O Lobisomem
Cena V
Os mesmos e o Desconhecido
João da Eira (Agarrando-o).
Que se passa?
O desconhecido
Deixe-me, se não, chamo a patrulha.
João da Eira (Largando-o).
Deixa o homem, rapariga.
Mariana
Não deixo, não, há de cumprir o que me prometeu... Disse-me que casava comigo...
Manuel do Portelo
Que é lá isso? Ó Sr. Amigo? Você quem é?
(Tira-lhe o lenço do rosto).
João da Eira (Aterrado).
Deixem-no! Deixem-no!
Manuel do Portelo
E? O lobisomem! E o lobisomem!
João da Eira
Cala-te, que não sabes o que dizes... Deixa esse homem, que é... Que é... Não sei o que me disse a alma... — é um homem muito grande, muito grande!...
Mariana
Não deixo... Enganou-me e deixou-me... Quero que case comigo...
Carlos (À parte)
Que tais são as escospias, hein?
(A patrulha agarra-o)
Patrulha
Que diabo de barulho é este?
Mariana
Sr. Pai... Este senhor disse-me que casava comigo e fez-se lobisomem para assustar a mãe...
João da Eira
O quê? O quê? Que dizes?... Estou banzado!
Mariana
Para assustar a mãe, e depois... (cobre a cara com as mãos).
Patrulha
O Sr. Está preso!
João da Eira
Tu que dizes, mulher, pois este estudante?...
Mariana
Sim, sim, foi ele que...
Uma das raparigas
Ó gentes! Vós não ouvis isto? Diz que foi ele que...
Manuel do Portelo
Ó senhores soldados! Deixem-me escavacar a cabeça a esse maroto...
Patrulha
Arrede para lá... Um preso é sagrado...
Carlos
Sim, Sr. Estou preso!
(Cresce o tumulto.)
Vozes
Mata! Mata! Fóra os casacas!
(A patrulha é ensarilhada nos paus)
Mariana
Não, não lhe batam... Manuel (botando-se-lhe de joelhos). Eu é que tive a culpa... Batam-me antes a mim...
João da Eira
Ó seu maroto! Você teve alma de...
Manuel do Portelo (Apontando-lhe uma paulada à cabeça)
Leva lá a primeira, meu lobisomem!