Existência
Capítulo 11
Na manhã seguinte, Dank havia partido. Eu já esperava, mas, ainda assim, corri escada abaixo, para o caso de ele ter icado. Os dias se passaram e Dank continuou a me ignorar. Na escola, ele ainda lertava com Kendra. Eu havia me tornado invisı́vel para ele. A noite, ele entrava na sala mais ou menos na hora de eu dormir e se sentava no sofá, ingindo que eu não estava presente. Nada fazia sentido. Não importava quantas vezes eu tentasse fazê-lo falar comigo, ele permanecia em silêncio. Uma pessoa tinha limite para ser humilhada e eu já havia alcançado minha cota. Se ele queria me ignorar, tudo bem. Eu permitiria.
— Não aceito não como resposta. Se eu tiver que ir pessoalmente à sua casa e te vestir e, em seguida, fazer com que Wyatt pegue você e a carregue por cima do ombro para o show, é o que farei. Não duvide de mim. — Miranda estava com a mão na cintura e o queixo rı́gido em determinação. Discutir quando ela estava desse jeito era inútil.
Wyatt riu.
— Vou te arrastar se for preciso, mas talvez devêssemos discutir a parte do arrastamento com Leif primeiro. Não tenho certeza se ele vai querer que eu jogue a garota dele por cima do meu ombro.
Miranda acenou para ele.
— Não importa! Ele não vai obrigá-la a fazer nada que ela não queira. Você vai ter que arrastá-la e eu vou ter que enfrentar Leif e sentar em cima dele enquanto você empreende a fuga.
Eu ri e me surpreendi com a graça daquilo.
— Que negócio é esse de você sentar em cima de mim? — Leif perguntou enquanto se aproximava e passava o braço em volta da minha cintura.
Miranda revirou os olhos.
— Estou tentando explicar à Pagan que eu não aceito NAO como resposta. Ela vai ao show hoje à noite e ponto inal.
Leif apertou levemente meu quadril.
— Então estamos falando de uma possı́vel situação envolvendo reféns? — provocou ele.
Wyatt riu.
— Aparentemente, sim.
Leif me olhou com um sorriso malicioso.
— Você quer tentar fugir e ver se eles conseguem acompanhar?
Eu ri e balancei a cabeça.
— Não, está tudo bem. Eu vou, se é tão importante assim para Miranda.
Miranda deixou escapar um suspiro excessivamente dramático.
— Ah, que bom, eu não estava tão ansiosa assim para enfrentar o Leif.
— Teria sido hilário ver você tentar. — Wyatt gargalhou, e eu iz muito esforço tentando não pensar no fato de que tinha acabado de concordar em ir ao show bene icente que a Alma Fria faria na praia.
Ver Dank no palco com o mesmo violão que ele havia tocado para mim em tantas noites, e ouvir sua voz junto com milhares de pessoas, faria o buraco no meu coração latejar. Se eu pudesse descobrir uma maneira de preencher aquela dor, eu o faria. Nada parecia adiantar.
— Vai ser incrı́vel, Pagan. Eu sei que você não liga muito para o Dank Walker, mas, acredite em mim, ele arrasa. — Miranda enlaçou o braço no de Wyatt e olhou para ele com um sorriso tı́mido. — Mas ele não sabe se esquivar de três atacantes como você sabe, amor, então melhora essa cara sexy.
Wyatt sorriu e beijou o topo da cabeça de Miranda.
Ver o amor nos olhos dela quando olhava para Wyatt fez o buraco no meu coração doer ainda mais. Eu nunca amaria Leif daquela maneira. Dank Walker havia dani icado meu coração e o tomado para si nesse processo.
— Só para você não começar a babar pelo roqueiro estrela. Também sou fã das coisas dele, mas posso aprender a odiá-lo bem rápido se sentir a necessidade de icar com ciúmes. — O tom de Wyatt parecia brincalhão, mas ninguém duvidava de que ele estava falando sério.
Leif deu uma risadinha.
— Acho que não preciso me preocupar com a Pagan babando por ele. A Alma Fria não faz o tipo de música que ela gosta. Tenho a sensação de que não icaremos lá por muito tempo.
Miranda lançou um olhar feroz para Leif.
— Não coloque ideias ou desculpas na cabeça dela. Não estou brincando. Eu vou tentar te enfrentar se eu te vir olhando esquisito para a saı́da.
Leif jogou a cabeça para trás e riu.
— Fico muito feliz que você tenha um bom senso de humor — disse Wyatt com um sorriso. — Seus braços são muito maiores do que os meus.
Comecei a rir, mas o desejo morreu instantaneamente quando meus olhos encontraram Dank. Ele estava na frente de Kendra, cujas costas estavam encostadas na parede, e ela sorria para ele. Ele se inclinou para baixo e sussurrou no ouvido dela. Precisei de todo o meu instinto de autopreservação e a minha força para arrancar meus olhos da intimidade que eles demonstravam ali. A dor do peito foi parar na garganta e me sufocou. Leif deve ter percebido a mudança em mim, porque me puxou para mais perto de si e acariciou meu braço nu. Quanto mais nos afastávamos de Dank, mais fácil era respirar.
A brisa noturna que soprava do Golfo do México era estranhamente quente, considerando que estávamos no inal do outono. Um grande palco cercado por luzes tinha sido montado no calçadão de frente para a praia. Havia milhares de pessoas cobrindo a areia da orla. Fogueiras podiam ser vistas um pouco mais longe da multidão. Alguns alunos do ensino médio menores de idade já estavam sendo algemados por beber. Eles não seriam os primeiros ou os últimos naquela noite. Segurei irmemente a mão de Leif enquanto tı́nhamos que ziguezaguear pela multidão, seguindo o rastro de Miranda. Ela havia providenciado para que a empresa de seu pai comprasse assentos especiais oferecidos embaixo de uma grande tenda e que custavam muito mais caro. Eu teria icado feliz em me juntar à massa, na areia, mas Miranda não queria de jeito nenhum. Paramos na entrada.
— Miranda Wouters e três convidados — disse ela, com um ar altivo que só parecia transparecer quando ela dava a carteirada de seu pai.
Ela não fazia isso com frequência, a menos que quisesse algo, como nos livrar das multas por excesso de velocidade. Harold Wouters era dono da Imobiliária Wouters. A empresa administrava todos os imóveis comerciais so isticados do condado. Em outras palavras, eles eram donos da cidade.
— Por aqui, srta. Wouters — falou a jovem enquanto se virava e nos conduzia até uma ileira de assentos que nos dava uma visão perfeita do palco.
Otimo… Não só eu teria que ouvir a voz da qual sentia falta tão desesperadamente, mas também teria uma visão perfeita dele. Olhei para Leif, que ergueu as sobrancelhas como se estivesse impressionado com nossos lugares e me deu um de seus sorrisos ansiosos. Fingir dor de cabeça não ia funcionar. Miranda ia surtar, e Leif realmente parecia animado com a ideia de termos ótimos lugares.
— Esses lugares são ótimos! E assim que eu gosto. — Wyatt se levantou, sorrindo e olhando em volta para a elaborada mesa de comidinhas e bebidas posta no canto da tenda.
— Vocês podem comer o que quiserem. Podem ir lá e pararem de babar — disse Miranda, com um sorriso satisfeito.
Wyatt lhe deu um beijo estalado nos lábios e olhou para Leif.
— Vem, cara, vamos atacar essa gororoba de bacana.
Leif se virou para mim como se pedisse permissão. Fiz um sinal a irmativo com a cabeça. Ele me lembrava de um cachorrinho leal. Leif se abaixou, me deu um beijo rápido e seguiu Wyatt.
— Pare de franzir a testa como se eu tivesse te levado a um bar todo enfumaçado. Vamos, garota, divirta-se. — Forcei um sorriso, o que só fez Miranda franzir a testa ainda mais. — O que aconteceu com você, Pagan? Você costumava ter di iculdade em não olhar para Dank e em não fazer cara de tonta adoradora para ele. Agora, você o vê e parece que está prestes a vomitar. Ele te magoou ou alguma coisa assim? E por isso que você não quer estar aqui?
Se ele tinha me magoado? Ela nunca poderia saber o quanto ele havia me magoado. Neguei com a cabeça e tentei com ainda mais a inco fazer meu sorriso parecer mais realista.
— Claro que não. Só acabei de me dar conta de que ele é um babaca. Tem alguma coisa fria nele e eu não gosto de estar por perto.
Observei as ondas quebrando na praia. Se ela olhasse com muita atenção no fundo dos meus olhos, eu temia que ela notasse a agonia.
— Humm, tudo bem, então. Acho que você está certa sobre essa coisa fria. Algo nele parece duro e muito irreal.
Ela não fazia ideia de como ele era irreal.
A brisa começou a esfriar e os assentos na tenda foram todos ocupados. Eu queria estar em qualquer lugar que não fosse ali, com uma visão perfeita do palco em que Dank logo se apresentaria. As luzes diminuı́ram e a multidão foi à loucura. Leif colocou o braço em volta das minhas costas e eu me inclinei para ele, esperando que sua proximidade me ajudasse a superar aquela sensação. Com um rufar de tambores e o som de uma guitarra, as luzes piscaram fortemente e fogos de artifı́cio explodiram para o alto. Um grupo de três rapazes havia subido ao palco. Um estava sentado atrás da bateria com longos dreadlocks loiros e os outros dois se posicionaram um de cada lado do palco com guitarras em mãos. A música encheu o ar da noite e gritos ecoaram da praia. A orla estava tão coberta de gente que não dava mais para ver a areia. Um estrondo alto e uma nuvem de fumaça me izeram pular de susto. A vibração da plateia foi
icando mais alta. Dank saiu da fumaça que ia se in iltrando em volta
da banda. Vi seu cabelo escuro dançar na brisa e ele estender o braço para o microfone que o aguardava no centro do palco. Ele o pegou e se voltou bem na direção da tenda. Bem na minha direção.
“Você quer o que não pode ter. Vejo nos seus olhos. A dor que
preenche suas noites é causada pelo meu combo de mentiras. Abri a
porta para você ir embora. Existe um caminho melhor para você,
embora eu queira que você fique. Eu quebrei as regras, desviei do
caminho, mas, quando te conheci, soube que te salvar faria a ira valer
a pena. Deixe-me partir agora, antes que seja tarde demais. Deixe-me
partir agora, antes que você saiba o que eu sou e seu amor se torne
ódio.
Afaste-se de mim antes que eu perca as forças e te leve comigo. Você
não pode ir aonde estou indo, você não pode atravessar meu inferno.
Afaste-se de mim antes que eu perca as forças e te leve comigo. Meu
caminho só pode ser meu. Não há como te levar também. Eu te dei
vida quando estava nas minhas mãos te dar a morte. Afaste-se de
mim.
Observo a vida que sei que você vai levar sem mim aqui. É o que você
merece, é o seu lugar, é tudo o que eu quero, mas tudo o que temo.
Quando te conheci, sabia que tinha que te salvar, mas você me salvou.
Agora estou virando as costas e deixando você correr livre. Em
nenhum momento esquecerei que há um fogo dentro de mim que você
acendeu com seu toque. Te magoar não era o plano, mas deve
acontecer pelas minhas mãos.
Afaste-se de mim antes que eu perca as forças e te leve comigo. Você
não pode ir aonde estou indo, você não pode atravessar meu inferno.
Afaste-se de mim antes que eu perca as forças e te leve comigo. Meu
caminho só pode ser meu. Não há como te levar também. Eu te dei
vida quando estava nas minhas mãos te dar a morte. Afaste-se de
mim.”
Minhas mãos tremeram no colo. Seu olhar nunca deixou o meu. A letra tinha sido escrita para mim. Eu não conseguia respirar com a dor que apertava minha garganta. Por que ele estava fazendo aquilo? Ele já não tinha me magoado o su iciente? As lágrimas que ardiam nos meus olhos cairiam livres, rolando pelas minhas bochechas, anunciando a meus amigos o quanto as palavras de Dank me afetavam. Eles não poderiam saber. Ninguém poderia. Eu me levantei e saı́. Não podia mais icar ali sentada ouvindo aquilo. Em algum tipo de transe desesperado, empurrei fãs gritando e corpos suados. Eu conseguiria respirar se ao menos pudesse fugir; colocar alguma distância entre mim e suas palavras. Assim que saı́ da tenda, me virei e corri noite adentro. Para longe do medo. Eu não estava com medo dele, mas tive medo de suas palavras. Ele ia embora. Meu estômago apertou com aquele pensamento e eu corri mais até que chegasse a uma parte em que a praia estava escura e vazia. O som da música icou distante e eu olhei por cima do ombro para ver se Leif ou Miranda tinham vindo atrás de mim. Ninguém vinha. Eu estava realmente sozinha. Ofegando, caı́ de joelhos e soltei o choro que eu vinha lutando para conter desde que ele começara a cantar. Lágrimas quentes escorreram pelo meu rosto. Meu peito doı́a muito forte, e inspirações profundas eram impossı́veis.
O ar noturno esfriou vários graus. Não era minha dor que sufocava a respiração; era a frieza que vinha com a alma. Eu me virei lentamente, sabendo que ela estava ali me vigiando. Eu podia sentir sua presença. Ela era o medo gelado. Ainda assim, o dolorido buraco negro que Dank havia deixado no meu peito fez o perigo dela empalidecer em comparação. Eu me levantei e a encarei, percebendo que o medo tinha sido substituı́do por ódio. Ela não me assustava mais; ela me dava raiva. Algo em sua aparição perturbava Dank e me fazia querer machucá-la pelo papel que desempenhava também na minha dor. Olhei furiosa para ela enquanto o cabelo loiro
lutuava, desimpedido, na brisa do golfo.
— O que você quer de mim? — gritei em meio às lágrimas.
Dei um passo em direção a ela, apertando as mãos em punhos. Não queria que pensasse que eu seria acovardada por ela. Não queria que pensasse que poderia continuar me assustando. Sua risada tilintante encheu a escuridão ao nosso redor.
— Está marcada — disse ela em uma voz que eu havia passado a abominar.
— O que está marcada? Hein? Você por acaso sabe? Vá cuidar da sua vida maldita e me deixe sozinha, inferno! — Eu me aproximei, querendo lhe dar um soco, mas sabia que não adiantaria de nada.
Seu riso cristalino se transformou em uma risada profunda e sinistra.
— Estava marcada e ele quebrou as regras. — Sua risada morreu e ela me encarou de volta. — Você! Ele quebrou as regras por você! Por que você? O que há em você? Uma simples humana com uma hora marcada. Era tudo muito simples, mas ele tornou tudo muito difı́cil. — Ela apontou para mim. — Venha, chegue mais perto e eu vou consertar o erro dele.
Engoli em seco e o medo que pensei ter superado foi voltando aos poucos. Dank também tinha dito que ela viera corrigir um erro.
— Que erro? — perguntei.
Ela inclinou a cabeça como se estivesse me estudando.
— Você é diferente das outras. Suponho que isso o tenha intrigado; a ele, que tem uma existência bastante monótona.
Lutei contra a vontade de partir para cima dela, sabendo muito bem que eu provavelmente a atravessaria direto. Ela queria que eu me aproximasse. Eu precisava preservar a distância. Balancei a cabeça de um lado para o outro e dei um passo para trás. Em um borrão de luz, ela estava parada na minha frente, e minha respiração começou a icar ainda mais rasa. Tentei dar um passo para trás, mas uma mão gelada envolveu meu pulso e começou a me puxar em direção às ondas com uma força contra a qual eu não conseguia lutar. O primeiro espirro de água fria e salgada me assustou. Aquilo era real. Desta vez, eu estava sozinha e ninguém me ouviria.
Comecei a espernear e a lutar, mas ela continuou me arrastando para o Golfo com pouco esforço. Não havia chance de sobreviver nas águas profundas. As ondas estavam icando mais altas e ela continuava me puxando para baixo. Ela ia me afogar. Não poderia simplesmente me matar por as ixia como tinha começado a fazer na escola, antes de Dank interromper? As luzes e a música dançavam à distância. Desta vez, eu estava sozinha e ninguém me salvaria. Estranhamente, eu não queria gritar. Eu não temia mais a morte, mas gostaria de poder ter dito adeus.
Fechei os olhos quando a água me atingiu no queixo e a primeira onda caiu sobre minha cabeça. Enquanto eu permitia meu corpo amolecer e aceitava esse destino, ouvi alguém gritar meu nome. Alguém tinha me encontrado ali? Comecei a me afastar de seu aperto e a gritar, mas me ocorreu que ela provavelmente também tiraria a vida dessa outra pessoa. Ela não estava ali para buscar esse outro. Eu tinha que partir em silêncio. Quem quer que tivesse vindo me buscar não merecia aquele destino.
Um clarão forte encheu a água escura, e meu pulso foi imediatamente liberado de seu aperto gelado. Lutei para encontrar a superfı́cie da água e puxar o ar para a ardência dos meus pulmões.
— NAO! Eu disse NAO! Eu iz essa escolha e quebrei essa regra, mas a prerrogativa era minha. Deixei sua interferência impune por tempo su iciente. Isso vai acabar agora.
Eu queria abrir os olhos e vê-lo. Eu podia ouvi-lo, mas a água salgada fazia meus olhos arderem e tornava a tarefa impossı́vel. Outra onda quebrou sobre mim e eu comecei a espernear freneticamente enquanto a água enchia meu nariz despreparado. Braços quentes envolveram minha cintura e eu me agarrei, sabendo que pertenciam a ele. Agora eu estava segura. Minha cabeça irrompeu na superfı́cie e eu comecei a engasgar com a água salgada.
— Deixe comigo.
Dank enxugou meus olhos com um pano frio e a ardência desapareceu, assim como a tosse. Era como se eu nunca tivesse sido forçada para sob as ondas do mar frio. Eu inalmente conseguia ver o rosto de Dank. Ele estava me segurando de novo.
— Por que, Pagan? — Ele fechou os olhos, encostou a testa na minha e respirou fundo. — Por quê? Você sabia que ela ainda estava te perseguindo. Você a sentiu. Por que veio aqui sozinha? Você queria encontrá-la? Acha que enfrentá-la sozinha era a resposta?
Balancei a cabeça de um lado para o outro e olhei em seus olhos tão perto dos meus.
— Não, eu só queria me afastar. Eu precisava pensar. Vendo você… — Parei antes de dizer qualquer outra coisa.
Um sorriso triste apareceu em sua boca.
— Tudo o que ela podia fazer era tentar te matar. Para que você realmente enfrentasse a morte, a Morte teria que vir te levar. Isso não iria acontecer. — Ele parou e respirou fundo antes de encostar os lábios na minha cabeça. Seus lábios se moveram para a minha bochecha antes de se demorarem diante da minha boca. — Por mais que eu queira te beijar, não posso. — Ele soltou uma risada suave. — Você é uma garota frustrante. Não é como nenhuma outra alma que já conheci. — Toquei seu rosto e me inclinei para tocar meus lábios nos seus, mas ele se afastou e balançou a cabeça. — Não — sussurrou. — Não. Não posso. Você é especial demais. Meu desejo por você é superior ao que sei que é melhor para você. Não posso arriscar isso de novo.
— Não me deixe — implorei.
Ele tocou meus lábios com a ponta do dedo.
— Não vou deixar. Pelo menos não hoje.