O Condenado: Drama em Três Atos e Quatro Quadros

Camilo Castelo Branco · Capítulo 25 de 177

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O Condenado: Drama em Três Atos e Quatro Quadros

Pedro

Celestina melhorou algum tanto na provincia; mas ao cahir da folha, expirou nos braços da companheira de infancia, dizendo a meu pae, em tom supplicante, que adoptasse como sua filha a pobre Eugenia. Passados dias.... Vê lá se te estou estafando com a historia.{47}

Pedro

Homem, não vês o interesse e a gravidade com que te escuto! Passados dias...

Rodrigo (proseguindo)

Meu pae, adivinhando-me, disse que o meu silencio lhe não lisongeava a alma, que eu ainda mal conhecia.—Se amas Eugenia, casa, disse elle.

Fui a Evora averiguar por onde poderia haver certidões necessarias ao casamento. Nada obtive; apenas um antigo capellão do recolhimento me disse, que a senhora D. Maria da Gloria, tia ou o que quer que fosse de Eugenia, entrára no convento em 1837 e morrêra em 1849 sem ter escripto nem recebido alguma carta; e que uma vez cada anno apparecia na portaria um homem ordinario, procurando a reclusa, e provavelmente entregava a D. Maria da Gloria o dinheiro com que ella parcamente se sustentava. No pensar do capellão esta dama era fidalga, porque o padre que a confessava uma vez dissera{48} que a secular tinha tão nobre sangue como espirito. Este padre confessor era já fallecido quando o procurei em Lisboa. Nada pude, portanto, averiguar, nem cuidei mais de inuteis indagações. Obtive dispensa das mais urgentes certidões, e casei com Eugenia... Por esta occasião meu pae perfilhou-me.

Pedro