O Condenado: Drama em Três Atos e Quatro Quadros
D. Albertina
Possa o quê, minha senhora? Enlouquecer? é o que V. Ex.ª quer perguntar? Não ouso dizer-lhe as minhas suspeitas.
D. Albertina
Então é certo? O Francisco póde enlouquecer?!
João Lobo
Podemos todos enlouquecer, minha excellente amiga... Descance. O snr. Francisco Valladares está febril; não está doudo... Aquella febre tem o ardor d'uns infernos que{227} costumam accender-se n'uns corações perversissimos...
D. Albertina (atalhando-o)
O coração de meu marido é bom, snr. Lobo.
João Lobo
Não me entendeu, snr.ª D. Albertina... Seu marido desconfia da minha probidade.
D. Albertina
Como? desconfia?!
João Lobo
E da virtude de V. Ex.ª... desconfia tambem.
D. Albertina (tremula e anciada)
Não póde ser, não póde ser! (Faz menção de correr para a alcôva: o medico sustem-a com um gesto). {228}