Inteligência Ecológica

Daniel Goleman · Capítulo 3 de 19

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Inteligência Ecológica

0 que Não Sabemos 26

Essa inform ação tem valor estratégico. Cada valor negativo na Análise do Ciclo de Vida apresenta potencial de aperfeiçoam ento e de m elhora dos im pactos ecológicos gerais de um produto. A avaliação dos lados positivos e negativos ao longo da cadeia de valor de um produto oferece um a m étrica para decisões de negócios que acentuarão os benefícios e m inim izarão os aspectos negativos.

Em um a época na qual os principais j ogadores de todos os setores e um núm ero cada vez m aior de consum idores exercem pressão pela utilização de produtos verdes, seria m uito im portante entenderm os as im plicações da atenuação dos im pactos ao longo de toda a cadeia de suprim entos e durante o ciclo de vida de um produto. Verde é um processo, não um a condição -tem os de pensar em "verde" com o verbo, não com o adj etivo. Essa alteração sem ântica poderia auxiliar a nos concentrarm os m ais no sentido de tornar os produtos verdes.

Tente fazer o seguinte experim ento: im agine um a balança antiga, daquelas de dois pratos, com o a da im agem clássica da deusa da Justiça. Coloque em um dos pratos todos os benefícios gerados por reciclagem , uso de produtos verdes e outras atividades voltadas para o m eio am biente, a saúde pública e a sociedade das quais você participa norm alm ente durante o m ês. Agora, no outro prato, coloque o que um ecologista industrial avaliaria com o os im pactos danosos de todo o resto que você com pra durante o m esm o m ês - todos os quilôm etros que percorre em seu autom óvel, as consequências ocultas da produção, transporte e descarte de suas com pras, o papel que utiliza na im pressora de sua casa, e todo o resto.

Infelizm ente, para todos nós, exceto os m ais virtuosos, o peso dos im pactos danosos é m uito m aior do que o dos benefícios. Com o revelam os dados da Análise do Ciclo de Vida, no m ercado de hoj e é praticam ente im possível chegar a um equilíbrio entre esses dois lados da balança.

Entre as poucas pessoas que conheço cuj a balança poderia pender para o lado m elhor, estão os adeptos do "freeganism o", que se esforçam absurdam ente para nunca com prar nada novo; andam ou usam a bicicleta, em vez de usar autom óveis; praticam o escam bo e chegam a revirar o lixo em busca de produtos que possam aproveitar. Tal ascetism o am biental é para poucos. O cam inho do m eio pode ser atraente para um grupo m ais num eroso de entusiastas: um a com binação de consum ir m enos e com prar com m ais precisão para gerar im pactos am bientais benéficos. Com pre m enos, m as, ao com prar, use a inteligência.

Com o vim os no últim o capítulo, quase todos nós saím os para fazer com pras sem , entretanto, estar cientes dos verdadeiros im pactos de nossas com pras e de nossos hábitos. A principal barreira se resum e à falta de inform ações cruciais, um a lacuna que nos deixa no escuro. Dizem que "aquilo que não sabem os não pode nos fazer m al". Mas, hoj e, a verdade é j ustam ente o inverso: o que sabem os sobre o que ocorre nos bastidores, fora do alcance de nossos olhos, nos prej udica, prej udica os outros e tam bém o planeta. É preciso ver além do interruptor e enxergar o custo am biental da luz elétrica; m ergulhar no nível m olecular, a fim de avaliar as substâncias quím icas em itidas pelos produtos que utilizam os no dia a dia e que são absorvidas por nosso organism o; investigar a cadeia de suprim entos, a fim de entender o custo hum ano dos produtos que utilizam os.

No m undo do com ércio, som os coletivam ente vítim as da prestidigitação: o m ercado é organizado com o se houvesse um ilusionista pregando um a peça em nossa percepção. Não conhecem os os verdadeiros im pactos do que com pram os e não percebem os que não o sabem os. Não saber que não notam os é a essência da autoilusão.

Estam os expostos a inúm eras am eaças em grande parte porque a rede de conexões entre o que com pram os e o que fazem os e os im pactos adversos dela resultantes continua desconhecida para nós. À m edida que essas consequências vão se tornando ainda m ais terríveis, dam os continuidade aos hábitos que intensificam essas próprias am eaças. Há um a desconexão fundam ental dentro de nossa consciência, entre o que fazem os e sua im portância.

Um exem plo: o Swiss Federal Institute for Snow and Avalanche Research docum enta um aquecim ento que leva as encostas das m ontanhas abaixo de 1500m a receberem 20% m enos de neve do que recebiam nas décadas anteriores.' A dim inuição da neve significa que os resorts precisam produzir neve artificial, usando m áquinas que gastam enorm es quantidades de energia -e, assim , agravam o aquecim ento do clim a. Entretanto, m esm o com tem peraturas am enas, lá estão os esquiadores, esperando alegrem ente para praticar seu esporte de qualquer form a. Assim , os resorts lançam m ão das m áquinas para produzir neve artificial, com suas m áquinas ávidas por energia.

Outro exem plo: os ecologistas industriais realizaram um a cuidadosa análise de um proj eto de habitações verdes em Viena no qual os habitantes abriram m ão dos autom óveis e usaram o dinheiro que econom izavam ao não construir garagens para instalar equipam entos de energia solar e sim ilares. No que diz respeito ao uso de energia e locom oção, as em issões de carbono dessas casas estavam m uito abaixo do que as das casas convencionais. Entretanto, no que diz respeito a todos os outros aspectos - alim entação, locom oção para fora de Viena e consum o de produtos -, não eram nem um pouco m elhores do que os lares convencionais.

Terceiro: descobriu-se que ingredientes m uito com uns no protetor solar estim ulam o crescim ento de um vírus nas algas que vivem dentro dos arrecifes de coral. Pesquisadores calculam que nadadores em todo o m undo deixem um rastro de 4 a 6 m il toneladas m étricas de filtro solar por ano no m ar, am eaçando transform ar cerca de 10% dos arrecifes de coral em esqueletos sem cor.2 Os perigos são m aiores, obviam ente, nos lugares em que os nadadores são atraídos pela beleza dos corais.

Nossa incapacidade de reconhecer instintivam ente as conexões entre nossas ações e os problem as delas resultantes nos deixa totalm ente abertos a criar as am eaças que censuram os. É com o se nossas opções de locom oção, o rodízio de autom óveis, as usinas term oelétricas e os escritórios superaquecidos, a m istura tóxica de m oléculas que flutuam a nosso redor, dentro de nossos lares, nada tivesse a ver conosco. Continua havendo desconexão entre nosso papel coletivo na geração de todas essas partículas danosas e os danos que elas produzem .

Sofrem os de um enorm e ponto cego com um . Desde o início da civilização, os m ilênios testem unharam o surgim ento lento, porém estável, de novas variedades de am eaças, de m odo que hoj e nossa espécie enfrenta o perigo das forças que se esquivam dos alarm es internos de nossa percepção. Com o essas m udanças em briagam o sistem a de alarm e de nosso cérebro, precisam os nos esforçar especificam ente para trazer à consciência os perigos sublim inares, a com eçar pela com preensão de nosso dilem a perceptual.

Nosso cérebro está singularm ente antenado para detectar e reagir de im ediato a um a gam a fixa de am eaças, aquelas que cabem no periscópio da natureza. A natureza preparou o circuito de alarm e cerebral de m odo a identificar prontam ente obj etos lançados contra nós, expressões faciais am eaçadoras, anim ais que rosnam para nós e perigos sim ilares no m eio físico im ediato que nos cerca. Esse circuito nos aj udou a sobreviver até os dias de hoj e.

Porém , nada em nosso passado evolutivo m oldou nosso cérebro para detectar am eaças m enos palpáveis, com o o lento aquecim ento do planeta, a traiçoeira dissem inação de destrutivos particulados quím icos no ar que respiram os e nos alim entos que ingerim os, tam pouco a inexorável destruição de grande parte da fauna e da flora de nosso planeta. Som os capazes de identificar a expressão sinistra e am eaçadora de um estranho - e de com eçar im ediatam ente a cam inhar na direção oposta. Mas, no que diz respeito ao aquecim ento global, sim plesm ente dam os de om bros. Nosso cérebro é excelente em lidar com as am eaças no m om ento, m as não consegue lidar com aquelas que vem os se aproxim ando em um futuro indefinido.

O aparato perceptual hum ano possui lim ites im perceptíveis, abaixo dos quais não notam os o que acontece. Som os lim itados no que sentim os pelas fronteiras que se encontram eternam ente além de nossa percepção. Nossa faixa de percepção foi criada pela natureza, pela ação dos predadores, dos venenos e das inúm eras outras am eaças à vida que nossa espécie encontrou. Na época em que fugíam os dos predadores, o ser hum ano vi via no m áxim o 30 anos; "sucesso", do ponto de vista da evolução, significava viver o suficiente para ter filhos que tam bém vivessem o suficiente para ter os próprios filhos. Hoj e, porém , vivem os tem po suficiente para m orrer de câncer, doença que, em si, pode levar três ou m ais décadas para se desenvolver.

Inventam os os processos industriais e adquirim os hábitos de vida que, cum ulativam ente, podem causar, aos poucos, a erosão do lim itado nicho de tem peratura, oxigênio e exposição à luz solar que nutre a vida hum ana. Porém , as m udanças que poderiam resultar em um a m aior incidência de câncer, ou na m archa irrefreável rum o a um planeta m ais quente, ficam abaixo do lim ite de nossa percepção sensorial. Nosso sistem a de percepção não detecta os sinais de perigo quando a am eaça ocorre na form a de elevações graduais na tem peratura do planeta, ou de m inúsculas substâncias quím icas que se acum ulam em nosso corpo ao longo do tem po. Nosso cérebro não dispõe de um radar interno para nos avisar de sua aproxim ação.

O cérebro hum ano foi sintonizado para ser hipervigilante na detecção de perigos em um m undo que não m ais habitam os, enquanto o m undo no qual vivem os hoj e apresenta perigos abundantes que não vem os, ouvim os ou provam os. O sistem a de resposta às am eaças de que o cérebro dispõe é logrado o tem po todo.

Em bora o cérebro hum ano sej a extrem am ente alerta às am eaças que é capaz de sentir, nosso cérebro é inadequado às am eaças que enfrentam os no front ecológico: são perigos que surgem gradualm ente, sej a no nível m icroscópico, sej a no nível global. O cérebro hum ano foi singularm ente sintonizado para captar m udanças na luz, som , pressão etc., em um a faixa lim itada- a zona de percepção em que detectam os a presença de um tigre ou de um carro desgovernado vindo em nossa direção. Essas am eaças estim ulam nosso sistem a a reagir em m ilissegundos: sentim os essas am eaças fam iliares com tanta clareza quanto enxergam os um fósforo que se acende em um quarto escuro. Entretanto, no que diz respeito aos perigos ecológicos, nós os enxergam os tão m al quanto a diferença que um fósforo aceso faz em um quarto bem ilum inado.

Os psicofísicos usam a expressão "diferença apenas observável" para descobrir as m enores m udanças que nossos sentidos são capazes de detectar em sinais sensoriais com o pressão ou volum e. As m udanças ecológicas que sinalizam perigo im inente estão abaixo do lim iar e se m ostram dem asiadam ente sutis para ser registradas em nossos sistem as sensoriais. Não dispom os de detectores autom áticos voltados para essas fontes de perigo indefinidas, tam pouco respostas instintivas a elas. O cérebro hum ano adaptou-se a identificar os perigos dentro de seu cam po sensorial. No entanto, para sobreviver hoj e, precisam os perceber am eaças que estão além do lim ite de nossa percepção. Precisam os tornar visível o invisível.

Com o diz Daniel Gilbert, psicólogo de Harvard: "Os cientistas lam entam o fato de o aquecim ento global estar acontecendo tão rápido, m as a verdade é que não está acontecendo rápido o bastante. Com o m al notam os as m udanças que ocorrem gradualm ente, aceitam os coisas que não perm itiríam os caso acontecessem de um a hora para a outra. A im pureza de nosso ar, da água e dos alim entos aum entou drasticam ente durante nosso tem po de vida, m as veio ocorrendo um dia atrás do outro, transform ando nosso m undo em um pesadelo ecológico que nossos avós j am ais teriam tolerado."3

 

MENTIRAS VITAIS, VERDADES SIMPLES

O dram aturgo norueguês Henrik Ibsen cunhou a expressão "m entira vital" para a história reconfortante que contam os a nós m esm os e que esconde um a verdade m ais dolorosa. Quando se trata dos custos totais da ignorância ecológica no m ercado, endossam os a m entira vital de que o que não conhecem os ou não podem os ver não im porta. Na verdade, nossa indiferença para com as consequências da som a total do que com pram os e fazem os, bem com o nossos hábitos autom áticos com o consum idores, im pulsionam um grande núm ero de am eaças ao m eio e à saúde.

Cada m entira vital requer reportagens de capa que encobrem um a verdade sim ples. Vej am os a reciclagem . Dizem os a nós m esm os: "Bem , eu reciclo m eu j ornal, reciclo as garrafas. Além disso, quando faço com pras, levo m inhas próprias bolsas" e nos sentim os um pouco m ais confortados por term os feito nossa parte. Por m ais virtuosa que possa ser essa reciclagem - e certam ente é m elhor do que não fazer nada -, nem chega perto de um a solução real para rem ediar a situação. E a reciclagem pode alim entar nossa autoilusão criando um a bolha verde m om entânea que oferece a ilusão de que nossos esforços individuais estão resolvendo o problem a.

"Reciclar", com o diz o designer industrial William McDonough, "significa sim plesm ente reciclar nossas toxinas". Razão: alguns dos com postos quím icos utilizados rotineiram ente na m anufatura dos produtos tornam se destrutivos quando entram em contato com o m eio am biente. Quando colocam os nosso lixo na lata de lixo, estam os fazendo nossa parte para tornar o aterro sanitário um local tóxico. Tudo que j ogam os fora perm anece aqui, no planeta Terra.

No que diz respeito à reciclagem , podem os nos sair m uito m elhor. Um dia, com o propõe McDonough no revolucionário livro Cradle to Cradle, terem os a reciclagem total, em que todas as partes de um produto poderão ser inteiram ente reutilizadas em novos produtos ou com pletam ente desm em bradas em m oléculas que a natureza pode absorver bem .4 Por enquanto, porém , fazem os o que parece ser um a escolha suficientem ente boa, dadas as opções -e, ao m esm o tem po, deixam os de perceber que, em prim eiro lugar, nos é oferecida apenas um a gam a de opções arbitrária e m uito lim itada.

Nesse sentido, a reciclagem contribui para a m entira vital de que j á estam os fazendo o que im porta, quando, na verdade, o que estam os fazendo m al se aproxim a da enorm e onda de danos colaterais causados às pessoas e ao planeta pelas coisas que com pram os e usam os. Sob essa ótica, os rótulos "verdes" e os program as de reciclagem podem tanto causar danos quanto fazer bem ; levam -nos à ilusão de que estam os fazendo o suficiente, ao m esm o tem po em que ignoram os os im pactos adversos restantes do que com pram os e fazem os. A hum anidade não pode m ais se dar ao luxo dessas histórias reconfortantes.

Vikram Soni e Sanj ay Parikh censuram com o, na índia, sua terra natal, e em outras partes dos países em desenvolvim ento, o próprio term o "desenvolvim ento" pode ocultar a extinção de um a enorm e faixa da natureza pelas grandes barragens ou im ensos proj etos de construção;' por exem plo, os construtores em pregam o term o "colheita de água" para se referir à utilização excessiva de um aquífero ou à construção em planícies de terras agrícolas. Seguindo o m esm o raciocínio, Soni e Parikh questionam o term o floresta "sustentável" quando a palavra disfarça a substituição de um a floresta natural preservada por um a m onocultura; nem m esm o plantio de duas árvores para cada árvore derrubada em um a clareira aberta na m ata nativa pode substituir a riqueza da biodiversidade perdida.

Essas m entiras vitais criam um a espécie de logro entre nós, im pedindo-nos de exam inar diretam ente os im pactos ocultos de nossas escolhas. Existem quatro regras de atenção em qualquer grupo, de um a fam ília à sociedade com o um todo, passando pelas em presas. Essas regras governam a proporção de inform ação para ignorância e, nessa condição, têm enorm es consequências.

As duas prim eiras determ inam as inform ações que tem os em com um . Núm ero um : aqui está o que observam os. Quanto a um produto, o que observam os é, em grande parte, o que diz respeito a nós. Para um a grande em presa, são os lucros; para o consum idor, preço e valor. A segunda regra: aqui está o nom e que dam os a isso. Em term os econôm icos, para um a em presa, o preço do produto pode ser um a "vantagem com petitiva"; para o consum idor, um a "pechincha".

O segundo par de regras determ ina nosso nível de ignorância. Núm ero três: aqui está o que não observam os. O que não observam os a respeito do livre m ercado foram os custos ocultos das coisas que produzim os, vendem os e com pram os para nosso planeta e seus habitantes. A quarta regra: aqui está com o falam os sobre essa questão, ou o que dizem os para m anter o ponto cego oculto. Em term os de com ércio, é um a versão da m áxim a "o que im porta é o preço, o restante não conta m uito".

Essas quatro regras de negação podem ser reafirm adas em term os da teoria econôm ica; no m ercado, o que vem os e nom eam os representa as inform ações que tem os a respeito de um produto. Esses aspectos do produto que são invisíveis e, portanto, não têm nom e representam nossa ignorância. Essas regras de atenção explicam por que, infelizm ente, os im pactos de produtos nocivos não são punidos e os virtuosos deixam de ser recom pensados.

Para os Alcoólatras Anônim os, o não reconhecim ento, pela fam ília e pelos am igos, de que um a pessoa é alcoólatra e precisa de aj uda é com o "ignorar um elefante na sala". Estam os ignorando outra variedade do elefante na sala: a sala em si e os im pactos não reconhecidos de tudo que nela se encontra.

Grande parte do foco m undial nos aperfeiçoam entos ecológicos destacou o que os indivíduos fazem - am pliando os im pactos de nossos hábitos em term os de utilização de autom óveis, uso de energia em casa etc. Porém , visto pelas lentes da Análise do Ciclo de Vida, o que fazem os com as coisas que possuím os representa apenas um estágio no ciclo de vida dos produtos. E esse estágio pode ter pouco ou nada a ver com os piores efeitos ecológicos de um dado produto. Ao nos concentrarm os apenas em com o nos com portam os, ignoram os um a vasta e prom issora arena para m udanças.

Diz a retórica que som os todos vítim as indefesas do que parece ser um a conspiração. Aos olhos de alguns, corporações sem rosto são as úteis e convenientes vilãs, sobre as quais j ogam os a culpa da atual situação. Vistas dessas m esm as corporações, as forças do irracional são incorporadas em ativistas que forçam m udanças que não fazem sentido do ponto de vista em presarial. Dentro das em presas, essa m esm a m entalidade assum e a form a de "passar a bola", ou sej a, de atribuir a outros a responsabilidade por decisões difíceis - a um engenheiro, a um especialista, a um consultor ou ao governo. Encontrar outras pessoas sobre as quais j ogar a culpa sem pre foi um a estratégia com um da psique hum ana. Os psicanalistas cham am isso de "proj eção" - atribuir não a nós m esm os, m as a outras pessoas - ou a outras coisas - os m otivos de nossos fracassos.