O Lobisomem
Cena Vii
João da Eira e depois Carlos
João da Eira
Quero ver agora!... Aqui estou!... Que venham, que venham as almas... Porque não vêm? Eu aqui estou!... Aquele maroto!... É já duas vezes que me engana... Ah! Ele aí vem... Ora anda... Não sei, mas chego-te...
Carlos (Solene)
Ouvi uma voz do outro mundo que me disse: «Vai à alameda do adro, onde um homem te espera para pedir-te perdão de uma calúnia». Será o senhor esse homem?
João da Eira (Rindo materialmente)
Sou eu mesmo, para o servir, e vossemecê era a alma, que aqui andou há bocado embrulhada num lençol...
Carlos
Era eu a alma!? Está bom. Levantai-vos. Mortos!
João da Eira (Primeiro aterrado, e depois emendando-se)
Tenha lá mão, tenha lá mão!... Chame... Pode chamar... Chame lá quanto quiser...
Carlos (Apontando para o lado da igreja)
Veja senhor!
João da Eira repara, e vê outro fantasma que vem. — Aterra-se e cai de joelhos.
João da Eira O Sr. Vigário foi que me enganou (o fantasma pára a alguma distancia). Perdão, Sr. Estudante. V. S.a não é lobisomem.
Carlos
Levante-se!
João da Eira
Muito obrigado, por muitos anos...
Carlos (Apontando para fora)
Mirre-se!
João da Eira
Se eu prestar para alguma coisa, não tem mais que escrever para João da Eira da Reboriça...
Carlos
Evapore-se!
(João da Eira saí).
Carlos e o criado tirando o lençol:
Carlos (Rindo)
Foi bem apanhada!... Agora posso lá ir, inclusivamente...
Criado
Isso é que é verdade.