Existência
Capítulo 8
Leif beijou minha bochecha antes de me deixar na porta da aula de Literatura Inglesa. Eu tinha começado a ir para a escola com ele todos os dias. A cada manhã tinha sido mais difı́cil deixar a presença de Dank e entrar na realidade de Leif. Por dormir com a voz de Dank cantando no meu ouvido a noite toda, eu parecia desejar sua presença ainda mais. Agora existia uma intimidade entre nós. Depois de ter suas mãos no meu corpo e seus lábios sobre a minha pele, nada mais tinha sido o mesmo. Ele havia deitado ao meu lado na noite anterior e me abraçado junto dele enquanto eu pegava no sono. Eu precisava de Dank. As palavras que ele sussurrava no meu ouvido à noite me garantiam que ele me queria também. Ele precisava de mim, mas estava deixando algum tipo de barreira invisı́vel se interpor entre nós.
Comecei o caminho até minha mesa quando notei que a que icava atrás dela permanecia vazia. Era o lugar habitual de Dank. Ele estaria aqui em breve. Sentei e comecei a olhar nas minhas coisas para descobrir onde havı́amos parado na sexta-feira. Cada vez que via pela visão periférica alguém entrar, eu levantava os olhos para ver se era Dank. A voz alegre de Kendra e a cabeça loira saltitante passaram pela porta, e ele a seguiu, carregando os livros para ela. Minhas entranhas se retorceram em um nó doloroso. Eu me forcei a desviar o olhar. Ontem, ele tinha dito que não gostava de loiras, mas a maneira como a olhava com afeto contava uma história totalmente diferente. Fiquei olhando para o livro aberto na minha frente, sem absorver nenhuma das palavras. Estava esperando que Dank se sentasse atrás de mim. Ele não sentou. O sr. Brown entrou na sala assobiando e sorriu para a classe.
— Ah, que bom ver rostos tão animados esta manhã. Literatura Inglesa não é uma alegria? Existe maneira melhor de acordar? — perguntou em tom jovial. Ele se virou e escreveu a matéria da semana no quadro.
Queria olhar para trás e ver onde Dank estava sentado, mas me recusei a permitir. Eu podia senti-lo olhando para mim, sem dúvida esperando para ver se eu iria procurá-lo. Bem, eu não lhe daria essa satisfação. Além disso, ele provavelmente estava brincando com aquelas longas mechas de cabelo loiro que dizia odiar. Ele havia sussurrado que me queria. Que eu era a única que ele já havia desejado.
— Alguém pode me dizer um dos principais temas que aprendemos enquanto estudávamos As Eumênides?
Querendo desesperadamente desviar minha atenção de Dank, levantei a mão. O sr. Brown sorriu e fez um sinal a irmativo com a cabeça.
— Tudo bem, então, srta. Moore.
— Con lito entre o velho e o novo, entre a selvageria e a civilização, entre o primordial e o racional — respondi, e o sr. Brown bateu palmas.
— Muito bom. Agora, um exemplo desse tema? — Ele olhou ao redor pela sala e eu levantei a mão novamente. O sr. Brown ergueu as sobrancelhas, sem dúvida surpreso com meu desejo repentino de participar da aula. — Pagan?
— A progressão dos antigos para os novos deuses. Zeus derrubou as gerações mais antigas de deuses, e entre essas antigas divindades estavam as Fúrias, que foram ostracizadas. — Parei, pois não queria ir mais longe.
— Bom, bom, muito bom. Agora, alguém além da Pagan pode explicar onde Apolo entra nessa história?
A sala icou em silêncio e alguém deu uma risadinha.
— Kendra, talvez você possa nos ajudar com uma resposta. — O sr. Brown voltou sua expressão franzida para a aparente fonte da risada.
— Não, senhor, eu tenho uma vida fora da escola. Nem todos nós gastamos todo o nosso tempo livre estudando e dando aulas para conseguir um namorado.
Outra explosão de risos estourou e o sr. Brown inclinou a cabeça para o lado.
— Não acredito que seja a resposta certa, Kendra, e você receberá um ponto negativo pela participação de hoje. Pois bem, alguém pode me dizer ou devo pedir a ajuda da srta. Moore mais uma vez?
— Apollo é um sı́mbolo do masculino, do racional, do jovem e do civilizado. As Fúrias representam o feminino, o violento, o antigo e o primitivo. Esquilo captura um momento mı́tico da história em que o mundo foi dividido entre um passado selvagem e arcaico e a nova ordem ousada da civilização grega, os jovens deuses do Olimpo e a racionalidade. A di iculdade da luta entre esses dois mundos é dramatizada pelo ciclo de violência na Casa de Atreu e o confronto entre Apolo e as Fúrias.
Ninguém riu após Dank concluir. Não tive dúvida de que ele tinha feito isso por mim. Virei e dessa vez o encontrei exatamente onde eu esperava. Ele estava sentado atrás de Kendra, cuja expressão era tão contrita que você pensaria que alguém tinha acabado de dar um tabefe nela. Ele me deu uma piscadela e mostrou aquela covinha perfeita. Eu não conseguia tirar o sorriso do meu rosto.
— Muito bem, sr. Walker. Agora, esperemos que o resto da classe compreenda essa obra literária tão bem quanto Pagan e Dank, porque hoje embarcamos em uma jornada ainda mais distante nesse mundo criado por Esquilo.
Ter Dank respondendo de forma mais elaborada do que eu para mostrar que não havia nada de errado em saber as respostas me ajudou a manter o foco na discussão do sr. Brown. Ainda assim, Dank permanecia no primeiro plano da minha mente.
No inal do dia, fui até meu armário e tirei os livros de que precisava para fazer a lição de casa. Duas mãos quentes deslizaram em volta da minha cintura.
— Senti sua falta — Leif sussurrou no meu ouvido e eu virei a cabeça para trás e sorri.
— Também senti sua falta, mas você não deveria estar no treino?
Ele encolheu os ombros.
— Estava a caminho quando pensei em você mexendo no seu armário e em como seria fácil fazer um desvio pra te ver.
— Que bom que você veio. Agora, vá pro vestiário antes que o treinador te faça correr até se matar por causa do atraso.
Ele se abaixou e me beijou de leve nos lábios.
— Te vejo hoje à noite — disse ele, recuando e se virando para correr em direção à porta da escola.
Fiquei olhando para ele até que sumisse de vista, então suspirei e me virei para fechar o armário. Aquele dia havia sido desa iador e a única coisa que eu queria era ir para casa.
Um arrepio percorreu minha espinha e eu congelei. Não era um arrepio do tipo dos que Dank me causava ― era outro. Do tipo de que eu me lembrava de um episódio anterior. O medo fez meu coração bater descontrolado no peito. Respirei fundo duas vezes antes de me virar devagar. A alma loira estava me olhando do outro lado do corredor. Ela me analisava como tinha feito da última vez que a vi. Engoli em seco para segurar a náusea de um medo opressor que vinha subindo pela minha garganta, quase me sufocando. Eu estava sozinha em um corredor vazio. Por que não tinha saı́do junto com Leif? Recuei em direção às portas da frente, mas estavam muito longe para me fazer sentir segura. Ela riu, aquele som de tilintar que fez um calafrio percorrer meus braços. Cada passo que eu dava para trás, ela avançava.
— Me deixe em paz. — Franzi a testa diante da fraqueza da minha ordem. Era óbvio que eu estava apavorada.
Ela ergueu as sobrancelhas em surpresa e respondeu ao se aproximar:
— Não posso.
Pensei em me virar e correr, mas sabia que ela me pegaria com bastante facilidade.
— Vá embora ou contarei ao Dank — insisti, com muito pouca convicção e a voz vacilante. Sua risada cristalina ecoou de novo.
— Ele está ocupado com a loira. Eu não sei por que ele está adiando isso — respondeu, a apenas alguns passos de mim.
Puxei a mochila para mais perto do meu peito e lutei contra a vontade de gritar.
— Dank — sussurrei, apesar do terror que apertava minha garganta, esperando que, de alguma forma, ele fosse me ouvir.
A loira olhou ao redor como se estivesse em pânico, mas apenas por um instante. Então seu sorriso angelical voltou.
— Como eu disse, ele está ocupado. — Ela estendeu a mão para me tocar e eu me encolhi, esperando a sensação fria de suas mãos.
— Eu não faria isso se fosse você. — A voz de Dank me fez enfraquecer de alı́vio. Seus braços protetores me envolveram e eu afundei nele.
— Não se meta. Não cabe a ninguém mais decidir. — Os olhos assombrosamente belos da alma o encararam com uma ferocidade que me enregelou. — A prerrogativa dessa decisão nunca foi sua. As regras são as mesmas de sempre. Terão que ser.
Os braços de Dank se apertaram ao meu redor.
— Você vai embora e vai icar longe dela. Se você se aproximar outra vez, não vou perdoar facilmente.
Um lampejo de medo cruzou os olhos da alma loira, então ela se afastou e se foi.
Minhas pernas amoleceram de alı́vio. Dank me puxou para mais perto dele para me impedir de desabar no chão.
— Ela tocou em você? — indagou com uma voz fria que eu não esperava.
Balancei a cabeça, sem saber se minha voz estava pronta para funcionar. Virei o rosto e olhei para ele. Dank estava itando o corredor. Eu podia ouvir um som baixo em seu peito enquanto ele rosnava para o espaço agora vazio.
— Vamos, vou te levar pra casa.
Eu o deixei manter o braço em volta da minha cintura para me irmar enquanto ele me levava para o estacionamento, até parar na frente de um jipe preto sem capota e abrir a porta do passageiro. Eu não fazia ideia de que ele tinha um carro, mas a verdade era que nada mais me surpreenderia àquela altura. Ele me colocou no assento como se eu fosse uma criança e deu a volta para sentar no banco do motorista.
— Como você sabia? — perguntei assim que saı́mos do estacionamento da escola. Ele me olhou de soslaio.
— Eu ouvi seu medo… e então ouvi meu nome e o desespero nele era… — Ele parou e olhou para a rua.
Esperei em silêncio que ele terminasse, mas Dank permaneceu em silêncio.
— Era o quê? — sussurrei.
Ele deixou escapar um suspiro de frustração.
— Apavorante. Saber que você estava com tanto medo… ouvir aquele medo foi diferente de tudo o que já senti. Eu estava pronto para encerrar a existência do que quer que estivesse fazendo mal a você. Então a vi e soube que era algo que eu não conseguiria controlar sem, sem… fazer algo que seria quase insuportável para mim, mas mais suportável do que a alternativa.
Ouvi suas palavras, mas nenhuma delas fazia sentido. Fiz uma careta e balancei a cabeça, querendo entender. Ele estendeu a mão e pegou a minha.
— Pagan, por favor, não peça o que eu não posso te dar. Posso te dar tudo, menos as respostas a essas perguntas.
Fechei os olhos e desviei o rosto para o outro lado. Eu queria odiá-lo por não me dizer quem ele era ou o que era. Eu queria entendê-lo, entender a situação toda, mas ele não queria ou não podia me dizer nada.
No momento em que o jipe parou na frente da minha casa, peguei a mochila e desci. Eu precisava de distância. Nada fazia o menor sentido e eu queria entender. Me virei para bater a porta e vi Dank parado no jipe com uma expressão derrotada. Parei. A vontade de chamá-lo era fortı́ssima, mas resisti e fechei a porta suavemente. Eu não conseguia entender por que ele se recusava a explicar o que estava acontecendo comigo. Eu queria odiá-lo, mas ele tinha reclamado uma parte da minha alma e não havia nada que eu pudesse fazer para impedir os sentimentos que tinha por ele. Toda aquela loucura havia iniciado no momento em que ele aparecera na minha vida. Ele se oferecia para me dar qualquer coisa no mundo, exceto as respostas que eu queria e de que precisava. Joguei a mochila no balcão da cozinha e sentei em uma banqueta. Naquela noite, Leif viria para trabalharmos na dissertação que ele precisava entregar naquela semana. Seria tudo coisa muito normal de adolescentes. Eu ingiria que não vivia em um mundo de assombrosa atividade paranormal. Talvez até preparasse o jantar. Tudo muito normal, tudo muito real.
Eu estava terminando de cortar as quesadillas quando a campainha tocou. Peguei o prato e o coloquei na mesa da cozinha a caminho da porta.
Leif sorriu e entrou.
— Seja lá o que você está preparando, o cheiro é dos deuses. Por favor, diga que é pra mim, porque estou morrendo de fome.
Fiquei na ponta dos pés e lhe dei um beijo casto nos lábios antes de voltar para a cozinha e pegar as bebidas na geladeira.
— Hoje iz quesadillas. Você quer sour cream ou guacamole? — perguntei, voltando a olhar para ele.
— Sour cream — respondeu.
Tudo muito normal. Nada de almas loiras loucas tentando me matar de susto. Só eu e meu namorado fazendo nossa lição de casa.
— Ok, vamos comer primeiro e depois a gente faz a sua dissertação sobre… qual é o tema desta semana? — indaguei, enquanto colocava bebidas, sour cream e guacamole na mesa.
— A importância de um diploma universitário — disse ele, sorrindo com uma quesadilla já a meio caminho da boca.
Sentei na frente dele.
— Essa deve ser bem fácil.
Leif assentiu e deu outra mordida em uma quesadilla com sour cream. Um movimento do outro lado do cômodo chamou minha atenção. Assustada, comecei a me levantar, pronta para sair correndo, quando Dank entrou na sala. Ele me cumprimentou e subiu as escadas para o meu quarto. Eu o vi subir, sentindo a tristeza me dominar. Eu tinha sido sem educação naquele im de tarde e, mesmo assim, ele tinha vindo até mim. Em segredo, eu estava preocupada que ele não fosse aparecer depois da maneira como saı́ andando sem me despedir. Olhei para Leif, que estava tomando um gole de sua bebida.
— Hum, preciso subir e pegar uma coisa, quero dizer, fazer uma coisa. Eu já volto, hum, vá em frente e pode comer até icar satisfeito. — Ele sorriu e deu outra mordida.
Subi as escadas e entrei no meu quarto, imediatamente olhando para a cama para encontrá-la vazia. Em vez de deitado na cama, encontrei-o na poltrona, com o violão nas mãos.
— Oi — cumprimentei, sem saber ao certo o que eu tinha ido até ali dizer. Seu sorriso que mostrava a covinha me fez estremecer.
— Oi — ele respondeu, dedilhando o violão.
Fiquei ali por um momento e o ouvi tocar a música que ele havia cantado à noite, quando achava que eu estava dormindo. Sentei na cama e o observei tocar. Ele era uma contradição. Uma alma que não era uma alma, mas que podia fazer coisas que almas podiam fazer. Uma estrela do rock que deveria estar em uma banda com a qual ele nunca esteve. Eu não tinha pensado em nada disso antes.
— Dank, por que você está aqui? Se você canta em uma banda, quero dizer, o que te trouxe aqui?
Ele sorriu tristemente e olhou de volta para o violão em suas mãos.
— Eu canto com a banda quando eles têm shows. A Alma Fria ainda não faz shows como atração principal. Posso entrar e sair facilmente, Pagan, você sabe disso. Acompanhar minha outra vida é bastante fácil.
Claro que ele tinha tudo sob controle. Ele tinha mil e uma utilidades: ladrão de corações na escola, vocalista de banda, a capacidade de se tornar um fantasma e ser meu guarda-costas. Seus olhos azul-escuros me encontraram de relance.
— Por que você está aqui quando o sr. Maravilhoso está lá embaixo? — ele perguntou e o dedilhar cessou.
Encolhi os ombros.
— Não sei, só parece que você precisava de mim — eu disse, odiando a forma como as palavras acabaram saindo.
Ele colocou o violão de lado e se levantou. Eu o observei se ajoelhar bem na minha frente. Fiquei hipnotizada enquanto ele traçava a linha do meu queixo com o dedo e, em seguida, tocava suavemente meus lábios. O desejo percorreu meu corpo com tanta força que agarrei um punhado da colcha em que estava sentada.
— Eu preciso de você. Nunca duvide da minha necessidade de você, mas este não é o momento de explorar meu desejo. Você tem um menino apaixonado lá embaixo, precisando da sua ajuda com o dever de casa — ele falou gentilmente enquanto se levantava e se afastava de mim. Então virou as costas e desapareceu.
Fiquei ali no meu quarto vazio e respirei fundo várias vezes para estabilizar meu coração acelerado antes de descer de novo para ajudar Leif a terminar a dissertação. Percebi que minhas mãos estavam tremendo quando fechei a porta do quarto. Se seu mero toque me provocava reações tão fortes, o quanto mais será que seus lábios nos meus me afetariam? Fechei os olhos para conter a necessidade que me percorria e me dei uma sacudida mentalmente.
Depois, naquela noite, após o banho, entrei no quarto e encontrei Dank já sentado na poltrona do canto, dedilhando o violão. Ele não olhou para mim.
Decepcionada por ele não parecer querer terminar o que tı́nhamos começado antes, puxei as cobertas e deitei. Eu queria perguntar por que ele tinha ido embora, mas Dank não parecia querer falar comigo. Será que tinha visto Leif me dar um beijo de boa-noite lá embaixo? Será que estava chateado? Eu não tinha ouvido o rosnado familiar que normalmente signi icava que Dank estava testemunhando o beijo de Leif. Já não me fazia mais sorrir. Na verdade, partia um pouco meu coração, pois eu não gostava da ideia de magoá-lo.
— Dank — sussurrei na escuridão, mas ele não olhou para mim.
Sua voz se juntou à música e lutei contra a vontade de fechar os olhos e cair no sono que o conforto de sua voz parecia induzir. Fiquei de olho nele, implorando em silêncio para que ele olhasse para mim. Será que eu o tinha magoado?
— Feche os olhos, Pagan, e pare de se preocupar comigo. A vida em que me coloquei sou eu que devo suportar. Você não tem nenhum motivo para se preocupar em me causar dor; você faz exatamente o oposto do que teme.
Fiquei olhando para ele, sem saber o que queria dizer com eu fazer o oposto.
— Quanto ao beijo, você tem razão, eu não gosto de ver. Se decido olhar, a culpa é minha. Vou lidar com isso. — Ele ergueu a cabeça, antes voltada para o violão em suas mãos, e dessa vez me encarou diretamente. — O sentimento que ele evoca em você não é forte. Quando ele te abraça, há apenas conforto, não paixão, passando pelos seus pensamentos. — Sua atenção voltou-se para o violão novamente.
— Você vai me abraçar esta noite? — perguntei.
Seus lindos olhos se ergueram e me olharam com tanta emoção que iquei sem fôlego.
— Não há nada que eu pre ira fazer, mas esta noite minhas forças estão reduzidas. Não posso te abraçar neste momento. Minha vontade extrapola minhas forças. Por favor, Pagan, esta noite, apenas durma.
Eu o observei dedilhar os acordes de seu violão até meus olhos icarem pesados. Dank estava certo. Leif era meu porto seguro. Minha pedra de toque para a normalidade. Ele era um amigo. Era Dank quem me consumia.