O Condenado: Drama em Três Atos e Quatro Quadros

Camilo Castelo Branco · Capítulo 92 de 177

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O Condenado: Drama em Três Atos e Quatro Quadros

Pedro

Não me enfastio; gelo-me de horror, quando penso que a luz do sol nos ha de mandar sahir d'este paraizo.

Pedro

Onde todos os pomos são prohibidos.

José de Sá

E os maduros tambem? (tregeitando como allusão á viscondessa). {149}

Viscondessa

Os verdes principalmente é que são prohibidos pela mesma razão que o eram as uvas á rapoza; não acha, snr. Pedro Aranha?

Pedro

Eu acho que V. Ex.ª sabe tudo, adivinha tudo, é a arvore da sciencia d'este paraizo. Descubriu ultimamente que eu vinha depôr o meu inveterado scepticismo ás plantas de uma menina portuense.

José de Sá

E eu não admiro; que n'estas salas tenho eu visto explendidas bellezas, ás quaes seria facil empreza dobrar o orgulho d'esta moderna seita de scepticos, e de jovens cançados d'amor que se deploram em Portugal por versos mais ou menos errados, e morrem quasi sempre desconhecidos na sua rua.{150}

Viscondessa (ao visconde)

Que abstracção! que melancholia! Distraia-se!.. Ó visconde (indigitando um par) quem é aquella menina que parece ir adormecida sobre o hombro do menino respectivo?