O Lobisomem
Cena Vi
Os mesmos e o Vigário
Vigário (No centro dos amotinadores)
Que é isto? Rapazes!
(Aplacam-se subitamente).
João da Eira (Lacrimejando)
Bem dizia V. S.a que este estudante era a nossa desgraça em pessoa. Olhe aqui... (fala-lhe ao ouvido) a minha filha, Sr. Reverendo vigário!...
Vigário Ouçam-me todos. Sr. Carlos, venho aqui livra-lo de um justo furor popular, lembrando-me que é ainda possível lavar as suas nodoas com um acto de caridade e de virtude. O Sr. Deve casamento à filha deste honrado lavrador?
Carlos
Sim, Sr.
Mariana (Para as raparigas)
Veem como ele confessa?
Vigário
Ou o senhor casa com ela, e tem a contar com a minha amizade e com a desta boa gente, ou não casa, e então, já que as leis não punem crimes deste género, eu entrego-o à punição deste povo justamente indignado... Escolha...
Carlos
Casarei.
Mariana (Abraçando-o)
Ah! Bem me dizia o coração que me não tinhas esquecido, meu Carlos...
João da Eira
Homem, a falar a verdade, sempre sucedem casos!
Manuel do Portelo (À parte)
Não sei ainda como isto será.
Vigário
Pois bem... Seremos todos felizes. Eli comprometo-me a alcançar indulgência do Sr. Arcebispo. O casamento deve ser hoje mesmo ali na capela... Convêm, Sr. Carlos?
Carlos
Sim, senhor, hoje mesmo... Porque não? Essa é boa...
Vigário
Pois então vá cumprir o preceito. Confesse-se, que Mariana (e logo será a Sra. D. Mariana) vou ouvi-la de confissão... Podem ainda comungar, não é verdade?
Mariana
Eu estou ainda em jejum.
Carlos
E eu também.
Vigário Então, daqui a uma hora, aqui estamos outra vez...
João da Eira
Não... Ele não se perde... O casaco é bem conhecido... Não anda cá outro tão engelhado nas costas como este... Nós o chamaremos...
Carlos
Até logo, meus amigos. Adeus, Mariana. Nós alguma vez havíamos de casar... Enfim o que se há de fazer...
Mariana
Ao tarde, faça-se ao cedo, não é assim?
Carlos
É verdade... Até logo...
Vozes
Viva o Sr. Vigário!! Viva!