Guia Prático em Saúde (GPS): Enfermagem
Urgência e Emergência
Protocolos em Emergência
Suporte Avançado de Vida em Cardiologia (ACLS, Advanced
Cardiology Life Support)
INTRODUÇÃO
As urgências são condições que exigem intervenção rápida por parte dos pro ssionais; as emergências, por sua vez, colocam em risco a vida dos pacientes. Para que os pro ssionais das salas de reanimação e salas de cuidados imediatos possam agir de maneira rápida e e caz, muitas vezes, são utilizados protocolos de atendimento. Tal medida visa prestar socorro adequadamente e melhorar a qualidade de atendimento às urgências e emergências, bem como para a gerência adequada das unidades, com relação à provisão de equipamentos e insumos e alocação de equipes de saúde para o trabalho realizado lá. Dito isso, selecionamos alguns protocolos assistenciais comumente utilizados em unidades de pronto-socorro e emergências de grande porte para alguns dos principais quadros apresentados nesses locais.
Todos os protocolos descritos neste capítulo tiveram como base o Manual Protocolos de
Urgência e Emergência (2006) da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, e foram adaptados de acordo com o nosso público-alvo.
DOENÇA MENINGOCÓCICA
ISOLAMENTO RESPIRATÓRIO POR 24 h
PVC: pressão venosa central; SF: soro siológico (NaCl a 0,9%).
INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA
CPK: creatinofosfoquinase; US: ultrassonogra a.
TRAUMATISMO ABDOMINAL
PAF: projétil de arma de fogo; US: ultrassonogra a; Ht: hematócrito; TC: tomogra a computadorizada.
TRAUMATISMO CRANIOENCEFÁLICO (TCE)
TC: tomogra a computadorizada.
POLITRAUMATISMO I
São considerados politraumatizados os pacientes com um ou mais traumas signi cativos de cabeça, tórax, abdome, trato urinário, pelve ou coluna e extremidades.
POLITRAUMATISMO II
ECG: ecocardiograma; b-hCG: fração beta da gonadotro na coriônica humana; US: ultrassonogra a.
ESCALA DE COMA DE GLASCOW
VARIÁVEIS ESCORE
Abertura ocular Espontânea 4
À voz 3
À dor 2
Nenhuma 1
Resposta verbal Orientada 5
Confusa 4
Palavras inapropriadas 3
Palavras incompreensíveis 2
Nenhuma 1
Resposta motora Obedece a comandos 6
Localiza dor 5
Movimento de retirada 4
Flexão anormal 3
Extensão anormal 2
Nenhuma 1
Total máximo Total mínimo Intubação
15 3 8
SNC: sistema nervoso central; TCE: traumatismo cranioencefálico; b-hCG: fração beta da gonadotro na coriônica humana; ECG: ecocardiograma; US: ultrassonogra a.
CHOQUE
Desequilíbrio entre oferta e consumo de oxigênio em decorrência de má perfusão periférica.
CHOQUE HIPOVOLÊMICO
US: ultrassonogra a; TC: tomogra a computadorizada.
TRATAMENTO
• Dois cateteres (Jelco® 14 ou 16) em veias periféricas calibrosas
• Soluções cristaloides
○ Adulto: 3.000 mℓ (correr aberto); se necessário, infundir mais de 3.000 mℓ
○ Crianças: 20 a 40 mℓ/kg
• Se não melhorar, infundir sangue.
REPOSIÇÃO DE VOLUME NO PACIENTE CARDIOPATA
Pressão coloidosmótica deve estar normal.
PVC: pressão venosa central.
Atenção
• Dois acessos venosos periféricos com Jelco® 14
• Pacientes com hipoalbuminemia necessitam de albumina humana associada a solução
cristaloide, desde o início
• Pacientes cardiopatas podem necessitar de cardiotônicos
• Monitoramento da PVC: queimados, sépticos, neurológicos, cardiopatas
• Pacientes diabéticos ou com insu ciência hepática não devem fazer uso de lactato de
Ringer.
CHOQUE PERSISTENTE
EIC: espaço intercostal; CPK: creatinofosfoquinase; CK-MB: fração MB da creatinofosfoquinase; ECG: eletrocardiograma; CC: centro cirúrgico.
ABC DO POLITRAUMATISMO
• Abertura das vias respiratórias com controle e estabilização da coluna cervical
• Boa ventilação e respiração, que asseguram troca gasosa e perfusão adequadas
• Controle da circulação por meio do controle de hemorragias e, se necessário, infusão de
soluções
• Dé cit neurológico deve ser pesquisado por exame sumário apenas para con rmação e
correlação com outros sinais clínicos
• Exposição completa do paciente, retirando suas vestes, mas evitando hipotermia.
DOR ABDOMINAL AGUDA
ROTINA DE EXAMES
• Homem: hemograma; sumário de urina; amilase; radiogra a de tórax (em pé); radiogra a
de abdome (em pé e deitado); ultrassonogra a de abdome total (após ver radiogra a)
• Mulher em idade fértil (até 45 anos ou com ciclos menstruais mesmo com laqueadura
tubária): hemograma; urinálise; amilase; ultrassonogra a de abdome total e pelve (antes ou depois da radiogra a, conforme o quadro clínico); beta-HCG sangue, se beta-HCG na urina negativo, radiogra a de tórax (em pé); radiogra a de abdome (em pé e deitado)
• Mulher fora da idade fértil: rotina de exames para homem com ultrassonogra a total e
pelve.
CAUSAS DA DOR ABDOMINAL LOCALIZADA
IAM: infatro agudo do miocárdio.
EXAMES DE ROTINA
• Hemograma completo, transaminase glutâmico-oxalacética (TGO [AST]), transaminase
glutamico-pirúvica (TGP [ALT]), amilase
• EAS
• Ecogra a abdominal superior ou total.
A rotina de exames visa não deixar doenças graves sem cobertura, protelando assim seu
diagnóstico e tratamento. Dor abdominal de início recente pode ser referida e migrar. A víscera acometida pode estar localizada em região topográ ca abdominal diferente da localização na parede abdominal em que a dor se iniciou; ela geralmente está no local correspondente em que a dor passou a ocorrer após a migração.
Objetivos
• Afastar abdome agudo cirúrgico
• Afastar doenças clínicas que compliquem com abdome agudo
• Afastar doenças clínicas potencialmente fatais.
ROTINAS DE EXAME NA DOR ABDOMINAL LOCALIZADA
US: ultrassonogra a; TGO: transaminase glutâmico-oxalacética; TGP: transaminase glutamicopirúvica; EDA: endoscopia digestiva alta; IAM: infarto agudo do miocárdio; TC: tomogra a computadorizada; CPK: creatinofosfoquinase; CPFCK-MB: fração MB da creatinofosfoquinase.
ROTINA PRÉ-OPERATÓRIA
• Hemograma completo
• Glicemia
• Creatinina
• Coagulograma
• EAS
• Ultrassonogra a abdominal superior ou total
• Parecer cardiológico
OBJETIVOS
• Afastar abdome agudo cirúrgico
• Afastar doenças clínicas que compliquem com abdome agudo
• Afastar doenças clínicas potencialmente fatais.
OBSTRUÇÃO INTESTINAL
FISIOPATOLOGIA
ABDOME AGUDO
Durante a fase de elucidação diagnóstica, deve-se evitar o choque.
EXAMES COMPLEMENTARES
• Hemograma
• EAS
• Rotina radiológica para abdome agudo: radiogra a simples AP, radiogra a de abdome em
decúbito horizontal e ortostase devem ser solicitadas para todos os casos
• Outros exames de valor diagnóstico e prognóstico devem ser solicitados de acordo com a
necessidade.
ABDOME AGUDO INFLAMATÓRIO
DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO
Evitar o choque, fazer exames de rotina para abdome agudo para todos os casos e exames especí cos quando indicado.
HEMORRAGIA DIGESTIVA ALTA I
INDICAÇÕES DE CIRURGIA
Paciente portador de câncer com hemorragia; paciente com hemorragia e obstrução ou perfuração; paciente com sangramento reincidente (excluir os casos que podem ser resolvidos endoscopicamente); paciente portador de sangue raro; paciente que necessita de transfusão de 8 em 8 h para manter Ht > 25 e Hb > 8; paciente que sangrou durante tratamento clínico.
Caso o sangramento persista em varizes de esôfago após esclerose, usar somatostatina –
dose inicial de 1 a 2 mcg/kg em 2 a 5 min. Em seguida, 1 mcg/kg/hora.
EDA: endoscopia digestiva alta; (+): encontrou sangramento local; (–): não encontrou sangramento local.
HEMORRAGIA DIGESTIVA ALTA II
(+): persistente; (–): parou de sangrar.
HEMORRAGIA DIGESTIVA ALTA III
AINH: anti-in amatório não hormonal; AAS: ácido acetilsalicílico; IV: intravenosa.
FATORES DE RISCO PARA PROGNÓSTICO RUIM
• Idoso (> 60 anos)
• Comorbidades
• Sangramento ativo (hematêmese, sangue vivo na sonda nasogástrica [SNG],
hematoquezia)
• Hipotensão ou choque
• Transfusão = unidades
• Paciente internado antes do sangramento
• Coagulopatia importante.
CLASIFICAÇÃO DE FORREST
SANGRAMENTO TIPO DESCRIÇÃO
I. Ativo Forrest IA Em jato
“Babando”
Forrest IB
II. Recente Forrest IIA Coto vascular visível
Forrest IIB Coágulo recente
Forrest IIIC Fundo hemático
III. Sem sangramento Forrest III Sem sinal de sangramento
HEMORRAGIA DIGESTIVA BAIXA
INDICAÇÕES DE CIRURGIA
• Sangue raro
• Neoplasia maligna
• Necessidades de transfusão de sangue de 8 em 8 h
• Sangramento com obstrução ou perfusão
• Sangra, cessa, retorna a sangrar.
HEMORRAGIA DIGESTIVA BAIXA MACIÇA
O tratamento cirúrgico estará intimamente relacionado com o diagnóstico etiológico, a topogra a da lesão e a experiência do serviço.
HIPOGLICEMIA
IV: intravenosa; IM: intramuscular.
CETOACIDOSE DIABÉTICA (CAD)
Avaliação inicial completa (história e exame físico minucioso) e solicitação de Na+, K+, Cl–,
hemograma, glicemia, gasometria arterial, EAS, radiogra a de tórax, eletrocardiograma (ECG) e cetonúria.
IV: intravenosa; SF: soro siológico.
ESTADO HIPEROSMOLAR HIPERGLICÍMICO (EHH)
Avaliação inicial completa (história e exame físico minucioso) e solicitação de Na+, K+, Cl–, hemograma, glicemia, gasometria arterial, EAS, radiogra a de tórax, ECG e cetonúria.
IV: intravenosa.
EMBOLIA PULMONAR
SUSPEITA DE EMBOLIA PULMONAR
ECG: eletrocardiograma; TC: tomogra a computadorizada; MMII: membros inferiores. ABORDAGEM DO TROMBOEMBOLISMO PULMONAR MACIÇO
PAS: pressão arterial sistólica; TEP: tromboembolismo pulmonar maciço.
AJUSTE DA INFUSÃO DE HEPARINA
Trombose venosa profunda (TVP); tromboembolismo pulmonar (TEP) ou TEP maior sem heparina 5.000 UI em bólus + 1.000 a 1.500 UI/h/24 h (solução 32.000). Dose 80 mg kg IV em bólus.
PARAR VELOCIDADE
REPETIR INFUSÃO DE INFUSÃO PRÓXIMO
TTPA BÓLUS (min) mℓ/h TTPA
< 50 5.000 UI 0 0 + 2 6 h
50 a 69 0 0 0 + 3 6 h
60 a 85 0 0 0 Manhã
seguinte
86 a 95 0 0 0 a 2 Manhã
seguinte
96 a 120 0 30 30 a 32 6 h
> 120 0 60 60 a 64 6 h
TTPA: tempo de tromboplastina parcial ativada.
BIBLIOGRAFIA
Brasil. Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal. Protocolos de Urgência e Emergência
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Smeltzer SC, Bare BG. Tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 11 ed. Rio de Janeiro:
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