O Condenado: Drama em Três Atos e Quatro Quadros

Camilo Castelo Branco · Capítulo 16 de 177

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O Condenado: Drama em Três Atos e Quatro Quadros

Rodrigo

Meu querido pae, que extraordinaria dôr é essa!? O seu espirito sombrio está exagerando culpas ignoradas. Nunca me fallou alguem{32} nos seus crimes. Se elles fossem enormes, ou sequer sabidos, não teriam esquecido...

Visconde

A sociedade esquece tudo. Esquece victimas e algozes. Mas não esqueças tu que viste chorar teu pae. Se poder ser, vê sempre estas lagrimas através das alegrias dos teus bailes, e escuta-me lá algumas vezes como se eu te estivesse pedindo que fujas d'elles com tua mulher; e, se não pódes defender-te d'estes prazeres traiçoeiros, meu filho, consente que tua mulher se não aparte das arvores onde a chamam as saudades; deixa que ella se fique na quietação da aldeia, e vem tu para as cidades. Tu voltarás mais tarde cansado e dilacerado; e, quando cuidares que vaes sem coração, encontral-o-has no seio puro de tua mulher e no sorriso de teus filhos. Perde-te; mas poupa a alma de Eugenia, para que te não falte o ultimo refugio. Olha que uma esposa sem macula, um amor de mulher sem remorso de crime, nem receio de que lh'o descubram, é luz que nos vai procurar a todas{33} as voragens. Abysma-te; mas não a desvies do berço de teu filho; não quebres o sagrado laço, que Deus formou entre a alma que se está formando, e a alma de mãe, onde é preciso que arda um grande amor, santificado por consciencia de grandes virtudes.