Educando Meninos

James Dobson · Capítulo 11 de 19

Páginas do PDF

Educando Meninos

10. Pais solteiros e avós

 

 

HÁ MUITOS ANOS, QUANDO Shirley e eu éramos recém-casados, ela estava sozinha em casa certa tarde. A campainha tocou inesperadamente e minha mulher foi atender. Na porta se encontrava uma jovem malvestida, no fim da adolescência. Ela imediatamente se pôs a falar de memória uma porção de coisas sobre as escovas domésticas que vendia.

Shirley ouviu por alguns minutos e depois disse amavelmente:

— Sinto muito, mas não precisamos de mais escovas. Obrigada por ter vindo.

A mocinha abaixou a cabeça e disse:

— Eu sei. Ninguém mais as quer.

Grandes lágrimas começaram a brotar em seus olhos enquanto se voltava para ir embora.

— Espere um pouco — disse Shirley. — Diga-me quem você é.

— Meu nome é Sally — replicou ela. — Tenho um filhinho e estou tentando ganhar dinheiro para sustentá-lo. Mas está sendo muito difícil.

Shirley convidou a jovem para entrar, a fim de conhecê-la melhor. Serviu-lhe café, e Sally começou a falar. Ela era uma mãe solteira que saíra da escola aos 16 anos. Ficara grávida e se casara apressadamente com um jovem imaturo. Ele logo a abandonou, deixando-a com um bebê e sem qualquer meio visível de sustento. Por estar desesperada e não ter outras habilidades, aceitara o emprego de vendedora de escovas de porta em porta.

Quando voltei para casa naquela tarde, Shirley me contou a história e demonstrou seu interesse pela nova amiga. Entramos no carro e fomos até o endereço que Sally dera. Ela morava num prédio de apartamentos numa rua movimentada. Subimos um lance de escadas e batemos à porta. Sally apareceu, carregando o filho, Sammy, e nos convidou para entrar. Depois de conversar um pouco, perguntei o que eles haviam comido no jantar. Ela me levou à cozinha e mostrou uma lata de macarrão vazia. Aquilo era tudo. Abri os armários e a geladeira, não havia qualquer tipo de alimento neles.

Pusemos Sally e Sammy no carro e fomos até um supermercado próximo. Compramos vários tipos de mercadorias e depois voltamos com eles para o prédio. Durante as semanas seguintes envolvemos Sally nas atividades da nossa igreja, e eu a ajudei a encontrar um emprego no Hospital Infantil onde eu trabalhava na equipe de pediatria. Ela foi gradualmente se aprumando e mais tarde mudou-se para a região de Los Angeles.

Faz muitos anos que não vejo Sally e Sammy, mas penso neles com frequência. O que me lembro de ter pensado quando os encontrei pela primeira vez foi como é incrivelmente difícil ser pobre, solitário e estressado ao máximo pelas responsabilidades de criar um filho — ou vários. Mal posso imaginar como mães muito jovens nessa situação têm condições de enfrentar os desafios da vida diária. Elas têm de encontrar vagas numa creche, trabalhar oito horas ou mais por dia, pegar as crianças, parar na mercearia, depois ir para casa preparar o jantar, lavar os pratos, trocar as fraldas, ajudar na lição de casa, dar banho nos mais novos, ler história, enxugar lágrima, fazer oração e pôr os filhos na cama. Depois de dezesseis horas de trabalho e responsabilidades maternas, o serviço de casa ainda tem de ser feito.

Os fins de semana são um atropelo de atividades. Lavar, passar, varrer e planejar serviços, tais como limpar o fogão, devem ser feitos durante essas horas “de folga”. Quem está lá para ajudar quando o carro não funciona, o motor da geladeira queima e a infiltração no teto começa a vazar? Finalmente, a mãe precisa pensar em suas próprias necessidades de ser amada, cuidada e intelectualmente desafiada. Afinal de contas, ela não é uma máquina. Vou dizer-lhe francamente que a tarefa de mãe solteira, especialmente das jovens e pobres, é o trabalho mais duro em todo o universo, e meu maior respeito e admiração estão reservados para aquelas que fazem isso com excelência. Os pais solteiros também merecem nossos elogios, tentando desesperadamente ser “mães” de seus filhos necessitados. Nosso foco neste capítulo, porém, serão as mães por causa dos problemas especiais que elas enfrentam ao tentar criar meninos.

Recebemos cerca de 250.000 cartas, telefonemas e respostas por e-mail em nosso programa Foco na Família todos os meses, alguns de mães solteiras. Este é um desses bilhetes comoventes:

Fui casada por trinta anos, mas meu marido morreu recentemente. Preciso agora de sua ajuda. Diga-me como devo comportar-me no papel de solteira. Preciso aprender a divertir-me sozinha; saber o que dizer, o que fazer e não fazer. Diga-me como voltar para uma casa vazia, não sendo necessitada, não tendo ninguém para cuidar e ninguém com quem compartilhar a minha vida. Como aprendo a ter novamente alegria de viver? Casei-me com meu segundo namorado e foi meu melhor amigo, meu amante, meu companheiro. Como encontrar novamente o amor? Qualquer namorado que tivesse não ia querer falar sobre meu marido, mas não vou conseguir esquecer os últimos trinta anos e negar que eles aconteceram. Diga-me, onde procurar respostas, e será que essas respostas existem?

Sinceramente,

Kelly

Esta mulher viverá novamente, mas vai levar algum tempo antes que suas feridas sarem e seu coração se cure. Reproduzi esta carta e as outras afirmações anteriores para aumentar a sensibilidade de todos nós para as dificuldades dos que sofreram a perda de um ente querido por morte, abandono ou divórcio. É uma das experiências mais traumáticas da vida.

O que estamos descrevendo aqui envolve um grande número de pessoas em meu país e no resto do mundo, e suas fileiras estão crescendo exponencialmente. Segundo os números do censo publicados em maio de 2001, a família continuou sua espiral descendente que começou no início da década de 1970. De fato, a queda é agora livre e desimpedida. Nosso jornal local em Colorado Springs, The Gazette, gritou a notícia

em sua manchete: “A Família Está Desaparecendo”.1 Numa coluna escrita por Don Feder no jornal The Boston Herald, o título principal era: “A Família Nuclear em

Dissolução”. 2 Allan Carlson, do Centro Howard para a família, disse: “Estamos

avançando para uma sociedade pós-família.3 É lamentável e preocupante que essas avaliações sejam verdadeiras. Esta instituição ordenada por Deus, que prevaleceu em quase todas as culturas da terra durante mais de 5.000 anos, está se dissolvendo diante de nossos olhos.

Estas são algumas das mais perturbadoras descobertas do relatório: as casas chefiadas por parceiros sozinhos cresceram quase 72% durante a última década, a maioria delas envolvendo pessoas que vivem juntas sem casamento. As casas chefiadas por mães solteiras aumentaram mais de 25% e as chefiadas por pais

solteiros cresceram quase 62%.4 Pela primeira vez, as famílias nucleares caíram

abaixo de 25% dos lares. 5 Um terço das crianças nasceram de mães solteiras (33%),

em comparação com apenas 3,8% em 1940. 6 Mediante outros estudos ficamos

sabendo que a coabitação aumentou cerca de 1.000% desde 1960.7 Estamos também vendo um número crescente de mulheres solteiras, na casa dos 20 ou 30 anos, que,

como a atriz Jodie Foster, decidiram ter e criar filhos sozinhas.8

Em essência, as velhas proibições contra o divórcio e a coabitação estão desaparecendo, e a cultura está abandonando seu compromisso com o casamento por toda a vida. De fato, duvido que a maioria dos jovens adultos tenha qualquer compreensão mais aprofundada da razão pela qual as gerações anteriores defendiam tão vigorosamente a família ou por que desprezavam tão claramente os que se “juntavam”. Era por violarem os princípios da moral bíblica profundamente arraigados na cultura. Esse sistema de crenças quase desapareceu. Agora, o índice de divórcios é na verdade maior, por uma pequena margem, entre os cristãos do que

entre os que não professam qualquer fé.9 Essas mudanças sociais representam uma decadência crescente com implicações em longo prazo para o futuro.

Está previsto atualmente, com base nessas tendências, que mais da metade das crianças nascidas na década de 1990 vai passar pelo menos parte de sua infância em

casa de pais sozinhos.10 Os Estados Unidos já são o líder mundial na porcentagem

de pais solteiros,11 e esse número está subindo vertiginosamente. O que acontecerá se o casamento tornar-se realmente obsoleto ou em grande parte irrelevante de agora em diante? Ele projeta um mundo em que cada criança terá várias “mães” e “pais”, talvez seis ou oito “avós” e dezenas de meios-irmãos. Será um mundo em que os meninos e meninas vão ser empurrados de um lugar para o outro, num padrão de arranjos domésticos sempre em mudança — onde grande número deles será criado em lares adotivos ou vai viver nas ruas (como milhares já fazem na América Latina nos dias atuais). Imagine um mundo onde nada é estável e as pessoas pensam principalmente em si mesmas e na sua autopreservação. Em suma, a morte das famílias produzirá um mundo caótico que será devastador para as crianças.

Em vista da crise nacional que parece estar surgindo no horizonte, poderíamos pensar que o governo americano estaria tentando desesperadamente apoiar a instituição do casamento e fazer todo o possível para restaurá-la a uma posição de saúde e vitalidade. O oposto é verdade. Nossos líderes políticos têm sido despudorados em sua desconsideração pela instituição familiar. Quando Margaret La Montagne, conselheira da política interna da Casa Branca para o presidente George W. Busch, foi perguntada durante uma entrevista sobre a sua reação ao

relatório do censo, ela replicou: — Penso que eu responderia a isso: “E daí?” 12 Seu comentário estabelece um tipo de recorde por sua ignorância. As famílias americanas estão se desintegrando; todavia, La Montagne disse, com efeito: — Quem se importa? — O ponto perturbador é que esta mulher está sentada no nível mais alto do governo, oferecendo conselhos todos os dias ao homem mais poderoso da terra. Senhor, tenha pena de nós! Infelizmente, a resposta petulante dela reflete a atitude desdenhosa em relação às famílias que está sendo geralmente expressa entre os funcionários em Washington. Quanto tempo faz desde que você ouviu um de nossos líderes proeminentes falar a respeito das pressões sobre o casamento e da necessidade desesperada de nosso governo ajudar?

Na ausência de auxílio de nossos líderes ou de qualquer outro, a família continua a dividir-se. Enquanto isso acontece, nossos filhos são os que mais sofrem. Barbara Dafoe Whitehead, escrevendo em seu aplaudido artigo “Dan Quayle Tinha Razão”, disse a respeito dos estresses experimentados por meninos e meninas quando suas famílias se separam:

Toda esta incerteza [num lar de um só dos pais] pode ser terrível para os filhos. Quem quer que conheça crianças sabe que elas são criaturas profundamente conservadoras. Gostam que as coisas continuem como estão. Esta tendência é tão pronunciada que certas crianças chegam a pedir o mesmo sanduíche de creme de amendoim e geleia durante anos a fio. As crianças são especialmente firmes em suas ideias quando se trata de família, amigos, vizinhos e escolas. Todavia, quando uma família se separa, todas essas coisas podem mudar. O romancista Pat Conroy observou que “cada divórcio é a morte de uma pequena civilização”. Ninguém sente isto mais agudamente do

que os filhos.13

Cynthia Harper, da Universidade da Califórnia, São Francisco, e Sara Mc-Lanahan, de Princeton, estudaram o fenômeno da ausência do pai, levando ao que veio a ser chamado de “Pesquisa Nacional da Juventude”. Os pesquisadores identificaram 6.403 meninos entre 14 e 22 anos e depois os seguiram até o início da casa dos 30. Estas são algumas das suas principais descobertas:

1. Os filhos das mães sozinhas correm maior risco de uma tendência para a violência, aparentemente porque passaram menos tempo com os pais. A criança nascida fora do casamento tem duas vezes e meia mais probabilidade de passar tempo na prisão.

2. O sustento da criança não faz diferença no que diz respeito a um menino crescer para tornar-se criminoso. Ao que parece, a situação econômica da mãe solteira não é o fator principal, mas a ausência do “pai”.

3. A terceira conclusão é ainda mais surpreendente. O número muito pequeno de meninos adolescentes no estudo, que viviam só com o pai, não tinha mais probabilidade de cometer crimes do que os meninos de famílias intactas. Por quê? Talvez porque os homens que não se casam, mas cuidam sozinhos dos filhos, são

pais especialmente dedicados.14

Sei que essas são notícias desagradáveis para as mães sozinhas. Gostaria de poder dizer que encontrar outro marido oferecerá uma solução. Infelizmente, a pesquisa confirma que o novo casamento de um dos pais, no geral, piora as coisas para os meninos. Segundo o estudo, os meninos que vivem nas casas de padrastos tinham quase três vezes mais probabilidade de terem problemas com a polícia do

que os de famílias intactas.15 As desvantagens para os jovens nessas novas famílias são similares às dos que não vivem com qualquer dos pais. Ao que parece, os padrastos e os filhos quase sempre competem pelo tempo, atenção e recursos da mãe biológica, criando conflito e amargura.

Unir duas famílias também apresenta alguns desafios únicos e perturbadores. Posso dizer-lhe que a noção de que uma mãe e um pai, ambos com três filhos, podem criar uma família grande e feliz sem conflitos ou rivalidades é um mito. As coisas não acontecem assim, embora muitas famílias combinadas eventualmente se ajustem às suas novas circunstâncias. Durante os primeiros anos, pelo menos, é típico que um ou mais filhos vejam o novo padrasto ou madrasta como usurpador. Sua lealdade à memória do pai ou mãe que se afastaram pode ser intensa. Para eles, acolher um recém-chegado de braços abertos seria uma traição. Isto coloca o padrasto ou a madrasta numa situação impossível.

Além do mais, é comum que um dos filhos ocupe o vácuo de poder deixado por um dos pais. Esse jovenzinho se torna o esposo substituto. Não estou falando de questões sexuais. Pelo contrário, o menino ou a menina começa a relacionar-se com o pai que ficou mais como um igual. A posição que acompanha esse papel de apoio é muito sedutora, e o jovem não quer geralmente desistir dela.

Há um problema ainda mais sério que ocorre nas famílias reconstituídas. Ele está ligado aos sentimentos do novo marido e da esposa em relação aos filhos. Cada um é irracionalmente dedicado à sua própria carne e sangue, enquanto ele ou ela apenas conhecem os outros. Quando ocorrem brigas ou insultos entre os dois grupos de crianças, os pais são quase sempre parciais com aqueles que trouxeram ao mundo. A tendência natural é que os membros da família combinada se agrupem em campos armados: nós contra eles. Se os filhos sentirem a tensão entre os pais, vão explorá-la para ganhar poder sobre os irmãos. A não ser que essas questões sejam esclarecidas e trabalhadas, batalhas terríveis podem ocorrer. Em vista desses desafios, fica aparente por que as probabilidades de um segundo e terceiro casamentos serem bem-sucedidos são, consideravelmente, menores do que as do primeiro. É possível combinar famílias com sucesso, e milhares fizeram isso. Mas a tarefa é difícil, e se você escolher esse caminho, pode necessitar de ajuda para conseguir bom resultado. É por tudo isso que insisto com os que estão planejando casar-se de novo que busquem aconselhamento profissional o mais cedo possível. É dispendioso, mas outro divórcio custaria ainda mais caro.

Existe outro problema que reluto em mencionar para as mães sozinhas, que já estão provavelmente desanimadas com a perspectiva que descrevi. Mas devo fazê-lo. Segundo um estudo dos pesquisadores canadenses Martin Day e Margo Wilson, as crianças em idade pré-escolar nas famílias com padrastos ou madrastas têm quarenta vezes mais probabilidade de sofrer abuso físico ou sexual do que nas

famílias intactas. 16 Whitehead indicou que a maior parte do abuso sexual é cometido por uma terceira pessoa, tal como um vizinho, um amigo do padrasto ou alguém que não é parente, mas os padrastos têm mais probabilidade de abusar dos

filhos não biológicos do que de seus filhos naturais. 17

Desde que o novo casamento pode ou não resolver o problema de encontrar influência masculina para seus filhos, a mãe sozinha tem de descobrir outras maneiras de enfrentar o desafio. Como ela pode ensiná-los a barbear-se, colocar a gravata ou pensar como homem? O que ela pode dizer-lhes sobre a sexualidade masculina e o que pode fazer para prepará-los para chefiar suas futuras famílias? Como pode encontrar modelos que substituam o pai que falta? Estas são perguntas de importância monumental, mas há algumas abordagens que podem ser úteis.

Para cada mãe sozinha que está buscando resposta neste sentido, quero enfatizar primeiro que você tem um recurso inigualável em seu Pai celestial. Ele criou seus filhos, e eles são preciosos para ele. Como sei isso? Porque disse repetidamente na sua Palavra que tem ternura especial pelas crianças sem pai e suas mães. Há muitas referências nas Escrituras às dificuldades que elas enfrentam. Por exemplo:

Deuteronômio 10.17-18: O SENHOR, vosso Deus [...] faz justiça ao órfão e à viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e vestes. Deuteronômio 27.19: Maldito aquele que perverter o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva.

Salmo 68.5: Pai dos órfãos e juiz das viúvas é Deus em sua santa morada.

Zacarias 7.10: Não oprimas a viúva, nem o órfão, nem o estrangeiro, nem o pobre.

A mensagem é muito clara. O SENHOR está vigiando os oprimidos, os pobres, os tiranizados e o órfão de pai. Ele também se preocupa com os seus filhos. Está esperando que você peça sua ajuda. Vi respostas milagrosas à oração em favor dos que buscaram seu auxílio, no que pareciam situações impossíveis. Minha esposa, Shirley, foi produto de um lar destruído. Seu pai era alcoólatra, abusava da família e gastou seus magros recursos num bar local. O casamento acabou em divórcio. Nesse momento crítico, a mãe de Shirley percebeu que precisava de ajuda para criar seus dois filhos sozinha e enviou-os, então, a uma igreja evangélica na vizinhança. Eles encontraram ali Jesus Cristo e a estabilidade que lhes faltava em casa. Shirley começou a orar no silêncio de seu pequeno quarto para que o SENHOR enviasse um pai que os amasse e cuidasse deles. Ele fez precisamente isso. Surgiu um homem maravilhoso de 37 anos chamado Joe, que nunca se casara. Ele tornou-se cristão e pai magnífico para as duas crianças. Joe lhes deu estabilidade durante o resto da sua infância e adolescência. Ele tem sido meu sogro há quarenta anos, e eu o amo como se fosse meu pai. Veja então, mesmo que as probabilidades e predições sejam que um novo casamento é arriscado, tudo é possível quando você depende de Deus e pede a ele forças. Vou deixar para você e seu pastor determinarem se você tem base bíblica para voltar a casar-se, o que pode vir a ser outra questão espinhosa para decidir.

Até que um bom homem como Joe apareça, você, como mãe sozinha, deve esforçar-se ao máximo para encontrar um pai-substituto para seus meninos. Um tio, um vizinho, um treinador, um diretor de música ou um professor da escola dominical podem ajudar. Colocar seus filhos sob a influência de um homem assim, mesmo que seja uma única hora por semana, pode fazer grande diferença. Faça com que participem do grupo de escoteiros ou da equipe de futebol. Dê biografias para seus filhos lerem e leve-os ao cinema ou alugue filmes que enfoquem heróis fortes e masculinos (mas com boa moral). Qualquer que seja a maneira que escolha resolver o problema, não deixe que os anos passem sem a influência de um homem sobre a vida de seus meninos. Se não tiverem modelos masculinos para imitar, vão voltar-se para quem estiver disponível, tais como membros de gangues ou, talvez, para você, a mãe. Como sabemos, não é saudável para os meninos imitarem exclusivamente o modelo da mãe.

Quero oferecer agora ajuda adicional e conselhos para as mães sozinhas. Embora os estudos indiquem que uma porcentagem mais alta de crianças de famílias com um só dos pais tenha problemas, a grande maioria acaba se saindo bem. Se você é uma mãe dedicada, que dá prioridade a seus filhos, eles também crescerão como devem.

Vamos falar brevemente sobre disciplinar seus meninos, o que será discutido com mais detalhes no capítulo 16. Você deve treinar e guiar seus filhos da mesma forma que o faria se o seu casamento estivesse intacto. Algumas vezes, a mãe sozinha sente-se culpada por não dar provisão adequada para os filhos e para as filhas, em razão de circunstâncias penosas que acompanharam o divórcio. Portanto, ela se torna permissiva e demasiadamente indulgente. Isso não é o melhor para seus filhos. É especialmente arriscado para os meninos. Eles precisam de limites mais ainda do que os de famílias intactas. A mãe autoritária, mas amorosa, dá segurança ao filho para quem tudo parece inseguro. Não tenha medo, lidere! Castigue quando for necessário. Abrace-os quando precisarem de afirmação. E faça com que pensem que você sabe o que está fazendo e para onde vai, mesmo quando não tenha uma diretriz.

Antes, referi-me ao filho que tem a tendência de ocupar o vácuo de poder deixado pela perda do pai e tornar-se o “cônjuge substituto” da mãe. Não deixe que isso aconteça. O menino que está tentando tornar-se adulto instantâneo é ainda criança e não deve ser sobrecarregado com as responsabilidades e cuidados de adulto. Não conte a ele todos os seus temores íntimos e suas ansiedades, mesmo que ele pareça capaz de lidar com isso. Mais cedo ou mais tarde, sua abdicação do papel de autoridade voltará para atormentá-la quando, talvez na adolescência, tenha de dizer não a ele ou confrontá-lo quando estiver se desviando. Este cônjuge substituto pode ser uma filha. Não é comum para as meninas também aspirarem a esse papel. Todavia, essa atitude não é boa para o filho de qualquer sexo. Faça com que eles cresçam como Deus pretendeu — um dia de cada vez.

E agora, algumas ideias para as mães sozinhas que buscam desenvolver características masculinas nos filhos. Debra Gordon escreveu no The Virginian Pilot (Norfolk, VA) um artigo interessante sobre “agressão natural”, chamado “O Filhinho da Mamãe”. Você pode achá-lo útil. Segue-se um trecho:

Neste Natal, Suzanne Rhodes fez uma coisa que jurara não fazer — colocou armas de brinquedo debaixo da árvore.

Com quatro filhos de 9 a 15 anos, Suzanne decidira anteriormente que

nunca compraria armas para eles, nem permitiria que entrassem em sua casa.

Em vez disso, ela seguiu o programa politicamente correto, não sexista

para criar meninos nas décadas de 1980 e 1990: comprar para eles brinquedos do gênero neutro, como blocos e quebra-cabeças. Quando os amigos chegavam para brincar levando pistolas de brinquedo, ela os fazia deixar as armas na porta.

— Não tinha jeito. Havia uma porção de dedos fumegando lá — diz a mãe

de Chesapeake.

Mas, este ano, depois de passear pelos campos de batalha da Guerra Civil,

ler livros e assistir a filmes com os filhos sobre as muitas guerras deste país, Suzanne mudou de ideia.

— Pensei muito a respeito — disse ela, que tem também uma filha de 6

anos e cujo marido é oficial da marinha. — Eles estão lá brincando de jogos de guerra; não estão matando por matar. Estão mostrando a sua agressividade como meninos. Há uma ligação entre jogos de guerra e guerra para os homens. E acho que nunca poderemos extirpar deles, porque homens e mulheres são maçãs e laranjas.

Aí está o xis do problema quando você fala com mães criando filhos. Será

que aspiramos ao máximo infâncias não sexistas, do gênero neutro, seguindo a teoria de que podemos moldar a criança principalmente por meio do ambiente e exemplo, ou aceitamos que os meninos e as meninas são inerentemente diferentes e ensinamos nossos filhos a canalizar e administrar construtivamente sua agressão nata, “seu gene belicoso”, como diz uma mãe?

18

A melhor resposta, em minha opinião, é a última.

AVÓS

Vou mencionar agora as pessoas que vão, mais provavelmente, dar-lhe a ajuda de que você precisa. Estou me referindo aos avós maternos ou paternos. Eles têm a responsabilidade, dada por Deus, de influenciar seus netos, e a maioria deles está mais do que disposta a isso. Nossa organização acabou de publicar um livro útil que pode estimular algumas ideias. É chamado The Gift of Grandparenting [O dom de ser avós], de Eric Wiggen. Estes são alguns trechos que vão, espero, não só motivar os pais sozinhos a procurar seus pais, como inspirarão também os avós a se envolverem mais com os netos. Estas são as palavras consideradas de Eric Wiggen:

Os jovens que visitam os avós, com poucas exceções, fazem isso por desejarem — no geral com muito empenho — a companhia dos mais velhos. A mesma avó que ganhava de mim no xadrez quando eu tinha 39 anos tornou-se a amiga em quem eu podia confiar aos 19. Ela me escrevia cartas longas e cheias de notícias da família. Quando eu voltava para casa da faculdade, conversávamos. E, sabe de uma coisa? Vovó queria escutar-me! Em breve descobri que ela ficava fascinada com o que eu contava e ela tinha mais tempo para ouvir-me do que meus pais. Para seus netos adolescentes ou adultos solteiros, talvez o “entretenimento” mais importante que possa dar-lhes é ouvir

quando eles falam.19

Um sábio comentou certa vez que os idosos ficam mais lentos e curvados

para que possam ver as coisas como crianças novamente e para que possam segurar as mãos das crianças que andam sobre pernas inexperientes. Aquele inseto na calçada, a lesma debaixo da folha de couve, o passarinho puxando a minhoca da terra molhada pela chuva — essas são as coisas que as crianças

pequenas e seus avós notam.20

Nossos netos vivem em lares imperfeitos, criados por pais imperfeitos:

nossos filhos e filhas casados com nossos genros ou noras, todos imperfeitos. Embora todos cometamos erros ao criar os filhos, a boa notícia é que como avós piedosos, andando com o Senhor, podemos esperar que o Senhor nos use. Em vista da nossa imaturidade quando nossos filhos — agora pais — estavam crescendo, podemos tê-los desapontado. Mas, ao manter-nos vivos para gozar a companhia de nossos netos, o Senhor está nos dando um ministério para ajudar a preencher as lacunas em nossa criação de filhos

imperfeita.21

Nós, avós, devemos retomar firmemente a liderança, se não de toda a

sociedade, pelo menos de nossas famílias. Este não é um passo tão drástico quanto parece, pois o pêndulo começou a oscilar para o outro lado e a

maturidade está voltando à moda de novo.22

Escrevendo aos avós, a colunista Evelyn Sullivan resumiu um estudo de

mais de setecentos estudantes da Universidade do Estado de Missouri. Sullivan citou certo professor de estudos da família dessa instituição, dr. Gregory E. Kennedy, que descobriu que depois do divórcio esses alunos achavam que o papel dos avós fora “ainda mais importante” em sua vida do que nos lares que permaneceram intactos. A maioria dos avós, quer os pais tenham ou não se divorciado, têm interação regular com os netos, conforme descoberto pelo estudo do dr. Kennedy.

De modo significativo, quase todos os estudantes se sentiam mais

próximos dos avós maternos do que dos paternos. Isto é importante para os

avós maternos, desde que num processo de divórcio os filhos são geralmente

colocados sob a custódia da mãe.23

Como avós, desejamos ajudar nossos netos a entrarem na idade adulta.

Podemos fazer isto melhor quando compreendemos que esses jovens, que na maior parte do tempo são descuidados e felizes, estão sofrendo durante os anos mais difíceis da vida — da puberdade ao início da maturidade. Nós criticamos amavelmente o seu comportamento quando necessário. Estabelecemos diretrizes e expressões quando confiados aos nossos cuidados. Assim como não criticaríamos a peruca ou o penteado de um adulto, evitamos comentários pessoais sobre nossos adolescentes-adultos emergentes cujas almas já podem ter sido estraçalhadas e pisoteadas no fogo cruzado da escola ou nos conflitos

em casa. Mas. acima de tudo, apoiamos, ouvimos, oramos. E amamos.24

Os avós não só são necessários hoje para desempenhar papel de apoio para seus filhos e filhas como também um número surpreendente deles ficou com a plena custódia dos netos. Eles criaram os filhos há muitos anos e pensaram que seu trabalho de pais tinha terminado. Então, quando deveriam ser apenas uma adição do evento principal, têm de enfrentar uma dentre duas escolhas difíceis: aceitar a responsabilidade de criar outra geração de filhos ou vê-los sofrer devido a cuidados inadequados ou colocação num lar adotivo. Não é assim que as famílias foram destinadas a funcionar. Isto representa outro aspecto da desintegração conjugal e filhos nascidos fora do casamento. Eu precisaria de outro livro, ou muitos deles, para cobrir essa questão em profundidade, mas ela merece nossas orações e pensamentos criativos.

Não posso concluir esta discussão sem falar diretamente e talvez ousadamente aos cristãos que vivem em famílias intactas. Você tem lido este capítulo sobre os desafios enfrentados por pais sozinhos. Espero que considere as maneiras em que poderia ajudar. Homens, o que vocês acham de levar os filhos de mães sozinhas com seus próprios filhos para uma pescaria ou um jogo de futebol? Façam esses meninos sem pai saberem que se interessam por eles. Respondam às suas perguntas e ensinem-nos a jogar bola ou a defender e atacar. Esta não é uma simples sugestão casual minha. É um mandamento divino. Lembra-se das Escrituras que citei sobre a compaixão de Deus pelos órfãos? Jesus mostrou esse mesmo amor pelos jovens. Ele carregou meninos e meninas em seu colo e disse: “Quem receber uma criança... em meu nome, a mim me recebe” (Mt 18.5).

Às mães casadas, espero que se estendam à mãe solteira como Sally e a ajudem a enfrentar a tarefa de criar filhos. Cuidem dos filhos dela para que ela possa sair de vez em quando. Compartilhem seus recursos financeiros com os que têm menos e as incluam em suas atividades nos feriados. Vocês podem impedir que uma mãe solteira se desespere, dando a ela apenas um pouco de encorajamento e auxílio. O Senhor vai recompensá-las por cuidar de alguém que necessita demais de uma amiga.

Vamos encerrar com isso nossa discussão de pais sozinhos e avós com mais dois pensamentos. O primeiro se refere à difícil tarefa de permitir que eles voem quando o trabalho está terminado. Esse pode ser um período muito emocional, especialmente para uma mãe que trabalhou, suou, orou, chorou, economizou, poupou, cozinhou, limpou, ensinou e pastoreou seus filhos em meio a numerosas crises sem a ajuda de um marido ou de um pai para os filhos. De repente, quando acaba a infância, é preciso renunciar à razão da sua existência e à sua paixão de viver. Seus filhos cresceram. O lugar vazio dentro de si quando os filhos e filhas deixam o lar pode parecer um abismo. Depois de todos esses anos ela está de novo sozinha.

Meu escritório do Foco na Família fica do outro lado do vale da Academia Aérea dos Estados Unidos. Dali posso ver os cadetes enquanto treinam para ser pilotos e oficiais. Gosto especialmente de observar os planadores voando pelo céu. A única maneira pela qual esses graciosos engenhos amarelos podem voar é ligados a um avião que os leva até onde podem pegar corrente de vento. Então, eles se desprendem e voam livres e sozinhos até voltar à terra.

Enquanto olhava esse lindo espetáculo certo dia, reconheci uma analogia entre voar e criar filhos como pai ou mãe sozinhos. Há um período em que seus filhos precisam ser rebocados pelo “aeroplano mãe”. Se essa ajuda não estivesse disponível, ou se não fosse aceita, o “planador” nunca sairia do solo. Mas, inevitavelmente, chega o momento apropriado para o jovem piloto soltar-se e voar livremente e sozinho, no céu azul. Ambas as operações são necessárias para o voo bem-sucedido. Se você, como pai, não estiver presente para seus filhos quando eles são jovens, eles vão provavelmente permanecer “encalhados” a vida inteira. Por outro lado, se ficarem amarrados a você como jovens adultos, nunca experimentarão a alegria do voo independente. Deixar que ele se vá não só dá liberdade a seu filho ou filha crescido, como permite que você também voe. Tudo faz parte do plano divino.

Vou terminar esta discussão de pais sozinhos e avós compartilhando um pensamento inspirador de um velho filme em preto e branco. Ginger Rogers e Robert Ryan eram as estrelas, e se chamava Tender Comrade [Terno Camarada]. O filme se passava em 1943, quando a maioria dos maridos e pais tinha ido para a guerra. Rogers era uma das muitas mulheres que estavam criando os filhos sozinhas. Certo dia, ela recebeu o temido telegrama do Departamento de Guerra, que começava: “Lamentamos informá-la...”. Seu marido fora morto em combate. Ginger imediatamente correu para o quarto do filho, onde a criança dormia no berço. Ela o carregou nos braços e, depois de alguns momentos juntos, a mãe falou estas comoventes palavras ao filho:

Acorde, Cris. Sinto muito acordá-lo deste jeito, mas tenho de falar com alguém. Não posso me abrir com ninguém lá embaixo porque estão celebrando um casamento. Você é o único a quem posso contar. Acho que isto é de fato algo privado entre você e mim. Suponho que daqui a alguns anos estarei ainda contando a você como fiquei ali ao lado do trem. (Sua voz desaparece, e uma conversa que tivera com o marido na estação ferroviária é ouvida ao fundo.)

Pequenino (mostrando uma foto do pai para a criança), este é seu pai.

Cris, este é seu filho. Vocês dois nunca vão se conhecer. Só por meio de mim é que saberão alguma coisa um do outro. Estou fazendo, então, as minhas apresentações. Este é o filho que você nunca quis até que me encontrasse, Cris. Este é seu pai, jovenzinho. Eu o conheci quando ele não era muito maior que

você. Oh! talvez um pouco maior. Você tem os olhos dele e esse punhado de cabelo, você sabe, esse cabelo em sua cabeça que nunca fica no lugar. É igual ao seu pai, sem dúvida. Parece engraçado chamá-lo de seu pai, ele era apenas um menino. (Sua voz desaparece; uma lembrança de uma conversa que tivera com o pai na infância se faz ouvir ao fundo.)

Só por ter crescido com ele, sei tudo que vai acontecer com você. Quando

tiver 7 anos, uma menina vai bater em sua cabeça com uma escova; e quando tiver 10 anos vai cortar o cabelo dela; quando tiver 15 vai levá-la ao seu primeiro baile e conquistar seu coração. Veja bem, menininho, eu sei das coisas. (Sua voz desaparece, ouve-se a voz do pai falando sobre todos os planos maravilhosos que tem para o filho.)

Lembre-se dele, filho. Lembre-se de seu pai enquanto viver. Ele era um

homem excelente, Cris. Nunca fez discursos, mas partiu e morreu para que você tivesse mais oportunidades do que ele quando crescesse. Não as mesmas oportunidades, mas outras melhores. Ele pensava muito em você a seu modo. Nunca se esqueça disso, garotinho. Nunca. Não deixou dinheiro para você. Não teve tempo. Nem milhões de dólares, clubes de campo ou carrões brilhantes para você, meu querido. Só lhe deixou o melhor mundo em que um menino pode crescer. Ele o comprou para você com a sua vida. Essa é a sua herança. Um presente pessoal de seu pai. (A voz dela desaparece; ouve-se a voz do pai falando sobre o que é a guerra ao fundo.)

Mais uma coisa: enquanto você for vivo, não deixe ninguém dizer que ele

morreu por nada, porque se deixar que digam isso, está permitindo que chamem seu pai de tolo. Permitindo que digam que ele morreu sem saber o porquê. Ele morreu por uma boa causa, menininho, e se você a trair, se deixar que ela se vá um dia, se permitir que alguém faça com que a despreze, que brigue para sair dela, seria então como se também estivesse morto. Agarre-se então a ela, meu filho, prenda-a com os seus dedinhos; tire-a das mãos de seu pai e segure-a bem alto, com muito orgulho.

(Ela fica de pé e fala com o retrato do pai.) Não se preocupe, Cris. Ele vai

crescer para ser um homem bom. Boa-noite, Cris (para o retrato). Boa-noite,

Cris (para o filho).25

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Oi, dr. Dobson. Meu nome é Christina e tenho 9 anos de idade. Gosto muito de meus avós. Escrevi uma poesia sobre aonde gosto de ir quando estou na casa de minha vovó e de meu vovô.

Há um lugar em que gosto de me esconder.

Há um lugar onde há amor.

É o jardim da minha vovó.

Quando tudo está silencioso eu fico bem quieta

e ouço as árvores e o noitibó cantando.

Há um lugar onde gosto de me esconder.

Há um lugar onde há amor.

É o jardim da minha vovó.

É o jardim da minha vovó.

Obrigado, Christina, gostei demais da sua poesia. Você deve ter avós muito especiais. Espero que continue escrevendo. Você é muito talentosa. Jesus ama você, Christina. E eu também!

Tenho sete netos que acho maravilhosos, mas não sei como conversar com eles quando estamos juntos. Faz muito tempo que não sou mais jovem. Como posso conversar com essas crianças e atraí-las para mim? Sobre o que devo falar com elas?

As crianças gostam de falar sobre coisas divertidas e engraçadas. Elas gostam de jogar e resolver quebra-cabeças, assim como olhar gravuras. Quando você entra no mundo delas nesses e em outros pontos de interesse, e se não for rabugento e exigente, elas se abrirão para você. Tudo o que tem a fazer é dar-lhes seu tempo e atenção. Desse jeito não vai conseguir tirá-los de seu colo!

Agora, quanto ao que conversar com seus netos, uma das maiores contribuições que pode fazer é falar sobre a história de sua família desde o começo, sobre os obstáculos vencidos e o que tornou única a sua história. A consultora de educação e autora Cheri Fuller aplicou a letra de uma velha canção africana a esta responsabilidade. Ela incluía esta linha: “Quando uma pessoa idosa morre, é como

se uma biblioteca pegasse fogo”.26 Você é a “biblioteca” para seus netos, podendo ligá-los ao passado. É sua obrigação e privilégio, em minha opinião, dar-lhes senso de identidade na família.

Minha bisavó ajudou a criar-me durante meus primeiros anos. Quando eu tinha 3 ou 4 anos, lembro-me dela contando-me histórias sobre a sua vida na fronteira. Contou como ficava sentada em sua cabana de madeira à noite e ouvia os leões da montanha descerem as ladeiras à procura de porcos. Descrevia experiências fascinantes que me ajudaram a compreender como a vida era diferente naquele tempo. As horas que passamos juntos nos ligaram um ao outro. As histórias narradas por ela estão ainda vivas em minha memória e me ajudaram a gostar de história, um assunto que me fascina até hoje.

Sugiro que reúna seus netos e comece a contar-lhes histórias do seu passado — seu namoro com a avó deles, como ela era e por que se apaixonou por ela. Conte depois como veio a conhecer Jesus Cristo e o que ele fez por você. Penso que vai fazer com que seus netinhos acabem comendo na sua mão.