O Condenado: Drama em Três Atos e Quatro Quadros
Jorge
É incomprehensivel o susto de V. Ex.ª! Receia morrer... porquê? A snr.ª D. Eugenia está formando espantosas tragedias na sua fantasia! Olhe que não ha nada extraordinario que deva atemorisal-a... Contou-se aqui a historia d'um homem atraiçoado, e d'uma mulher morta...
D. Eugenia
Mas meu sogro teve parte n'esse terrivel acontecimento?{139}
Jorge
E quando tivesse, minha snr.ª? Ha ahi nada mais vulgar, que um homem deshonrado por outro? E acaso viu V. Ex.ª incapellarem-se grandes tormentas á volta das pessoas como seu sogro?
D. Eugenia
Mas... só duas palavras... depressa, antes que venha gente. Meu sogro foi quem perdeu Martha.... foi? (Agitando os braços, desprende-se-lhe uma pulseira, que Jorge levanta; mas, ao acolchetar-lh'a, repara e estremece).
Jorge (rancoroso)
Quem lhe deu esta pulseira? quem lhe deu este retrato, senhora?
D. Eugenia
Retrato! isto não é retrato... Esta pulseira deu-m'a...{140}