Educando Meninos

James Dobson · Capítulo 13 de 19

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Educando Meninos

12. Os homens são tolos

 

 

INDICAMOS QUE O ENFRAQUECIMENTO da família e a ausência de pais dedicados são as principais razões por que os meninos estão em dificuldades hoje. Vamos considerar agora duas outras forças poderosas que chegaram nos fins da década de 1960 e dominaram o mundo. Elas são a revolução sexual e o feminismo radical, que contribuíram muito para a confusão masculina atual. Esse foi o período em que as nações ocidentais pareceram estar à beira da insanidade. A revista Time

chamou isso de faca que separou o passado do futuro.1

Esta era trouxe uma nova maneira de pensar e de se comportar que continua conosco hoje. Nunca uma civilização alijou tão rapidamente seu sistema dominante de valores, todavia, foi isso que ocorreu numa única década. Não só os padrões e crenças morais tradicionais começaram a ruir, como o código antigo que governava o relacionamento entre homens e mulheres foi invertido. Isso precipitou certa guerra entre os sexos que continua sendo travada até os nossos dias. A história ensina que os jovens e os vulneráveis sofrem mais com as atrocidades da guerra. Neste caso, os homens da nação foram feridos pelo fogo de ricochete.

É impossível compreender o que está acontecendo a nossos filhos atualmente, tanto meninos como meninas, sem considerar a influência da ideologia feminista. Esta gerou ataque à própria essência da masculinidade. Tudo que fora associado com a virilidade foi sujeito à zombaria. Os homens que se apegavam aos papéis tradicionais e atitudes conservadoras eram considerados “machos” demais. Se tentavam abrir portas para as mulheres ou lhes davam seu assento nos ônibus ou trens do metrô, como seus pais faziam, eram chamados de “porcos chauvinistas”. As mulheres se apresentavam como vítimas que não “iam aceitar mais isso”, e os homens eram tidos como opressores cruéis que haviam explorado as mulheres e abusado delas, em geral, durante séculos. O número de divórcios subiu rapidamente à medida que as mulheres simplesmente faziam as malas e abandonavam os maridos e filhos. A ira era a senha nos talk shows de TV e novelas. Embora seja embaraçoso escrever sobre isso agora, lembro-me de certa entrevista na televisão com o ex-Beatle John Lennon e sua estranha pequena mulher, Yoko Ono, durante a qual eles cantaram sua nova música: “Woman Is the Nigger of the World” [A

mulher é a negra do mundo].2 A letra expressava a ideia injuriosa de que as mulheres não eram nada mais que escravas para seus senhores.

A guerra contra os homens começou, na verdade, com o discurso escrito por Kare Miller intitulado “Política Sexual”. Ele foi apresentado numa reunião de “libertação das mulheres na Universidade Cornell e, pela primeira vez, caracterizou

homens e mulheres como inimigos políticos. 3 A partir desse momento as paixões pegaram fogo. Em 3 de junho de 1968, o artista pop Andy Warhol foi baleado no estômago por Valeria Solanis, fundadora da SCUM (Sociedade para Cortar os

Homens). A razão? Ele era um homem influente.4 Num desfile de Miss América em 1968, as manifestantes feministas atiraram “todos os símbolos da opressão das

mulheres”, inclusive seus sutiãs, numa lata de lixo.5 (Nunca ficou claro por que os homens foram culpados pelo que as mulheres não gostavam em sua roupa de baixo.) A seguir, as líderes juntaram todas as causas marxistas, proclamando: “Queremos destruir os três pilares da classe e uma sociedade de castas — a família, a

propriedade privada e o estado”.6 A revolução bradava nas passarelas.

Embora essas primeiras feministas tenham chamado atenção para algumas preocupações válidas que precisavam ser encaradas, tais como pagamento igual para o mesmo trabalho e discriminação no emprego, elas ultrapassaram em muito as reclamações legítimas e começaram a destruir a estrutura da família. Quando a tempestade passou, a instituição do casamento havia sido abalada até os seus fundamentos e a masculinidade ficou de tal modo prejudicada que nunca se recuperou totalmente.

As “queimadoras de sutiãs” já se foram agora e grande parte da sua retórica perdeu o crédito. Não obstante, discípulas dessas primeiras feministas e suas aliadas liberais na mídia, universidades e indústria do entretenimento continuam a moldar nossas atitudes e costumes. As mais radicais entre elas ainda buscam desacreditar a masculinidade e destruir o que julgam ser os últimos vestígios da sociedade patriarcal. É extremamente importante que os pais compreendam esta guerra entre os sexos, porque ela influencia a maneira como criam seus filhos. A feminista Karla Mantilla resumiu a filosofia por trás dela num artigo intitulado: “As Crianças Precisam Tanto de ‘Pais’ Quanto os Peixes Precisam de Bicicletas”. Ela escreveu: “Afirmo que os homens tendem a enfatizar valores como disciplina, poder, controle, caráter e independência. É claro que há algo bom nessas coisas, mas elas são na maioria danosas às crianças (e outros seres vivos). Elas certamente fizeram meu filho ter uma existência isolada e torturada até que começou a perceber que havia um

meio de fugir da armadilha da masculinidade”.7

Armadilha da masculinidade? É assim que muitas feministas consideram a virilidade. Um ponto central desta hostilidade é visto no esforço contínuo de convencer-nos de que “Os homens são tolos”. Ela afirma que a maioria deles é imatura, impulsiva, egoísta, fraca e não muito inteligente. Evidência dessa campanha pode ser ainda observada em quase todas as dimensões da cultura. É interessante notar, por exemplo, como o desrespeito pelos homens invadiu a indústria de entretenimento, inclusive muitos comerciais de televisão. A fórmula envolve uma linda mulher (ou um grupo delas) inteligente, sexy, admirável e autoconfiante. Ela encontra um homem relaxado, geralmente num bar, que é um vaidoso, ignorante, careca e gorducho. O sujeito estúpido, como o chamarei, rapidamente mostra quem é na tela, e nesse ponto ela sorri desdenhosa ou vai embora. Há centenas desses anúncios na TV atualmente. Procure vê-los na telinha. Eles mudam constantemente, mas este é o tipo de coisa que você vai ver:

1. O sujeito estúpido fica tão atraído pela mulher vistosa que derrama a cerveja nas calças. Esta fórmula é uma das favoritas para os anunciantes e tem muitas variações.

2. O sujeito estúpido que gosta tanto de dirigir seu carrão põe batom na gola do paletó, desarruma o cabelo e torce a camisa. Ele está tentando fazer com que a esposa pense que esteve com outra mulher, mas quando chega a casa, ela olha para ele com desprezo e diz: — Você andou dirigindo outra vez, não é? — Ele suspira e baixa os olhos, como menino apanhado roubando doces.

3. O sujeito estúpido tem muito medo de falar com certa mulher bonita num bar, e o amigo escreve bilhetes sem importância para animá-lo. Eles sugerem que diga: Oi e Como vai? — No fim, a moça vai embora com o escritor dos bilhetes e o sujeito estúpido fica confuso e sozinho no bar.

4. O sujeito estúpido é um homem balofo de seus 40 anos, de pé, sozinho na frente do espelho de seu quarto. Não está de camisa. Depois, tenta experimentar o sutiã da mulher. Nesse momento, a mulher entra pela porta. O pseudo travesti é apanhado. Ela não nota o sutiã e pergunta a ele alguma coisa sobre esportes. O alívio se espalha em seu rosto. A legenda então diz: “‘Algumas perguntas são mais fáceis de responder do que outras”.

5. O sujeito estúpido está tentando impressionar uma mulher bonita com seu conhecimento de futebol profissional, mas ela o corrige a cada passo. Ele, então, faz com que ela se lembre de que ele tinha sido um “guarda” dos Pittsburgh Steelers. A moça diz com sarcasmo: — Larry, você foi guarda do estacionamento!

6. Três sujeitos estúpidos estão de pé numa festa quando veem uma mulher bonita de vermelho. Um deles a identifica para os outros como “a mulher do presidente, sra. Robinson”. (O cenário recorda uma sra. Robinson do filme A Primeira Noite de um Homem que seduziu o ator Dustin Hoffman.) Nesse ponto a mulher vai até um dos homens e diz: — Você já viu alguma vez algo e sabia que o desejava? — O sujeito estúpido engole em seco e treme. Este é o seu grande momento. Então a sra. Robinson agarra a sua cerveja “Killian’ Irish Red” e vai embora.

7. O sujeito estúpido se aproxima de uma moça deslumbrante num bar, que está colocando uma cerveja num copo. (Adivinhe o que vai acontecer!) Ela sorri sedutora. Ele fica tão estonteado com a beleza dela que deixa o copo transbordar. O anunciante então chama isso de “transbordamento”. Há pouca dúvida sobre o significado dessas palavras.

8. Uma moça deslumbrante está escondida atrás de certa árvore numa floresta, “estudando” o comportamento de vários sujeitos estúpidos que ela chama de “primatas” e “homens nômades”. Ela toma nota enquanto os homens se empolgam com um evento esportivo na TV, dançando em volta do carro e agindo como chimpanzés na floresta.

9. Este é o pior de todos. O sujeito estúpido é treinador num ginásio e está mostrando a uma moça deslumbrante como endurecer os “glúteos”, ou seja, os músculos das nádegas. Ele fica de pé na frente dela e começa a resmungar e se contorcer, curvando-se levemente para diante e fazendo caretas. Ficamos imaginando se algo terrível está acontecendo em suas calças. Então ele põe a mão para trás e pega uma noz que aparentemente quebrou com o seu traseiro. Esse anúncio repulsivo tentava de alguma forma fazer com que o espectador alugasse um carro da Budget. Ele não funcionou para mim, posso assegurar.

Ficamos imaginando por que há tantos anúncios desses “sujeitos estúpidos” na televisão hoje. A razão deve ser porque são eficazes, isto é, aumentam as vendas dos produtos que anunciam. As agências conduzem pesquisas de mercado completas antes de comprometer milhões de dólares corporativos em propagandas como essas. O que está então acontecendo? É possível que os homens, especialmente os bebedores de cerveja e entusiastas de carros esportes, gostem na verdade de ser retratados como ignorantes, tarados, gordos, burros e feios? Eles aparentemente gostam. Temos também de supor que os sujeitos não ficam ofendidos quando são alvo de milhares de piadas. Mas, por quê? As mulheres não tolerariam esse tipo de depreciação. Você vai notar que a polaridade dos anúncios do sujeito estúpido nunca é invertida. Nem em um milhão de anos você veria uma mulher corpulenta, pouco atraente, ansiando por um homem bonito que mostra desdenhá-Ia quando ela faz algo ridículo. Os homens, porém, não parecem notar que a piada é sobre eles. Talvez tenham perdido a sensibilidade durante 35 anos de surras.

A internet tornou-se fonte inesgotável de humor dirigido contra os homens. Eis um exemplo recente de certo autor anônimo, chamado Piadas Sobre Homens Tolos — Estranhas, mas Verdadeiras. Não é muito engraçado, mas alcança seu objetivo.

1. Não imagine que pode mudar um homem — a não ser que ele ainda

use fraldas.

2. Nunca deixe a mente de seu homem divagar — ela é pequena demais

para sair sozinha.

3. Definição de um solteiro: um homem que perdeu a oportunidade de

fazer alguma mulher infeliz.

4. A melhor maneira de levar um homem a fazer algo: sugira que ele é

velho demais para isso.

5. Se quiser um homem de palavra, procure-o num hospício. 6. Procure um homem mais jovem. Faria bem, eles nunca amadurecem

mesmo.

7. Qual a melhor maneira de levar um homem a fazer “exercícios

abdominais”? Pôr o controle remoto entre os dedos dos seus pés.

Muito inteligente, não é?

Filmes inspiradores do passado que representavam de modo comovente a força moral e o heroísmo, tais como Mutiny on the Bounty [Motim a Bordo] ou Goodbye Mr. Chips [Adeus, mr. Chips], deram lugar nas décadas de 1970 e 1980 às críticas violentas de ódio ao homem em Thelma and Louise [Telma e Louise] e Nine to Five [Nove para as Cinco]. Enquanto isso, a mulher ideal do cinema mudou de figuras delicadas e femininas, tais como Donna Reed em It’s a Wonderful Life [É uma Vida Maravilhosa], para mulheres agressivas e masculinizadas, tais como as de Charlie’s Angels ou a última refilmagem de Joana D’Arc. Seu caráter absolutamente não revelava convicção religiosa, o que é curioso dada a origem cristã da sua história. Em vez disso, era uma dura estrategista militar que levou seus subordinados masculinos à guerra. A virilidade em tais filmes é quase sempre representada por papéis subservientes e fracos.

Mesmo quando os filmes populares não são especificamente hostis aos homens, eles quase sempre destroem o respeito pela masculinidade sob um ou outro aspecto. Um exemplo clássico deste preconceito foi visto no aplaudido filme de 1997, Titanic. Ele recapitulou a trágica história do enorme navio que afundou a 15 de abril de 1912. Naquela noite gelada, 1.509 pessoas se afogaram ou morreram de frio perto

do Círculo Ártico.8 Os destroços permaneceram intocados até 1985, quando o barco foi localizado pelo explorador Robert Ballard a quase 3.962 metros de

profundidade.9 O navio em si parecia estar deteriorando rapidamente em vista da ferrugem causada por uma bactéria que come metal. Portanto, um esforço ambicioso foi feito para recuperar artefatos e coisas dignas de serem lembradas do fundo do oceano. Até hoje, os exploradores e oceanógrafos trouxeram de volta um número impressionante de objetos fascinantes.

Minha esposa Shirley e eu tivemos oportunidade de visitar em Boston uma exposição de alguns dos artigos recuperados e preservados. Andamos silenciosa e quase reverentemente entre os antigos objetos daqueles que morreram há tanto tempo. Os bens incluíam garrafas de perfume, roupas, joias, candelabros, a louça do navio, faqueiros e um relógio de bolso que deixou de bater no momento em que seu dono escorregou para o mar. Várias fotografias e cartas também sobreviveram, por terem sido guardadas em malas ou cofres herméticos. Foi uma experiência comovente para minha mulher e para mim, enquanto tentávamos imaginar o que os infelizes passageiros tinham passado e como teriam sido os seus minutos finais.

Chegamos então à última sala da exposição, onde o nome dos que morreram estavam inscritos em ordem alfabética em pratos de vidro. O que nos surpreendeu foi a escassez de mulheres na lista. De fato, 1.399 homens morreram naquela noite

trágica, mas apenas 114 mulheres e 56 meninos e meninas.10 Por que essa diferença? Porque, com pouquíssimas exceções, os maridos e pais deram suas vidas para salvar as mulheres e os filhos. Foi um dos exemplos mais inspiradores de amor sacrificial da história. Esses homens condenados desapareceram nas águas geladas do Atlântico para que seus entes queridos pudessem sobreviver para verem outro dia. É por esse motivo que o Titanic é chamado até hoje de “Navio das Viúvas”.

Eu estava discutindo recentemente este acontecimento histórico com um jovem autor, Ned Ryun, filho do Congressista norte-americano Jim Ryun. Ele me enviou um relato escrito do Rev. John Harper de Glasgow, Escócia, que esteve no Titanic na noite em que afundou. Ele foi um dos homens que gritou ao começar a corrida enlouquecida para os salva-vidas: “Deixem as mulheres, as crianças e os não salvos entrarem nos barcos salva-vidas’. A seguir, ele beijou em despedida sua única filha, Nana, e colocou-a nos braços de um dos oficiais do navio a bordo de um dos barcos salva-vidas. Em breve afundou nas águas frias do Atlântico. Esta é a descrição de Ned do que aconteceu em seguida.

Não preocupado com a sua vida, mas com os que estavam morrendo à sua

volta, Harper nadou com seu último fôlego até os agonizantes e gritou para eles que pedissem a salvação: — “Creia no Senhor Jesus Cristo e será salvo”.

Quando suas forças começaram a faltar, Harper falou com um homem

agarrado a um pedaço de madeira: — Você é salvo?

— Não — foi a resposta.

Alguns momentos depois, Harper e o homem entraram novamente em

contato: — Você já está salvo?

— Não — replicou ele outra vez.

— Creia no Senhor Jesus Cristo e será salvo — gritou Harper pela última

vez e depois disso afundou nas ondas. O jovem agarrado à madeira foi resgatado e testemunhou mais tarde que fora realmente salvo naquela noite, não só pelo navio que o resgatara, mas pelas palavras de John Harper.

Houve muitos relatos desse tipo de heroísmo masculino enquanto o grande navio afundava. Infelizmente, James Cameron, capitão do Titanic, preferiu ignorá-los. Em vez disso, ele descreveu os homens condenados como covardes e tomados pelo pânico. Na sua versão, centenas de passageiros do sexo masculino foram mantidos longe dos barcos salva-vidas sob a mira de uma arma. Foi mostrado certo homem passando sorrateiramente pelas mulheres e crianças e agarrando um dos preciosos assentos. A história confirma que houve alguns que se comportaram de forma vil,

mas a maioria não. Só 325 homens sobreviveram ao naufrágio,11 e alguns deles eram os marinheiros encarregados dos pequenos botes. A linda e jovem heroína do filme, Rose, era uma moça irascível que preferiu afundar com o navio. Seu noivo, Cal, era um caráter desprezível que tentou subornar um marinheiro para ter acesso a um bote salva-vidas. Quando rejeitado, ele agarrou uma criança e pulou para bordo. Não há dúvida de que Cameron queria que pensássemos que a maioria dos passageiros homens teria passado à frente das mulheres e crianças se tivessem oportunidade. Desse modo, ele desrespeitou a memória dos que ficaram para trás voluntariamente. Suzanne Fields escreveu: “Se o Titanic naufragasse hoje, não haveria ‘mulheres ou crianças primeiro’. Um homem covarde não teria de usar vestido para entrar nos botes salva-vidas. Algumas das mulheres o ajudariam a

entrar”. 12

Não obstante a qualidade do Titanic seus notáveis efeitos especiais, a maneira como os homens foram mostrados no filme foi característica da indústria do cinema atual. Raramente se perde a oportunidade de mostrar os homens como egoístas, desonestos, que odeiam mulheres ou de apresentá-los de maneira desrespeitosa. O jogo é assim hoje.

Os seriados da TV também atacam a masculinidade tradicional, como bola de demolição atirada num prédio. Depois de batidas diretas suficientes, a estrutura começa a desmoronar. Não existe um único exemplo, enquanto escrevo, de uma família saudável descrita numa programação da rede que inclua um espécime masculino que ame seus filhos e seja respeitado pela esposa. Nenhum! A partir da década de 1970, com Archie Bunker e sua mulher intimidada, Edith, os programas principais da TV evoluíram para o que é apresentado atualmente, a maioria deles retratando coabitantes profanos e sexualmente explícitos que vagam de um episódio insultuoso para outro. Os personagens principais são geralmente homens com a mentalidade irrefletida de um garoto de 14 anos. O melhor (ou pior) exemplo desta insensatez foi visto num seriado apresentado há alguns anos sob o título: Men Behaving Badly [Homens de Mau Comportamento]. O título diz tudo.

Invariavelmente, os seriados de hoje contêm pelo menos um personagem gay ou lésbico, que desempenha papel simpático. É uma força poderosa na cultura. Um dos principais alvos dos ativistas homossexuais é influenciar a próxima geração e recrutar crianças para o seu movimento, caso não seja para o seu estilo de vida. Essa iniciativa é, porém, devastadora. Como podem meninos e jovens impressionáveis discernir o que significa ser heterossexual, menos ainda marido e pai dedicado e disciplinado, quando toda essa baixaria lhe é servida todas as noites e quando seus próprios pais não podem ser encontrados? Lembre-se também de que outros exemplos populares do sexo masculino são no geral tipos eróticos, tais como atletas profissionais que geram (e depois abandonam) seis ou oito filhos com tantas mães e estrelas do rock que põem piercings no corpo e deterioram o cérebro com drogas que alteram a mente. O que tal comportamento transmite aos meninos que estão tentando imitar esses homens perdidos e irresponsáveis?

Vemos também exemplos da ideia “os homens são tolos” expressos nos cartões de felicitações atuais. Embora seja politicamente incorreto ridicularizar mulheres, homossexuais ou minorias, o menosprezo pelos homens brancos — pelo menos a variedade heterossexual — é bem aceito. Visite uma papelaria e vai notar que isso se tornou negócio lucrativo. As mulheres compram aos milhares esses cartões humilhantes. É interessante, porém, que os cartões para venda aos homens não têm esse mesmo tom. Suas mensagens são tipicamente amáveis e amorosas para as esposas ou namoradas. A diferença entre os cartões românticos para homens e os desrespeitosos para as mulheres é surpreendente. O autor Warren Farrel escreve: “Se um homem depreciar uma mulher, isso pode virar processo. Mas se as mulheres

depreciarem os homens, é um cartão de felicitações”.13

Eu poderia encher um livro com outros exemplos de ataques aos homens na cultura atual. O principal entre eles são os currículos dos programas universitários para mulheres, cujo tema central é o ódio e o ridículo em relação aos homens. Roger Scruton, autor de Modern Manhood [Virilidade moderna], explicou o que está acontecendo com as percepções da masculinidade. “As feministas sentiram o cheiro do orgulho do homem onde ele cresceu e cruelmente o arrancaram. Sob a pressão delas, a cultura moderna rebaixou ou rejeitou as virtudes masculinas, tais como coragem, tenacidade e bravura militar, em favor de hábitos mais amáveis, mais

‘socialmente’ inclusivos”. 14

O psicólogo empresarial, dr. Tim lrwin, vice-presidente da Right Management Consulting, observou essas mesmas tendências nos ambientes de negócios. Elas resultaram no que ele chama de “feminizar o lugar de trabalho”. Irwin disse que o esforço para acabar com o molestamento e a discriminação sexual, preocupação legítima a ser resolvida, colocou grande poder político na mão das mulheres. A carreira de um homem pode ser arruinada até pela implicação, válida ou inválida, de que tratou desrespeitosamente uma empregada. A possibilidade de ser acusado de molestamento tem intimidado os homens, mesmo em circunstâncias em que a ação disciplinar é necessária ou quando ocorrem divergências entre os supervisores e suas subordinadas. Muitos homens nessa situação temem exercer a liderança necessária se isso puder desagradar ou irritar uma mulher. É mais seguro “fugir de medo”.

Os melhores gerentes e líderes do passado eram homens “de pulso”, afirmativos e autoconfiantes. Os prováveis líderes de agora se mostram inseguros quanto a como desempenhar-se no jogo, desde que é politicamente incorreto ser “macho” ou tradicionalmente masculino. Isto leva alguns a fazerem experiências no lugar de trabalho. Os pontos positivos das mulheres são intercomunicação, colaboração, facilitação, ensino, treinamento e cuidados. Os pontos positivos dos homens são organização empresarial, ideias independentes, construção, tomada de riscos, planejamento e liderança. Os dois sexos têm contribuições a fazer, mas algo se perde quando as mulheres compreendem o que é ser mulher enquanto os homens estão confusos quanto ao significado da masculinidade. Quando recursos legais poderosos são providos para um sexo a fim de eliminar a injustiça social, o outro sexo fica vulnerável e confuso.

O resultado é que muitos homens perderam seu rumo. Eles não só não sabem quem são, como também estão incertos quanto ao que a cultura espera que sejam.

Está na hora de os homens agirem como homens — sendo respeitosos, atenciosos e cavalheirescos com as mulheres, mas reagindo com confiança, força e afirmação em suas maneiras. Alguns se acovardaram, agindo como cachorrinhos açoitados. Outros falaram ousadamente contra a influência feminista, recusando-se a ser intimidados pelos defensores da correção política. Outros deram coices, reagindo com raiva e frustração. Outros se apagaram, recorrendo ao álcool, às drogas, ao sexo ilícito e outras vias de fuga. Alguns desistiram, procurando alternativas na TV tediosa, esportes profissionais e atividades recreativas obsessivas. Alguns se venderam, tornando-se advogados da nova identidade. Alguns simplesmente partiram, deixando as famílias em apuros. Muitos, porém, parecem placidamente ignorantes de terem perdido seu lugar na cultura. O resultado é uma visão diferente da masculinidade com implicações em longo prazo para o futuro da família.

Posso ouvir agora alguns de meus lei tores dizerem: “Vamos! Você está exagerando. O que há de mais em divertir-se um pouco inocentemente à custa dos homens?”. Concordo em que eles tenham idade suficiente para cuidar de si mesmos. Minha maior preocupação é com os garotos vulneráveis, que se deixam impressionar, e o que está sendo feito contra eles. Eles, como os pais, são objeto do sarcasmo da sociedade de nossos dias.

Os meninos precisam desesperadamente de amigos. Eles são vítimas de longa e custosa batalha entre os sexos que aviltou a essência da masculinidade e atacou o mundo das crianças. Isso não é bom. Colocar meninos e meninas uns contra os outros como competidores e inimigos não pode ser saudável para ninguém! Como escreve Kathleen Parker, “É idiota continuar insistindo que um sexo é o vitorioso enquanto o outro é a vítima, o que além de ser uma inverdade é covarde em seu efeito. Os meninos que são levados a se sentirem supérfluos, se não inferiores, não

podem senão ressentir-se das meninas”.15

Estas são algumas das condições sociais que tornam o trabalho de criar meninos mais difícil atualmente. Sua tarefa como pais é contrabalançar essas forças mediante a educação e orientação que dão a seus filhos em casa. Envolvam-se nas escolas locais. Leiam os livros didáticos. Façam milhares de perguntas. Vão às reuniões de pais e mestres. Conheçam os professores e perguntem sobre os objetivos deles em classe. Encorajem os educadores que estão tentando ensinar os elementos básicos. Oponham-se aos que não fazem isso. Juntem-se a um grupo de mães e orem diligentemente por seus filhos e sua escola. Se a sua preocupação crescer demais, transfiram seus filhos e filhas para escolas cristãs. Não deixem que sua atenção seja de modo algum desviada durante a infância de seus filhos. Eles vão passar rapidamente. Pouca coisa na vida sobrepuja essa responsabilidade dos pais em importância.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Agora que mencionou, posso ver que os homens estão sendo descritos como mais femininos e as mulheres parecendo mais com homens. Vi um filme outro dia em que uma linda mulher ficou zangada com um homem grandão e rude. Ela o derrubou com um soco e quebrou seus dentes da frente. Sou cirurgião ortopédico e posso dizer que os ossos pequenos da mão de uma mulher jovem se quebrariam muito antes de ela fraturar o maxilar robusto de um homem. Seria também quase impossível para ela deixá-lo inconsciente com um golpe arrasador. Por que o senhor acha que Hollywood está querendo criar um mito sobre isso? Como vimos, faz parte dos cálculos femininos mostrar as mulheres como poderosas, corajosas e invencíveis, enquanto os homens são fracos, emotivos e facilmente manipulados. A indústria do entretenimento, que parece decidida a nos desfibrar, trabalha de mãos dadas com os ativistas feministas e homossexuais para nos introduzir nesse bravo e novo mundo. Sua apresentação do modelo masculino e feminino é quase pervertida ou deformada de um ou outro modo.

Vou ilustrar o ponto referindo-me ao filme Noiva em Fuga, que entrou em cartaz em 1999. Foi um dos filmes mais populares do ano. Se me permite, gostaria de descrever a história em detalhe, porque este filme era propaganda feminista clássica, mas poucos espectadores com quem falei sequer notaram o que estava sendo dito. O enredo era uma dramatização ostensiva do “novo homem castrado” e da “nova mulher masculinizada”. A história era uma celebração de noventa minutos da inversão de papéis dos sexos que contradizia a convenção a cada passo. Ela se iniciava com a estrela Julia Roberts cavalgando entre as árvores, com seus lindos cabelos e seu vestido de noiva flutuando ao vento. Ela acabara de abandonar seu terceiro noivo atônito no altar. Desde a infância, a maioria das meninas sonha com o dia do casamento romântico, enquanto os rapazes são os que, geralmente, têm dificuldade para comprometer-se. Neste filme, porém, os homens eram otários que corriam atrás dessa criatura esquiva, com ares de menino.

Desde o início, os episódios de confusão sexual se apresentavam ao espectador em ordem desconcertante. Julia era algumas vezes um mecânico, um encanador e um especialista em ar-condicionado que criava lâmpadas desgraciosas com sucata. Era muito agressiva e egoísta, mas charmosa. Tomava conta da loja de ferragens da família, dirigia uma picape velha, usava quase sempre bota militar e carregava com facilidade uma mochila pesada que o namorado tinha dificuldade em levantar. Quando frustrada, ela socava um saco de treinamento de boxe com ar de vingança, fazendo caretas e suando profusamente. Em algum ponto, a trilha sonora incluiu fragmentos da música pop She’s a Man Eater [Ela é uma devoradora de homens]. Nós entendemos a conexão.

Julia mostrou o que ficou conhecido como “a nova androginia”, tendo características estereotipadas masculinas e femininas. Tinha mãos limpas, delicadas, unhas tratadas, pele acetinada e um corpo lindo; entretanto, ganhava seu sustento trabalhando com graxa e lutando como homem. Ela se misturava aos rapazes nos jogos de futebol, lembrava-se do nome do superastro Jerry Kramer da década de 1950, enquanto o namorado — um treinador de futebol — não conseguia lembrar. Nenhuma oportunidade foi perdida para nos dizer que Julia era um “homem”. Todavia, era uma coisinha linda e delicada.

Considere agora como o filme tratou a imagem masculina. O ator principal, Richard Gere, era um sujeito atraente, mas bastante tímido e desajeitado. Ele estava sem emprego, tendo sido depreciado e demitido pelo chefe, que era a sua ex-mulher. Tudo que tentava acabava em fracasso. Quando o carro dele quebrou, Julia simplesmente abriu o capô e, imediatamente, descobriu que ele colocara combustível com chumbo num motor para combustível sem chumbo. Ficamos imaginando como Gere conseguiu comprar a gasolina errada, desde que ela não era mais vendida legalmente. Mesmo que conseguisse comprá-Ia, não poderia tê-la posto no tanque, porque, pela lei, esse combustível é colocado por meio de uma mangueira larga demais para ajustar-se. A inaptidão de Gere como homem era patética, enquanto Julia mostrava excelência em todas as coisas masculinas. Depois que o motor de Gere enguiçou, os dois voltaram para casa por um campo coberto de mato, onde ela lhe disse calmamente que havia muitas cobras sob os pés deles. Aterrorizado, Richard começou a saltar por entre as touceiras como uma criança descalça numa calçada quente. Julia riu e continuou andando despreocupada. Ela era mesmo um sujeito duro, sem dúvida alguma.

Todos os outros personagens ilustravam o tema central de que as mulheres eram mais masculinas do que os homens e que estes não servem para quase nada. Havia uma cena reveladora dirigida aos meninos e meninas que apareceu apenas momentaneamente na tela. Quando Richard chegou à cidade de Julia, vemos um menino pequeno curvado sobre um cavalo de pau enquanto uma menina linda passava por ele num pônei de verdade. Ela tinha o nariz empinado. A cena rápida, irrelevante à história, exemplificou o que o diretor e os escritores estavam tentando dizer. As mulheres de todas as idades são confiantes e fortes, enquanto os homens são invariavelmente fracos e ineficazes. Até a idosa avó de Julia entrou no ato. Ela se interessava por homens jovens, comentando que gostava particularmente dos que tinham “coques apertados”. E a coisa continuava.

Noiva em Fuga tinha claramente uma agenda política, como quase todo filme contemporâneo. Isto é o comum nas películas atuais. Os protagonistas masculinos são, no geral, retratados como estereotipicamente fracos, perdidos, confusos e bastante femininos. As virtudes masculinas, como caráter moral, autocontrole, integridade e confiança, raramente aparecem nas dramatizações. Com exceção de O Patriota, exibido em 2000, os homens quase nunca são vistos como pais fortes, amorosos e maridos fiéis às esposas e profundamente dedicados aos filhos. As mulheres, por outro lado, aparecem como profissionais fisicamente poderosas, geralmente advogadas ou cirurgiãs, no controle das coisas. Nem todos os filmes seguem esta fórmula, é claro, mas isso é muito comum atualmente. A colunista Maureen Dowd os descreveu deste modo: “As novas heroínas são agressivas e sagazes. Elas adaptaram todos os traços que antes desprezavam nos homens. Mentem, espionam, enganam, tramam vingança, tratam o sexo com casualidade e

[depois] caem fora”.16

Um último comentário: você mencionou a luta de socos que viu em outro filme entre uma mulher bonita e um homem de aparência rude. Ela o derrubou com um único golpe. Esta cena está ocorrendo cada vez com mais frequência nos filmes de Hollywood. Tem, no entanto, o potencial de ser muito contraproducente para as mulheres. Um dos absolutos na cultura é que um homem nunca é justificado por bater numa mulher, e por boa razão. As mulheres não são tão fortes quanto os homens e devem ser protegidas da brutalidade masculina. Mas, quando elas são mostradas como autossuficientes e derrubando homens duas vezes maiores, isso destrói a base da proibição de violência de qualquer tipo contra as mulheres, quer no casamento ou em qualquer outro lugar. Como geralmente acontece, as mensagens que nos são dadas pela indústria do entretenimento são quase sempre destrutivas ou absolutamente tolas.