Guia Prático em Saúde (GPS): Enfermagem

Raphael Mendonça Guimarães, Selma Cristina de Jesus Mesquita · Capítulo 12 de 25 · parte 1/5

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Guia Prático em Saúde (GPS): Enfermagem

Exames Complementares

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 5 partes.

INTRODUÇÃO

A anamnese e o exame físico são soberanos na tomada de decisão clínica de um pro ssional de saúde. Entretanto, podemos dispor de recursos complementares que auxiliam no diagnóstico e no acompanhamento do quadro clínico de um paciente. Estes exames podem ser realizados através da análise de uidos corporais, como sangue e urina, por imagem, por registros grá cos, endoscópicos etc. Desta forma, é importante que sejam exames cujos cuidados para a realização sejam obedecidos, para que se garanta a sua acurácia. Este capítulo traz informações sobre os principais exames complementares, desde sua nalidade até os principais cuidados.

COLETA DE MATERIAL BIOLÓGICO

TUBO DE TAMPA ROXA

Exames: hemograma, tipagem sanguínea, teste de Coombs direto, hemoglobina glicada, velocidade de hemossedimentação (VHS), reticulócito. TUBO DE TAMPA VERMELHA

Exames: dosagens bioquímicas, imunologia, hormônios, teste de Coombs indireto.

Observação. Quando houver solicitação de lactato, deve-se usar tubo cinza. Quando houver solicitação de vitamina B12, deve-se cobrir o tubo. TUBO DE TAMPA AZUL

Exames: exames de coagulação (tempo de ativação da protrombina [TAP], tempo de tromboplastina parcial ativada [TTPA], brinogênio, proteínas C e S, anticoagulante lúpico).

HEMOCULTURA

Con rma o diagnóstico de bacteriemia e septicemia. Nos casos de bacteriemia e septicemia, deve-se identi car o microrganismo etiológico. O exame de hemocultura é realizado para detectar invasão bacteriana (bacteriemia) e disseminação sistêmica de uma infecção (septicemia). Observação. Deve-se coletar amostra de sangue de 10 mℓ no adulto e, em crianças, de 1 a 5 mℓ. As hemoculturas identi cam aproximadamente 67% dos patógenos em 24 h e até 90% em 72 h. Usam-se frasco aeróbico contendo caldo tripticase de soja com atmosfera com dióxido de carbono a 10%, frasco anaeróbico com meio pré-reduzido e um frasco hiperosmótico com meio de sacarose a 10%.

Para comprovar suspeita de endocardite bacteriana, podem ser coletadas 3 ou 4 amostras a intervalos de 5 a 30 min antes do início da

antibioticoterapia.

Observação. Não é necessário jejum. Evite coletar a amostra de sangue de um cateter intravenoso (IV) já existente, escolha uma veia abaixo do cateter IV ou no braço oposto.

CONSIDERAÇÕES

São usados 2 ou 3 frascos de 50 mℓ para adultos e 20 mℓ para crianças com acréscimo de sulfonato de polietanol: um contendo um meio de cultura anaeróbico e outro contendo um meio de cultura aeróbico. As amostras são incubadas para encorajar o crescimento dos microrganismos. Deve-se realizar coleta de 3 amostras de sangue em diferentes locais com agulha de 20 G e seringa de 10 mℓ para adultos com intervalo de, pelo menos, 1 h, sendo a 1a assim que se suspeitar de bacteriemia ou septicemia.

Limpe as partes superiores dos frascos de cultura com álcool e troque a agulha da seringa.

NÍVEIS ELEVADOS

São sugestivos de infecções associadas a bacteriemia transitória leve ou de infecções por Streptococcus pneumoniae e outras espécies de Streptococcus, Haemophilus in uenzae, Staphylococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa, Bacteroides, Brucella, Enterobacteriaceae, bacilos coliformes e Candida albicans, Staphylococcus epidermidis, difteroides e Propionibacterium (em pacientes imunocomprometidos), Mycobacterium tuberculosis e complexo M. avium (em pacientes com infecção pelo vírus da imunode ciência humana). ENFERMAGEM

As precauções apropriadas e universais de controle de infecção devem ser instituídas. A coleta deve ser feita por meio de venipunção à cabeceira do leito do paciente durante 2 dias consecutivos por um técnico de laboratório, pelo médico ou pelo enfermeiro. Deve-se informar ao paciente que será preciso coletar uma série de amostras de sangue para veri car a existência de infecção.

PROCEDIMENTOS PARA OBTENÇÃO DE AMOSTRAS

PUNÇÃO ARTERIAL | GASOMETRIA ARTERIAL

Deve-se realizar punção percutânea da artéria braquial, radial ou femoral ou retirada de uma amostra de um cateter arterial, sendo a artéria radial a mais usada. A análise da gasometria arterial mede o pH sanguíneo e as pressões parciais de dióxido de carbono (Paco2) e de oxigênio (Pao2) arterial para se avaliarem a oxigenação e ventilação adequadas, e o equilíbrio acidobásico ao medir os componentes metabólicos e respiratórios. CONTRAINDICAÇÃO

Paciente recebendo anticoagulantes em doses terapêuticas, hemofílico ou com outros distúrbios de coagulação, vasculopatia periférica grave, enxerto arterial.

Observação. A amostra de sangue arterial deve ser coletada por punção ou um acesso até a marca de 3 mℓ. Depois, deve-se pressionar o local com compressa de gaze durante 3 a 5 min, até cessar o sangramento.

Os parâmetros mais comumente avaliados na gasometria arterial são:

• pH: 7,35 a 7,45

• PaO2: 80 a 100 mmHg

• Pa CO2: 35 a 45 mmHg

• HCO3: 22 a 25 mEq/ℓ

• SaO2: 94 a 100%

• O2CT: 15 a 23%.

CONSIDERAÇÕES

O teste de Allen deve ser realizado antes de se tentar uma punção arterial radial.

Na técnica de punção arterial, o ângulo de penetração da agulha na coleta de sangue para gasometria depende da artéria que está sendo

puncionada. Quando se opta pela artéria radial, a mais comum, o bisel da agulha deve penetrar de modo a formar um ângulo de 30 a 45°.

Para se realizar a heparinização da seringa, deve-se conectar uma agulha 20 G à seringa de 10 mℓ com bico Luer-Lok e abrir a ampola de

heparina. Toda a heparina é colocada na seringa para evitar que a amostra coagule. É preciso segurar a seringa na posição vertical e empurrar o êmbolo lentamente para a marca de aproximadamente 7 mℓ. A seringa é girada enquanto se empurra para que a heparina cubra a superfície interna da seringa. Na sequência, deve-se forçar lentamente a heparina, deixando apenas cerca de 0,1 mℓ.

A heparinização da agulha deve ser realizada substituindo-se a agulha de 20 G por uma de 22 G, inclinando-a discretamente e ejetando a

heparina remanescente. O excesso de heparina na seringa modi ca o pH do sangue e os valores de PaO 2. ENFERMAGEM

Pode ser coletado por um técnico respiratório ou por um enfermeiro especialmente treinado. Não se devem realizar mais de 2 tentativas para retirar sangue no mesmo local, podendo causar lesão na artéria e no nervo radial. Além disso, a hemólise modi ca os resultados do exame. Se o paciente estiver recebendo oxigênio, é preciso assegurar-se de que essa terapia foi realizada durante pelo menos 20 min antes da coleta de amostra de sangue arterial. A coleta da artéria femoral geralmente é realizada por um médico.

COLETA DE ESCARRO

O escarro expelido transporta saliva, secreções do nariz e dos seios paranasais, células mortas e bactérias orais normais provenientes do trato respiratório. A cultura do escarro pode ser realizada para identi car patógenos respiratórios.

As formas de coleta são: expectoração, aspiração da traqueia e broncoscopia.

Observação. A aspiração da traqueia fornece uma amostra mais con ável, é contraindicada 1 h antes ou depois da alimentação e em pacientes com varizes esofágicas, fraturas de face ou na base do crânio ou broncospasmo. Não deve ser realizada a menos que a expectoração não forneça a amostra.

CONSIDERAÇÕES

A coleta por meio de expectoração deve ser feita pela manhã, antes do café da manhã. Deve-se colocar o paciente em posição Fowler alta ou sentado à beira do leito ou em uma cadeira e ele deve lavar a boca com água para diminuir a contaminação da amostra. É preciso pedir que o paciente tussa forte e expectore pelo menos 15 mℓ diretamente no recipiente estéril. Veri que a amostra para garantir que esta inclui muco espesso e a identi que.

COLETA DE FEZES

As fezes são coletadas para determinar a existência de sangue, parasitos e seus ovos, bile, gordura, patógenos ou substâncias psicoativas ingeridas. Observação. A urina inibe o crescimento das bactérias fecais e o papel higiênico contém bismuto, que interfere nos resultados do exame. CONSIDERAÇÕES

Tendo em vista os fatores de interferência indicados anteriormente, deve-se instruir o paciente a evitar a contaminação da amostra com urina ou papel higiênico. A amostra mais representativa de fezes deve ser transferida da comadre para o recipiente, incluindo sangue, muco ou pus eliminados junto com as fezes. Se for necessário coletar as fezes com enema, deve-se usar apenas água potável ou soro siológico. ENFERMAGEM

É papel da enfermagem informar ao médico se a amostra de fezes tiver aspecto incomum. Quando a coleta for realizada em casa, é preciso orientar o paciente a usar um recipiente limpo e com tampa com boa vedação, a embrulhar o recipiente e o manter refrigerado separado dos alimentos até o transporte.

AMOSTRAS OBTIDAS COM SWAB

Coleta e manipulação adequada das amostras coletadas com swab ajudam a minimizar a contaminação pela ora bacteriana normal. São usados swabs de algodão estéril para coletar amostras de tecido in amado e exsudatos da garganta, nasofaringe, dos olhos, das orelhas, do reto ou de feridas com o objetivo de se identi carem patógenos ou portadores assintomáticos de determinados microrganismos causadores de doenças facilmente transmitidas.

Observação. Na coleta de amostra anaeróbica, a maioria dos anaeróbios precisa ser transportada em tubos com dióxido de carbono ou nitrogênio. O coletor de amostra anaeróbica inclui um tubo com tampa de borracha cheio com dióxido de carbono, um tubo menor interno e um swab inserido em êmbolo plástico.

CONSIDERAÇÕES

COLETA DE AMOSTRA DA OROFARINGE

Deve-se orientar o paciente a sentar-se na beira do leito, de frente para o enfermeiro e pedir que incline a cabeça para trás. Ilumina-se, então, a garganta do paciente com uma lanterna e se coloca o abaixador de língua. Deve-se esfregar o swab nas áreas tonsilares de um lado para o outro incluindo áreas in amadas ou purulentas, com o cuidado de não tocar língua, bochechas ou dentes com o swab. Ao m, o swab deve ser retirado e colocado imediatamente no tubo de coleta, empurrando-o para o meio de cultura para mantê-lo úmido. COLETA DE AMOSTRA DE NASOFARINGE

Deve-se orientar o paciente a sentar-se na beira do leito, de frente para o enfermeiro e pedir que assoe o nariz para limpar as vias nasais, tussa de modo a mobilizar os microrganismos para a nasofaringe e incline a cabeça para trás. Deve-se dobrar o swab para fazer uma curva e passá-lo cerca de 8 a 10 cm na direção da nasofaringe, mantendo-o próximo ao septo e ao assoalho do nariz. Ao m, deve-se girar o swab e removê-lo. COLETA DE AMOSTRA RETAL

Antes da coleta, é preciso limpar a área ao redor do ânus do paciente com toalha, água e sabão. O swab deve ser umedecido com soro siológico e inserido pelo ânus por cerca de 1 cm nos lactentes ou 4 cm nos adultos, girando-o contra as paredes da porção inferior do reto de modo a obter amostras da mucosa retal enquanto o estiver retirando. Após a retirada, o swab deve ser colocado no tubo de cultura. COLETA DE AMOSTRA EM FERIMENTO

É preciso preparar campo estéril e colocar luvas estéreis após lavar as mãos. O curativo deve ser retirado para se expor a ferida, limpando-se a área ao redor com compressa embebida em álcool.

Para cultura de aeróbios, o swab com ponta de algodão estéril é escolhido para coletar o máximo de exsudato, inserindo-o profundamente no

ferimento, girando-o e removendo-o para colocá-lo no tubo de cultura para aeróbio.

Para cultura de anaeróbios, deve-se inserir o swab com ponta de algodão estéril profundamente na ferida e girá-lo delicadamente, removê-lo e

colocá-lo imediatamente no tubo de coleta.

ENFERMAGEM

Nunca se deve coletar exsudato da pele e, a seguir, inserir o mesmo swab na ferida. É preciso registrar se o paciente esteve em uso de antibioticoterapia.

COLETA DE URINA

O exame de urina possibilita a detecção de distúrbios urinários e sistêmicos. Uma amostra limpa do jato médio vem substituindo a coleta aleatória porque fornece uma amostra praticamente não contaminada, sem necessidade de cateterização.

Uma amostra obtida com cateter de demora exige técnica de coleta estéril para evitar contaminação do cateter e infecção do trato urinário.

CONSIDERAÇÕES

COLETA DE AMOSTRA ALEATÓRIA

Deve-se orientar o paciente acamado a urinar em uma comadre ou pedir que deambule para urinar na comadre ou no banheiro, a m de se coletar pelo menos 120 mℓ de urina em um recipiente de amostra.

COLETA DE AMOSTRA LIMPA DO JATO MÉDIO

O objetivo é obter uma amostra praticamente não contaminada. Deve-se orientar o paciente a limpar a área periuretral com água e sabão e secar a área. Ele deve começar a urinar e, sem interromper o jato urinário, colocar o recipiente para coletar de 30 a 50 mℓ. O recipiente estéril do paciente deve ser bem coberto.

COLETA DE AMOSTRA COM CATETER DE DEMORA

Cerca de 30 min antes da coleta da amostra, deve-se clampear o tubo de drenagem para possibilitar o acúmulo de urina. Esse acesso deve ser limpo com uma gaze embebida em álcool e a amostra é aspirada para a seringa formando um ângulo de 90°.

Se o cateter não for de borracha ou não tiver um acesso para coleta de amostra, é preciso limpar com uma gaze embebida em álcool a área em

que o cateter se junta com o tubo de drenagem, que é, então, desconectado para viabilizar a drenagem da urina para o recipiente de amostra estéril. Depois da coleta, devem-se limpar os locais de conexão com gaze embebida em álcool e juntá-los. O recipiente da amostra precisa ser coberto e rotulado.

ENFERMAGEM

Se a coleta de urina for realizada em casa, deve-se orientar o paciente a coletar a amostra em recipiente limpo com tampa bem ajustada e a manter a amostra no gelo ou refrigerador por até 24 h.

COLETA EM 24 h | URINA

A coleta de urina durante 24 h fornece uma taxa de excreção média para as substâncias eliminadas durante esse período.

As amostras com horário programado podem ser coletadas durante um período de tempo menor, como 2 h ou 12 h.

CONSIDERAÇÕES

COLETA DURANTE 2 h

O paciente é orientado a beber 4 a 8 copos de água cerca de 30 min antes do início da coleta. Após 30 min, ele deve urinar e descartar a 1a amostra para começar o período com a bexiga vazia.

Água é oferecida pelo menos de hora em hora para estimular a produção de urina. Após cada micção, deve-se deixar a amostra no recipiente

para coleta e orientar o paciente a urinar aproximadamente 15 min antes do término do período de coleta. COLETA DURANTE 12 A 24 h

Deve-se pedir que o paciente urine e jogue fora essa urina para que comece o período de coleta com a bexiga vazia. A 1a amostra de urina precisa ser colocada no recipiente de coleta e o frasco, refrigerado ou mantido no gelo até a próxima micção. Toda a urina eliminada durante o período prescrito deve ser coletada.

ENFERMAGEM

Para garantir o uxo adequado de urina, o paciente deve manter-se bem hidratado, antes e no decorrer do teste. A amostra não pode ser guardada em geladeira contendo alimentos ou medicamentos, a m de se evitar contaminação.

Antes da coleta de uma amostra com horário marcado, é preciso veri car se o laboratório estará aberto ao término do período de coleta para

ajudar na obtenção de resultados. Se o paciente estiver com cateter de demora, deve-se colocar a bolsa de coleta em um recipiente com gelo à beira do leito. Caso a amostra seja descartada acidentalmente durante o período de coleta, é necessário reiniciar a coleta.

ÁCIDO FÓLICO | SANGUE

Ajuda no diagnóstico diferencial da anemia megaloblástica, que pode resultar da de ciência de ácido fólico ou vitamina B12, pois viabiliza a avaliação das reservas de folato durante a gravidez.

VALORES DE REFERÊNCIA

• Adultos: 3 a 13 ng/mℓ

• Crianças: 5 a 21 ng/mℓ

• Lactentes: 14 a 51 ng/mℓ

Observação. A amostra deve ser coletada em tubo de 4,5 mℓ sem aditivos. CONSIDERAÇÕES

NÍVEIS ELEVADOS

Representam aporte excessivo de ácido fólico, de ciência de vitamina B12 e síndrome da alça intestinal cega. NÍVEIS DIMINUÍDOS

São sugestivos de anemia, leucopenia e trombocitopenia, aporte dietético inadequado, síndrome de má absorção do intestino delgado, doenças hepáticas ou renais, alcoolismo crônico ou gravidez.

ENFERMAGEM

É responsável por avaliar o aporte nutricional do paciente. A dosagem de ácido fólico é uma análise quantitativa dos níveis séricos do ácido fólico por ensaio radioisotópico da ligação competitiva.

ÁCIDO ÚRICO

É útil para con rmar diagnóstico de gota e para detectar a ocorrência de disfunção renal, de ciências enzimáticas e distúrbios metabólicos que afetam a produção de ácido úrico.

VALORES DE REFERÊNCIA

• Mulheres: 2,3 a 6 mg/dℓ

• Homens: 3,4 a 7 mg/dℓ

• Ácido úrico (urina): 250 a 750 mg/24 h.

Observação. A amostra deve ser coletada em tubo de 3 ou 4 mℓ com ativador da coagulação. Jejum de 8 h antes do exame. Observação. A urina do paciente deve ser coletada durante 24 h, descartando-se a 1a amostra e incluindo-se a última (20 mℓ). CONSIDERAÇÕES

NÍVEIS ELEVADOS

• Ácido úrico (sangue): sugestivos de gota, insu ciência cardíaca, infecções, neoplasias, psoríase, comprometimento da função renal, anemia

falciforme e hemolítica e doença de Von Gierke tipo I

• Ácido úrico (urina): sugestivos de leucemia mieloide crônica, policitemia vera, mieloma múltiplo, linfossarcoma, leucemia linfática durante a

radioterapia, síndrome de Fanconi e doença de Wilson.

NÍVEIS DIMINUÍDOS

• Ácido úrico (sangue): sugestivos de absorção tubular de ciente e atro a hepática aguda • Ácido úrico (urina): sugestivos de gota, glomerulonefrite crônica, glomerulonefrite diabética, doença do colágeno. ENFERMAGEM

É responsável por noti car os resultados anormais ao médico e informar o paciente acerca do diagnóstico. Esse exame determina os níveis séricos de ácido úrico, o principal metabólito nal das purinas.

ACTH | SUPRESSÃO COM DEXAMETASONA

Usado para o diagnóstico da síndrome de Cushing, sendo os valores de referência: 5 a 46 pg/mℓ. Observação. Deve-se coletar 1 mℓ em tubo de tampa roxa, com jejum de 10 a 12 h. Deve-se administrar 1 mg de dexametasona às 23 h e, depois disso, coletar 2 amostras de sangue. No dia seguinte, a coleta de amostras de sangue é feita às 16 e 23 h. CONSIDERAÇÕES

A ausência de supressão com dexametasona indica a possibilidade de depressão maior, síndrome de Cushing ou estresse grave. ENFERMAGEM

É responsável por avaliar rigorosamente o estado hidreletrolítico do paciente com síndrome de Cushing e monitorar rigorosamente o estado do paciente, registrando qualquer alteração em seu comportamento.

A dexametasona suprime os níveis circulantes dos hormônios esteroides oriundos das glândulas suprarrenais na maioria dos indivíduos.

ALBUMINA

Ajuda a estabelecer se o paciente tem doença hepática ou renal e a determinar se proteína su ciente está sendo absorvida pelo corpo. A albumina é a proteína mais abundante, constituindo 54% das proteínas plasmáticas.

VALORES DE REFERÊNCIA

• Adultos: 3,5 a 4,8 g/dℓ

• Crianças: 2,9 a 5,5 g/dℓ.

Observação. Deve-se coletar 5 a 10 mℓ em tubo de tampa vermelha. CONSIDERAÇÕES

NÍVEIS ELEVADOS

São sugestivos de desidratação, vômitos intensos e diarreia intensa.

NÍVEIS DIMINUÍDOS

São sugestivos de cirrose, insu ciência hepática aguda, queimaduras graves e colite ulcerativa. ENFERMAGEM

É responsável por noti car os resultados ao médico e instruir o paciente acerca da doença e das opções de tratamento. A albumina é a proteína mais abundante, constituindo quase 54% das proteínas plasmáticas.

Em caso de hiperalbuminemia, a equipe de enfermagem deve preparar a administração de líquidos IV a m de restaurar o volume e os

eletrólitos. Em caso de hipoalbuminemia, deve preparar a administração de albumina IV.

ALDOSTERONA

Ajuda a estabelecer o diagnóstico de aldosteronismo primário e secundário (urina), hiperplasia das glândulas suprarrenais, hipoaldosteronismo e síndrome perdedora de sal (sangue).

VALORES DE REFERÊNCIA

• Níveis séricos (posição ortostática): 7 a 30 ng/dℓ

• Níveis séricos (decúbito dorsal): 3 a 16 ng/dℓ

• Níveis urinários: 3 a 19 mcg/24 h.

Observação. Deve-se coletar 7 mℓ em um tubo com ativador da coagulação ainda com o paciente em decúbito dorsal e outra amostra de 7 mℓ dentro de 4 h com o paciente em posição ortostática.

Observação. A urina do paciente deve ser coletada durante 24 h, descartando-se a 1a amostra e incluindo a última. Usa-se um frasco contendo conservante, como ácido bórico, para manter o pH da amostra entre 4,0 e 4,5, colocando-o em gelo durante o período de coleta. CONSIDERAÇÕES

NÍVEIS ELEVADOS

São sugestivos de aldosteronismo primário, possivelmente em decorrência de adenoma adrenocortical ou hiperplasia suprarrenal bilateral, aldosteronismo secundário em consequência de hipertensão vascular renal, insu ciência cardíaca congestiva (ICC), cirrose hepática, síndrome nefrótica, edema cíclico idiopático ou 3o trimestre de gravidez.

NÍVEIS DIMINUÍDOS

São sugestivos de hipoaldosteronismo primário, síndrome perdedora de sal, eclâmpsia, doença de Addison. ENFERMAGEM

É responsável por noti car os resultados ao médico e instruir o paciente acerca da doença e das opções de tratamento. Como os níveis de aldosterona afetam os níveis de sódio, é preciso orientar o paciente sobre o consumo de sal e água.

Esse exame identi ca a existência de aldosteronismo e, quando sustentado pelos níveis séricos de renina, diferencia a forma primária da

secundária desse distúrbio. Os níveis na urina costumam ser avaliados depois da determinação dos níveis séricos de eletrólitos e renina.

AMILASE | SANGUE

Útil no diagnóstico de pancreatite aguda, para diferenciar a pancreatite aguda de outras causas de dor abdominal que exijam cirurgia imediata e para avaliar a possibilidade de lesão pancreática causada por traumatismo ou cirurgia abdominal. VALORES DE REFERÊNCIA

• Adultos a partir dos 18 anos de idade: 25 a 125 U/ℓ

• Adultos acima de 60 anos de idade: 24 a 151 U/ℓ

• Valores críticos: mais de 200 U/ℓ.

Observação. Não há necessidade de jejum. A amostra deve ser coletada em tubo com ativador de coagulação de 4 mℓ. CONSIDERAÇÕES

NÍVEIS ELEVADOS

São sugestivos de pancreatite aguda (os níveis começam a aumentar dentro de 2 h, atingem valor máximo entre 12 e 48 h e retornam ao normal dentro de 3 a 4 dias).

NÍVEIS MODERADAMENTE ELEVADOS

São sugestivos de obstrução do ducto colédoco, ducto pancreático ou ampola de Vater, de lesão pancreática por úlcera péptica perfurada, câncer pancreático, doença aguda das glândulas salivares e comprometimento da função renal.

NÍVEIS DIMINUÍDOS

São sugestivos de pancreatite crônica, câncer pancreático, cirrose, hepatite e toxemia grave. ENFERMAGEM

É responsável por noti car resultados anormais ao médico. A determinação dos níveis urinários deve ser efetuada após resultados normais do nível sérico de AML (alfa-amilase) para excluir a possibilidade de pancreatite.

A amilase é uma enzima sintetizada principalmente no pâncreas e nas glândulas salivares e secretada no trato gastrintestinal que ajuda a

digerir o amido e o glicogênio na boca, no estômago e no intestino.

AMILASE | URINA

É útil no diagnóstico de pancreatite aguda, quando os níveis séricos de amilase estão normais ou limítrofes, e no diagnóstico de pancreatite crônica e distúrbios das glândulas salivares.

VALORES DE REFERÊNCIA

• Várias unidades de medida não usadas

• Excreção urinária normal da Mayo Clinic: 1 a 17 unidades/h. Observação. Deve-se coletar urina durante um período de 2, 6, 8 ou 24 h, refrigerando-a durante o período de coleta. CONSIDERAÇÕES

NÍVEIS ELEVADOS

São sugestivos de pancreatite aguda (obstrução do ducto pancreático, intestino ou ducto salivar, carcinoma da cabeça do pâncreas), caxumba, lesão esplênica aguda, doença renal, úlcera péptica ou duodenal perfurada, doença da vesícula biliar. NÍVEIS DIMINUÍDOS

São sugestivos de pancreatite, caquexia, alcoolismo, câncer hepático, cirrose, hepatite e abscesso hepático. ENFERMAGEM

É responsável por noti car os resultados ao médico e instruir o paciente acerca do diagnóstico e opções de tratamento. Se o paciente tiver caquexia, é preciso providenciar suplementação nutricional, quando apropriado. O paciente deve ser avisado que o exame exige a coleta de urina durante 2, 6, 8 ou 24 h.

A amilase é uma enzima sintetizada principalmente no pâncreas e nas glândulas salivares e secretada no trato gastrintestinal e absorvida para

o sangue. Pequenas quantidades também são absorvidas diretamente a partir desses órgãos. Depois da ltração glomerular, a amilase é excretada na urina.

AMÔNIA | SANGUE

Ajuda a monitorar a evolução da doença hepática grave e a efetividade da terapia, além de reconhecer o coma hepático iminente ou estabelecido. VALORES DE REFERÊNCIA

• 15 a 56 mcmol/ℓ

• Valores críticos: 68,1 mcmol/ℓ

Observação. Jejum não obrigatório. Amostra deve ser coletada em tubo heparinizado de 10 mℓ. CONSIDERAÇÕES

NÍVEIS ELEVADOS

São sugestivos de doença hepática grave, síndrome de Reye, insu ciência cardíaca grave, hemorragia gastrintestinal e eritroblastose fetal. ENFERMAGEM

É responsável por noti car os resultados ao médico, instruir o paciente acerca da doença e das opções de tratamento e monitorá-lo à procura de sinais de coma hepático iminente ou estabelecido, se os níveis plasmáticos de amônia estiverem elevados.

Esse exame mede os níveis plasmáticos de amônia, um composto nitrogenado não proteico, que ajuda a manter o equilíbrio acidobásico.

ANTICORPOS ANTIÁCIDO DESOXIRRIBONUCLEICO

Auxilia na con rmação do diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico (LES), na monitoração do paciente com LES quanto a sua resposta à terapia e também no estabelecimento do prognóstico.

VALORES DE REFERÊNCIA

• Menos de 25 unidades internacionais/mℓ: negativos para o LES • Valores críticos: acima de 200 unidades internacionais/mℓ, pois são fortemente positivos para LES. Observação. Não há necessidade de jejum. A amostra deve ser coletada em um tubo de 7 mℓ sem conservadores. CONSIDERAÇÕES

NÍVEIS ELEVADOS

• 31 a 200 unidades internacionais/mℓ: positivo para LES

• 25 a 30 unidades internacionais/mℓ: positivo limítrofe para LES. NÍVEIS DIMINUÍDOS

Tratamento efetivo do LES com agentes imunossupressores.

ENFERMAGEM

É responsável por noti car os resultados anormais ao médico, informar ao paciente que a obtenção de um valor diminuído pode indicar resposta positiva à terapia imunossupressora e que os anticorpos anti-DNA-fd ajudam a diagnosticar o LES e a determinar a terapia apropriada.

ANTICORPOS ANTI-HBC

É um exame útil para o rastreamento de doadores de sangue para hepatite B e de indivíduos com alto risco de contrair hepatite B, além de ajudar no diagnóstico diferencial da hepatite viral.

VALORES DE REFERÊNCIA

• Negativo para anticorpos anti-HBc.

Observação. São produzidos durante uma infecção aguda pelo vírus da hepatite B (HBV). Vacina contra a hepatite (possível resultado falso-positivo). A amostra de sangue deve ser coletada em 2 tubos de 3 ou 4,5 mℓ com EDTA. CONSIDERAÁIES

ACHADOS ANORMAIS

Positivos para anticorpos anti-HBc, indicando recuperação de uma infecção aguda pelo HBV. ENFERMAGEM

É responsável por noti car os resultados anormais ao médico e instruir o paciente acerca do diagnóstico.

Esse teste identi ca anticorpos anti-HBc produzidos durante ou após uma infecção aguda por HBV.

ANTICORPOS ANTI-HBs

Importante para o rastreamento dos doadores de sangue e de indivíduos com alto risco de contrair a hepatite B, além de ajudar no diagnóstico diferencial da hepatite viral.

VALORES DE REFERÊNCIA

• Negativos para os antígenos de superfície da hepatite B.

Observação. A existência de anticorpos contra o antígeno da superfície B indica que o paciente foi exposto ao HBV, que não é mais contagioso e está protegido contra uma infecção futura pelo HBV. A amostra de sangue deve ser coletada em 2 tubos de 3 ou 4,5 mℓ com EDTA. CONSIDERAÇÕES

ACHADOS ANORMAIS

Positivos, indicando imunidade à infecção por HBV.

ENFERMAGEM

É responsável por noti car os resultados anormais ao médico e instruir o paciente acerca do diagnóstico.

Os anticorpos contra o vírus da hepatite B, moléculas proteicas no soro ou nos líquidos corporais, neutralizam os antígenos ou os sinalizam para

ataque por outras células ou substâncias químicas.

ANTICORPOS ANTI-HEPATITE A

Ajudam no diagnóstico diferencial da hepatite viral.

VALORES DE REFERÊNCIA

• Negativo para anticorpos anti-hepatite A (HAV).

Observação. Esses anticorpos são encontrados no sangue e nas fezes apenas durante um breve período de tempo antes do aparecimento dos sinais e sintomas. Não há necessidade de jejum. A amostra de sangue deve ser coletada em 2 tubos de 3 ou 4,5 mℓ com EDTA. CONSIDERAÇÕES

ACHADOS ANORMAIS

A elevação dos títulos de anti-HAV con rma infecção recente ou atual.

ENFERMAGEM

É responsável por noti car os resultados anormais ao médico, instruir o paciente acerca do diagnóstico, administrar a medicação conforme orientação e avisar ao médico da necessidade de noti cação das autoridades de saúde pública.

Esse exame identi ca os anticorpos anti-HAV que aparecem no soro ou nos líquidos corporais dos pacientes.

ANTICORPOS ANTI-HEPATITE C

Con rmam a existência de anticorpos anti-hepatite C (HCV).

VALORES DE REFERÊNCIA

• Negativo para anti-HCV.

Observação. A existência de anticorpos pode indicar uma infecção ou infecção pregressa. A amostra de sangue deve ser coletada em 2 tubos de 3 ou 4,5 mℓ com EDTA.

CONSIDERAÇÕES

ACHADOS ANORMAIS

Positivos para anticorpos (necessário outro exame para determinar se a infecção é atual ou pregressa). Em caso de resultado falso-positivo, deve-se repetir o exame, o negativo pode indicar que ainda não houve desenvolvimento de anticorpos. ENFERMAGEM

É responsável por noti car os resultados anormais ao médico, instruir o paciente acerca do diagnóstico e avisar ao médico da necessidade de noti cação das autoridades de saúde pública.

A existência de anticorpos pode indicar uma infecção ou infecção pregressa.

ANTICORPOS ANTI-HEPATITE D

Ajudam no diagnóstico diferencial da hepatite viral.

VALORES DE REFERÊNCIA

• Negativo para anticorpos antivírus da hepatite D (HDV).

Observação. A hepatite D ocorre principalmente em pacientes com episódios agudos ou crônicos de hepatite B. A amostra de sangue deve ser coletada em 2 tubos de 3 ou 4,5 mℓ com EDTA.

CONSIDERAÇÕES

ACHADOS ANORMAIS

Positivos para anti-HDV.

ENFERMAGEM

É responsável por noti car os resultados anormais ao médico e instruir o paciente acerca do diagnóstico.

ANTICORPOS ANTI-HIV

São úteis para o rastreamento do HIV em paciente de alto risco e de sangue doado para HIV. VALORES DE REFERÊNCIA

• Negativo para anticorpos contra o HIV.

Observação. A amostra de sangue deve ser coletada em tubo de 10 mℓ com barreira que ajuda a prevenir a contaminação no momento de despejar o soro no laboratório.

CONSIDERAÇÕES

ACHADOS ANORMAIS

Positivo para anticorpo anti-HIV, indicando exposição prévia ao HIV (mesmo em pacientes aparentemente sadios) ou AIDS.

Ausência de anticorpos em pacientes com estágio avançado da AIDS, por causa da incapacidade de produzir uma resposta humoral.

ENFERMAGEM

É responsável por noti car os resultados ao médico e orientar o paciente sobre a necessidade de informar o seu estado ao médico e dentista, de modo que possam tomar as devidas precauções, além de incentivar o paciente com o resultado positivo a procurar atendimento médico para acompanhamento, mesmo se estiver assintomático, e orientar o paciente no sentido de comunicar o aparecimento de sinais precoces de AIDS, como febre, perda de peso, linfadenopatia axilar ou inguinal, erupção cutânea, tosse ou diarreia persistente. Para prevenir uma possível transmissão do vírus, vale instruir o paciente sobre práticas sexuais mais seguras e não compartilhar lâminas de barbear, escovas de dente e utensílios que possam ser contaminados com sangue. O paciente não deve doar sangue, tecidos ou órgãos.

A hepatite D ocorre principalmente em pacientes com episódios agudos ou crônicos de hepatite B.

ANTICORPOS ANTIVÍRUS EPSTEIN-BARR

Estabelecem um diagnóstico laboratorial dos casos de mononucleose infecciosa sem anticorpos heteró los (ou monoteste-negativa) e determinam o estado humoral dos anticorpos anti-EBV de pacientes imunossuprimidos com processos linfoproliferativos. VALORES DE REFERÊNCIA

Ausência de anticorpos detectáveis contra o vírus no monoteste ou no teste de imuno uorescência indireta. Observação. Deve-se coletar 5 mℓ de sangue estéril em um tubo com ativador de coágulo. Se a transferência tiver que ser retardada, o soro precisar ser conservado a 4°C durante 1 ou 2 dias ou a –20°C durante períodos mais prolongados, para evitar contaminação. CONSIDERAÇÕES

ACHADOS ANORMAIS

Monoteste positivo ou teste de imuno uorescência indireta, que é positiva para imunoglobulina (Ig) M ou negativa para o antígeno nuclear de Epstein-Barr (EBNA), indicando infecção aguda pelo vírus Epstein-Barr (EBV).

ENFERMAGEM

O monoteste só é positivo durante a fase aguda da infecção pelo EBV; já o teste de imuno uorescência indireta detecta e diferencia a infecção aguda da pregressa pelo vírus. A equipe de enfermagem deve estar atenta para o fato de que um resultado negativo do monoteste não exclui necessariamente uma infecção aguda ou pregressa pelo EBV. Em contrapartida, os anticorpos da classe IgG dirigidos contra o antígeno do capsídio viral e antígenos EBNA (IgM negativa) indicam infecção remota (mais de 2 meses) pelo EBV. Os casos de mononucleose infecciosa monoteste-negativa são causados por infecção pelo citomegalovírus.

O EBV é o agente etiológico da mononucleose infecciosa heteró lo-positiva, do linfoma de Burkitt e do carcinoma nasofaríngeo.

ANTICORPOS ANTI-HERPES-VÍRUS SIMPLES

Con rmam a infecção causada pelo herpes-vírus simples (HSV) e detectam uma infecção recente ou pregressa por HSV. VALORES DE REFERÊNCIA

• Ausência de anticorpos detectáveis (menos de 1:5).

Observação. A amostra de sangue deve ser coletada em um tubo de 7 mℓ com ativador de coágulo. Se não for transferido imediatamente, o soro precisa ser conservado a 4°C por 1 a 2 dias ou a –43,9°C por períodos mais prolongados, a m de evitar a contaminação.

O HSV provoca diversas manifestações clinicamente graves, incluindo lesões genitais, queratite ou conjuntivite, lesões dérmicas generalizadas e

pneumonia. Ensaios sensíveis, como a imuno uorescência indireta e o imunoensaio enzimático, revelam os anticorpos da classe das imunoglobulinas (Ig) M contra o HSV ou detectam uma elevação de 4 vezes ou mais nos anticorpos da classe IgG entre os soros da fase aguda e da fase convalescente.

CONSIDERAÇÕES

ACHADOS ANORMAIS

Infecção ativa por HSV.

ENFERMAGEM

É responsável por noti car os resultados anormais ao médico e instruir o paciente acerca do diagnóstico.

O HSV provoca diversas manifestações clinicamente graves, incluindo lesões genitais, queratite ou conjuntivite, lesões dérmicas generalizadas e

pneumonia.

ANTICORPOS HETERÓFILOS

Ajudam no diagnóstico diferencial da mononucleose infecciosa.

VALORES DE REFERÊNCIA

• Título inferior a 1:28 (possivelmente mais alto em pacientes idosos) • Negativo ou sem reação (conforme relatado por alguns laboratórios). Observação. A amostra de sangue deve ser coletada em tubo de 7 mℓ com ativador de coágulo. Existem 2 maneiras de identi car os anticorpos imunoglobulina (Ig)M no soro humano que reagem contra eritrócitos estranhos: os testes para anticorpos de Paul-Bunnell e de absorção diferencial de Davidsohn.

CONSIDERAÇÕES

ACHADOS ANORMAIS

Níveis elevados

Mononucleose infecciosa (título maior que 1:56, com aumento gradual durante a 3a ou 4a semana, seguido de declínio gradual durante a 4a à 8a semana, título reativo 2 semanas após o início dos sintomas).

LES, sí lis, crioglobulinemia ou existência de anticorpos contra a treponematose não si lítica (framboesia, pinta, bejel).

ENFERMAGEM

É responsável por noti car os resultados anormais ao médico e instruir o paciente acerca do diagnóstico. Se o título for positivo, mas a mononucleose não for con rmada, ou se o título for negativo, porém houver persistência dos sinais e sintomas, é preciso explicar ao paciente que serão necessários outros exames em alguns dias ou semanas para con rmar o diagnóstico e planejar um tratamento efetivo.

BILIRRUBINA | SANGUE

É útil para avaliar a função hepática, para o diagnóstico diferencial da icterícia e para monitorar a sua evolução, além de ajudar a estabelecer o diagnóstico de obstrução biliar e anemia hemolítica e de determinar se um recém-nascido necessita de exsanguinotransfusão ou fototerapia, em decorrência dos níveis perigosamente elevados de bilirrubina não conjugada.

VALORES DE REFERÊNCIA

• Adultos:

○ Níveis de bilirrubina sérica indireta: 0,1 a 1,0 mg/dℓ

○ Níveis de bilirrubina sérica direta: inferiores a 0,5 mg/dℓ

• Recém-nascidos:

○ Níveis séricos de bilirrubina total: 2 a 12 mg/dℓ

○ Valores críticos em recém-nascidos: superiores a 15 mg/dℓ.

Observação. A bilirrubina é o principal produto do catabolismo da hemoglobina. Determinar os níveis séricos de bilirrubina é particularmente signi cativo no recém-nascido, visto que pode ocorrer acúmulo de níveis elevados de bilirrubina não conjugada no cérebro, causando lesão irreversível. Jejum durante pelo menos 4 h. Em paciente adulto, deve-se realizar coleta de amostra de sangue em tubo de 3 ou 4 mℓ com ativador de coágulo.

CONSIDERAÇÕES

NÍVEIS ELEVADOS

São sugestivos de lesão hepática ou anemia hemolítica grave (níveis séricos elevados de bilirrubina indireta), hemólise (níveis séricos elevados de bilirrubina indireta e direta), de ciências congênitas de enzimas como a síndrome de Gilbert, obstrução biliar (níveis séricos elevados de bilirrubina direta) e lesão hepática crônica grave (níveis normais ou quase normais de bilirrubina direta e níveis elevados de bilirrubina indireta). ENFERMAGEM

É responsável por explicar ao paciente que a bilirrubina pode ser usada para avaliar a função hepática e a condição dos eritrócitos. Se o paciente for um lactente, é preciso avisar aos pais que será obtida uma pequena amostra de sangue do calcanhar.

A bilirrubina é o principal produto do catabolismo da hemoglobina.

BILIRRUBINA | URINA

Ajuda a identi car a causa da icterícia e a comparar os níveis urinários e séricos de bilirrubina e outros testes de enzimas hepáticas na detecção de distúrbios hepáticos.

VALORES DE REFERÊNCIA

• Negativos para bilirrubina.

Observação. O exame baseia-se em uma reação colorimétrica com um reagente especí co e detecta a bilirrubina direta (conjugada) hidrossolúvel na urina. Bilirrubina na urina pode indicar doença hepática causada por infecções, doença biliar ou hepatotoxicidade. Combinada com medições do urobilinogênio, a determinação da bilirrubina na urina ajuda a identi car distúrbios capazes de produzir icterícia. Deve-se usar apenas amostra de urina recentemente eliminada e uma tira reagente para bilirrubina, ou no laboratório.

CONSIDERAÇÕES

ACHADOS ANORMAIS

Positivos para bilirrubina.

ENFERMAGEM

É responsável por explicar ao paciente que a determinação da bilirrubina na urina ajuda a estabelecer a causa da icterícia e por coletar uma amostra de urina randômica no recipiente apropriado para análise à cabeceira do leito. Na coleta, deve-se usar uma tira reagente mergulhando-a na amostra de urina e removendo imediatamente, para se comparar a cor da tira com a tabela de cores depois de 20 s.

CÁLCIO (SANGUE) | CÁLCIO E FOSFATO (URINA)

É um exame útil para avaliar função endócrina, o metabolismo, a excreção de cálcio e o equilíbrio acidobásico, para orientar a terapia em pacientes com insu ciência renal, transplante renal, distúrbios endócrinos, neoplasias malignas, cardiopatias e distúrbios esqueléticos. Também ajuda a monitorar o tratamento da de ciência de cálcio ou fosfato (exame urinário).

VALORES DE REFERÊNCIA

• Níveis séricos de cálcio total (adultos): 8,2 a 10,2 mg/dℓ

• Níveis séricos de cálcio total (crianças): 8,6 a 11,2 mg/dℓ

• Níveis de cálcio ionizado: 4,65 a 5,28 mg/dℓ

• Níveis urinários de cálcio: 100 a 300 mg/24 h

• Excreção normal de fosfato: menos de 1.000 mg/24 h.

VALORES CRÍTICOS

• Cálcio sérico total: menos de 4,4 mg/dℓ (tetania e convulsões) • Cálcio sérico total: superior a 13 mg/dℓ (cardiotoxicidade, arritmias e coma) • Níveis de cálcio ionizados: inferiores a 2 mg/dℓ (tetania ou complicações potencialmente fatais)

• Níveis de cálcio ionizados: 2 a 3 mg/dℓ (necessidade de administração de cálcio caso tenham sido administradas múltiplas transfusões

sanguíneas)

• Níveis de cálcio ionizados: superior a 7 mg/dℓ (levando possivelmente ao coma). Observação. Jejum durante 6 h para determinação do nível sérico de cálcio ionizado. A urina deve ser coletada durante um período de 24 h. É necessário fornecer uma dieta contendo cerca de 130 mg de cálcio/24 h durante 3 dias antes do exame de urina, ou fornecer a dieta por escrito para que o paciente possa segui-la em casa. A amostra de sangue deve ser coletada em tubo de 3 ou 4 mℓ com ativador de coágulo (para o cálcio sérico total) ou se deve coletar uma amostra de sangue venoso 5 a 10 mℓ em tubo com tampa vermelha (para o cálcio ionizado). A urina deve ser coletada durante 24 h, descartando-se a 1a urina e incluindo a última amostra. CONSIDERAÇÕES

NÍVEIS ELEVADOS (HIPERCALCEMIA)

• Cálcio sérico total: hiperparatireoidismo e tumores das glândulas paratireoides, doença de Paget do osso, mieloma múltiplo, carcinoma

metastático, fraturas múltiplas, insu ciência suprarrenal e doença renal, uso excessivo de antiácidos, como carbonato de cálcio

• Cálcio ionizado: neoplasias malignas do osso, pulmão, mama, bexiga ou rim • Cálcio urinário: hiperparatireoidismo, intoxicação por vitamina D, carcinoma metastático, sarcoidose, acidose tubular renal, mieloma múltiplo.

NÍVEIS DIMINUÍDOS (HIPOCALCEMIA)

• Cálcio sérico total: hipoparatireoidismo, paratireoidectomia total, má absorção, síndrome de Cushing, insu ciência renal, pacreatite aguda,

peritonite, desnutrição com hipoalbuminemia e múltiplas transfusões sanguíneas (citrato liga-se ao cálcio ionizado)

• Cálcio ionizado: diarreia, má absorção de cálcio, queimaduras, alcoolismo, pancreatite, insu ciência renal crônica, hipoparatireoidismo,

de ciência de vitamina D e falência múltipla de órgãos

• Cálcio urinário: numerosos distúrbios.

ENFERMAGEM

O cálcio e os fosfatos são absorvidos normalmente no intestino delgado e excretados nas fezes e na urina e ajudam a manter o pH de tecidos e líquidos, o equilíbrio eletrolítico nas células e líquido extracelular e a permeabilidade das membranas celulares. HIPERCALCEMIA

Deve-se monitorar o paciente quanto a sinais e sintomas como náuseas, vômitos, sede excessiva, dor abdominal, dores musculares e articulares, fraqueza muscular, confusão, letargia, fadiga. Pode ser necessária administração rápida de solução de calcitonina se o cálcio sérico total do paciente for superior a 13 mg/dℓ, e de cálcio se o nível de cálcio ionizado do paciente estiver entre 2 e 3 mg/dℓ. HIPOCALCEMIA

Deve-se monitorar o paciente quanto a sinais e sintomas (ritmos cardíacos anormais, dormência nos dedos das mãos, crises convulsivas, letargia, confusão mental) e quanto à ocorrência de dormência perioral e periférica e formigamento, contrações musculares, sinal de Chvostek (espasmos dos músculos faciais), sinal de Trousseau (espasmo carpopedal), crises convulsivas, arritmias cardíacas, diminuição do débito urinário, prolongamento do intervalo Q, fraturas.

CALCITONINA

Ajuda a estabelecer o diagnóstico de carcinoma medular da tireoide e tumores produtores de calcitonina ectópica (raros). VALORES DE REFERÊNCIA

• Mulheres: 20 pg/mℓ

○ Depois de uma infusão de cálcio de 4 h – 130 pg/mℓ

○ Depois de uma infusão de pentagastrina – 30 pg/mℓ

• Homens: 40 pg/mℓ

○ Depois de uma infusão de cálcio de 4 h – 190 pg/mℓ

○ Depois de uma infusão de pentagastrina – 110 pg/mℓ.

Observação. Jejum durante a noite, visto que os alimentos podem interferir na homeostasia do cálcio e, subsequentemente, nos níveis de calcitonina. A amostra de sangue deve ser coletada em um tubo heparinizado de 7 mℓ. CONSIDERAÇÕES

Continuar: parte 2 de 5