Educando Meninos

James Dobson · Capítulo 10 de 19

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Educando Meninos

9. As origens da homossexualidade

9 As origens da

homossexualidade

 

RECEBI, HÁ ALGUNS ANOS, uma nota escrita por um jovem bastante perturbado. Ele escreveu:

Querido dr. Dobson:

Tenho adiado isto por muito tempo, mas finalmente estou lhe escrevendo

uma carta.

Sou um menino de 13 anos. Ouvi suas fitas [Preparando-se para a

Adolescência], mas não a série completa. Ouvi, porém, a que fala sobre sexo.

Para ir direto ao assunto, não sei se tenho um problema sério ou transitório.

(Não sei o termo para isso.)

Durante toda a minha vida (bem curta), tenho agido e me pareço muito

mais com uma garota do que com um menino. Quando era pequeno, sempre usava esmalte nas unhas, vestidos e coisas assim. Tinha também um primo mais velho que nos levava (os primos mais moços) ao seu quarto e nos mostrava seus genitais.

Estou com medo de ter uma tendência para a sodomia. Foi difícil para eu

escrever essas coisas. Não quero ser homossexual, mas estou com medo, muito medo. Isso foi também difícil de escrever. Vou explicar melhor.

Por causa de minhas notas altas na escola (estou na sétima série), os colegas

sempre me chamaram de nomes (gay, bicha etc.) e caçoavam de mim. É duro. Eu me masturbei (acho que sim), mas fui longe demais. Quando era pequeno (não tão pequeno assim) tentei chupar meu pênis (para ser franco). Isso soa muito mal e parece ainda pior para ler. Oro para que eu não tenha nada errado.

Bem recentemente cometi atos tais como olhar (talvez cobiçar, oro muito

para que não estivesse fazendo isso) para mim mesmo de cueca, quase uma tanga. Quando uso isso sinto como uma sensação sexual.

Ontem, no banheiro (na frente do espelho), sacudi o corpo rapidamente,

fazendo meus genitais sacudirem para cima e para baixo. Consegui assim um sentimento parecido com o que mencionei ao escrever isto. Depois, pedi

imediatamente perdão a Deus, entrei no chuveiro, mas fiz aquilo novamente ali. Orei mais e me senti muito mal.

Conversei com um de meus pastores e contei a ele que eu provavelmente

preferia ter o corpo de um homem sobre o de uma mulher. Isso foi também difícil de dizer!

Ele afirmou que não achava haver nada de errado comigo (não sei outra

maneira de dizer. Aparentemente ele pensava que era passageiro), mas me sinto muito mal e quero saber o porquê.

O pastor que mencionei é aquele que costumo consultar com frequência.

Sobre a minha vida espiritual, conheci Cristo há um ano, mas cresci muito.

Tenho também feito muitas coisas erradas. Sou menonita. Qual a sua

denominação? Fui batizado, e todos gostam de mim na igreja (eu acho).

Tenho medo de, se não for hetero (isso é muito mais fácil de escrever), ir

para o inferno.

Não quero não ser hetero.

Não tento não ser hetero.

Amo a Deus e quero ir para o céu. Se há alguma coisa errada comigo, quero

livrar-me dela.

Por favor, me ajude.

Mark

Fiquei profundamente comovido com a carta de Mark. Ele representa muitos outros pré-adolescentes e adolescentes em todo o mundo que despertaram para algo aterrador dentro de si — algo que não entendem —, algo que cria enorme confusão e dúvida. Esses jovenzinhos no geral reconhecem bem cedo na vida que são “diferentes” dos outros meninos. Choram com facilidade, são menos atléticos, têm temperamento artístico e não gostam das brincadeiras brutas que os amigos apreciam. Alguns preferem a companhia de meninas e andam, falam, vestem e até “pensam” de modo feminino. Isto, é claro, desperta rejeição e ridículo dos “verdadeiros meninos”, que caçoam cruelmente deles e os chamam de “esquisitos”, “bicha” e “gay”. Mesmo quando os pais percebem a situação, eles tipicamente não têm ideia de como ajudar. Na ocasião em que os hormônios começam a funcionar no começo da adolescência, uma crise de identidade genérica ameaça destruir o adolescente. É isto que Mark estava experimentando quando escreveu. Ilustra também por que até os meninos com tendências heterossexuais normais ficam muitas vezes aterrorizados de virarem

de alguma forma 1 “gays”.

Há uma dimensão extra de sofrimento para os que crescem num lar cristão sólido. Seus pensamentos e sentimentos sexuais produzem grandes ondas de culpa, acompanhadas de temores secretos de retribuição divina. Eles se perguntam: Como Deus poderia amar alguém tão vil quanto eu?. Mark sentiu-se até condenado por pular para cima e para baixo no chuveiro e por sentir a excitação que isso criava. (Essa titilação ao ver o próprio corpo é um sintoma clássico de narcisismo, ou uma “introversão” para cumprir suas necessidades genéricas não satisfeitas.) Ele tinha de descobrir como controlar esse monstro interior ou, segundo entendia, enfrentar a eternidade no inferno. Não há tormento interno maior para um menino ou menina cristãos do que este. No alto da carta de Mark ele escreveu: “Posso parecer muito mau. Espero não ser assim tão mau”.

Pobre criança! Mark precisa desesperadamente de ajuda profissional, mas não vai provavelmente obtê-la. Seus pais, aparentemente, desconhecem seus problemas, e o pastor em quem confia disse que vai passar. É provável que não! Mark parece ter uma condição que chamaríamos de “pré-homossexualidade” e, a não ser que a família inteira seja guiada por alguém que saiba como ajudar, as probabilidades são grandes de que ele venha a experimentar um estilo de vida homossexual.

O que sabemos sobre este distúrbio? Em primeiro lugar, é um distúrbio, apesar das negativas da Associação Americana de Psiquiatria. Grande pressão política foi exercida sobre esta organização profissional pelos gays e pelas lésbicas (alguns dos quais são psiquiatras), a fim de declararem que a homossexualidade é “normal”. O debate durou anos. Finalmente, foi tomada uma decisão em 1973 para remover esta condição do seu Manual de Diagnóstico e Estatísticas. Ela não teve como base a ciência, sendo fortemente influenciada por um grupo de membros da APA, iniciado e financiado pela Força-Tarefa Nacional de Gays e Lésbicas. A votação foi de 5.834

para 3.810.2 A Associação Americana de Psicologia, em pouco tempo, seguiu o seu

exemplo.3 Atualmente, os psicólogos ou psiquiatras que discordam desta interpretação politicamente correta, ou até os que tentam ajudar os homossexuais a mudarem, ficam sujeitos a aborrecimentos contínuos e acusações de prática errada.

A segunda coisa que sabemos é que o distúrbio não é tipicamente “escolhido”. Os homossexuais se ressentem profundamente ao ouvir que foram eles que escolheram essa inclinação para o mesmo sexo em busca de excitação sexual ou por qualquer outro motivo. É injusto, e não os culpo por ficarem irritados com essa suposição. Quem dentre nós iria escolher deliberadamente um caminho que resultaria em afastamento da família, rejeição dos amigos, desdém do mundo heterossexual, exposição a moléstias sexualmente transmissíveis, tais como aids e tuberculose, e até

um período mais curto de vida?4 Não, o homossexualismo não é “escolhido”, exceto em raras circunstâncias. Em vez disso, crianças e adolescentes confusos, como Mark, se descobrem lidando com algo que nem sequer compreendem.

Terceiro, não há evidência de que a homossexualidade seja herdada, apesar de tudo que possamos ter ouvido ou lido em sentido contrário. Não existem geneticistas respeitados no mundo hoje que afirmem ter encontrado um chamado “gene gay” ou outros indicadores da transmissão genética. Isto não é para dizer que talvez haja algum tipo de predisposição biológica ou um temperamento herdado que torne o indivíduo sensível às influências ambientais. Os esforços para identificar tais fatores foram, entretanto, inconclusivos. Apesar desta falta de evidência, as organizações de gays e de lésbicas e seus simpatizantes na mídia tradicional continuam dizendo ao público que o assunto está encerrado — que os gays “nascem assim”. As revistas Time e Newsweek alardearam em suas capas “descobertas promissoras” nesse

sentido. A 5 Time intitulou sua história: “Procure o Gene Gay”, e a Newsweek

proclamou: “O DNA Torna Alguns Homens 6 Gays?” A entrevistadora Oprah dedicou vários programas televisivos ao assunto e Barbara Walters disse recentemente: “As opiniões se avolumam no sentido de que as pessoas nascem

homossexuais”.7 Embora inteiramente falsa, esta informação politicamente motivada (ou desinformação) cumpriu o seu papel. Segundo uma pesquisa, em fevereiro de 2000, 35% das pessoas pesquisadas acreditavam que a

homossexualidade era “genética”.8

Há ainda mais evidência convincente de que não é. Por exemplo, desde que gêmeos idênticos compartilham o mesmo padrão cromossômico, ou DNA, as contribuições genéticas são exatamente as mesmas em cada um dos pares. Portanto, se um gêmeo “nasce” homossexual, o outro teria então, inevitavelmente, essa característica. Mas não é esse o caso. Quando um gêmeo é homossexual, a

probabilidade é apenas 50% de que o outro tenha a mesma condição. 9 Alguma outra coisa deve estar em operação.

Além disso, se a homossexualidade fosse especificamente herdada, ela tenderia a ser eliminada do gene humano, porque os que a possuem não tendem a se reproduzir. Qualquer característica que não seja transmitida à geração seguinte finalmente morre com o indivíduo que a possui. A homossexualidade não só continua a existir em países ao redor do mundo, como floresce em algumas culturas. Se a condição resultasse de características herdadas, ela seria uma “constante” ao longo do tempo. Em lugar disso, tem havido sociedades no decorrer dos séculos, tais como Sodoma e Gomorra e os Impérios grego e romano, em que o homossexualismo alcançou proporções epidêmicas. O registro histórico nos conta que essas culturas e muitas outras passaram gradualmente à depravação, como descrito pelo apóstolo Paulo em Romanos 1, resultando em perversão sexual em todas as suas variedades. Essas idas e vindas com o ciclo da vida das culturas não são a maneira como as características herdadas são expressas na família humana.

Finalmente, se a homossexualidade fosse geneticamente transmitida, ela seria inevitável, imutável, irresistível e impossível de ser tratada. Felizmente, não é assim. A prevenção é eficaz. A mudança é possível. A esperança está à nossa disposição. E Cristo cura. Aqui também, as organizações gays e lésbicas e a mídia convenceram o público que ser homossexual é tão predeterminado quanto a raça do indivíduo, e nada pode ser feito. Isso não é verdade. Existem oitocentos ex-gays e lésbicas que deixaram o estilo de vida homossexual e encontraram inteireza em sua recém-descoberta heterossexualidade.

Um desses indivíduos é meu colaborador no programa Foco na Família, John Paulk, que dedicou sua vida para cuidar dos que querem uma mudança e ajudá-los. Em certa época, ele estava muito envolvido na comunidade gay, marchou nas paradas “orgulho gay” e era um travesti. John encontrou finalmente perdão e cura num relacionamento pessoal com Jesus Cristo e passou a andar corretamente desde 1987. É casado com Anne, uma ex-lésbica, e têm dois lindos filhos. Apesar de um retrocesso momentâneo, em que foi descoberto num bar homossexual, o que alegrou seus críticos, John não voltou à antiga vida. Há centenas de histórias como essa que oferecem encorajamento aos que desejam sair do estilo de vida gay, mas não sabem como lidar com as forças em seu íntimo. Eu seria menos do que honesto se não admitisse que a homossexualidade não é facilmente vencida e que os que tentam, no geral, lutam ferozmente. Seria também desonesto dizer que não há esperança para os que querem mudar. A pesquisa confiável indica o contrário.

O psicólogo George Rekers afirma que há considerável evidência de que a mudança de orientação sexual é possível — com ou sem intervenção psiquiátrica. Ele escreveu: “Num número considerável de casos... o distúrbio de identidade genérica é

completamente resolvido”.10

O dr. Robert L. Spitzer, professor de psiquiatria da Universidade de Colúmbia, criou um verdadeiro incêndio em maio de 2001 quando revelou os resultados de sua pesquisa numa reunião da Associação Americana de Psiquiatria. Spitzer, que havia liderado a decisão da APA em 1973, a fim de desclassificar a homossexualidade como distúrbio da saúde mental, diz que suas descobertas “mostram que algumas

pessoas podem mudar de 11 gay para hetero, e devemos reconhecer isso”. Não era isto que seus críticos queriam ouvir. Aplaudimos o dr. Spitzer por ter a coragem de examinar e depois expor o mito da inevitabilidade.

Com isso, vamos voltar à história de Mark e examinar o que está acontecendo dentro dele e de outros meninos que estão experimentando impulsos pré-homossexuais. Queremos também considerar o que causa o seu distúrbio de identidade sexual e o que pode ser feito para ajudar. A fim de entrar nesses assuntos, vamos nos voltar para o melhor recurso que encontrei para os pais e os professores. Ele é provido num livro notável, intitulado Preventing Homosexuality: A Parent’s Guide, escrito pelo psicólogo-clínico Joseph Nicolosi, Ph.D. O dr. Nicolosi é, segundo creio, a mais destacada autoridade na prevenção e tratamento da homossexualidade hoje. Seu livro oferece conselhos práticos e a perspectiva clara sobre os antecedentes da homossexualidade. Gostaria que cada pai o lesse, especialmente os que têm razão para preocupar-se com seus filhos. Seu propósito não é condenar, mas educar e encorajar as mães e os pais.

O dr. Nicolosi me permitiu compartilhar certas citações de seu livro que vão responder a muitas perguntas. Estas são algumas das suas palavras:

Há certos sinais de pré-homossexualismo fáceis de reconhecer, e os sinais surgem bem cedo na vida da criança. A maioria se ajusta ao título “comportamento contrário ao gênero”. São eles:

1. Declarações repetidas do desejo de ser, ou insistência de que ele ou ela é

do outro sexo.

2. Nos meninos, preferência para vestir-se como menina, ou simular

roupas femininas. Nas meninas, insistência em usar apenas roupas masculinas estereotipadas.

3. Preferência forte e insistente para fazer papéis do outro sexo nas

brincadeiras, ou fantasias persistentes de ser do outro sexo.

4. Desejo intenso de participar de jogos e passatempos do outro sexo. 5. Forte preferência por companheiros de recreação do outro sexo.

O início do comportamento homossexual em sua maioria ocorre durante os anos pré-escolares, entre as idades de 2 e 4 anos. Você não precisa se preocupar com a troca eventual de roupas. Deve preocupar-se, entretanto, quando seu menininho continua fazendo isso e, ao mesmo tempo, começa a adquirir alguns hábitos alarmantes. Ele pode começar a usar a maquilagem

da mãe, evitar outros meninos da vizinhança e suas atividades brutas, preferindo ficar com as irmãs que brincam com bonecas e casas de boneca. Mais tarde, ele pode começar a falar com voz fina. Pode usar os gestos exagerados e até o andar de uma menina, ou ficar fascinado por cabelo

comprido, brincos e lenços de pescoço.12 Em um estudo de 60 meninos efeminados entre 4 e 11 anos, 98% deles usavam roupas do outro sexo e 83%

disseram que desejavam ter nascido menina.13

O fato é que existe alta correlação entre o comportamento feminino na

infância e a homossexualidade adulta. Há sinais evidentes de desconforto nos... meninos e sentimentos profundos e perturbadores de que [são] diferentes e de algum modo inferiores. Todavia, os pais muitas vezes não percebem os sinais de advertência e esperam tempo demais para buscar ajuda para seus filhos. Uma razão para isto é que não estão sabendo a verdade sobre a confusão sexual dos filhos e não têm ideia do que fazer a respeito.

Você talvez esteja preocupado com o “desenvolvimento sexual” de seu filho

ou filha. É possível que seu filho ou filha esteja dizendo coisas como “devo ser gay” ou “sou bissexual”. Você encontrou pornografia do mesmo sexo no quarto dele ou evidência de que acessou esse material na internet. Você encontrou entradas íntimas no diário dela sobre outra menina. A mensagem mais importante que posso oferecer é que não existe uma “criança gay” ou um “adolescente gay”. [Mas,] se não forem tratados, os estudos mostraram que esses meninos têm 75% de possibilidade de se tornarem homossexuais ou

bissexuais.14

É importante compreender, porém, que a maioria de meus clientes

homossexuais não eram explicitamente femininos quando crianças. Na maior parte das vezes, eles mostravam certa “falta de masculinidade” que os colocava penosamente à parte dos outros meninos: não atlético — algo passivo, não agressivo e desinteressado em brincadeiras violentas. Vários deles tinham traços que podiam ser considerados dons: inteligentes, precoces, sociáveis e com veia artística. Essas características tinham uma tendência comum: isolava-os dos amigos do sexo masculino e contribuíam para certa distorção no desenvolvimento de sua identidade genérica normal.

Em vista de todos esses homens não terem sido meninos explicitamente

femininos, os pais não haviam suspeitado de que havia alguma coisa errada e não fizeram esforços para buscar terapia. Muitos clientes me disseram: “Se ao menos, naquela época em que eu era criança, alguém tivesse compreendido as dúvidas, o sentimento de não fazer parte — e tentado me ajudar”.

Não se engane, porém. Um menino pode ser sensível, bondoso, sociável,

artístico, amável e ser heterossexual. Ele pode ser artista, ator, dançarino, cozinheiro, músico — e heterossexual. Essas habilidades artísticas inatas são “quem ele é”, parte da maravilhosa escala de habilidades humanas, e não há razão para desencorajá-las. Mas todas podem ser desenvolvidas no contexto da masculinidade heterossexual normal.

Em minha opinião (na opinião de um número cada vez maior de

pesquisadores), o pai desempenha um papel essencial no desenvolvimento

normal do menino como homem. Na verdade, o pai é mais importante do que a mãe. As mães fazem os meninos. Os pais fazem os homens. Na infância, tanto os meninos como as meninas são emocionalmente ligados à mãe. Na linguagem psicanalítica, a mãe é o primeiro objeto de amor. Ela

satisfaz todas as necessidades primárias da criança.15

As meninas continuam a crescer na sua identificação com as mães. Por

outro lado, o menino tem uma tarefa adicional no desenvolvimento: perder a identidade com a mãe e identificar-se com o pai. Neste ponto [começando com cerca de 18 meses], o menininho não só começa a observar a diferença, ele deve agora decidir: — Qual deles vou ser? — Ao fazer esta mudança na identidade, o menino começa a tomar o pai como modelo de masculinidade. Neste estágio inicial, geralmente antes dos 3 anos, Ralph Greenson observou

que o menino decide que gostaria de crescer como o pai.16 Esta é uma escolha. Implícita nessa escolha está a decisão de que ele não gostaria de crescer como a mãe. Segundo Robert Stoller, “A primeira ordem em ser homem é: não seja

uma mulher”.17

Enquanto isso, o pai do menino tem de fazer a sua parte. Ele precisa

espelhar e afirmar a masculinidade do filho. Pode brincar com o filho de modo decididamente diferente do que brincaria com a menina. Pode ajudar o filho a aprender a jogar e “bater” uma bola. Pode até levar o filho com ele para o chuveiro, onde o menino não poderá deixar de notar que o papai tem pênis, igual ao seu, só que maior.

Baseado em meu trabalho com homossexuais adultos, tento evitar a

necessidade de uma terapia, algumas vezes penosa, encorajando os pais, especialmente o pai, no sentido de afirmar a masculinidade do filho. A educação por parte dos pais nesta área e em todas as outras pode evitar uma vida inteira de infelicidade e sentimento de rejeição. Quando os meninos começam a identificar-se com os pais e a compreender o que é excitante, divertido e energizante sobre seus pais, eles aprenderão a aceitar sua própria masculinidade. Vão descobrir um sentimento de liberdade — de poder — por serem diferentes das mães, superando-as enquanto se movem para um mundo masculino. Se os pais encorajarem os filhos dessa forma, eles os ajudarão a desenvolver identidades masculinas e terão andado bastante em direção à heterossexualidade. Em cinco anos, falei com centenas de homossexuais do sexo masculino. Jamais encontrei algum que dissesse que tinha um

relacionamento amoroso, respeitoso com o pai.18

Muitos desses pais amavam seus filhos e queriam o melhor para eles, mas

por alguma razão (talvez houvesse uma discordância entre o temperamento do pai e do filho) o menino percebia o pai como modelo negativo ou inadequado. O pai não era “quem eu sou” ou “não é quem eu quero ser”. O menino precisa ver o pai como confiante, afirmativo e decidido. Precisa também dar apoio, ser sensível e amoroso. A mãe precisa recuar um pouco. O que quero dizer é: não o sufoque. Deixe que faça mais coisas por si mesmo. Não tente ser pai e mãe para ele. Se tiver perguntas, diga-lhe que procure o pai.

Ela deve deixar para o marido tudo que lhe dê oportunidade para demonstrar que está interessado no filho — que não o está rejeitando.

Este processo natural de identificação do gênero pode algumas vezes falhar.

O falecido Irving Bieber, um proeminente pesquisador, observou que meninos pré-homossexuais são algumas vezes vítimas do relacionamento conjugal

infeliz dos pais.19 Num cenário em que os pais estão batalhando, um meio de o pai “vingar-se” da mãe é abandonando emocionalmente o filho.

Alguns pais acham meios de envolver-se em tudo, menos com os filhos.

Eles se afundam em suas carreiras, viagens, esportes, ou em várias atividades que se tornam tão importantes para eles que não têm tempo para os seus meninos — ou para aquele “filho especial” com quem é mais difícil se relacionar porque não compartilha os interesses do pai. É possível que as atividades que este filho aprecia sejam mais sociais e menos tipicamente masculinas.

Conheci pais que não tinham necessariamente outros interesses, mas

permaneciam emocionalmente afastados da família. Vi um pai — um homem imaturo e inadequado que declarou enfaticamente à mulher, antes do nascimento do filho, que não queria um menino — que rejeitou completamente o filho e é doido pela filha. Aparentemente ameaçado pela ideia de ter outro “homem na casa”, este pai tornou seu desgosto tão claro que, aos 2 anos, seu filho estava (sem nenhuma surpresa) usando vestidos e brincando com uma coleção de bonecas.

Por várias razões, algumas mães tendem também a prolongar a infância

dos filhos. A intimidade da mãe com o filho é primordial, completa, exclusiva; o laço entre eles pode aprofundar-se no que o psiquiatra Robert Stoller chama de “simbiose bem-aventurada”. A mãe, porém, pode inclinar-se a prender o filho no que se transforma numa dependência mútua pouco saudável, especialmente se não tiver um relacionamento íntimo satisfatório com o pai da criança. Ela talvez coloque no filho demasiada energia, usando-o para satisfazer suas próprias necessidades de modo que não é bom para ele. Na terapia reparadora [nome dado pelos psicólogos para o tratamento de homossexuais], os meninos efeminados anseiam pelo que é chamado de “os três A”, ou seja: afeto, atenção e aprovação do pai.

Se [um pai] quiser que o filho cresça heterossexual, ele tem de quebrar a

ligação mãe-filho adequada na infância, mas não para o menino depois dos 3 anos de idade. Desta forma, o pai tem de ser modelo, demonstrando ao filho que ele pode manter um relacionamento amoroso com essa mulher, sua mãe, embora mantendo a sua independência. Desta forma, o pai é um amortecedor saudável entre mãe e filho.

Nas palavras do psicólogo Robert Stoller, “A masculinidade é um

empreendimento”.20 Ele queria dizer que crescer heterossexual não é algo que acontece. Exige cuidados por parte dos pais. Requer apoio da sociedade. E requer tempo. Os anos cruciais são de 1 ano e meio até 3, mas o momento ótimo é antes dos 12. Uma vez que os pais reconheçam os problemas enfrentados pelos filhos, concordem em trabalhar juntos para resolvê-los e

busquem a orientação e a habilidade de um psicoterapeuta que acredite que a

mudança é possível, há muita esperança.21

Esta curta sinopse do livro do dr. Nicolosi é o material mais criterioso disponível no assunto. A conclusão é que a sexualidade não trata principalmente de sexo. Ela envolve tudo, inclusive solidão, rejeição, afirmação, intimidade, identidade, relacionamentos, a arte de ser pais, ódio contra si mesmo, confusão de gêneros e busca para pertencer. Isto explica por que a experiência homossexual é tão intensa e por que há tanta ira contra os que parecem estar desrespeitando os gays e as lésbicas, ou tornando a experiência deles mais penosa. Suponho que se nós que somos hetero tivéssemos andado nos sapatos daqueles que estão nesse “outro mundo”, também ficaríamos irados.

Se você, como pai, tiver um menino efeminado ou uma menina masculinizada, tenha muito cuidado com quem vai consultar. Receber conselhos errados neste estágio poderia ser uma tragédia, solidificando as tendências que estão se desenvolvendo. Em vista da direção que a maioria dos profissionais de saúde mental tomou, quase todos os psiquiatras, psicólogos e conselheiros iriam, acredito, usar a abordagem errada — dizendo a seu filho que ele é homossexual e precisa aceitar esse fato. Vocês, como pais, seriam então aconselhados a aceitar o comportamento afeminado como saudável e normal. Isso é exatamente o que você e seu filho não precisam! Você precisa aceitar a criança e afirmar o seu valor sem levar em conta as características que observa, mas também trabalhar pacientemente com um terapeuta para redirecionar essas tendências. Quando decidir buscar ajuda, porém, deve saber que para muitos meninos pré-homossexuais os sinais podem ser mais sutis, tal como incapacidade de ligar-se com outros iguais do mesmo sexo, sentir-se diferente e inferior, ou desconforto com o seu gênero. Algumas vezes uma visita a um profissional é necessária para determinar se a criança corre ou não risco.

Há ainda outra causa de distúrbio de identidade de gênero que devemos examinar. Ela resulta do abuso sexual na tenra infância. Um estudo indicou que cerca de 30% de homossexuais dizem ter sido explorados sexualmente quando crianças, muitos deles repetidamente. Essa experiência pode ser devastadora e, dependendo de quando ocorre, pode mudar a vida da vítima. Apesar do mal do abuso, está havendo um esforço vigoroso hoje para acabar com o tabu contra o sexo entre homens e meninos. Esta campanha para mudar as atitudes sociais está sendo tratada na literatura gay e lésbica e está até começando a aparecer na imprensa tradicional. Por exemplo, a revista Weekly Standard (1o de janeiro de 2001) publicou um artigo de fundo sob o título: ‘”A Pedofilia Chique Reconsiderada”. Esta é uma citação do artigo, muito importante e bem documentado, escrito por Mary Eberstadt:

Este consenso da sociedade contra a exploração sexual de crianças e adolescentes está sendo aparentemente erodido. A defesa do sexo entre adulto e criança — mais acurada mente, sexo homem-menino — está sendo agora tratada publicamente. Mais ainda, está desfilando em vários lugares — círculos terapêuticos, literários e acadêmicos; editoras tradicionais, periódicos,

revistas e livrarias — onde a simples aparição dessas ideias seria até pouco tempo não só inconcebível, como, em muitos casos, sujeita à instauração de processos.

O artigo terminou com esta declaração: “Se o abuso sexual de menores não é

errado, então nada mais o é”.22

Existe também um esforço vigoroso dos gays para se infiltrarem no Grupo de Escoteiros dos meninos como as lésbicas fizeram com tanto sucesso nas Escoteiras,

onde dizem que 33% dos membros são lésbicas. 23 O propósito desta campanha dos Escoteiros é não permitir o abuso sexual de crianças na maioria dos casos, mas usar o escotismo para ensiná-las e doutriná-las. Isto explica a intensidade do debate e um processo que chegou até o Supremo Tribunal norte-americano. O caso foi decidido

por uma pequena margem, cinco para quatro, contra os interesses homossexuais.24

Apesar da perda, as empresas passaram a recusar verbas para os escoteiros.25 Até alguns capítulos da United Way estão retendo os fundos desta excelente e

desesperadamente necessária organização.26

Existe outra evidência do desejo de ganhar acesso aos meninos. Ela é vista no esforço mundial de abaixar a idade em que a criança pode dar legalmente seu consentimento para intercurso com um adulto. Este esforço resultou em vários e intensos conflitos nos países ocidentais. Recebi recentemente uma carta de Lyndon Bowring, um colega do Reino Unido que chefia uma organização pró-família chamada Care Trust. Ele escreveu: “Aqui em Londres estamos decididamente contrariados com os avanços do lobby gay militante. Nosso Parlamento está planejando reduzir a idade de consentimento para o intercurso homossexual entre homens adultos de 18 para 16. Se não houver um milagre soberano da graça, não teremos sucesso em persuadi-los a não aceitar isso. Estamos fazendo todo o possível para evitar tal coisa e suplicando ao seu poder divino que interfira a favor de nossos jovenzinhos. É difícil encontrar um lugar no mundo onde conflitos similares não estejam ocorrendo, exceto onde não restam mais forças aos cristãos desanimados e em minoria”.

O sr. Bowring e seus colaboradores infelizmente perderam essa luta. A idade de

consentimento no Reino Unido baixou para 16 anos.27 28 Ela é 14 no Canadá, 15 na Suécia, 15 na França, 14 na Alemanha, Groenlândia, ltália, San Marino e Slovênia,

e 12 na Espanha, Holanda, Malta e Portugal. 29 Não é espantoso que meninos de 12 anos nesses últimos países, a maioria dos quais ainda não chegou à puberdade, possam dar consentimento para homens mais velhos que querem abusar deles sexualmente? Além do mais, seus pais não podem impedir legalmente essa exploração. A pergunta que nos assalta é: Por que as organizações gays e lésbicas trabalharam tão febrilmente para baixar a idade de responsabilidade? Só pode haver uma resposta.

A evidência mais chocante deste assédio às crianças apareceu no seguinte artigo escrito por Michael Swift, que trabalhou para uma publicação chamada Gay Community News. Ele foi lido durante um debate no Congresso pelo congressista William Dannemeyer, que também o incluiu no Registro do Congresso. Este é um pequeno trecho dessa declaração revoltante:

Vamos sodomizar seus filhos, emblemas de sua frágil masculinidade, de seus sonhos superficiais e mentiras vulgares. Vamos seduzi-los nas escolas, nos dormitórios, nos ginásios, nos vestiários, nas quadras de esporte, nos seminários, nos grupos de juventude, nos banheiros dos cinemas, nas casernas do Exército, nas paradas de caminhões, nos clubes masculinos, nas casas do Congresso, onde quer que homens fiquem juntos com homens. Seus filhos se tornarão nossos subordinados e cumprirão nossas ordens. Serão refeitos à nossa imagem. Vão ansiar por nós e adorar-nos.

Todas as leis proibindo a atividade homossexual serão revogadas. Em vez

disso, serão expedidas leis que produzam o amor entre homens. Todos os homossexuais devem unir-se como irmãos; devemos nos unir artística, filosófica, social, política e financeiramente. Só triunfaremos quando apresentarmos uma face comum para o odioso inimigo heterossexual.

A unidade familiar — campo crescente de mentiras, traições, mediocridade,

hipocrisia e violência — será abolida. A unidade familiar, que só refreia a imaginação e reprime o livre-arbítrio, deve ser eliminada. Meninos perfeitos serão concebidos e criados no laboratório genético. Vão unir-se num ambiente comunitário, sob o controle e instrução de cientistas homossexuais.

Todas as igrejas que nos condenam serão fechadas. Nossos únicos deuses

são jovens bonitos. Aderimos a um culto de beleza, moral e estética. Tudo que é feio, vulgar e banal será aniquilado. Desde que estamos afastados das convenções heterossexuais da classe média, temos liberdade para viver de acordo com os ditames da pura imaginação. Para nós demais não é suficiente.

Seremos vitoriosos porque estamos cheios da amargura feroz dos

oprimidos, forçados a desempenhar partes aparentemente diminutas em seus tolos espetáculos heterossexuais por meio das idades. Nós também somos capazes de disparar armas e guarnecer as trincheiras da revolução final.

Trema, porco hetero, quando aparecermos diante de você sem

máscaras.30

Este artigo, que chocou os cristãos conservadores e muitos outros americanos, foi recebido com desdém pelo público em geral e pelos membros do Congresso. Essas palavras representavam o ponto de vista particular de um indivíduo ou representam uma comunidade maior? Não sei. Certamente nem todos os ativistas homossexuais as endossariam. Fica claro, porém, que nossos meninos precisam ser protegidos do abuso sexual, quer seja homo ou heterossexual. Vigie seus filhos noite e dia enquanto são pequenos. Não deixe que sigam sozinhos ao banheiro público. Tenha cuidado ao confiá-los a um acampamento de verão, escola dominical, ou à vizinhança. Qualquer abuso de criança, quer por membro da família ou pelo vizinho, quer seja gay ou hetero, tem o mesmo efeito deletério.

Vou avançar um pouco mais para fazer uma recomendação controversa aos pais. Não acho que seja boa ideia deixar seus filhos de qualquer sexo aos cuidados de meninos adolescentes. Eu também não permitiria que meu filho adolescente tomasse conta de alguém. Por que não? Porque há muita coisa acontecendo com os adolescentes do sexo masculino. É uma preocupação que invade todos os aspectos da vida. O impulso sexual nos meninos atinge o seu pico entre as idades de 16 e 18 anos. Sob essa influência, crianças têm sido prejudicadas por “bons meninos” que não pretendiam nada de mal, mas que foram seduzidos pela curiosidade de experimentar e explorar. Estou certo de que muitos de meus leitores vão discordar de mim neste ponto e podem até ficar chocados com minhas palavras. Na vasta maioria dos casos seria seguro ignorar a minha advertência. Mas eu simplesmente não arriscaria durante os anos vulneráveis. Há muita coisa em jogo. Já conversei com grande número de pais que se arrependeram de ter entregado o filho a alguém que julgavam confiável. Faço esta recomendação sabendo que ela vai confundir e talvez até irritar alguns de vocês. Trata-se simplesmente da minha opinião baseada em incidentes desastrosos que testemunhei ao longo dos anos.

Voltando ao tema da homossexualidade, fico preocupado não só quanto ao abuso sexual de meninos (e meninas), mas também com o que eles estão aprendendo com a cultura em geral. De repente, todo mundo parece estar falando de um assunto que eu não conhecia até cerca de 11 anos de idade. Parecemos agora determinados a contar a toda criança de 5 anos sobre este aspecto da sexualidade adulta. Nossas escolas públicas parecem estar se movimentando inexoravelmente nessa direção.

Em vista do que discutimos neste capítulo, você percebe como estes ensinamentos difundidos podem criar uma terrível confusão para os meninos pequenos que estão passando por crise de identidade quanto ao gênero? E as outras influências culturais, inclusive a televisão e o cinema, que estão insistindo que os meninos e meninas “pensem como gays” e experimentem comportamentos de inversão de papéis? Quando combinadas com a ausência ou displicência dos pais, podemos começar a entender por que a incidência da homossexualidade parece estar crescendo e por que mais e mais crianças e adolescentes estão afirmando que acham que são

homossexuais. 31 À medida que a instituição familiar continua a se desfazer, estamos colocando os fundamentos para outra epidemia como as que ocorreram historicamente.

Mães e pais, estão me ouvindo? Este movimento é a maior ameaça para seus filhos. É de especial perigo para seus meninos de olhos arregalados, que não têm ideia da desmoralização planejada para eles. Eu pergunto: Há algo mais importante do que tomar tempo para proteger seus filhos e estar presente quando eles mais precisam de você? Penso que não.

Vou terminar referindo-me novamente a Mark e outros meninos que parecem efeminados, confusos quanto ao seu gênero ou cronicamente desconfortáveis com os iguais do mesmo sexo. Pais, vocês não têm tempo a perder. Procurem ajuda profissional para aqueles que parecem estar em dificuldades e orem por eles todos os dias. Pais, comecem a aplicar os princípios descritos pelo dr. Nicolosi e, de todas as maneiras, deem aos seus meninos o que eles precisam mais urgentemente: VOCÊ.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Minha igreja tende a mostrar-se liberal com respeito à maioria das questões sociais; ela ensina que desde que a homossexualidade é herdada e, portanto, involuntária, deve ser afirmada e aceita pelos cristãos. Isto é importante para mim porque meu filho tem 17 anos e anunciou que é gay. O senhor poderia comentar sobre a posição tomada por minha igreja e como eu posso explicar essa situação em nossa família?

Primeiro, a única maneira de sua igreja poder validar a posição é ignorando as passagens bíblicas que condenam o estilo de vida homossexual. Mas vou responder à sua pergunta em outro nível, fazendo duas outras perguntas. Elas são: “E se?” e “E daí?”.

“E se” pudesse ser demonstrado sem sombra de dúvida que a homossexualidade é, como afirmam os ativistas, genética, bioquímica e neurológica em sua origem? Continuaríamos querendo saber: “E daí?”. Como você disse, a comunidade homossexual ativista quer que creiamos que pelo faro de seu comportamento ser geneticamente programado e fora do seu controle, é moralmente defensável. Isto não pode ser sustentado. A maioria dos homens herdou o desejo pelas mulheres. Sua tendência natural é fazer sexo com tantas moças bonitas quanto puderem, tanto antes como depois do casamento. A abstinência antes do casamento e a monogamia depois dele são alcançadas pela disciplina e pelo compromisso. Se os homens fizessem o que são geneticamente programados para fazer, a maioria seria sexualmente promíscua desde os 14 anos. Isso tornaria tal comportamento menos imoral? É claro que não.

“E se” um pedófilo (abusador de crianças) pudesse afirmar que havia herdado seu desejo por crianças? Poderia ter um bom caso. Seu aparelho sexual e a testosterona que o domina são certamente criações da genética. Mesmo que sua perversão resultasse de experiências anteriores, ele poderia afirmar com razão que não escolhera ser quem é. Mas “e daí?”, isso torna seu abuso de crianças menos ofensivo? A Sociedade deveria aceitar, proteger e conferir direitos civis especiais aos pedófilos? Será uma discriminação ostensiva processá-los, condená-los e colocá-los na prisão por fazerem o que são “programados” para fazer? Não! A fonte de sua preferência sexual é irrelevante em relação ao comportamento em si, que é considerado imoral e repreensível pela sociedade.

“E se” pudesse ser demonstrado conclusivamente que os alcoólatras herdaram vulnerabilidade química ao álcool? Esse é provavelmente o caso, desde que algumas raças têm incidência muito maior de alcoolismo do que outras. Mas “e daí?” Isso significa que o alcoolismo seja um problema menor para essas famílias e a sociedade em geral? Dificilmente!

Espero que o ponto fique claro. O fato de serem geneticamente inclinados a fazerem coisas imorais não os torna certos. Há muitas influências agindo dentro de nós, mas elas são irrelevantes. Não conheço nenhum caso nas Escrituras em que Deus fechasse os olhos aos malfeitores por causa da sua herança defeituosa ou de suas primeiras experiências. De fato, o oposto fica implícito. No Livro de Gênesis lemos que um anjo informou à mãe de Ismael que o filho que carregava seria, “entre os homens, como um jumento selvagem; a sua mão será contra todos, e a mão de todos, contra ele; e habitará fronteiro a todos os seus irmãos” (Gn 16.12).