Educando Meninos

James Dobson · Capítulo 14 de 19

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Educando Meninos

13. Meninos na escola

 

EXAMINAMOS A FUNDO O preconceito contra os meninos na escola e como eles são frequentemente discriminados sexualmente. Há outros aspectos que devemos considerar agora sobre como eles aprendem, como muitos fracassam e como sua constituição física e moral lhes é muitas vezes desfavorável.

Quase toda autoridade em desenvolvimento infantil reconhece que as escolas nos Estados Unidos não são tipicamente instaladas para acomodar as necessidades específicas dos meninos. As salas de aula, especialmente, são projetadas principalmente por mulheres para ajustar-se ao temperamento e estilos de aprendizado das meninas. Ao contrário dos preconceitos ostensivos descritos no capítulo anterior, porém, esta desvantagem para os meninos é em grande parte involuntária. É simplesmente a maneira como as escolas sempre funcionaram. O psicólogo de Harvard e autor William S. Pollock disse o seguinte: “As meninas gostam mais da escola. Elas se ajustam a ela. Os meninos não, eles são ensinados num tempo que não se ajusta a eles. São ensinados de um modo que os faz sentir-se

inadequados e, se reclamam, são mandados para a diretoria”.1

O psicólogo Michael Thompson, autor de Raising Cain: Protecting the Emotional Life of Boys, expressou também alarme quanto ao que está acontecendo aos meninos pequenos na sala de aula. Em suas palavras: “Os meninos sentem que a escola é um jogo armado contra eles. As coisas em que se sobressaem — habilidade para lidar com automóveis, habilidades visuais e espaciais, sua exuberância — não são bem

recebidas na escola”.2 As crianças estão sendo também colocadas em ambientes educacionais formais com menos idade, o que é muito difícil para os meninos. Seu desenvolvimento tende a ser seis meses mais atrasado do que o das meninas aos 6 anos, o que torna difícil para muitos deles ficar sentados quietos e trabalhar com lápis e papel e suportar as pressões sociais repentinamente atiradas sobre eles. Grande número dessas crianças têm um mau começo e começam a sentir-se “tolas” e inadequadas.

Um jovem na casa dos 20 disse-me certa vez: “Lembro-me de ficar sentado na cadeira na primeira série e pensar: Se apenas me deixassem ficar de pé. Se eu apenas pudesse ficar de pé! Milhares de crianças imaturas são assim. Elas têm um poderoso motor a jato, mas não têm leme. Ficam em agonia quando lhes pedem que fiquem longos períodos em relativa inatividade, proíbem ruídos e os colocam num lugar onde tudo é preso com firmeza. Elas querem correr, saltar, lutar, rir e subir, coisas que o sistema simplesmente não tolera. Thompson afirmou: “Na quarta série, [os

meninos) estão dizendo que os professores gostam mais das meninas”.3 E estão provavelmente certos.

Vamos dizer a verdade, a escola pode ser um lugar difícil para os que não se “ajustam” ao programa típico de sala de aula. O que fazemos com essas crianças que ficam para trás nas matérias básicas? Nós as anestesiamos com medicamentos ou exigimos que repitam de ano. Esta segunda alternativa está se tornando politicamente popular agora. Reter um menino muito imaturo na primeira ou segunda série pode ser boa ideia, porque lhe dá oportunidade para crescer sem um aspecto muito negativo. Mas na terceira série ou depois dela, reter uma criança pode ser desastroso. Posso afirmar pelos muitos anos de experiência que a única coisa que se obtém ao “reter” uma criança depois das primeiras séries é humilhá-la e desmoralizá-la. Isso leva à apatia, rebelião, quebrantamento de espírito — ou as três coisas. Ele se arrasta, então, para a puberdade um ano ou dois após seus iguais e causa problemas. Reter os que fracassam não é a panaceia que os proteladores prometem.

Encontrei milhares de pequenos perturbadores imaturos que enlouqueciam os professores no correr dos anos. De fato, eu costumava ser um deles. Lembro-me de não conseguir manter a boca fechada quando estava na terceira série. A professora, sra. Hall, escreveu meu nome no quadro e advertiu que, se eu tivesse mais duas “marcas” por falar, correria muito risco. Eu tentei sinceramente calar-me, mas não conseguia manter meus pensamentos para mim mesmo. Eu me curvei e sussurrei algo para o colega ao lado. Fui apanhado de novo pelo longo braço da lei. Quando esta segunda marca apareceu no quadro, a sra. Hall ficou visivelmente irritada. Ela se aproximou silenciosamente de sua mesa e se pôs a cortar algo em uma cartolina. Eu me senti como se fosse ser executado. Todas as outras crianças olhavam curiosas para ver o que a professora estava fazendo. Em breve descobri. Ela estava fazendo uma espécie de máscara para colocar sobre a minha boca e pescoço. Prendeu a cartolina e deixou-a no lugar até o recreio. Foi um dos momentos mais embaraçosos de minha vida. Eu na verdade achei que minha vida tinha acabado. As meninas riam e os meninos apontavam enquanto eu ficava ali sentado com aquela máscara ridícula. Foi horrível.

Não culpo a sra. Hall por ter feito o que fez. Eu estava evidentemente deixando-a nervosa e cheguei ao seu limite. Mas a sra. Hall, provavelmente, subestimou a humilhação que esta experiência me causaria. Além do mais, ela pode não ter compreendido que eu não estava sendo deliberadamente desrespeitoso. Era apenas uma criança inquieta que não podia ficar parada e fechar a boca.

Variações deste tema acontecem todos os dias na escola. A escritora Celeste Fremon descreveu uma delas num artigo intitulado: “Nossas Escolas Estão Falhando em Relação aos Nossos Meninos?”. Ela escreveu:

Quando meu filho contou que fora castigado por correr no recreio de sua escola primária, pensei que estava exagerando. Que escola proibiria correr na hora do recreio? Mas soube depois que a escola tinha acabado de instituir uma regra proibindo correr porque, como a diretora me informou em tom

vagamente de censura, “‘As crianças podem machucar-se”, como se tal explicação fosse desnecessária para um pai realmente cuidadoso.

A proibição de não correr seguiu-se logo depois de outro incidente em que

meu filho, cujo nome é Will, foi quase suspenso por pular por sobre um banco. Esta foi aparentemente a segunda infração. “Ele sabe que pular sobre o banco é contra o regulamento, portanto, isto constitui desafio”, disse a diretora. Sou a primeira a concordar que os professores devem manter a ordem, e Will foi sempre uma criança ativa — gostava de subir em árvores, saltar de bancos e de todo tipo de agitação. Quando fica triste, irá, provavelmente, consolar-se batendo com força em seus tambores ou aprendendo sozinho uma nova manobra em sua prancha de skate.

Todavia, ele é também um menino bondoso, muito inteligente, que não entra em brigas, que desenha projetos para a feira anual de ciências e tira excelentes notas nos testes-padrão que as escolas fazem todo ano. Todavia, durante grande parte de sua carreira acadêmica (Will está agora na oitava série), fui chamada para entrevistas com professores e administradores carrancudos. Sua letra é ruim, dizem eles gravemente. Ele se remexe durante a aula de inglês, quando deveria estar tomando notas. E colocou o boné enquanto ainda estava na sala de aula.

Em meus momentos mais difíceis, penso no que há de errado comigo

como mãe que tantos educadores com quem Will entrou em contato deixam de perceber o exuberante futuro inventor que acredito que ele seja, em vez de apenas um menino irritante e desordeiro. Pior ainda, penso que meu garoto inteligente corre o risco de desinteressar-se completamente dos estudos — e não sei ao certo o que fazer a respeito. Todavia, aprendi que meu filho não é o

único a passar por isso.4

Embora tenha simpatia por essa mãe, para ser justo devo salientar que há outro lado da história, com o qual estou muito familiarizado. Ensinei Ciência e Matemática para crianças da sétima e oitava séries quando tinha mais ou menos 20 anos. Servi também como conselheiro do ensino médio e administrador dos serviços psicológicos. Com base nesta experiência, sei muito bem como é incômodo ter uma sala cheia de meninos irrequietos como Will, que não querem colaborar e acham que tudo é brincadeira. Além do mais, as escolas são muito desestruturadas, em vez de serem muito rígidas. A disciplina é o que torna possível o aprendizado. Portanto, não critico as escolas por exigirem ordem e bom comportamento, mas permanece o fato de que a maneira como os meninos são formados torna mais difícil para eles adequar-se à escola, especialmente quando pequenos. Pelo menos, nós como pais deveríamos compreender o que está acontecendo e tentar ajudá-los a se ajustarem. Vamos falar, a seguir, de algumas dessas abordagens.

Primeiro, vou oferecer algumas ideias para a educação escolar dos meninos em vários estágios de desenvolvimento e de temperamentos. Começaremos considerando dois tipos de crianças encontradas praticamente em todas as salas de aula. As da primeira categoria são por natureza indivíduos altamente organizados que se preocupam com detalhes. Levam muito a sério as suas tarefas. Ir mal num exame os deixaria deprimidos por vários dias. Os pais dessas crianças não têm de monitorar o seu progresso para mantê-las trabalhando. É o seu estilo de vida. Infelizmente, não há um número suficiente delas para satisfazer os pais e os professores.

Na segunda categoria, estão os meninos e as meninas que não se adaptam bem à estrutura da sala de aula. São preguiçosos, desorganizados e distraídos. Têm aversão natural ao trabalho, e sua maior paixão é brincar. Como as bactérias que se tornam gradualmente imunes aos antibióticos, as crianças com desempenho abaixo do seu potencial se tornam impermeáveis à pressão dos adultos. Elas resistem à tempestade de protestos dos pais quando os boletins chegam e depois voltam à apatia quando ninguém está olhando. Nem sequer ouvem as tarefas dadas na escola e não parecem nada envergonhados quando deixam de completá-las. Se chegarem a diplomar-se, não será com louvor.

Deus fez um grande número desses seres, a maioria deles meninos. Eles fazem os pais perderem a cabeça, e a má vontade dessas crianças em trabalhar pode transformar seus lares em uma Terceira Guerra Mundial.

Se você tem um desses filhos desleixados, é importante compreender que eles não são intrinsecamente inferiores aos seus irmãos aplicados. Seria mesmo maravilhoso se todo estudante usasse seu talento ao máximo, mas cada criança é um indivíduo único que não se ajusta ao mesmo molde que os demais. Além disso, a criança com desempenho baixo, algumas vezes supera o jovem superastro em longo prazo. Foi isso que aconteceu com Albert Einstein, Thomas Alva Edison, Eleanor Roosevelt, Winston Churchill e muitas outras pessoas que tiveram grande sucesso. Não considere, então, essa criança desorganizada e aparentemente preguiçosa como perdedor a vida inteira. Ele ou ela pode surpreender você. Enquanto isso, há meios de você poder ajudar.

Uma coisa é certa: zangar-se com esse jovenzinho não resolverá o problema. Você jamais transformará alguém assim em um erudito implicando, forçando, ameaçando ou castigando. Não está apenas nele. Se tentar espremê-lo em algo que ele não é, só vai irritar você e ferir a criança. Sua desorganização é produto de seu temperamento despreocupado e elementos de imaturidade não se trata de rebelião ou desobediência deliberada. A testosterona está ali, trabalhando também nele.

Por outro lado, você deve ficar tão próximo quanto possível da escola dessa criança. Seu filho brincalhão não vai contar-lhe o que está acontecendo na classe, e você terá, portanto, de descobrir isso sozinho. Procure um professor particular, se possível, para ajudá-lo nos estudos. Seu filho mostra claramente falta de disciplina para estruturar a sua vida. Se tiver de aprender disciplina, terá de ensinar isso a ele. Depois de ter feito tudo o que puder para ajudá-lo, aceite o melhor que ele pode dar. Acompanhe a corrente e comece a pesquisar outras áreas de sucesso.

O menino desorganizado na escola primária vai provavelmente continuar negligente quando crescer, a não ser que tenha ajuda. Essa característica do seu temperamento está profundamente arraigada e se torna a principal fonte de seus problemas acadêmicos. Ela não “desaparece” rapidamente. O que os pais podem fazer para ajudar? A consultora educacional Cheri Fuller sugere que os pais com filhos na escola examinem os cadernos deles. Ela diz que é possível dizer se a criança é aluno B ou D ao examinar suas provas. Os cadernos do bom aluno são organizados com divisórias e pastas para textos e tarefas avulsas. O caderno do mau aluno é uma mistura de desenhos, bilhetes tolos, aviões dobrados, sentenças pela metade e trabalho escrito que não foi entregue. Pode até haver um bilhete para a sra.

Smith ou o sr. Johnson que nunca chegou até sua casa.5

Fuller diz que as habilidades de organização que faltam nesses casos podem ser aprendidas, e quanto mais cedo melhor. Um bom professor particular geralmente sabe como ensiná-las. Este primeiro treinamento deve ser completado antes da escola secundária, onde cerca de cinco professores por dia estarão distribuindo textos, tarefas e projetos extraídos de diferentes livros didáticos. É necessário alto nível de organização para mantê-los em ordem e acessíveis. Como se supõe que as crianças saibam lidar com essas exigências se nunca foram ensinadas? A supervisão correta pode ajudar o adolescente negligente a se tornar, com o tempo, mais autodisciplinado e autopropulsionado — mesmo que nunca se desempenhe como o erudito natural.

Há outro fator que deve receber máxima prioridade. Caso seu filho não aprenda a ler corretamente, tudo o mais será prejudicado. Ele vai também provavelmente lutar com baixa autoestima. Trabalhei com um garoto do ensino médio que havia decidido desistir aos 16 anos de idade depois de ter repetido vários anos. Era um rapazinho duro, zangado, que parecia não se incomodar com nada. Quando perguntei por que queria abandonar a escola, grandes lágrimas encheram seus olhos. Ele me contou que nunca aprendera a ler. Depois disse com os dentes cerrados: “Vocês fizeram sentir-me sem valor a vida inteira. Mas fizeram isso pela última vez. Vou embora”. Não posso dizer que o culpava.

A tragédia é que esse rapazinho poderia ter sido ensinado a ler. Quase todo jovem pode dominar esta habilidade quando abordado corretamente e com métodos adequados ao seu estilo de aprendizado. Para começar, estou entre aqueles que acreditam no ensino com uso de sons, que não está ainda incorporado em muitos programas de leitura da escola pública. Não se sabe por quais razões, milhares de crianças continuam analfabetas quando saem do ensino médio. Oportunidades maravilhosas de torná-los leitores foram desperdiçadas quando estavam no ensino fundamental I.

A Avaliação Nacional do Progresso da Educação mostra que dois terços das crianças da quarta série nos Estados Unidos não sabem ler bem; três quartos delas

não sabem escrever bem, e quatro quintos não são proficientes em matemática. 6 Isso é uma desgraça nacional! Houve época, em 1800, que 98% da população era letrada,

tendo sido ensinada por seus pais para poderem ler a Bíblia.7 Como pai, eu moveria céus e terra para encontrar alguém que pudesse ensinar meu filho a ler. Há professores talentosos em quase toda comunidade, e há organizações particulares que garantem alfabetizar seu filho. Mesmo que tenha de hipotecar a casa para pagar por isso, insisto em que resolva este problema. Esta é a chave para todos os objetivos acadêmicos, e um mundo de aventuras espera os que aprendem a ler.

A líder pró-família Phyllis Schlafly ensinou todos os seus netos a ler antes do jardim da infância por meio de um programa baseado na fônica que ela desenvolveu.

Uma vez que seu filho aprenda os fundamentos da leitura, você precisa motivá-lo a praticar. Sigmund Brower, autor para crianças, diz que até mesmo “leitores relutantes” podem aprender a gostar dos livros se forem abordados da maneira

adequada.8 Estas são algumas sugestões dirigidas aos meninos num artigo no jornal Orlando Sun-Sentinel, intitulado “Meninos e Livros Podem Ser Uma Ótima Combinação”.

Os meninos querem, no geral, mais ação que as meninas, que preferem o desenvolvimento do caráter.

Os meninos gostam que seus personagens façam algo. Se o livro não tiver movimentação suficientemente rápida, muitos vão deixar de lê-lo. Os meninos querem fatos e enredo rápido.

Se quiser que os meninos leiam ficção, ela deve conter muita informação.

Cobras, aranhas e aviões também os cativam.

Os meninos não gostam de ler material que chamam de “bobagem”. Eles preferem esportes e aventura.

Os meninos costumam gravitar em torno da não ficção: livros sobre esportes, carros, Ovnis, ioiôs, magia, mistério e ficção científica. Faça da leitura parte das atividades domésticas. Deixe seu filho ver que você lê.

Dê livros de presente. Quando der a seu filho uma bola de futebol, por exemplo, inclua um livro sobre o esporte.

Reconheça que ler não ficção e informação factual — a página de esportes, por exemplo — é tão legítimo quanto ler romances. Os meninos vão gostar de livros que correspondam aos seus interesses, mas o nível de leitura deve ser também considerado. Se o livro for difícil demais, eles não vão ler até o fim. Se for fácil demais, eles ficarão entediados. Deve ser um desafio, mas que não seja impossível. Leve seu filho à livraria ou biblioteca e deixe que ele pesquise as opções de leitura. Você pode pedir ao bibliotecário que converse com ele sobre seus passatempos e interesses e depois ouça atentamente a sua resposta. Isso dará ao bibliotecário uma ideia do tipo de livros de que ele poderia gostar. O segredo é envolvê-lo na decisão.

Nunca dê a eles apenas um livro. Tente cinco ou seis. Se não gostarem do primeiro ou do segundo, terão uma escolha mais ampla. Outro segredo é a repetição. Aprender a ler melhor é como praticar qualquer esporte. A não ser que haja um problema de visão ou fisiológico, os leitores mais relutantes podem mudar de ideia por meio

apenas da prática. 9

Espero que essas sugestões tenham sido úteis. Agora, vamos voltar nossa atenção para o tipo de escola que seu filho deve frequentar. Suponho que você tenha os recursos e o interesse em considerar algumas alternativas. Nenhuma estrutura escolar é perfeita, quer pública, cristã ou secular-particular. Cada uma tem vantagens e desvantagens, dependendo das necessidades da criança e da qualidade dos programas disponíveis numa determinada área. É por esse motivo que nunca fiz recomendação coletiva aos pais sobre onde devem matricular os filhos. Isso depende das finanças, pressões da família, qualidade das escolas locais e outras circunstâncias. Shirley e eu escolhemos escolas cristãs para nossos filhos, desde o jardim de infância até a faculdade, exceto por algumas curtas incursões na escola pública. Sou grato até hoje pelos homens e mulheres que se sacrificaram muito para ensinar nessas instituições cristãs. Mal ganhavam para o seu sustento. Fizeram isso porque desejavam compartilhar a sua fé com os alunos. Deus os abençoe.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

A professora de meu filho na terceira série contou-me numa conferência na semana passada que meu filho era o “palhaço da classe”. Ela disse que ele faz tudo por uma risada. Ele não é geralmente assim em casa. O que o senhor acha que está acontecendo?

Seu filho não está sozinho. Há pelo menos um “palhaço da classe” em cada sala de aula. Esses hábeis perturbadores são quase sempre meninos. No geral têm dificuldade de leitura ou outros problemas acadêmicos. Podem ser pequenos em estatura, embora nem sempre, e fazem tudo para atrair atenção para a sua pessoa. Seus pais e professores talvez não reconheçam que por trás do comportamento turbulento está frequentemente a dor da baixa autoestima. O humor é a resposta clássica aos sentimentos de desajuste, e é por esse motivo que muitos comediantes de sucesso têm machucado meninos ou meninas. Os pais de Jonathan Winters se divorciaram quando ele tinha 7 anos. Ele contou que os outros meninos caçoavam dele por não ter pai. Disse que fazia de conta que não se importava, mas quando ninguém estava olhando, ele ia para trás de uma árvore e chorava. Winters disse que

todo o seu humor tem sido uma resposta à tristeza.10 A comediante Joan Rivers muitas vezes brincava com a sua falta de atração quando menina. Ela disse que parecia de tal modo um cão, que o pai teve de atirar um osso na nave da igreja para

conseguir que ela se casasse. 11

Esses comediantes e outros foram treinados durante a infância, usando o humor como defesa contra as farpas que recebiam. Esta é, no geral, a inspiração do “palhaço da classe”. Brincando com tudo, ele esconde as dúvidas a respeito de si mesmo que se agitam em seu íntimo.

Saber isso deve ajudar você a satisfazer as necessidades de seu filho e ajudá-lo a encontrar meios mais aceitáveis de obter atenção. Tocar um instrumento musical, participar de esportes ou atuar numa peça da escola são boas alternativas. Repreender o seu tolo comportamento seria também uma boa ideia.