: — Adeus, papai —

enquanto ele ia escapando depressa. — Não esquecemos como o sr. trabalhou duro para enviar cinco meninos e uma menina para a faculdade; como usou esses velhos uniformes de condutor até se tornarem lustrosos, fazendo isso para que tivéssemos coisas que na verdade não precisávamos...

Aos três minutos para as quatro, como um navio majestoso saindo

lentamente do porto para o mar da eternidade, ele deu seu último suspiro. A enfermeira fez sinal para que saíssemos e puxou o lençol sobre o seu rosto, um gesto que levou o terror ao meu coração, e nos voltamos chorando em silêncio para deixar o quarto. Ocorreu então um incidente que nunca esquecerei. Quando chegamos à porta, coloquei o braço sobre os ombros de minha pequenina mãe e disse: — Mamãe, isto é terrível.

Enxugando os olhos com o lenço, ela replicou: — É verdade, Jimmy, mas

há uma coisa que a mamãe quer que você lembre agora. Nós dissemos boa-noite aqui, mas um desses dias vamos dizer bom-dia lá.

Creio que ela disse mesmo bom-dia, onze anos mais tarde, e sei que ele a

encontrou no céu.

Sua morte foi marcada pelo silêncio e dignidade, como fora a sua vida.

Chegaram assim ao fim os negócios de R. L. Dobson, e terminou também desse modo a solidariedade da família.

A velha casa nunca mais foi a mesma. O velho espírito que conhecêramos

quando crianças desapareceu para sempre.

Esta ilustração revela algumas das características específicas que tornaram R. L. Dobson uma poderosa influência em sua família; ela nos conta como seu filho se sentia em relação a ele. Conheço também alguns outros detalhes. Meu avô era um dos carvalhos que já mencionei — homem forte e íntegro. Embora não fosse cristão até pouco tempo antes de sua morte, ele viveu de acordo com um padrão interno singularmente firme. Quando jovem, por exemplo, investiu pesadamente num negócio com um parceiro que mais tarde descobriu ser desonesto. Quando soube da roubalheira, saiu da empresa e a deu virtualmente para o outro homem. Esse ex-sócio transformou a corporação em uma das operações mais bem-sucedidas do sul e se tornou multimilionário. Meu avô, porém, nunca olhou para trás. Levou uma consciência limpa para a sepultura.

Havia, como é claro, outras características admiráveis, e muitas delas foram transmitidas ao meu pai. Esses dois homens personificaram muito do que estou tentando transmitir neste exame da masculinidade. Eles passaram então esses valores para mim. Se os homens de hoje estivessem tão certos da sua identidade masculina como meu pai e meu avô, haveria muito menos meninos perdidos que buscam, em vão, modelos nas gangues de rua ou na cultura popular.

Meu ponto nesta discussão foi recomendar a todos os pais jovens que providenciem esse modelo sobre o qual seus meninos poderão construir suas identidades masculinas. Quando você modela os papéis tradicionais que descrevemos ou alguma versão deles, seus filhos vão observar quem você é e aprender assim a servir de maneira similar quando crescerem. É por tudo isso que qualquer advertência aos pais sobre a educação de meninos começa com um exame de seu comportamento e caráter individual.

Mencionei antes que havia duas maneiras principais de os pais influenciarem os filhos do sexo masculino. Se o modelo é a primeira, a segunda trata das instruções específicas que os pais devem transmitir aos filhos. Esse assunto poderia encher vários livros, mas vou concentrar-me no subtópico do que um pai deve ensinar a seus filhos especificamente sobre meninas e mulheres. É improvável que aprendam isso em qualquer outra parte.

Vou dar agora algumas sugestões em rápida sucessão, supondo que você seja pai de um ou mais meninos. Leia: se depreciar o sexo oposto ou se referir às mulheres como objetos sexuais, essas atitudes vão se manifestar diretamente nos namoros e relacionamentos conjugais deles mais tarde. Lembre-se de que a sua meta é preparar um menino para liderar uma família quando crescer e mostrar-lhe como ganhar o respeito daqueles a quem serve. Diga que é gostoso rir e divertir-se com os amigos, mas avise que não deve ser “tolo”. Os tolos não são respeitados, e as pessoas, especialmente meninas e mulheres, não seguem os meninos e homens a quem não respeitam. Diga também a seu filho que ele nunca deve bater numa garota em circunstância alguma. Lembre-lhe que ela não é tão forte quanto ele e que merece o seu respeito. Ele deve não só não machucá-la, como também protegê-Ia se for ameaçada. Quando estiver passeando com uma menina na rua, deve andar do lado de fora, mais perto dos carros. Isto é simbólico da sua responsabilidade de cuidar dela. Quando estiver namorando, ele deve pagar pelo que comerem e pelo divertimento. As meninas não devem (esta é simplesmente minha opinião) telefonar para os meninos — pelo menos até que tenham um compromisso firme. Os garotos devem tomar a iniciativa, planejando os encontros e convidando a menina para sair. Ensine seu filho a abrir portas para as meninas e a ajudá-las com os casacos ou cadeiras num restaurante. Quando for buscá-la na casa dela, diga-lhe que saia do carro e bata na porta. Nunca buzine. Ensine que deve levantar-se, em situações formais, quando uma mulher sai da sala ou da mesa, ou quando ela volta. Este é um modo de mostrar respeito por ela. Se a tratar como uma dama, ela o tratará como homem. É um excelente plano.

Faça um esforço concentrado para ensinar a abstinência sexual aos seus adolescentes, do mesmo modo que os ensina a abster-se de drogas e álcool e outros comportamentos negativos. É claro que pode fazer isso! Os jovens são absolutamente capazes de compreender que o sexo irresponsável não é do seu melhor interesse e que leva a moléstias, gravidez indesejada, rejeição etc. Em muitas casas hoje, ninguém está compartilhando esta verdade com os adolescentes. Os pais ficam embaraçados de falar sobre sexo e, fico perturbado em dizer, as igrejas não estão dispostas a tratar do assunto. Isso cria um vácuo no qual os conselheiros liberais sobre sexo se insinuam para dizer: “Sabemos que você vai fazer sexo de qualquer jeito, por que então não fazer direito?”. Que mensagem condenável essa. É por esse motivo que o herpes e outras doenças sexualmente transmissíveis estão se espalhando pela população e a gravidez indesejada espreita nos campus escolares. Apesar dessas terríveis consequências sociais, muito pouco apoio é oferecido até para os jovens que estão desesperadamente procurando uma razão válida para dizer não. É dito a eles que o “sexo seguro” é aceitável se usarem o dispositivo apropriado. Você, como pai, deve contrabalançar essas mensagens em casa. Diga a seus filhos que não há segurança — nenhum lugar para se esconder — quando a pessoa vive em contradição com as leis de Deus! Lembre a eles, repetida e enfaticamente, o ensino bíblico sobre a imoralidade sexual — e por que alguém que transgride essas leis não só prejudica a si mesmo, como prejudica também a menina e o homem com quem vier a casar-se. Diga a eles que nunca peguem nada que não lhes pertence — especialmente a pureza moral de uma mulher.

Diga também a seus filhos que o sexo tem natureza progressiva. Beijar e acariciar levarão inevitavelmente a intimidade maior. É exatamente assim que somos feitos. Se os rapazes quiserem permanecer morais, devem tomar providências para retardar a progressão física desde logo no relacionamento. Ensine que não devem ligar o motor se não pretendem fazê-lo funcionar. Finalmente, torne claro que a moralidade sexual não é só certa e apropriada, ela é uma das chaves para o casamento e a vida familiar saudáveis.

Comece essas e outras conversas cedo, de acordo com a idade e maturidade da criança. Elas devem ser bem planejadas e efetuadas à medida que decorrerem os anos. Você já não ouviu homens adultos dizerem com convicção: “Meu pai sempre me disse...”? Isto se deve ao fato de as coisas enfatizadas na infância no geral ficarem durante a vida inteira na mente do indivíduo, mesmo que não pareçam ter sido “gravadas” na hora. Em resumo, este tipo de instruções específicas é a substância da sua responsabilidade de afirmar, reconhecer e celebrar a viagem de seu filho para a virilidade.

Como já disse, admito que algumas das ideias sugeridas possam parecer antiquadas. Contudo, elas ainda fazem sentido para mim porque a maioria delas tem base bíblica. Elas também contribuem para relacionamentos harmoniosos entre os sexos, o que renderá dividendos para os que venham a se casar. O dr. Michael Gurian disse muito bem: “Toda vez que você cria um homem amoroso, sábio e responsável, criou um mundo melhor para as mulheres. As mulheres [de hoje] estão sendo obrigadas a ligar-se a homens incompletos, meninos que não foram criados até a idade adulta, não sabem o significado de uma união, não sabem quais são as suas responsabilidades para com seus semelhantes, e não têm um sentido concreto de

serviço”.5 Os pais de hoje têm uma oportunidade para mudar isso.

Sei que as sugestões e ideias oferecidas neste capítulo colocam grande pressão sobre nós para sermos superpais, mas é assim que as coisas são. Senti o mesmo quando meus filhos eram pequenos. Para ser franco, criar filhos foi uma responsabilidade e tanto para Shirley e eu. Sabíamos ser inadequados para lidar com a tarefa e que ninguém é capaz de garantir o resultado dela. Foi por esse motivo que começamos a orar diligentemente pelo bem-estar espiritual de nossos filhos. Milhares de vezes, por meio dos anos, ficamos de joelhos pedindo sabedoria e orientação.

Fizemos, então, o nosso melhor em casa. De alguma forma, isso parece ter sido suficiente. Nossos dois filhos amam o Senhor hoje e são seres humanos maravilhosos. Shirley merece quase todo o crédito pelo resultado, mas eu também me esforcei ao máximo. Felizmente, os pais não precisam ser perfeitos para transmitir seus valores à geração seguinte.

Nosso Pai celestial vai responder também às suas orações por seus filhos caso se volte para ele. O Senhor vai guiá-los em meio aos temporais da adolescência. Mas não fará por você aquilo que você pode e deve fazer, e é disto que estamos aqui para falar.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Meu filho de 13 anos está em plena adolescência. Estou suspeitando que possa estar se masturbando ultimamente, mas não sei como abordar o assunto com ele. Devo preocupar-me e, caso positivo, o que devo dizer a ele? Não acho que deva invadir esse mundo privado, a não ser que existam circunstâncias especiais que o levem a isso. Ofereço esse conselho embora reconheça que a masturbação é um assunto altamente controverso, e os líderes cristãos diferem muito em suas perspectivas a respeito. Vou responder à sua pergunta, mas espero que compreenda que alguns eruditos e ministros bíblicos vão discordar enfaticamente do que vou dizer.

Primeiro, vamos considerar a masturbação de uma perspectiva médica. Podemos dizer sem medo de contradição que não há evidência científica para indicar que este ato é prejudicial ao corpo. Apesar de advertências aterradoras feitas aos jovens historicamente, ela não causa cegueira, fraqueza, retardamento mental ou qualquer outro problema físico. Se causasse, toda a população masculina e metade da feminina estaria cega, fraca e doente. Entre 95% e 98% dos meninos se envolvem nesta prática — e sabe-se que os restantes mentem. É quase um comportamento universal. Uma porcentagem menor, mas ainda significativa, de meninas também se envolvem no que era antes chamado de “autogratificação”, ou pior, “abuso de si mesmo”.

Quanto às consequências emocionais da masturbação, só quatro circunstâncias devem preocupar-nos. A primeira é quando associada com culpa opressiva da qual o indivíduo não consegue escapar. Essa culpa tem o potencial de causar considerável dano psicológico e espiritual. Os meninos e meninas que se julgam sob condenação divina podem gradualmente convencer-se de que nem Deus poderia amá-los. Eles prometem mil vezes, com toda sinceridade, nunca mais cometer esse ato “desprezível”. Uma semana ou duas passam, ou até vários meses; mas, por fim, a pressão hormonal se acumula até que quase todo momento acordado reverbera com o desejo sexual. Finalmente, num momento (e quero dizer um momento) de fraqueza, acontece outra vez. O que fazer então, querido amigo? Diga-me o que um ou uma jovem diz a Deus depois de ter acabado de quebrar a milésima promessa solene feita a ele? Estou convencido de que alguns adolescentes desistiram da sua fé pela sua incapacidade de agradar a Deus neste ponto.

A segunda circunstância em que a masturbação poderia causar implicações danosas é quando se torna extremamente obsessiva. Isto é mais provável de acontecer quando o indivíduo compreende que é um “fruto proibido”. Creio que a melhor maneira de evitar esse tipo de reação obsessiva é o adulto não a enfatizar ou condenar. Não importa o que você fizer, você não vai impedir a prática da masturbação em seus adolescentes. Esta é uma certeza. Você só vai fazer com que fique oculta — ou sob as cobertas. Nada funciona como uma “cura”. Banhos frios, muito exercício, muitas atividades e ameaças terríveis são ineficazes. Tentar suprimir este ato é uma campanha destinada a fracassar — por que então iniciá-Ia?

A terceira situação com a qual devemos nos preocupar é quando o jovem se torna viciado em material pornográfico. O tipo de obscenidade ao alcance dos adolescentes hoje tem a capacidade de agarrar e prender um menino pelo resto da vida. Os pais desejarão interferir se houver evidência de que seu filho ou filha está se dirigindo para esse caminho bem palmilhado. Vou discutir esse perigo num capítulo subsequente.

O quarto risco da masturbação não se refere aos adolescentes, mas a nós adultos. Este hábito pode seguir-nos até o casamento e se tornar um substituto para as relações sexuais saudáveis entre marido e esposa. Isto, creio eu, é o que o apóstolo Paulo quis dizer quando nos instruiu a não privar ou “fraudar” um ao outro como parceiros sexuais. O apóstolo escreveu: “Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência” (1 Co 7.5).

Quanto às implicações espirituais da masturbação, deixarei para os teólogos uma resposta mais definitiva. Acho, porém, interessante que as Escrituras não tratem deste assunto exceto por uma única referência no Antigo Testamento, feita a um homem chamado Onã. Ele interrompeu o intercurso sexual com sua cunhada e permitiu que seu sêmen se derramasse no chão, a fim de não produzir descendência para seu irmão, o que era seu “dever” (Gn 38.8-9). Embora esse versículo seja muitas vezes citado como evidência de que Deus desaprova a masturbação, o contexto não parece ser adequado.

O que você, como pai, diria então a seu filho de 13 anos sobre este assunto? Meu conselho é que não diga nada após a puberdade ter ocorrido. Você só vai causar embaraço e desconforto. Para os mais jovens, seria bom incluir o assunto da masturbação numa conversa sobre “Preparando-se para a Adolescência”, que recomendei em outras ocasiões. Sugiro que os pais falem com seus meninos de 12 ou 13 anos da mesma maneira que meu pai e minha mãe discutiram este assunto comigo. Estávamos no carro e meu pai disse: “Jim, quando eu era menino me preocupava demais com a masturbação. Isso se tornou algo difícil para mim, porque achava que Deus estava me condenando por aquilo que eu não conseguia controlar. Estou dizendo a você agora que espero que não tenha necessidade de se envolver nesse ato quando entrar na adolescência. Mas, se isso acontecer, não se preocupe demais. Acho que não vai influenciar muito o seu relacionamento com Deus”.

Que coisa compassiva meu pai fez por mim naquela noite no carro! Ele era um ministro muito conservador que nunca comprometeu os seus padrões de moral até o dia de sua morte. Defendia como uma rocha os princípios e mandamentos bíblicos. Todavia, me amava o suficiente para levantar de meus ombros o fardo de culpa que quase destruiu alguns de meus amigos da igreja. Este tipo de fé ensinado por meus pais é uma das principais razões para que eu nunca achasse necessário me rebelar contra a autoridade paternal ou desafiar a Deus.

Esses são os meus pontos de vista, pelo que valem. Sei que minhas recomendações vão inflamar alguns. Se você for um deles, peço que me desculpe. Só posso oferecer o melhor conselho de que sou capaz. Oro para que neste caso eu esteja certo.

Meu filho está no primeiro ano da faculdade e parece ter encontrado uma garota que pensa estar amando. Ele veio para casa no Natal e conversamos sobre o tipo de família que ele queria ter. Ele estava porém preocupado com o alto índice de divórcio que ameaça todo novo casamento e me perguntou como poderia diminuir esse risco para ele e sua futura esposa. Que recomendações você teria feito? Essa pergunta poderia ter seiscentas respostas, mas me contentarei em dar apenas uma sugestão. Você precisa explicar a seu filho como as mulheres são diferentes dos homens e como essa diferença vai afetar o casamento dele. Isso se refere ao que poderia ser chamado de “suposições diferentes”. Muitos homens se casam com a ideia errada de que as mulheres vão ser as suas líderes de torcida e cuidarão de seus filhos sem esperar nada em troca. Eles acreditam que sua maior e talvez única responsabilidade seja ganhar dinheiro e ter sucesso profissional, mesmo que isso exija doze horas por dia do seu tempo. A suposição das mulheres, por outro lado, é que o casamento vai ser um caso maravilhosamente romântico. Elas esperam jantares à luz de velas, passeios na chuva e noites de conversação alma-a-alma. Essas duas expectativas são ilusórias e vão tropeçando por alguns anos até que finalmente colidem. Os homens que trabalham demais e as mulheres Cinderela no geral destroem um ao outro. Já vi este tipo de coisa desenvolver-se repetidamente entre os estudantes de Medicina que começaram seu treinamento com enorme entusiasmo compartilhado pelas esposas. Mas, no terceiro ano, a mulher (supondo que o estudante fosse homem) começa a perceber que o marido tem uma amante. Não se trata de outra mulher. Ele se envolveu num caso vitalício com a Medicina e ficaria cativo dessa obsessão pelo resto da sua vida, juntos. Quando essa realidade evidencia-se, o divórcio não demora a vir, geralmente no último ano.

Recomendo bastante aos pais que digam a seus filhos adolescentes e universitários que as meninas são românticas incuráveis e não bastará para elas que os maridos tenham sucesso em Sua Profissão. Isso seria suficiente nas décadas passadas. Hoje, algo mais é esperado. Se quiserem casamentos e famílias sólidas, devem reservar tempo e energia para o relacionamento conjugal, conversando e tratando um ao outro como namorados.

Este é um conselho que eu daria a todos os noivos ou recém-casados. Uma simples compreensão dessas suposições “diferentes” poderia evitar muitos divórcios penosos. Acho que deve compartilhar isso com seu filho.

O senhor mencionou a necessidade de ensinar a base bíblica da moralidade aos filhos. Pode dar algumas referências bíblicas específicas para ajudar-me a ensiná-los nesse aspecto?

Na verdade há muitas fontes, mas as que se seguem devem ser úteis. Dependendo da idade da criança, comece lendo os cinco primeiros capítulos de Provérbios numa tradução moderna, onde o rei Salomão dá conselhos paternais ao filho. Você vai encontrar muitos pontos nesse capítulos para conversar com seu filho sobre a vida reta. Passe depois para os seguintes versículos.

Mateus 15.19: “Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias”.

Romanos 1.24: “Por isso, Deu entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si”.

Romanos 13.13: “Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes”.

1Coríntios 6.18: “Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo, mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo”.

1Coríntios 10.8: “E não pratiquemos imoralidade, como alguns deles o fizeram, e caíram, num só dia, vinte e três mil”.

2Coríntios 12.21: “Receio que, indo outra vez, o meu Deus me humilhe no meio de vós, e eu venha a chorar por muitos que, outrora, pecaram e não se arrependeram da impureza, prostituição e lascívia que cometeram”.

Gálatas 5.19: “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia”.

Efésios 5.3: “Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos”. Colossenses 3.5: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria”.

1Tessalonicenses 4.3: “Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição”. Judas 1.7: “Como Sodoma, e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregado à prostituição como aqueles, seguindo após outra carne, são postas para exemplo do fogo eterno, sofrendo punição”.