O Homem da Máfia (Família Carbone Livro 1)
Capítulo 14
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.
no meu peito e me empurra para trás.
— Jolina, Jolina... você está me deixando louco. Vai pagar caro por estar
me fazendo esperar — resmungo e chupo seu lábio inferior, voltando a lançar a
língua para dentro da boca dela.
Lina sorri.
— Você fala isso como se fosse ruim — rebate, murmurando de olhos
fechados.
Entrelaço os dedos nos cabelos castanhos de Lina e puxo de leve, depois,
enfio o rosto no pescoço e sinto o seu cheiro doce, fazendo-a gemer baixo. Sem
aviso prévio, passo a língua na pele entre o ombro e pescoço, dou mordidas e
depois, começo a chupar devagar.
— Julian, por favor... — ela geme e finca as unhas com força no meu
braço, como se estivesse tentando se segurar. Saber que Lina está excitada, consegue despertar a minha ereção. — Você vai acabar comigo — sussurra com
a respiração ofegante.
— Ops — uma voz familiar fala atrás de mim e Lina se afasta num
solavanco. — Me desculpe por atrapalhar — Eva emenda, tentando esconder um
sorriso.
— Não estávamos fazendo nada demais — Lina fala, me fazendo arquear
uma das sobrancelhas. — Eu... eu... hum... preciso ir trabalhar — gagueja ao
ficar de pé. Sorri sem jeito e passa por Eva, subindo as escadas quase correndo.
Eva desvia os olhos de mim e dá meia volta, me deixando sozinho.
Estraga prazeres.
Não é segredo para ninguém que eu não sou o cara bom ou o tipo que faz
heroísmo. Então, sem vergonha nenhuma, levanto e vou atrás de Lina. Provocá-
la é fantástico e me deixa louco de tesão.
Na hora que eu finalmente colocar minhas mãos e boca naquele corpo
pequeno e quente, vai ser incrível e só vou parar quando não aguentar mais.
Nunca esperei tanto para ter uma mulher e às vezes, meu pau parece implorar
para se afundar dentro dela.
Jolina... olha o que você fez comigo.
Quando abro a porta do quarto, ela toma um susto. Está organizando a
bolsa para o trabalho e já até trocou de blusa.
— Não posso faltar o trabalho — avisa.
Assinto, me aproximando, como uma animal faminto. Mas a verdade é que
estou faminto mesmo. Tenho fome dela. Muita.
Lina entreabre a boca e arfa ao sentir minhas mãos na cintura. A vontade
que tenho é de ignorar o fato de ela ter que ir trabalhar e jogá-la na cama para
aproveitar cada pedacinho desse corpo sexy e irresistível.
— Precisamos de algumas regras — ela fala, de repente, me deixando
confuso. — Não pode me seduzir quando estou prestes a ir trabalhar — emenda,
e eu estico os lábios, quase sorrindo.
— Por quê? É tão bom fazer isso.
— Preciso me formar como uma das melhores alunas e o trabalho no
museu enriquece o meu currículo acadêmico — explica-se e eu assinto, fingindo
entender. — O idiota daquele arqueólogo já faz minha vida difícil, não posso
chegar atrasada.
Como no automático, uma das minhas sobrancelhas se ergue ao ouvir que
alguém faz a vida de Jolina difícil no trabalho.
— O que você disse? Quem é esse imbecil?
Ela prensa os lábios e sacode a cabeça de um lado para o outro,
visivelmente arrependida de ter me dito sobre as dificuldades no trabalho.
— Não faça nada.
— Por que não? Eu posso dar um jeito nisso pra você. Posso fazer sua vida
ficar mais fácil no museu.
— Não. Não faça nada, por favor — implora, mas quando fico quieto, ela
torna a falar: — Esse trabalho é importante pra mim, Julian. Estou pedindo.
Contraio o músculo da mandíbula e sinto um gosto amargo na garganta.
— Fique tranquila, não vou sair por aí matando qualquer um.
— Obrigada — agradece, com ironia e se afasta de mim, ficando de costas.
Sem conseguir resistir, meto a mão na bunda dela e dou um tapa, que ecoa no
quarto inteiro. — Ei! — queixa-se, mas noto que está tentando reprimir um riso.
— Você gosta.
— Quem disse isso? — rebate.
— Sua cara — digo o óbvio. — É mentira? — pergunto, e ela abre a boca
para responder, mas suspira e decide ficar quieta.
Jolina pega a bolsa e coloca no ombro, dá passos vagarosos até mim e
segura meu queixo com as pontas dos dedos e sem aviso prévio, lambe meus
lábios e passa a língua sobre o meu queixo antes de lançá-la para dentro da
minha boca e me prender um beijo molhado e necessitado.
Fico animado, é claro.
Agarro-a pela cintura, puxando-a contra meu corpo e dando intensidade,
ritmo as nossas línguas, que parecem dançar em sintonia. Já estou de pau duro de novo, a ereção latejando contra a calça e ansiando estar dentro dela.
Lina me corta de supetão.
— Posso não dominar muito das artes de sedução como você, mas acho
que estou aprendendo a te deixar sem chão.
— Jolina, não brinque comigo — murmuro, sério, excitado, doido para
jogá-la em cima da cama e ser feliz.
— Tchau, até mais tarde — é o que fala ao sair do quarto, me deixando
sozinho e de pau duro.
E eu achando que era o próprio diabo. Lina também é uma diabinha
gostosa que sabe me provocar.
Se eu não comê-la em breve, vou perder todo o juízo.
Não consigo me acostumar com fato de dormir ou acordar na cama de
Julian. Ainda mais, porque não transamos. E ele com certeza não faz o tipo de
homem que vai esperar muito tempo por uma mulher.
Toda vez que ele me encara, eu o sinto me despindo com os olhos e
viajando em pensamentos eróticos. Minha pele chega a esquentar com o tanto de
fogo que aqueles olhos negros e profundos irradiam.
Por sorte, meu ciclo menstrual acabou. Eu não tinha certeza por quanto
mais tempo aguentaria ficar ao lado daquela tentação sem aproveitar nadinha.
Não suportava mais ter esse empecilho entre nós. Sentia meu íntimo latejar
de jeito frenético sempre que Julian inventava de me provocar com beijos,
lambidas, chupadas ou mordidas.
Ele é o diabo.
Já que não podia possuir o meu corpo, fez um esforço danado para me
fazer sentir vontade de dar como se eu fosse um animal no cio. Mas preciso
confessar que gostava das nossas insinuações.
E aos poucos, acho que estou aprendendo a deixá-lo sem rumo e com uma
ereção dentro das calças. Que se parar para pensar, não deve ser grande coisa. Quão difícil deve ser fazer Julian Lorenzo Carbone ficar duro? Definitivamente,
não preciso de muito para isso acontecer.
Ele é um molhador de calcinhas profissional. Ficar duro deve ser quase
instinto.
O homem da máfia já tinha saído quando eu acordei. Ele e Noah estão
trabalhando bastante desde a morte do senhor Carbone. Não sei se em coisas
ilegais ou legais. Talvez, os dois. Ou mais de um do que de outro, sei lá.
Eu não faço a mínima ideia de como a sua família “enxerga” nossa
relação, mas agradeço por todos me tratarem bem e não me acharem uma sem
juízo, embora eu seja uma garota completamente sem juízo.
Depois de tomar café com a avó, mãe e irmã de Julian, aceito o convite
para acompanhar as duas mulheres mais poderosas da família até a horta nos
fundos da casa. O lugar é enorme, é uma espécie de estufa e é tudo tão verde,
bem cuidado e bonito.
A senhora Rosa, a avó de Julian se engancha no meu braço e pede para que
eu pegue uma cestinha e então, caminhamos pela horta até chegar no pé de
tomate.
— É a primeira vez que meu neto traz alguém pra casa, você sabia,
bambina? — pergunta, me deixando sem jeito.
Julian é um pegador, ou pelo menos, era. Mas ele nunca trouxe uma
mulher para apresentar a família. O que isso significa? Eu sei dos meus
sentimentos e a intensidade e proporção que eles estão tomando, mas Julian...
ainda é uma incógnita para mim.
Ele gosta de mim ou só está louco para possuir o meu corpo?
Quanto disso é luxúria e quanto disso é algum sentimento mais profundo?
— Julian me contou sobre... Rebecca — sussurro o nome dela, fazendo a
mãe dele paralisar com o regador sobre as hortaliças. — Não muito, na verdade.
Mas ele a amava. Ele a amava muito. Não sei se Julian é capaz de amar outra
mulher desse jeito.
Mesmo que eu esteja apaixonada por ele, não posso me enganar a ponto de achar que existe um “nós” no futuro. Para Julian, pode ser passageiro. E para
mim, bem, pode me marcar para a vida inteira.
A avó dele solta uma risada.
— As crianças de hoje em dia não sabem de nada — é o que diz,
começando a colher os tomates maduros. — Não pense tanto, bambina. As
coisas acontecem do jeito que tem que ser.
Assinto, mesmo sem saber se entendi muito bem o que ela quis dizer com
isso.
— Você precisa entender que os homens dessa família não são tão
delicados e nem os melhores quando se trata de demonstrar sentimentos. Meus
filhos têm um jeito diferente de expressar o que estão sentindo, Jolina. Só porque
não mandam flores, não significa que não estejam pensando em você.
O seu olhar cruza com o meu e eu meio que me sinto na obrigação de
assentir. Às vezes, ela é meio intimidadora.
— Não aja como se eu fosse um sargento — retruca, fazendo a senhora
Rosa rir e me deixando de bochechas ruborizadas, mas acabo sorrindo ao
concordar com um aceno, de novo.
Depois da conversa mais íntima que eu já tive com as mulheres mais
importantes da vida de Julian, eu pego minha bolsa e vou encontrar Sophia no
centro da cidade antes de trabalhar.
Não sei o quanto posso contar a ela sobre a minha vida amorosa, então,
decido que por enquanto, vou ficar calada sobre os trabalhos sórdidos da família
Carbone.
— Esse relacionamento de vocês é todo estranho — comenta ao entrarmos
numa loja de lingerie. Estou procurando um baby doll sexy. Hoje será uma noite
especial e eu não quero tentar seduzir Julian com um pijama com estampa de
gatinho.
— Eu sei, foge um pouco do convencional — brinco.
— Um pouco? — Arregala os olhos verdes para mim. — Foge
completamente do convencional, amiga.
Dou de ombros.
— O que acha desse? — pergunto ao esticar sobre o corpo um baby doll
vermelho minúsculo e transparente. Entre vesti-lo e ficar pelada não tem
diferença.
Sophia nega com a cabeça.
— Não faz o seu estilo.
Enrugo o nariz. Minha melhor amiga tem razão.
Começo a olhar nas araras, atrás de algo sexy e que deixe o homem de
queixo caído, mas que combine comigo.
— Você disse que era apenas luxúria, mas tá na cara que tá apaixonada —
ela fala, sem rodeios.
Abro a boca para contra-argumentar, mas desisto. Mais uma vez, Sophia
tem razão. Eu me apaixonei por Julian e não há nada que eu possa fazer em
relação a isso.
Na verdade, há assim. Posso aproveitar os meus dias com ele sem me
preocupar com o futuro. Por enquanto, isso parece bom para mim. Parece bom
demais para ser sincera.
Em meio a baby dolls transparentes e minúsculos, encontro um perfeito
para mim. Ele é de seda com detalhes em renda, todo na cor vinho, com
caimento até a altura das coxas. Alças finas, decote em V profundo e um robe
longo para completar.
— Esse é perfeito — Sophia aprova minha escolha. — Se ele fosse um
sugar daddy de meia idade, teria um infarto na hora h.
Reviro os olhos.
— Ele não é meu sugar daddy — digo, na defensiva.
Sophia dá de ombros e fica na minha cola quando vou pagar no caixa.
Intrometida do jeito que ela é, acaba colocando uma calcinha de seda da mesma
cor da camisola junto das minhas compras.
— O que foi? Vai combinar — diz quando levanto uma sobrancelha,
depois me dá uma piscadinha. — Temos tempo pra um capuccino antes de você começar a trabalhar — comenta ao olhar a hora no relógio de pulso.
Saímos da loja e atravessamos a rua direto para uma cafeteria. Nós nos
aprumamos no balcão e fazemos o nosso pedido, dois capuccinos com creme de
leite extra. Com os copos nas mãos, sentamos em uma das mesinhas altas perto
das janelas de vidro.
As ruas de Montreal começaram a ficar movimentadas. O verão ainda não
chegou completamente, mas a volta da estação é muito esperada e sempre dá
uma animada em tudo por aqui.
— Não esqueça do pompoarismo, vai deixar o homem louco — diz de
repente, me roubando uma risada.
Sophia sempre foi muito decidida sexualmente, e graças a ela, aprendi
algumas coisas ao longo dos meus anos aqui.
Minhas descobertas ou práticas de pompoarismo nunca deram tantos
resultados com meu ex-namorado, já que ele não se importava tanto com o meu
prazer. Mas algo me diz que Julian é diferente. Ele não parece o tipo de homem
que vai durar apenas dez minutos na cama ou me deixar insatisfeita.
E bem, o homem tem cara de ser insaciável. Isso deve servir de alguma
coisa, afinal.
— Já estou praticando — digo, fazendo cara de plena, mas contraindo a
minha musculatura íntima desde muito cedo.
Sophia ri ao falar.
— Essa é minha garota.
Ela levanta a mão no ar para que eu dê uma batidinha.
— Minha mãe ligou... — mudo de assunto, de repente, fazendo Sophia
esbugalhar os olhos em espanto.
Não posso culpá-la, três anos morando aqui e acho que troquei no máximo
quatro ligações com a minha mãe. Por causa do meu pai, ela fingiu que eu não
existia, no entanto, nunca desisti dela, mesmo quando me senti sozinha e
desemparada morando longe de casa. É minha mãe e a única coisa que sei fazer
é amá-la.
— Acho que ela vai se separar do meu pai.
Minha melhor amiga suspira, como se estivesse aliviada.
— Sério? Isso é ótimo, Lina.
Faço que sim com a cabeça.
— Sim, mas eu acho que não vai ser fácil — comento, mais para mim que
para ela. — Você sabe quem e como meu pai é. Ele não vai facilitar.
— Divórcios nunca são fáceis, mas amiga, ela vai ficar bem. E bem, o seu
pai não pode obrigá-la a ficar ao lado dele.
— Tenho medo de que ele machuque minha mãe. Mais do que já faz —
admito em voz baixa.
— Eu sei, mas não pode ficar tão arrasada assim, Lina. Sua mãe é uma
mulher forte, como você. E ela é adulta, vai ficar bem. — Solta uma risadinha de
leve. — Parece egoísta o que vou falar, mas não se preocupe tanto. Você precisa
viver sua vida, amiga.
Ela coloca a mão sobre a minha em cima da mesa e aperta, tentando de
alguma forma me reconfortar. Respiro fundo e coloco um sorrisão no rosto. Não
quero ficar triste e no fundo, Sophia tem razão.
Tudo vai ficar bem.
Ao chegar na mansão, vejo o carro de Julian na frente da garagem fechada.
Entro e dou de cara com Eva no hall. Aproveito para perguntar sobre ele e a
minha resposta é que está no escritório com Noah e Thomas.
Agradeço e corro para o quarto, me trancando no banheiro para um banho.
Tomo cuidado para não molhar os cabelos, e quando saio do box, abro a sacola
com alguns cremes hidratantes, feliz de ter cedido às investidas de Sophia e
passar numa loja de cosmético antes de ir trabalhar.
Cheguei cinco minutos atrasada, mas valeu a pena.
Depois de lambuzar o corpo com hidratante com cheiro de morango,
coloco a camisola junto do robe, amarro na cintura e solto os cabelos. Estou
sexy, bonita, mas mesmo assim, sinto um friozinho na barriga.
Até parece que estou prestes a perder minha virgindade.
Ouço barulho do outro lado da parta. Sinto o coração atropelar os
batimentos cardíacos e as bochechas formigarem. Faço respiração de
cachorrinho por alguns segundos e destranco a porta, grudando a mão na
maçaneta e saindo do banheiro logo em seguida.
Julian está de costas, próxima a mesinha de madeira perto da janela e com o celular colado ao ouvido.
— ... você não está me ouvindo? Não quero desculpas, Ethan. Você é pago
pra fazer o que tem de ser feito. — Faz uma pausa e ouve a pessoa do outro lado
da linha. — Cuide do novo carregamento — ele ordena, e se vira na minha
direção, os olhos começam a queimar que nem fogo quando dançam pelo meu
corpo.
Julian veste roupas normais, camisa de manga longa na cor preta, calças
jeans de lavagem escura e chinelos. Embora eu o ache uma tentação de terno e
gravata, agora sei que o homem é lindo de qualquer jeito.
— Faça o seu trabalho — é o que diz, e então, desliga, colocando o
aparelho em cima da mesa.
— Oi — murmuro.
Os lábios dele esticam em um sorriso lascivo e eu preciso engolir em seco
para me manter firme de pé.
Julian abre a boca para falar, quando alguém bate na porta. Eu me apresso
e corro até ela, abrindo apenas um pouco. É Eva, segurando uma bandeja com
comida. Acho que ele pediu para servir o jantar no quarto hoje.
Abro meio sorriso para Eva.
— Obrigada, mas pode voltar — é o que falo, fechando a porta de uma
vez, sem esperar por respostas da parte dela. Tranco-a e tomo coragem para
olhar Julian, que está com o cenho franzido e um sorrisinho cínico emoldurando
todo o rosto.
— O que você está aprontando, Lina?
Caminho até ele, devagar, sentindo o coração bater tão alto dentro do
peito, que até me faz questionar se Julian está ouvindo. Sem tirar os olhos dos
dele, desamarro o laço do robe de seda e o tiro, deixando o tecido cair sobre os
meus pés.
Ele está sério. As pupilas negras parecem hipnotizadas com a minha
imagem, e eu sinto que que minha pele está pegando fogo.
— Está com cheiro de morango — comenta.
Sorrio.
— Você gostou?
— Sim — sussurra.
Julian leva uma das mãos até o meu colo e passeia lentamente com os
dedos longos sobre o meu decote, o que me faz ficar com a respiração ofegante.
Sem pressa, eles vão um pouco mais para esquerda e tocam os meus seios com
os bicos já enrijecidos.
— Você é linda — diz, com a voz rouca, sexy.
Sem aviso prévio, o sinto tocar minha cintura com as duas mãos e me
puxar contra o corpo. Sou atingida por uma onda de eletricidade, que sobe e
desce pela minha espinha, me deixando meio tonta.
— E é minha.
Um gemido escapa da minha garganta quando ele desce com as mãos
salientes e alcança minha bunda, apertando com vontade e me fazendo ficar na
ponta dos pés. Minha pele arrepia com o toque dele. Me agarro aos seus braços
torneados e sorrio, excitada.
Finalmente vou saber o que ele é capaz de fazer com uma mulher na cama.
Ele começa a me fazer dar passos para trás e de repente, sinto a bunda
contra a madeira da mesa. Me agarra pela cintura e me faz sentar sobre o
material frio. Enlaço minhas pernas na sua cintura, o trazendo para mais perto de
mim.
Julian abre meio sorriso, parecendo aprovar minhas coxas em volta do seu
corpo.
— Eu quero você — me ouço falando, ou implorando, não sei bem.
Talvez, eu esteja implorando.
Gemo quando o sinto segurar a minha bunda com as duas mãos e me puxar
para mais perto. Sinto a sua ereção contra o meu íntimo latejante. Deus. Ele
enfia o rosto no meu pescoço e beija, lambe e morde, fazendo meu corpo todo
amolecer.
As mãos grandes sobem um pouco até a cintura, barriga e chegam aos meus seios, onde ele aperta e me rouba outro gemido arfante. Os lábios dele
beijam o limite do meu maxilar, enquanto uma das mãos deslizam sobre o meu
corpo quente e em chamas. E então, Julian iguala os nossos rostos antes de colar
a boca na minha. Ele me invade com a língua e coloca o meu lábio inferior entre
os dele e suga, mordisca e depois volta a chupá-lo, me deixando louca de desejo.
— Você é minha — sussurra ao afastar nossos rostos por um milímetro de
distância — Minha. Só minha, Jolina — emenda com a voz arrebatada pelo
desejo.
Concordo com um aceno de cabeça, excitada demais para conseguir dizer
algo em voz alta.
Ele enfia o rosto no meu decote e a única coisa que consigo fazer é arquear
meus quadris contra a ereção de Julian. O homem sobe com o nariz e roça atrás
da minha orelha e morde de leve o lóbulo, e eu fecho os olhos, inebriada.
Solto gemidos entrecortados.
De repente, Julian segura meu rosto com força e prende nossos olhos por
alguns instantes antes de me capturar num beijo avassalador. Nossas bocas
juntas, línguas necessitadas, desesperadas. Meu corpo todo queima, arde de
desejo por ele, minhas terminações nervosas gritando, implorando para ser dele.
Mas a verdade é que sou de Julian há muito tempo. Talvez, desde o dia em
que ele decidiu que eu era sua responsabilidade e me levou para casa. Desde o
dia em que ele fez atrocidades, porque queria me proteger.
Eu sou desse homem.
Inteiramente dele.
Coloco as mãos na barra da sua camisa e o puxo para cima, ele me ajuda,
passando o tecido pela cabeça e jogando no chão. Dedilho com os dedos sobre o
lobo uivando tatuado no peito, que pega parte do ombro, depois, o crucifixo
desenhado no bíceps.
Nossas bocas e línguas voltam a se grudarem, ávidas, sedentas. Nosso
beijo é uma dança gostosa e sensual, que consegue fazer o meu o corpo inteiro
entrar em combustão.
Julian afasta os lábios dos meus e lambe o meu queixo, enquanto jogo a
cabeça para trás, aproveitando o contato. Ele vai descendo com os beijos pelo
pescoço, colo e então, chega no decote, entre os meus seios.
A essa altura, estou tensionando todo o meu corpo contra ele.
As suas mãos deslizam sobre a lateral do meu tronco até amontoar parte da
camisola ao redor dos quadris. Os pelinhos da pele se arrepiam quando sinto os
indicadores e médios dele na lateral da calcinha e logo, o tecido de seda é
puxado para baixo, passando entre as coxas e caindo no chão.
— Vamos ver se você está molhada — sussurra, deslizando uma das mãos
entre as minhas coxas. Meu íntimo lateja, ávido pelo toque.
Devagarzinho, sem pressa, como se estivesse me torturando, os dedos de
Julian tocam os lábios da minha vagina antes de escorregarem para dentro da
minha abertura. Fecho os olhos por uma fração de segundos, suspirando.
— Bem molhadinha, do jeito que eu gosto — fala e de repente, tira os
dedos de dentro de mim e os leva até a boca e chupa, me deixando hipnotizada.
E depois, volta com a mão entre as minhas pernas e toca meu clitóris com o
polegar.
Os movimentos circulares me fazem delirar e os pés se contorcerem de
prazer.
— Julian... — choramingo seu nome quando ele para de me tocar.
Os lábios dele se esticam num sorriso de canto, como se estivesse
gostando de me ver assim, excitada e implorando para que ele volte a acariciar a
parte mais sensível do meu corpo.
Sem aviso, ele me arrasta para o lado ao mesmo tempo em que senta na
cadeira, de frente para mim. Olhando-me por cima dos cílios, me dá um sorriso
diabólico e arreganha as minhas pernas.
Mordo o lábio inferior, ansiando para ter os lábios quentes dele no meu
sexo. Apoio os cotovelos na mesa e Julian envolve as mãos na minha bunda, me
puxando para mais perto do rosto.
Sinto a sua respiração contra o meu sexo e isso consegue me deixar ainda mais louca de desejo.
A fim de me torturar, ele primeiro intercala beijos e lambidas na parte
interna da minha coxa esquerda, em seguida, a direita e só então, passeia com a
língua na minha virilha, me fazendo girar os olhos de prazer.
— Julian, por favor... — suplico, e o homem parece gostar de me ver
implorar para sentir a boca dele no sexo.
Sua língua macia caminha da virilha até abaixo do meu umbigo,
mordiscando parte da barriga, enquanto arqueio o quadril na direção dele. Julian
faz contato visual intenso antes de finalmente, lamber os lábios da minha vagina.
Gemo alto quando sinto a língua dele tocar a parte mais sensível do meu
corpo, me provocando, me deixando louca e sem conseguir pensar direito.
— Que bocetinha deliciosa — sussurra e chupa meu clitóris. — Tão
molhadinha. — Com a língua, ele me prova de novo e eu choramingo.
Tento sentar para agarrá-lo pelos cabelos, mas o homem me impede com a
mão na minha barriga. E então, sinto um dedo me penetrar e depois outro ao
mesmo tempo em que a língua me lambe toda.
Quero me mexer, ir com tudo na direção da mão dele, mas Julian não
permite, me prende na mesa e a única coisa que consigo fazer é gemer com a
tortura.
Uma tortura deliciosa.
A boca de Julian é precisa, ele sabe o que faz. Ele me chupa com vontade,
como se estivesse vivendo para esse momento. E o latejar no meu íntimo, a onda
quente percorrendo meu corpo é maravilhosa.
— Porra, Lina. Essa boceta é uma delícia — grunhe, estremecendo contra
o meu clitóris. — Tão macia.
— Julian... — choramingo, querendo tocá-lo, mas o homem me mantém
presa contra a mesa. Tudo que eu mais quero no momento é enfiar minha mão
no seu cabelo enquanto ele continua com a tortura gostosa entre as minhas
pernas.
Ele se afasta um pouco, só para depositar beijos entre as coxas e me solta, me fazendo suspirar. Me inclino para frente e me apoio com os cotovelos,
observando o homem e a sua boca gostosa.
E ele volta com os lábios no meu sexo. Me chupando, me encarando com
um olhar diabólico. Estico as mãos e enfio os dedos entre os seus cabelos,
sentindo contrações percorrerem todo o meu corpo.
— Isso, goza na minha boca — sussurra.
DEUS.
Julian me chupa por inteira, fazendo movimentos circulares com a língua
macia e ao mesmo tempo precisa no meu clitóris. Minhas pernas tremerem e eu
sei que vou explodir num orgasmo.
— Ah — gemo, deitando o corpo sobre à mesa e me entregando as
sensações que me dominam.
A virilha, a vagina e as pernas se enrijecessem com uma forte tensão, e
uma onda de energia quente e maravilhosa passa pelo meu corpo e eu aproveito
o momento incrível de prazer. Sinto a ponta do pé queimando e contorço,
enquanto solto um gemido alto. Aperto os meus seios, sentindo o corpo arder em
chamas e o clitóris derreter de uma forma deliciosa na boca de Julian.
E então, eu explodo.
Ele continua entre as minhas pernas, alternando em me lamber e tocar o
clitóris inchado com a língua.
— Julian... — sussurro, sentindo o corpo todo mole.
— Linda. — Ele levanta e fica sobre mim, sorrindo de um jeito safado. —
Que gozada gostosa.
Ele envolve as mãos por debaixo da minha cintura e me faz sentar, eu abro
a boca para pedir um intervalo de pelo menos três minutos, mas ele é mais
rápido e fala, como se tivesse lido meus pensamentos.
— Eu mal comecei, Lina. — Pega minha mão e leva até a protuberância da
calça jeans. — Olha como você me deixou.
Engulo em seco.
Jesus amado...
Os dedos longos de Julian tocam as alças da camisola e descem até o
ombro. Sem resistência, a peça de roupa cai sobre o meu corpo, se amontoando
na cintura. Meus seios de bicos rígidos apontam para ele, que se curva sobre
mim e os abocanha.
Jogo a cabeça para trás, ficando acesa de novo.
Deus. O homem é um especialista em chupadas.
Entrelaço as mãos nos seus cabelos, puxando e bagunçando tudo. Flexiono
o corpo sobre ele, suplicando que chupe mais. Que chupe tudo. Julian muda de
um seio para o outro, fazendo barulho, arfando e gemendo com a boca colada em
mim.
Ele se afasta um pouco, apenas o suficiente para abrir o zíper da calça e
descê-la junto da cueca e tirar os chinelos. A cabeça do pênis brilha e aponta
para mim. Fico com água na boca, ávida para sentir o gosto dele.
Então, me arrasto até a ponta da mesa e desço, deixando a camisola cair no
chão. Me ajoelho na frente de Julian, sentando sobre os pés. Os olhos dele para
mim, queimam de desejo.
Primeiro, passo as mãos nas suas coxas, os polegares brincam de leve com
as bolas, o que o faz abrir a boca e soltar um gemido em surpresa. Ele parece
gostar do meu carinho.
Sorrio, satisfeita.
Seguro o seu membro quente com as duas mãos e arrebito bem a bunda,
dando uma visão significativa a ele. Com os olhos focalizando Julian, eu lambo
a cabecinha, depois, o tronco inteiro, lambuzo bem e enfim, o coloco todo na
boca.
O homem solta um grunhido.
Chupo e faço movimentos de vai e vem junto das mãos que o rodeiam. O
gosto dele é bom, intenso. Senti-lo duro e quente dentro da minha boca é
incrível. E o melhor é saber o quanto tenho controle no momento.
Tenho controle sobre ele.
Sugo, provoco com a língua, passeando em volta de todo o pênis e vendo os olhos dele revirar de prazer.
Sinto as mãos de Julian no meu cabelo, puxando de leve e comando o
ritmo por alguns instantes. Ele geme, olhando para mim, contorcendo o corpo e
com a respiração pesada.
— Lina... — sussurra meu nome.
É surreal ouvi-lo dizer meu nome num momento tão íntimo, intenso.
Julian vai gozar. Na minha boca. É a primeira vez que um homem vai fazer
isso comigo. Tudo bem, o momento é muito excitante para recusar. E vê-lo
delirar de prazer por minha causa é perfeito.
Para minha surpresa, ele puxa meu rosto com delicadeza e me levanta,
colando os lábios aos meus, me envolvendo um beijo com os nossos gostos.
Num movimento ágil, ele me vira, grudando os nossos corpos.
Sinto o seu pau grande e duro contra a minha bunda.
— Espere um pouco — murmura com o nariz roçando no meu cangote e
me roubando um gemido entrecortado.
Julian se afasta de mim. Olho por cima do ombro e o vejo ir rumo à
cômoda ao lado da cama. Ele abre a primeira gaveta e tira um envelope de papel
dourado, rasga o envelope com os dentes e focalizando meus olhos, desliza a
proteção sobre o pau.
Volta para mim, e sem dizer nada, passa uma das mãos na minha perna e
levanta, colocando em cima da cadeira. Puxa meu quadril para trás e com uma
das mãos espalmadas nas minhas costas, me inclina para frente.
Para minha surpresa, ele fica de joelhos, me olhando toda exposta. Acho
que agora, não existe mais nada que Julian não tenha visto. A sua língua trabalha
um pouco na minha vagina, me provocando e me deixando ainda mais excitada.
Levanta devagar e começa a depositar beijos no meu cóccix e vai subindo
pela minha coluna até chegar no meu ombro, onde mordisca e eu solto um
gemidinho de surpresa.
Ele segura minha bunda, me abrindo mais ainda e o sinto brincar com a
cabeça do pênis na minha entrada molhada antes de se lançar para dentro de mim num golpe certeiro. Julian me preenche de forma deliciosa.
Dentro de mim, ele se inclina e beija e dá mordidinhas no lóbulo da minha
orelha. Em seguida, Julian começa com os movimentos de dentro e fora. As suas
investidas são exigentes, firmes e lentas, como se estivesse se moldando ao meu
corpo.
— Ah — gemo, me agarrando a mesa e admirando Julian por cima dos
ombros. O olhar dele para mim é ardente, sensual. O meu desejo refletindo o seu
e se concentrando nas minhas estranhas.
Começo a contrair meus músculos pélvicos, mantendo a contração por
alguns segundos e relaxando logo em seguida. Julian se contorce com a boca
entreaberta e parece fascinado com os meus movimentos de contração.
Sorrio, sentindo um sentimento de satisfação.
— Jolina... — arfa ao segurar meu quadril com as duas mãos. — Você é
uma delícia.
Julian cola o corpo no meu e posso sentir o seu peso sobre mim. Aperta
meu quadril com força e as estocadas dele são firmes, num ritmo incessante.
Ele envolve a mão no meu rosto e me puxa para perto, me envolvendo
num beijo sedento. Mordisca meu lábio inferior e depois o chupa, e logo volta a
enfiar a língua dentro da minha boca, explorando, marcando território.
Uma das mãos no quadril desce até a minha vagina e quando o sinto tocar
no ponto mais sensível do meu corpo, me arqueio toda para ele. Os movimentos
circulares no clitóris me fazem tremer de prazer.
E ele continua com o vaivém delicioso.
— Goza pra mim de novo — pede de um jeito, que é irresistível. Tudo que
posso fazer no momento é exatamente isso. Gozar para Julian Carbone.
Sinto o seu corpo de agitar e as investidas de dentro e fora aumentam o
ritmo, o que achei ser impossível. O couro cabelo arrepia junto dos pelos dos
braços e sinto a pele coberta de suor queimar.
— Julian — choramingo.
Meu corpo estremece, arqueia e enrijece.
— Isso, Lina. Goza no meu pau.
Depois de ouvir as palavras dele, faço a única coisa que está ao meu
alcance. Eu obedeço. O clímax me invade. Sinto um arrepio na parte mais
sensível do meu corpo, que logo se expande por todo o meu ser, como uma
energia quente e fria na mesma medida.
E então, meu corpo explode em outro orgasmo maravilho.
— Lina — ele grunhe ao gozar, se empurrando com força para dentro de
mim e imobilizando o corpo por alguns segundos.
Levanto os olhos para encará-lo. Ele sorri, satisfeito. Suspira e cheira os
meus cabelos, depois sai de dentro de mim. E eu me deito sobre a mesa,
descansando a perna que estava apoiada na cadeira. Tento acalmar a respiração
ofegante e o meu corpo, que parece pesar uma tonelada e o coração também, que
não para de bater rápido.
Fecho os olhos por uma fração de segundos, na tentativa de recuperar o
fôlego, as forças.
— Vem — ele chama ao deslizar as mãos sobre a lateral do meu corpo e
me puxar contra si. O corpo de Julian é quente e estranhamente, já muito família.
— Vamos pra cama.
Sorrio.
— Já tá pensando em dormir? — zombo.
Depois de dois orgasmos, eu estou desfalecendo. Mas confesso, que
amaria brincar mais um pouco, senti-lo com as mãos sobre o meu corpo, me
provocando, não seria de um todo ruim.
— Quem falou em dormir? — rebate, me fazendo suspirar. — Eu mal
comecei.
Julian me deita na cama e cobre o meu corpo com o seu, me olha nos olhos
de um jeito intenso, profundo, sombrio e ao mesmo tempo, meigo e doce. Abro
as pernas para encaixá-lo em mim e sinto a sua ereção contra minhas coxas. Ele
ainda está duro. Levo as mãos até o seu rosto, alisando a barba com o polegar e
sorrindo, feliz.
Ele é tão lindo. Tão diferente de tudo que eu já tive.
— Você é perfeita — sussurra, alisando a pele do meu braço com as costas
das mãos. — Tão macia, linda.
Mordo o lábio inferior.
— Eu não sabia que você podia ser tão gentil — murmuro, fazendo o
homem esticar o canto da boca num sorriso convencido. — Me beija, Julian.
Sem rodeios, ele faz o que eu peço. Envolve a boca na minha, me
prendendo em um beijo quente, molhado, com gosto de sexo e cheio de
sentimentos ocultos. As mãos dele roçam minha cintura, a lateral do quadril e
vão parar entre as minhas pernas.
Ele engole um gemido meu.
Sem esforço, os seus longos dedos encontram o meu sexo e começam a me
provocar com movimentos circulares e até mesmo, exigentes. Conforme a
excitação vai dominando meu corpo de novo, vou o beijando com mais força,
vontade.
— Preciso te comer de novo — murmura ao afastar nossas bocas e morder
o meu queixo.
— Sim — é o que digo, chupando seu lábio inferior e passando uma das
pernas em volta da sua cintura.
Antes que ele possa se esticar e pegar outra camisinha, agarro sua bunda
com as duas mãos e aperto. Ele fica com a boca entreaberta e me dá meio sorriso
maroto. Julian gostou. Ótimo, eu também.
— Jolina, Jolina... você é uma danada, sabia disso?
Sorrio.
— Você me deixa assim.
Julian fica embriagado com as minhas palavras e me envolve num beijo
selvagem, sedento. As mãos passeiam pelo meu corpo de novo, me apertam de
uma maneira deliciosa, fazendo o meu sangue ferver.
E um pensamento vem de modo espontâneo...
A noite com Julian está longe de ter um fim.
Abro os olhos e vejo os flashes de luz solar cortarem até o meio do quarto.
Viro o corpo para lado e admiro Lina deitada na minha cama, com os cabelos
esparramados sobre o travesseiro e o edredom cobrindo apenas a bunda redonda
e deixando exposta as costas nuas.
Sorrio com a visão.
Sou um homem de palavra. Ontem, eu me mantive dentro de Lina até não
aguentar mais, e no fim, ela desabou na cama, esgotada, capotando em um sono
profundo e tranquilo. Acabei adormecendo exausto também, mas a minha bateria
já havia sido carregada.
Levanto da cama, procurando uma samba canção nas gavetas do guarda-
roupa. Aproveito e coloco uma calça moletom e visto a blusa de mangas longas
jogadas no chão perto da mesa.
Saio do quarto sem fazer barulho e desço as escadas, caminhando até a
cozinha, antes passando pela sala de jantar vazia e vendo Eva recolher a mesa do
café da manhã. Ela me lança um olhar sorrateiro e depois, deseja bom dia.
Dou de cara com a nonna no balcão da cozinha.
— Bom dia, bambino.
Aproximo-me para depositar um beijo em cada bochecha. Ela sorri,
deixando o rosto adorável e todo enrugado.
— Bom dia, nonna.
— Você está feliz hoje — diz, como se fosse uma grande novidade. —
Tem a ver com a Jolina? Eu gosto daquela bambina.
Passo a mão no topo da cabeça e faço cara feia. Só o que me faltava no
momento é ter que conversar esse tipo de coisa com a minha avó.
Nego com a cabeça.
— Nonna, não seja tão curiosa — resmungo.
Ela faz um estalo com a boca, desaprovando as palavras que saíram da
minha boca e começa a falar um monte em italiano, que eu finjo escutar
enquanto sirvo café da cafeteira numa xícara para mim.
Eva entra na cozinha, silenciando a nonna.
— O senhor quer que eu prepare algo? — pergunta, me encarando. —
Talvez uma bandeja com frutas, torradas e suco? Para levar ao quarto? — diz de
maneira sugestiva.
A mulher trabalha para minha família desde que sou um garoto. E é claro
que ela é uma enxerida, a voz é contida, respeitosa, mas em contrapartida, os
olhos, de uma forma sutil, parecem me julgar.
— Claro, Eva.
A nonna resmunga mais algumas palavras e sai da cozinha, e enquanto
bebo café quente e sem açúcar, espero Eva preparar a bandeja. Ela capricha,
quase como se soubesse que a garota adormecida na minha cama precisa se
alimentar para recuperar as energias.
— O senhor não jantou ontem — fala, em um tom curioso.
— Eva — repreendo, e ela levanta as mãos em rendição.
— Me desculpe, senhor — fala, e depois com os dedos faz um gesto de
zíper na boca. — Quer que eu leve? — quer saber, e me faz notar que o zíper na
boca não serviu de nada.
— Não precisa.
Coloco a xícara meio cheia de café em cima da mesa e pego a bandeja com
comida. Faço o caminho de volta ao meu quarto e quando termino de subir as
escadas, me dou conta de que as únicas vezes que carreguei uma bandeja com
comida para uma mulher foi quando eu era criança, querendo fazer surpresa no
dia das mães para a mamma.
O que está acontecendo comigo?
— Quem é você e o que fez com o meu irmão? — Romie indaga ao parar
de frente para mim, analisando minha bandeja com o cenho franzido. — Você tá
diferente.
Bufo, de saco cheio. O que há com as mulheres dessa casa hoje? Preciso
voltar para o meu apartamento. Privacidade, sinto saudades disso.
Ignoro Romie e sem dificuldade, entro no quarto e coloco a bandeja em
cima da mesa perto da varanda. Recolho as roupas caídas no chão de ontem e
jogo em cima de uma das cadeiras, depois volto para cama e noto que Lina está
na mesma posição.
Deslizo as pontas dos dedos pelas suas costas e ela se remexe, soltando um
gemidinho gostoso de preguiça e abrindo as pestanas. Ela sorri quando encontra
meus olhos, e sem saber o motivo, eu me sinto feliz.
Faz muito tempo que não me sinto assim. Feliz de verdade, como se tudo
estivesse no lugar certo. O que é bem estúpido, já que faz uma semana que meu
pai morreu e as coisas mudaram.
Nada está no lugar.
Mas mesmo assim, olhando Lina agora, eu me sinto feliz.
Ela cobre o corpo com o edredom e senta, os cabelos estão uma bagunça
linda e sexy. Faço carinho no seu queixo com os dedos e depois enfio o rosto no
pescoço, sentindo o cheiro delicioso dela.
Acho que posso me viciar no cheiro de Lina.
Talvez já esteja...
— Café da manhã? — ela pergunta ao ver a bandeja em cima da cama. —
Oba, estou morrendo de fome.
Ainda segurando o edredom, ela se arrasta para fora da cama e corre até a
mesa, sentando em uma das cadeiras e bebendo um gole generoso de suco. Sento
à sua frente e pego uma maçã, dou uma mordida sem conseguir tirar os olhos de
cima de Jolina.
Ela é linda e me hipnotiza.
Lina paralisa e fica pensativa por alguns instantes, como se estivesse
vivendo uma briga interna.
— Você pode fazer coisas normais como os outros caras? — ela pergunta,
e eu uno as sobrancelhas, sem entender.
— Como assim?
Ela dá de ombros e arranca uma uva do cacho.
— Sei lá, ir ao cinema, jantar fora, sair com os amigos. Essas coisas
simples. Você pode fazer... ou é muito... — a frase dela morre e de repente, vejo
um lampejo de medo passar por eles.
Eu sei aonde ela quer chegar.
— Olhe pra mim — ordeno, e ela obedece. — Pare de ficar pensando
nesse tipo de coisa. Nada de ruim vai acontecer — digo, convicto.
Não vou deixar nada de ruim acontecer com Jolina. Eu sou capaz de virar
o mundo do avesso para mantê-la segura. E isso significa que vou fazer muita
coisa errada e talvez, um dia, ela me odeie. Mas se ela estiver bem e saudável,
posso lidar com todo o resto.
Ela abre um sorriso meigo.
— Tem o aniversário da Sophia, estou pensando em fazer uma festa, coisa
pequena, mas você tá convidado.
Assinto, escondendo um sorriso. Depois de Rebecca, eu nunca fui de fazer
planos futuros com as outras mulheres. Mas Lina fazendo planos comigo, me
deixa com uma sensação estranha no peito. Uma sensação estranha, mas boa.
Porra, ela é minha caralho.
Minha.
Só minha.
— Tenho muito amigos homens, não fique com ciúme, ok? — fala,
mudando meu humor da água para o vinho e me deixando com um gosto amargo
na boca.
— Muitos? — pergunto com desdém.
Ela dá de ombros e depois concorda com um aceno de cabeça.
— Sim. Você não sabia? Os homens se interessam por antropologia mais
do que as mulheres. Por isso que na minha turma tem poucas garotas —
comenta, séria.
Não consigo desfazer a cara amarrada. Não estou gostando muito de ter
conhecimento sobre esse tipo de informação. Imaginar Jolina cercada por um
monte de homens, não é algo que me deixa feliz.
Me deixa irritado para falar a verdade.
Ela explode em uma gargalhada.
— Não se preocupe, tô brincando.
Solto uma risada seca e tomo um pouco de suco de laranja do copo dela.
— Você acordou bem saidinha, não é?
Ela dá de ombros, sorrindo.
— É divertindo te deixar nervoso... hum, você fica sexy — sussurra,
mordendo o lábio inferior.
Suspiro, tentando controlar a vontade de jogar a bandeja do café da manhã
de lado e colocá-la em cima da mesa para fodê-la de novo, até ficar exausto mais
uma vez.
— Pensou no lugar? — quero saber. Mudar de assunto vai me ajudar a
controlar os instintos primitivos que querem tomar conta de mim.
Ela nega com a cabeça, mastigando a fruta e passando geleia numa torrada.
— Ainda não.
Uma ideia surge na minha cabeça.
— Talvez, eu tenha um lugar pra vocês.
— Sério?
Concordo com um aceno de cabeça. Ela fica de pé, se inclinando sobre a mesa para me beijar. O movimento faz com que o edredom caía no chão, me
dando uma visão significativa do corpo pequeno e delicioso de Lina.
É claro que isso é suficiente para me fazer perder a cabeça e avançar em
cima dela. A boca dela abre e a minha língua passa para dentro sem resistência.
Ela envolve as pernas na minha cintura e as mãos no meu pescoço, enquanto a
levo para cama de novo.
— Você sabe como fazer um homem perder a cabeça, Jolina Magdayao —
digo num sussurro contra a sua boca, fazendo a garota sorri e morder meu lábio
inferior, depois sugá-lo.
Sinto a ereção latejar contra as pernas dela.
Jolina é minha ruína.
Embora eu prefira ficar deitado trabalhando com as mãos, boca e pau no
corpo de Lina, o dever me chama.
Desde a morte do papà e as descobertas que Liam fez, Noah e eu sabíamos
que a segurança da mansão tinha sido corrompida. Não gosto de estar errado,
mas Thomas tinha razão. Como mudar todo o pessoal interno tão de repente? Os
homens que cuidavam da segurança do meu pai são de confiança.
Ou pelo menos, eram.
Não importa se a família é pequena ou a maior da cidade, todos são
derrubados por alguém de dentro.
Nicholas ficou responsável de descobrir se há algum traidor entre os
nossos homens. Agora, ele comanda um grupo de saldados e colocou os
melhores e mais confiáveis para trabalhar como seguranças também.
Os problemas não param de surgir. A família Fontana finalmente mostrou
as garras, decidindo que o acordo de “paz” feito anos atrás, morreu junto com o
papà. Eles não acreditam que Noah e eu possamos cuidar dos negócios, então,
decidiram que querem o que é nosso.
É uma droga, mal tinha enterrado meu pai e parece que estou me preparando para entrar em uma possível guerra.
Ainda não consegui descobrir a ligação da família Fontana com Mason ou
o motivo de terem o escondido quando estava na minha mira, ou quem o pagou
para acabar com a vida de Lina.
Odeio essa sensação de estar no escuro, sem conseguir conectar a porra da
coisa toda e resolver o problema de uma vez.
Não sei por quanto tempo vou conseguir fazer com que Lina fique na
minha casa, segura e sob as minhas vistas. Ela é teimosa, não faz o tipo
obediente. A qualquer momento a garota pode mudar de ideia e voltar para o
próprio apartamento.
E mesmo que coloque homens para vigiá-la, a universitária aprendeu
direitinho a despistá-los quando tem vontade. É ridículo, mas ela consegue fazê-
los de idiotas. Jolina é pior que Romie quando o assunto é segurança. As duas
acham que é exagero e preferem se virar sozinhas.
— Não podemos ir sozinhos contra os Russos e os Fontana. Talvez esteja
na hora de cobrarmos favores — Noah fala, pensativo. — Preciso de um
encontro com o chefe da família Marino.
As reuniões começaram a ficar mais íntimas. Apenas, o Don, eu e Thomas.
Quanto menos pessoas souberem dos nossos planos, menos chances de sermos
traídos outra vez.
— Por causa do lance da Venezuela, acredito que não seja difícil
solidificar a aliança — Thomas comenta.
— Mas precisamos ter cuidado, senão tudo pode virar uma chacina —
digo. Não que eu me importe de verdade se muitos ou todos da família Fontana
morrerem, mas meu pai nunca gostou de tirar vidas inocentes.
E quando as coisas saem do controle, essas vidas são as primeiras a se
perderem, infelizmente.
— Julian tem razão — o conselheiro diz, me fazendo erguer uma
sobrancelha.
Não é todo dia que Thomas diz que tenho razão em alguma coisa. Assim como Noah, ele foi criado como um irmão mais velho, pronto para discordar de
todas as palavras que saem da minha boca.
— Prepare tudo, Thomas, vamos até Nova Iorque o mais breve possível.
Precisamos dar um jeito na família Fontana antes que as coisas saiam do
controle. Nós não vamos perder os negócios.
Ele assente, levantando e fechando o botão do terno, depois saí do
escritório subterrâneo.
— Nunca entendi o motivo de você gostar tanto desse lugar — Noah diz,
olhando ao redor do escritório.
Ele não era de vir muito aqui. Estava ocupado demais com os problemas
sérios da família, enquanto eu precisava lidar com as coisas pequenas e manter a
cabeça no lugar. Não é um grande escritório, mas foi a primeira e talvez única,
ação boa que eu fiz na vida.
O dono me procurou assim que me tornei caporegime. Ele estava falindo,
mas queria manter o negócio, porque estava na família há quatro gerações. A
pizzaria não fica num bairro nobre e sempre tinha assaltados por perto, o que
afugentavam os clientes.
Ele se ofereceu para pagar por proteção, mas em vez disso, fiz um
investimento. Dei uma limpa pelo quarteirão e fiz um escritório subterrâneo para
mim. E todo fluiu bem.
— Como está o dono? — pergunta, de repente.
— Doente. Câncer no pulmão.
Noah enruga o nariz.
— Droga.
— Acho que o filho mais velho vai assumir o negócio.
Meu irmão anui.
Vou até a miniadega escondida perto da estante de livros e tiro o vinho
mais caro de dentro. Não tenho taças, então pego os copos de vidro limpos em
cima da pia e sirvo para nós.
— Tome cuidado — é o que Noah fala ao erguer o copo para brindar comigo. — Não posso perder você também — acrescenta, me encarando.
No momento, ele é apenas o meu irmão mais velho e não o novo Don da
família Carbone.
— Você também, Noah.
Depois do brinde, bebemos vinho em silêncio, cada um perdido nos
próprios pensamentos.
— Ai. Meu. Deus — Lina fala pausadamente, embasbacada ao descer do
carro. — Podemos mesmo fazer isso?
Saio do veículo e dou a volta até ela, erguendo a mão para que entrelace
seus dedos aos meus. De mãos dadas, caminhamos pela via principal da entrada
do hotel cassino. Embora não esteja funcionando, as luzes foram todas ligadas, o
que nos proporciona uma vista incrível do lugar.
Chegamos em frente às imensas portas de vidro e eu faço um gesto para
que o segurança no saguão nos deixe entrar.
— Boa noite, senhor Carbone — diz ele, sorrindo. — Boa noite, senhorita
— cumprimenta a garota de forma cortês.
Ela devolve a simpatia do homem com um sorriso genuíno.
No saguão, Lina admira a bola de labirinto colorida de vidro no teto. São
quase oitenta e seis metros quadrados de vidros pendurados.
— Isso é quase uma obra de arte — comenta, quase me roubando um
sorriso. — Esse lugar tem quantos andares?
— Quinze — respondo. — Vem. — Puxo-a na direção do cassino.
— Puta que pariu — Lina xinga.