O Condenado: Drama em Três Atos e Quatro Quadros
D. Albertina (perpassando pelo creado a meia voz)
Espero ser desmentido pelos seus criados, snr.ª D. Antonia! (Leonardo dá mais dois passos).
D. Albertina (perpassando pelo creado a meia voz)
Nem uma palavra.{274}
D. Antonia (a Leonardo)
Viu-me alguma vez no jardim depois que as portas se fecham? (Relance d'olhos entre D. Albertina, e Leonardo).
Conselheiro
O calumniador por tanto sou eu, minha filha. É deploravel o papel que me distribues. Menos caridade com os infames, e mais respeito aos meus cabellos brancos e á tua propria dignidade, Albertina!
D. Albertina
Mas que trance este, meu pae! Terminemos isto, peço a todos por piedade que terminemos isto!
Francisco de Valladares
Como é que se defende, Antonia? Calumniou Albertina porque ella reprovava os seus{275} depravados instinctos de mulher que perdeu os brios de senhora?
D. Antonia
Não quiz calumnial-a, nem os conselhos da mana Albertina me eram precisos para eu conservar brios de senhora. As mulheres solteiras que amam não perderam os brios nem são deshonestas.