O Lobisomem

Camilo Castelo Branco · Capítulo 20 de 28

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O Lobisomem

Cena V

Os mesmos e o Desconhecido

 

João da Eira (Agarrando-o).

Que se passa?

 

O desconhecido

Deixe-me, se não, chamo a patrulha.

 

João da Eira (Largando-o).

Deixa o homem, rapariga.

 

Mariana

Não deixo, não, há de cumprir o que me prometeu... Disse-me que casava comigo...

Manuel do Portelo

Que é lá isso? Ó Sr. Amigo? Você quem é?

(Tira-lhe o lenço do rosto).

 

João da Eira (Aterrado).

Deixem-no! Deixem-no!

 

Manuel do Portelo

E? O lobisomem! E o lobisomem!

 

João da Eira

Cala-te, que não sabes o que dizes... Deixa esse homem, que é... Que é... Não sei o que me disse a alma... — é um homem muito grande, muito grande!...

Mariana

Não deixo... Enganou-me e deixou-me... Quero que case comigo...

 

Carlos (À parte)

Que tais são as escospias, hein?

(A patrulha agarra-o)

 

Patrulha

Que diabo de barulho é este?

 

Mariana

Sr. Pai... Este senhor disse-me que casava comigo e fez-se lobisomem para assustar a mãe...

 

João da Eira

O quê? O quê? Que dizes?... Estou banzado!

Mariana

 

Para assustar a mãe, e depois... (cobre a cara com as mãos).

 

Patrulha

O Sr. Está preso!

 

João da Eira

Tu que dizes, mulher, pois este estudante?...

 

Mariana

Sim, sim, foi ele que...

 

Uma das raparigas

Ó gentes! Vós não ouvis isto? Diz que foi ele que...

Manuel do Portelo

Ó senhores soldados! Deixem-me escavacar a cabeça a esse maroto...

 

Patrulha

Arrede para lá... Um preso é sagrado...

 

Carlos

Sim, Sr. Estou preso!

 

(Cresce o tumulto.)

 

Vozes

Mata! Mata! Fóra os casacas!

 

(A patrulha é ensarilhada nos paus)

Mariana

Não, não lhe batam... Manuel (botando-se-lhe de joelhos). Eu é que tive a culpa... Batam-me antes a mim...

 

João da Eira

Ó seu maroto! Você teve alma de...

 

Manuel do Portelo (Apontando-lhe uma paulada à cabeça)

Leva lá a primeira, meu lobisomem!