O Condenado: Drama em Três Atos e Quatro Quadros

Camilo Castelo Branco · Capítulo 77 de 177

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O Condenado: Drama em Três Atos e Quatro Quadros

José de Sá

Não sei.

Viscondessa

Então que sabe? Esta ignorancia é singular, por não dizer irrizoria! Querem vêr que a candura d'este varão se está insurgindo contra uma historia de corrupção social.

José de Sá (sorrindo)

Isto não é candura, minha snr.ª Eu estou corrompido bastantemente para não ser tolo.{126} Na nossa sociedade, minha viscondessa, as canduras apodreciam antes de florir innocencias tamanhas. Declaro a V. Ex.ª que não sei o que é feito da filha de D. Martha de Villasboas. Mas que insistencia, senhora! Tendo V. Ex.ª tantas flôres e tantas coisas cheias de vida e de luz no seu espirito; para que ha de estar enluctando a sua gentil conversação com umas memorias em que ha lagrimas a respeitar e infamias a perdoar?

Jorge (severamente)

A perdoar!

Viscondessa

E eu accuso alguem! O snr. está exquisito! Eu não sei se a Humanitaria dá medalhas aos sentimentalistas como V. Ex.ª Este snr. se vir representar o Othello de Shaskspeare sáe do theatro para não vêr historiada a infelicidade de Desdemona e a colera barbara do marido. É capaz de os ir accusar á policia!{127}

José de Sá