O Condenado: Drama em Três Atos e Quatro Quadros
The Project Gutenberg eBook of O
condemnado, drama em tres actos e
quatro quadros;
This ebook is for the use of anyone anywhere in the United States and most other parts of the world at no cost and with almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included with this
ebook or online at www.gutenberg.org. If you are not located in the United States, you will have to check the laws of the country where you are located before using this eBook.
Title: O condemnado, drama em tres actos e quatro quadros;
Author: Camilo Castelo Branco
Release date: May 29, 2010 [eBook #32586]
Language: Portuguese
Credits: Produced by Pedro Saborano (produced from scanned images
of public domain material from Google Book Search)
*** START OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK O CONDEMNADO, DRAMA EM TRES ACTOS E QUATRO QUADROS; ***
Notas de transcrição:
O texto aqui transcrito, é uma cópia integral do livro impresso em 1870.
Mantivemos a grafia usada na edição impressa, tendo sido corrigidos alguns pequenos erros tipográficos evidentes, que não alteram a leitura do texto, e que por isso não considerámos necessário assinalá-los.
No original havia uma errata. Nesta adição corrigimos os erros ali apresentados, e marcámos as alterações, colocando o texto originalmente impresso em comentário como aqui.
O CONDEMNADO
O CONDEMNADO
DRAMA
EM TRES ACTOS E QUATRO QUADROS
SEGUIDO DO DRAMA EM UM ACTO
COMO OS ANJOS SE VINGAM
POR
CAMILLO CASTELLO BRANCO
PORTO
VIUVA MORÉ—EDITORA
PRAÇA DE D. PEDRO
1870
IMPRENSA PORTUGUEZA
Rua do Bomjardim, 181.
{5}
A JOSÉ CARDOSO VIEIRA DE
CASTRO
Se ainda tens lagrimas, se ainda as tens no coração, meu infeliz amigo, permitta Deus que possas verter alguma na pagina onde encontrares uma palavra, um grito de lacerante angustia, como tantos que has de ter abafado.
N'este livro, não pude bem assignalar um leve traço do teu enorme infortunio. Não pude, porque a tua desgraça não tem nome.
Figura-se-me que tu, Vieira de Castro, na tua cerrada noite de seis mezes, ainda não pudeste vêr ao sol de Deus os sulcos por onde desceu de teus olhos o sangue, a seiva toda de tua mocidade.
Entre o teu passado e este dia de hoje—cujas horas vão já batendo na eternidade de uma tristeza irremediavel—estás tu empedrado de assombro a encarar{6} no abysmo onde te resvalou a mão que beijavas e ungias de lagrimas de felicidade.
No fundo d'essa voragem vês as tuas corôas de gloria a seccarem-se, a desfazerem-se, a pulverisarem-se—o desabar deploravel d'uma esplendida vida que foi a tua, ó grande espirito!
Levanta d'ahi os olhos, alma atormentada, antes que vejas em lodo o pó das tuas grinaldas, sobre as quaes vão cuspindo homens tão escassos de misericordia, como de dignidade.
Deus que te veja chorar, e te envie o doce trago da morte, que receberás sorrindo como todo o homem que expira vergado ao pêso de sua cruz, mas não á ignominia d'ella.
Falta-te morrer, Vieira de Castro, para que em tua sepultura se respeitem as cinzas d'um grande coração extremado na honra e na desgraça.
CAMILLO CASTELLO BRANCO.
{8}
PERSONAGENS
D. Eugenia de Vasconcellos (ou D. Leonor) ... 28 annos
Viscondessa de Pimentel ... 50 annos
Visconde de Vasconcellos ... 55 annos
Rodrigo de Vasconcellos ... 28 annos
Pedro Gavião Aranha ... 27 annos
Jorge de Mendanha ou Jacome da Silveira ... 51 annos
José de Sá ... 50 annos
Joaquim, criado.
João, criado.
Outros criados e pessoas que não fallam.
A scena corre no Porto em 1857.
{9}