O Condenado: Drama em Três Atos e Quatro Quadros
José de Sá (sorrindo)
Bem sei que não disse nada. O snr. Sá ensaia-se para estadista n'esta diplomacia de boudoir? Parece-me que desperdiça a sua infinita sagacidade n'esses ares meditativos com que trata coisas insignificantissimas.
José de Sá (sorrindo)
Estou quasi resolvido a irritar-me contra V. Ex.ª Se continua a injuriar-me, ai da viscondessa e de mim!
Viscondessa
Mas rebata isto, snr. Sá. Que lucrou o seu amigo bulindo nas cinzas de Martha? Reviver miserias...
José de Sá
Minha senhora, não bula V. Ex.ª n'ellas, que a memoria de Martha é sacratissima desde que expiou acerbamente a sua culpa.{160}
Viscondessa
Concordo; e por isso mesmo reprovo que Silveira... Ah! uma nota curiosa... O conselheiro, reparou n'aquelle pendor sentimental da cabeça de Eugenia sobre o hombro de Silveira, quando passeavam nas salas menos concorridas?
José de Sá (ironico)
Não reparei n'esse escandalo!
Viscondessa
Não? foi coisa que deu nos olhos de muita gente. Que infinita graça e que profundo mysterio não teria o apaixonar-se Eugenia...