O Condenado: Drama em Três Atos e Quatro Quadros
Visconde
Como tu tens a certeza de que este filho é teu: jural-o-hei com os olhos na sepultura, e o coração na misericordia de Deus. Quando comecei a... cavar o abysmo da minha victima... Leonor já tinha dois annos e meio, e fitava-me com os seus grandes olhos d'um modo mui triste que parecia dizer-me: «Eu por amor de ti, ficarei sem pae e sem mãe» E ficou. (Eugenia, que tem ouvido muito alvoroçada este dialogo, n'este lance corre em grande transporte aos braços de Rodrigo).
D. Eugenia
Graças, graças, meu Deus! Fizestes o milagre, virgem do céo! Agora sim, que toda a minha alma respira desopprimida! És meu{206} Rodrigo! (Ajoelhando aos pés do visconde) Bem haja, bem haja que me tirou a morte de sobre o coração, e de sobre esta creança um affrontoso opprobrio!
Visconde (enleado)
Que é?! que diz, Eugenia?
D. Eugenia
Chame-me Leonor, que eu sou Leonor... Sou a filha da peccadora que morreu... Sou a orfã que a mãe de Deus guiou até ao coração de seu filho.
Visconde (agitadissimo)
É isto febre, meus filhos? é o delirio dos ultimos arrancos? Não me está esta senhora dizendo que é filha de Martha?!
D. Eugenia