O Condenado: Drama em Três Atos e Quatro Quadros

Camilo Castelo Branco · Capítulo 126 de 177

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O Condenado: Drama em Três Atos e Quatro Quadros

Visconde

Como tu tens a certeza de que este filho é teu: jural-o-hei com os olhos na sepultura, e o coração na misericordia de Deus. Quando comecei a... cavar o abysmo da minha victima... Leonor já tinha dois annos e meio, e fitava-me com os seus grandes olhos d'um modo mui triste que parecia dizer-me: «Eu por amor de ti, ficarei sem pae e sem mãe» E ficou. (Eugenia, que tem ouvido muito alvoroçada este dialogo, n'este lance corre em grande transporte aos braços de Rodrigo).

D. Eugenia

Graças, graças, meu Deus! Fizestes o milagre, virgem do céo! Agora sim, que toda a minha alma respira desopprimida! És meu{206} Rodrigo! (Ajoelhando aos pés do visconde) Bem haja, bem haja que me tirou a morte de sobre o coração, e de sobre esta creança um affrontoso opprobrio!

Visconde (enleado)

Que é?! que diz, Eugenia?

D. Eugenia

Chame-me Leonor, que eu sou Leonor... Sou a filha da peccadora que morreu... Sou a orfã que a mãe de Deus guiou até ao coração de seu filho.

Visconde (agitadissimo)

É isto febre, meus filhos? é o delirio dos ultimos arrancos? Não me está esta senhora dizendo que é filha de Martha?!

D. Eugenia