O Mistério do Trem Azul

Agatha Christie · Capítulo 2 de 28

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O Mistério do Trem Azul

Capítulo III

 

CORAÇÃO DE FOGO

Rufus Van Aldin transpôs as portas

giratórias do Savoy e encaminhou- se para a recepção, onde foi recebido com um sorriso e um cumprimento respeitoso pelo empregado.

- Muito prazer em vê-lo por cá de novo,

Mister Van Aldin.

O milionário americano correspondeu com

um aceno casual e inquiriu:

- Tudo bem?

- Sim, senhor. O major Knighton encontra-se

já na suíte.

- Algum correio? - perguntou o americano,

com novo aceno de cabeça.

- Já mandaram tudo para cima, Mister Van

Aldin... Ah, um momento! - Meteu a mão num cacifo e retirou uma carta: - Chegou mesmo agora.

Rufus Van Aldin aceitou a carta, mas ao ver a

caligrafia feminina e harmoniosa - o rosto transformou-se-lhe. Os contornos ásperos adoçaram-se, a expressão firme da boca suavizou-se, pareceu um homem diferente. Dirigiu-se para o elevador com a carta na mão e um sorriso nos lábios.

Na sala de estar da sua suíte um jovem

escolhia correspondência, sentado à secretária, com a rapidez e a segurança de quem tem longa prática. Levantou-se quando Van Aldin entrou.

- Viva, Knighton!

- Prazer em tê-lo de volta, senhor. Divertiu-

se?

- Assim-assim - respondeu-lhe o milionário,

sem entusiasmo. - Hoje em dia, Paris é uma cidade insignificante. No entanto, obtive o que fui buscar - e sorriu para consigo, frouxamente.

- Como sempre, creio - comentou o

secretário risonho.

- Exatamente. - Falava em tom casual, como

quem se limita a apontar um fato evidente. - Alguma coisa urgente? - perguntou, despindo o grosso sobretudo e aproximando-se da secretária.

- Não creio, senhor. O normal, mais ou

menos, embora ainda não tenha acabado a classificação.

Van Aldin esboçou um breve aceno de

cabeça. Era um homem que raramente exprimia censuras ou elogios, que usava um método simples para com aqueles que empregava: proporcionava-lhes um período razoável de experiência e despedia sem hesitar os ineficientes. Não obedecia, também, a nenhum sistema especial para contratar os seus empregados. Knighton, por exemplo, conhecera-o dois meses antes, numa estância de repouso da Suíça. Simpatizara com ele, investigara as suas referências e encontrara explicação para o fato de o indivíduo coxear um pouco. Knighton não ocultara que procurava emprego e perguntara até ao milionário, timidamente, se não tinha conhecimento de nenhum lugar vago. Van Aldin lembrou-se, com um breve sorriso, do ar de completo espanto do rapaz quando lhe oferecera o lugar de seu secretário pessoal.

- Mas.. mas não tenho experiência nenhuma

de negócios! - gaguejara.

- Isso não tem importância - afirmara o

milionário. – Para tratar de negócios tenho já três secretários. Provavelmente passarei os próximos seis meses em Inglaterra e preciso de um inglês que... enfim, que saiba manejar os cordelinhos e encarregar-se, em meu nome, do capítulo social.

Até agora, Van Aldin não tinha motivos

para se arrepender da sua decisão; Knighton mostrava-se ativo, inteligente e cheio de recursos, além de possuir uma agradável distinção de maneiras.

O secretário apontou três cartas e sugeriu: - Talvez fosse melhor dar uma vista de olhos

por essas cartas, senhor. A

primeira refere-se ao acordo Colton... Mas Van Aldin levantou a mão, num

protesto:

- Esta noite não tratarei de nada; podem

esperar até amanhã de manhã. Esta é que não... - Indicou a carta que trouxera da recepção e a estranha transformação voltou a verificar-se.

Richard Knighton sorriu, compreensivo, e

murmurou:

- É de Mistress Kettering? Telefonou ontem e

hoje; parece ter muita urgência em vê-lo.

- Sim?

O sorriso apagou-se do rosto do milionário,

que rasgou o sobrescrito e retirou a carta. A expressão endureceu-se-lhe, à medida que lia, e a boca readquiriu a severidade e a firmeza que a Wall Street tão bem conhecia. Richard voltou-se, sensato, e recomeçou a abrir e a classificar a correspondência.

- Não tolerarei uma coisa destas! - explodiu

o milionário, dando um murro na mesa e soltando uma praga. - Pobre rapariga. Felizmente pode contar com o velho pai!

Começou a andar de um lado para o outro,

de sobrancelhas franzidas numa carranca de irritação. Knighton continuava às voltas com o correio, com um ar muito compenetrado. De súbito, Van Aldin interrompeu o passeio e pegou no sobretudo que atirara para as costas de uma cadeira.

- Vai sair outra vez, senhor? - Vou ver a minha filha.

- Se os Coltons telefonarem... - Diga-lhes que vão para o diabo! - Muito bem - redargüiu Knighton, sem se

perturbar.

Van Aldin vestiu o sobretudo, pôs o chapéu

na cabeça e, já com a mão na maçaneta da porta, voltou-se e disse:

- Você é bom tipo, Knighton; não me maça

quando estou irritado.

Knighton esboçou um leve sorriso, mas não

respondeu.

- Ruth é a minha única filha e ninguém neste

mundo avalia o que ela significa para mim! – Sorriu enternecido, meteu a mão na algibeira e perguntou:

- Quer ver uma coisa, Knighton?

Voltou para junto do secretário e tirou da

algibeira um embrulho tosco, de papel castanho. Retirou o papel e revelou uma caixa grande, de veludo encarnado, no centro da qual se viam umas iniciais entrelaçadas, sob uma coroa. Abriu-a e o secretário susteve bruscamente a respiração: sobre o branco levemente sujo do interior as pedras brilhavam como sangue.

- Meu Deus! - exclamou Knighton,

incrédulo.

- São... são verdadeiras?

Van Aldin soltou uma pequena gargalhada e

comentou:

- Não me surpreende a sua pergunta. Entre

estes rubis encontram-se os três maiores do mundo. Catarina da Rússia usou-os, Knighton! Esse do meio é conhecido por "Coração de Fogo". É perfeito, não tem uma falha!

- Mas devem valer uma fortuna! - gaguejou

o secretário.

- Quatrocentos ou quinhentos mil dólares

- elucidou o milionário, despreocupadamente -, não contando com o valor histórico.

- E o senhor anda com eles assim, na

algibeira?

- Então? - ripostou, com um sorriso

divertido.

- São uma prendazinha para a Ruthie... O secretário sorriu, discreto, e murmurou: - Agora compreendo a ansiedade de

Mistress Kettering, quando telefonou!

Mas Van Aldin abanou a cabeça e as feições

vincaram-se-lhe novamente.

- Engana-se. Ela não sabe; trata-se de uma

surpresa. Fechou o estojo e começou a embrulhá-lo.

- É duro verificar o pouco que podemos fazer

por aqueles que amamos, Knighton - murmurou. - Podia comprar um bom naco da Terra para a minha Ruth, se lhe fosse de alguma utilidade; mas não é. Poderei pendurar-lhe estas pedras ao pescoço e proporcionar-lhe um momento ou dois de prazer, mas... Abanou a cabeça e acrescentou: - Quando uma mulher não é feliz no seu lar...

Não concluiu a frase e o secretário acenou,

discretamente. Por de mais conhecia a reputação do Honorável Derek Kettering! Van Aldin suspirou, meteu o embrulho na algibeira e saiu da sala.

IV

 

NA CURZON STREET

A Honorável Mrs. Derek Kettering

morava na Curzon Street. O mordomo que abriu a porta reconheceu Rufus Van Aldin, permitiu-se um discreto sorriso de boas-vindas e conduziu-o ao primeiro andar, à grande sala dupla.

Sentada junto da janela encontrava-se uma

mulher, que estremeceu e soltou uma exclamação de contentamento.

- Oh, paizinho, que surpresa agradável!

Passei o dia a telefonar ao major Knighton, para ver se o encontrava, mas ele não sabia ao certo quando regressava.

Ruth Kettering tinha vinte e oito anos e, sem

ser bela, nem tão-pouco bonita, no verdadeiro sentido da palavra, impressionava pela cor dos cabelos. Em novo, Van Aldin tivera a alcunha de Cenoura e Ruivo, e o cabelo da filha era quase ruivo puro. Tinha olhos escuros e pestanas muito pretas - cujo efeito o artifício da pintura ainda acentuava mais... -, era alta e esguia e sabia andar. Â primeira vista, o seu rosto parecia o de uma madona de Rafael, mas uma observação mais atenta revelava uma linha de queixo idêntica à de Van Aldin, denunciadora da mesma inflexibilidade e determinação - virtudes que ficavam bem num homem, mas se coadunavam pouco com uma mulher. Desde t criança que Ruth Van Aldin se habituara a satisfazer a sua vontade, e quem quer que tenha tentado opor-se –lhe depressa compreendeu que a filha de Rufus Van Aldin nunca cedia.

- Knighton disse-me que telefonaras, mas só

regressei de Paris há meia hora. Que história vem a ser essa acerca do Derek?

- É inacreditável, ultrapassa todos os limites!

exclamou Ruth Kettering, corando de irritação. – Não dá ouvidos a nada do que lhe digo.

- Dará ao que eu lhe disser! - afirmou o

milionário, em tom ameaçador.

- Há um mês que quase não o vejo –

prosseguiu Ruth. - Anda por toda à parte com aquela mulher...

- Com qual mulher?

- Mirelle, a que dança no Parthenon. Van Aldin acenou, silencioso. - A semana passada estive em Leconbury e

falei com Lorde Leconbury. Foi muito amável, compreendeu-me perfeitamente e prometeu que falaria também com Derek.

- Ah! - exclamou Van Aldin. - Que quer dizer com esse “ah!”, paizinho? - Que hei-de querer dizer, Ruthie? O

pobre Leconbury está velho, querida. Claro que te compreendeu e tentou tranquilizar-te; é natural que, tendo casado o filho com a filha de um dos homens mais ricos dos Estados Unidos, não queira estragar tudo. Mas toda a gente sabe que está com os pés para a cova e o que porventura disser ao filho não surtirá efeito.

- E o pai, pode fazer alguma coisa? –

perguntou Ruth, ansiosa, passados momentos.

- Talvez... - Franziu a testa, num esforço de

reflexão, e prosseguiu: - Podia fazer várias coisas, mas só uma dará resultado. Terás coragem, Ruthie? -- A rapariga fitou-o, calada, e Van Aldin continuou:

- Quero dizer, serás capaz de admitir perante

todos que cometeste um erro? E que só há uma maneira de sair desta complicação, Ruthie: liquidar o assunto e começar de novo?

- Quer dizer...

- Divórcio.

- Divórcio!

- Dizes essa palavra como se nunca a tivesses

ouvido, Ruth comentou Van Aldin, com um sorriso triste. - No entanto, as tuas amigas divorciam-se como quem bebe um copo de água!

- Bem sei, mas...

Calou-se, mordeu os lábios e o pai meneou a

cabeça, compreensivo.

- Compreendo, Ruth; és como eu, não

suportas a idéia de dar o braço a torcer. Mas eu aprendi, e tu terás de aprender também, que às vezes é essa a única solução. Encontraria, possivelmente, maneira de obrigar Derek a voltar para ti, mas o resultado acabaria por ser o mesmo. Ele não presta, Ruth; é podre, ruim até à medula. Não devia ter consentido que casasses com ele, mas tu estavas decidida e ele parecia sincero no desejo de começar vida nova... Além disso... enfim, já te contrariara uma vez, querida...

Não a olhou ao dizer as últimas palavras,

mas se olhasse tê-la-ia visto corar intensamente.

- É verdade - murmurou Ruth, em voz dura. - Fui demasiado piegas e não tive coragem

de me opor segunda vez, mas não podes imaginar quanto me arrependo. Tens levado uma triste vida nos últimos anos, Ruth.

- Não tem sido muito... agradável –

concordou Mrs. Kettering.

- É por isso que temos de pôr cobro a esta

situação! - exclamou, dando um murro na mesa. - É possível que ainda tenhas um fraco pelo indivíduo, mas vence-o e encara a realidade: Derek Kettering casou contigo por dinheiro, mais nada. Livra-te dele, Ruth.

Ruth olhou para o chão, por momentos, e

depois perguntou, sem levantar a cabeça?

- E se ele não consentir?

Van Aldin fitou-a, surpreendido: - Mas ele não tem que consentir nem que

deixar de consentir!

- Não... claro que não. - Corou, mordeu os

lábios e gaguejou: - Só queria dizer...

- Só querias dizer o quê? - perguntou Van

Aldin, ao ver que a filha se calava.

- Queria dizer... - fez nova pausa e escolheu

cuidadosamente as palavras.

- Enfim, talvez ele não se resigne... - O quê, receias que conteste o divórcio?

- inquiriu o milionário, erguendo provocantemente o queixo. - Pois que conteste! Mas enganas-te, filha, não contestará. Qualquer advogado que consultar lhe dirá que não tem base nenhuma...

- Não acha... - hesitou, indecisa. - Enfim, não

acha que, por simples despeito contra mim, tente... tente complicar as coisas?

Van Aldin olhou-a, com certa surpresa. - Receias que conteste o divórcio? -

repetiu. -- É pouco provável. Compreendes, precisaria de ter qualquer coisa em que se basear.

Mrs. Kettering não fez comentários e Van

Aldin olhou-a, de súbito, vivamente.

- Desabafa, Ruth! Há qualquer coisa que te

perturba. Que é?

- Nada, não há nada... - afirmou, embora a

sua voz não convencesse.

- Receias a publicidade? É isso? Deixa o caso

comigo. Tratarei de tudo de tal maneira que ninguém dará por nada.

- Está bem, paizinho. Se pensa, de fato, que é

a melhor solução...

- Ainda tens um fraco por ele, Ruth? É isso? - Não.

A negativa foi pronunciada sem a mínima

hesitação e Van Aldin pareceu satisfeito. Bateu no ombro da filha e murmurou:

- Correrá tudo bem, pequena, não te

preocupes.

Mas esqueçamos esse desagradável assunto,

pois trouxe-te um presente de Paris.

- Um presente? Uma coisa muito bonita? - Espero que seja essa a tua opinião -

replicou

Van Aldin, a sorrir.

Tirou o embrulho da algibeira e estendeu-

lho.

Ruth desembrulhou-o, abriu a caixa e

soltou um longo “Oh!”. Ruth

Kettering amava as jóias, sempre as amara. - Oh, paizinho, que maravilhoso! - Têm classe, não têm? - perguntou o

milionário, satisfeito.

- Gostas?

- Se gosto? São únicas, pai! Como conseguiu

adquiri-las?

- Isso é o meu segredo! - retorquiu o

milionário, a sorrir. - Tiveram de ser compradas particularmente, claro, pois são muito conhecidas. Vês essa pedra grande, do meio? Talvez tenhas ouvido falar dela; é o histórico “Coração de Fogo”.

- “Coração de Fogo”! - repetiu Mrs.

Kettering.

Tirara as gemas da caixa e apertava-as contra

o peito, sob o olhar atento do pai. Van Aldin pensava na série de mulheres que tinham usado aquelas jóias, nas inquietações, nos desesperos, nas invejas. “Coração de Fogo”, como todas as pedras famosas, deixara atrás de si um rasto de tragédia e violência, mas preso na mão firme de Ruth Kettering parecia perder o poder diabólico. A atitude fria e equânime daquela mulher do mundo ocidental dir-se-ia uma negação da tragédia e da dor. Ruth guardou as jóias na caixa e abraçou o pai.

- Obrigada, obrigada, obrigada! São

maravilhosas! Está sempre a oferecer-me prendas extraordinárias.

- És tudo quanto eu tenho, Ruth - murmurou

o milionário, dando-lhe uma palmadinha no ombro.

- Fica para jantar, não fica, paizinho? - Não me parece... Ias sair...

- Posso esquivar-me sem dificuldade; não

era na da especial.

- Não, filha, respeita o compromisso. Esta

noite tenho muito que fazer, como deves calcular, e ver-nos-emos amanhã. Telefonar-te-ei e talvez nos encontremos nos Galbraiths.

Messrs. Galbraith, Galbraith, Cuthbertson

& Galbraith eram os advogados de Van Aldin em Londres.

- Está bem, fica combinado. - Ruth

hesitou e inquiriu, em voz mal segura: - Suponho que... isto não me impedirá de partir para a Riviera?

- Quando partes?

- No dia catorze.

- Oh, poderás ir à vontade! Estas coisas

levam muito tempo a amadurecer. A propósito, Ruth, no teu lugar, não levaria essas pedras para o estrangeiro. Deixa-as no banco.

Mrs. Kettering acenou, afirmativamente. - Não quero que te assaltem e assassinem por

causa do “Coração de

Fogo”! - brincou o milionário. - Mas o pai trouxe-as na algibeira,

despreocupadamente comentou Ruth, sorrindo.

- Sim...

Qualquer coisa no tom da sua voz, uma

hesitação talvez, atraiu a atenção de Mrs. Kettering, que perguntou:

- Que aconteceu, pai?

- Nada... Estava a pensar numa aventura

minha, em Paris.

- Numa aventura?

- Sim, na noite em que comprei as jóias. - Conte-me!

- Não há nada a contar, Ruth. Uns celerados

armaram-se em valentões, mas eu disparei e fugiram.

- Com o meu pai não se brinca! – exclamou

Ruth, com orgulho.

- Nem mais, Ruth!

Beijou-a afetuosamente e deixou-a. Ao

chegar ao Savoy, deu uma ordem breve a Knighton:

- Procure um indivíduo chamado Goby;

encontrará o seu endereço na minha agenda particular. Quero-o aqui amanhã, às nove e meia da manhã.

- Sim, senhor.

- Quero igualmente falar com Mister

Kettering. Veja se o encontra, por favor. Experimente no clube e em todos os lugares possíveis. Preciso dele aqui amanhã de manhã. Claro que terá de ser para o fim da manhã, aí por volta do meio-dia, pois ele não é dos que se levantam cedo.

O secretário acatou as ordens com um leve

aceno de cabeça e Van Aldin entregou-se aos cuidados do seu criado. Tinha o banho preparado e, enquanto se deliciava com a carícia da água quente, recordou a conversa que tivera com a filha. De um modo geral, estava satisfeito; o seu cérebro vivo havia muito aceitara a idéia de que o divórcio era a única solução possível. Ruth concordara com a proposta mais prontamente do que esperara, mas deixara-o, apesar disso, com uma vaga sensação de inquietude. Houvera na atitude da filha qualquer coisa... Um não sei quê que não lhe parecera natural.

“Deve ser imaginação minha...”, pensou,

franzindo a testa. "Contudo, apostava que há qualquer coisa que não me disse.”