O Lobisomem

Camilo Castelo Branco · Capítulo 14 de 28

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O Lobisomem

Cena Vii

João da Eira e depois Carlos

 

João da Eira

Quero ver agora!... Aqui estou!... Que venham, que venham as almas... Porque não vêm? Eu aqui estou!... Aquele maroto!... É já duas vezes que me engana... Ah! Ele aí vem... Ora anda... Não sei, mas chego-te...

 

Carlos (Solene)

Ouvi uma voz do outro mundo que me disse: «Vai à alameda do adro, onde um homem te espera para pedir-te perdão de uma calúnia». Será o senhor esse homem?

 

João da Eira (Rindo materialmente)

Sou eu mesmo, para o servir, e vossemecê era a alma, que aqui andou há bocado embrulhada num lençol...

 

Carlos

Era eu a alma!? Está bom. Levantai-vos. Mortos!

 

João da Eira (Primeiro aterrado, e depois emendando-se)

Tenha lá mão, tenha lá mão!... Chame... Pode chamar... Chame lá quanto quiser...

 

Carlos (Apontando para o lado da igreja)

Veja senhor!

 

João da Eira repara, e vê outro fantasma que vem. — Aterra-se e cai de joelhos.

 

João da Eira O Sr. Vigário foi que me enganou (o fantasma pára a alguma distancia). Perdão, Sr. Estudante. V. S.a não é lobisomem.

 

Carlos

Levante-se!

 

João da Eira

Muito obrigado, por muitos anos...

 

Carlos (Apontando para fora)

Mirre-se!

 

João da Eira

Se eu prestar para alguma coisa, não tem mais que escrever para João da Eira da Reboriça...

Carlos

Evapore-se!

 

(João da Eira saí).

Carlos e o criado tirando o lençol:

 

Carlos (Rindo)

Foi bem apanhada!... Agora posso lá ir, inclusivamente...

 

Criado

Isso é que é verdade.