Os Resgatados
17 :: Promessas do Retorno de Cristo
Promessas do Retorno de Cristo
P promessa da segunda vinda de Cristo para completar a grande obra da redenção é o principal tema das Sagradas Escrituras. Desde que Adão e Eva saíram do jardim do Éden, os filhos da fé aguardam a vinda do Prometido que os levará novamente ao paraíso perdido.
Enoque, a sétima geração desde os que viveram no Éden, que andou com
Deus por três séculos, declarou: “Vejam, o Senhor vem com milhares de milhares de Seus santos, para julgar a todos” (Jd 14, 15). Na noite de seu
sofrimento, Jó exclamou: “Eu sei que o meu Redentor vive, e que no fim Se levantará sobre a Terra. [...] Verei a Deus. Eu O verei com os meus próprios olhos; eu mesmo, e não outro!” (Jó 19:25-27).
Os poetas e profetas da Bíblia escreveram acerca da vinda de Cristo em palavras cheias de fogo. “Regozijem-se os céus e exulte a Terra [...] diante
do Senhor, porque Ele vem, vem julgar a Terra; julgará o mundo com
justiça e os povos, com a Sua fidelidade!” (Sl 96:11-13).
Isaías disse: “Este é o nosso Deus; nós confiamos nEle, e Ele nos salvou. Este é o Senhor, nós confiamos nEle; exultemos e alegremo-nos, pois Ele nos salvou” (Is 25:9).
O Salvador consolou Seus discípulos com a certeza de que voltaria: “Na
casa de Meu Pai há muitos aposentos [...]. Vou preparar-lhes lugar. E se Eu for [...], voltarei e os levarei para Mim” (Jo 14:2, 3). “Quando o Filho do
homem vier em Sua glória, com todos os anjos, assentar-Se-á em Seu
trono na glória celestial. Todas as nações serão reunidas diante dEle” (Mt 25:31, 32).
Anjos repetiram para os discípulos a promessa do retorno de Cristo: “Galileus, por que vocês estão olhando para o céu? Este Jesus, que dentre vocês foi elevado aos Céus, voltará da mesma forma como O viram subir”
(At 1:11). E Paulo testemunhou: “Pois, dada a ordem, com a voz do
arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o Senhor descerá dos Céus” (1Ts 4:16). João, o profeta de Patmos, disse: “Eis que Ele vem com as nuvens, e todo olho O verá” (Ap 1:7).
Então o longo domínio do mal será quebrado: “O reino do mundo” se
tornará “de nosso Senhor e do Seu Cristo, e Ele reinará para todo o
sempre” (Ap 11:15). “O Soberano, o Senhor, fará nascer a justiça e o louvor diante de todas as nações” (Is 61:11).
Então o reino de paz do Messias será fundado: “O Senhor consolará Sião e olhará com compaixão para todas as ruínas dela; Ele tornará seus desertos
como o Éden, seus ermos, como o jardim do Senhor” (Is 51:3).
Em todas as eras, a vinda do Senhor tem sido a esperança de Seus verdadeiros seguidores. Em meio ao sofrimento e à perseguição, “a gloriosa
manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo” era sua “bendita esperança” (Tt 2:13). Paulo falou sobre a ressurreição que acontecerá por ocasião do advento do Salvador, quando os mortos em Cristo se levantarão e serão levados com os vivos para se encontrar com o Senhor no ar. “E assim”, diz ele, “estaremos com o Senhor para sempre. Consolem-se uns aos outros com essas palavras” (1Ts 4:17, 18).
Em Patmos, João, o discípulo amado, ouviu a promessa: “Sim, venho em
breve!” E sua resposta é a oração da igreja: “Amém. Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22:20).
No calabouço, na fogueira e na forca, onde cristãos fiéis e mártires testemunharam da verdade, ecoa pelos séculos a expressão de sua fé e esperança. Um desses cristãos disse: “Tendo a certeza da ressurreição pessoal de Cristo e, consequentemente, da nossa ressurreição por ocasião de Sua vinda, eles, por esse motivo, desprezavam a morte e estavam acima dela.” 1 Os valdenses nutriam a mesma fé. Wycliffe, Lutero, Calvino, Knox, Ridley e Baxter olhavam com fé para a vinda do Senhor. Essa era a esperança da igreja na época dos apóstolos, da “igreja do deserto” e dos reformadores.
A profecia não só prediz o modo e o propósito da segunda vinda de Cristo, como também nos diz como podemos saber que esse dia está
próximo. “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas” (Lc 21:25). “O sol
escurecerá e a lua não dará a sua luz; as estrelas cairão do céu e os
poderes celestes serão abalados. Então se verá o Filho do homem vindo nas nuvens com grande poder e glória” (Mc 13:24-26). Foi assim que João, o revelador, descreveu o primeiro dos sinais que antecedem o segundo
advento: “Houve um grande terremoto. O sol ficou escuro como tecido de
crina negra, toda a lua tornou-se vermelha como sangue” (Ap 6:12).
O Terremoto que Abalou o Mundo
Essa profecia se cumpriu em 1755, no mais terrível terremoto já registrado (ver o Apêndice). Conhecido como o terremoto de Lisboa, atingiu a Europa, África e América. As pessoas o sentiram na Groenlândia, nas Antilhas, na Ilha da Madeira, Noruega, Suécia, Grã-Bretanha e Irlanda. Abrangeu uma área de no mínimo dez milhões de quilômetros quadrados. Na África, o abalo foi quase tão grave quanto na Europa. A maior parte da capital da Argélia foi destruída. Uma onda gigantesca varreu a Espanha e a África, engolindo cidades.
Montanhas, “algumas das mais altas de Portugal, foram subitamente abaladas desde o alicerce, conforme parecia, e algumas delas se abriram no cume, que se rachou e partiu de modo assustador. Partes imensas foram jogadas para baixo nos vales próximos. Algumas pessoas contam que viram chamas saindo dessas montanhas”. 2
Em Lisboa, houve “o barulho de um trovão subterrâneo e logo em seguida um terremoto violento derrubou a maior parte da cidade. Em apenas cerca de seis minutos, sessenta mil pessoas morreram. O mar primeiro recuou e deixou seca a faixa de areia. Então rolou para dentro, subindo quinze metros ou mais acima de seu nível normal”. 3
“O terremoto aconteceu em um dia santo, no qual as igrejas e os conventos estavam repletos de pessoas. Bem poucos escaparam.”4 O terror das pessoas foi indescritível. Ninguém chorou. Era maior que as lágrimas. Elas corriam de um lado para o outro, frenéticas em horror e perplexidade, batendo no rosto e no peito, clamando: “Misericórdia! O mundo está acabando!” As mães se esqueciam dos filhos e corriam em volta com imagens de crucifixos. Infelizmente, muitos correram para as igrejas em busca de proteção. Inutilmente tentaram ficar perto do pão e do vinho. Em vão, as pobres criaturas abraçaram os altares. Imagens, padres e a população foram enterrados na mesma ruína comum.
O Escurecimento do Sol e da Lua
Vinte e cinco anos depois, ocorreu o sinal seguinte mencionado na profecia: o escurecimento do Sol e da Lua. Ao conversar com Seus discípulos no monte das Oliveiras, Jesus apontou com clareza para o
momento do cumprimento dessa profecia. “ aquela tribulação, ‘o Sol
escurecerá e a Lua não dará a sua luz’” (Mc 13:24). Os 1.260 dias, ou anos, terminaram em 1798. Um quarto de século antes, a perseguição havia praticamente se extinguido. Após essa perseguição, o Sol escureceria. Em 19 de maio de 1780 essa profecia se cumpriu.
Uma testemunha de Massachusetts descreveu o acontecimento da seguinte maneira: “Uma nuvem negra e densa se espalhou por todo o céu, com exceção de uma pequena borda no horizonte e ficou escuro como normalmente acontece às nove horas de uma noite de verão. [...]
“Temor, ansiedade e pavor aos poucos encheram a mente das pessoas. As mulheres ficaram às portas, encarando a paisagem escura. Os homens voltaram do trabalho nos campos. O carpinteiro deixou suas ferramentas, o ferreiro sua oficina e o comerciante seu balcão. As escolas dispensaram os alunos, e as crianças correram com medo para casa. Viajantes pediram abrigo na fazenda mais próxima. ‘O que vem em seguida?’ era a pergunta em cada lábio e coração. Parecia que o furacão estava prestes a assolar a terra ou que havia chegado o dia do juízo, o fim de todas as coisas.
“As pessoas acenderam velas e o fogo das lareiras queimava com tanto brilho quanto em uma noite de outono sem luar. [...] As aves voaram para os poleiros, o gado se reuniu e abaixou no pasto, sapos coaxavam, pássaros cantavam suas músicas noturnas e morcegos voavam. Mas os seres humanos sabiam que a noite ainda não havia chegado. [...]
“Congregações se reuniram em muitos [...] lugares. Os textos dos sermões improvisados em todos os lugares eram aqueles que pareciam mostrar que as trevas eram o cumprimento de uma profecia bíblica. [...] A escuridão alcançou densidade máxima pouco depois das onze horas.” 5
“Na maior parte do país, ficou tão escuro durante o dia que as pessoas não sabiam dizer que horas eram olhando em relógio de parede ou de pulso, não conseguiam comer, nem fazer as tarefas domésticas sem a luz de velas.” 6
Lua como Sangue
“Quando a noite chegou, sua escuridão foi tão estranha e aterrorizante quanto as trevas do dia. Embora fosse quase lua cheia, nenhum objeto ficava visível sem o auxílio de luz artificial. Quando as pessoas viam essas luzes nas casas vizinhas e em outros lugares à distância, era como se estivessem contemplando uma espécie de escuridão egípcia que parecia não deixar passar claridade quase nenhuma.” 7 Se todos os corpos celestes do Universo tivessem sido envoltos em cortinas espessas que não deixam a luz passar ou se extinguido por completo, as trevas não teriam sido mais completas.” 8 Quando passou de meia-noite, a escuridão desapareceu, e a Lua, ao ficar visível pela primeira vez, tinha a aparência de sangue.
Dezenove de maio de 1780 entrou para a história como “o dia escuro”. Desde os tempos de Moisés, não foi registrada nenhuma escuridão semelhante em densidade, extensão e duração. A descrição das testemunhas
ecoa as palavras do profeta Joel registradas 2.500 anos antes: “O Sol se
tornará em trevas, e a Lua em sangue, antes que venha o grande e temível
dia do Senhor” (Jl 2:31).
Cristo disse: “Quando começarem a acontecer estas coisas, levantem-se e
ergam a cabeça, porque estará próxima a redenção de vocês.” Ele mostrou a Seus seguidores as árvores em flor da primavera: “Quando elas brotam, vocês mesmos percebem e sabem que o verão está próximo. Assim também, quando virem estas coisas acontecendo, saibam que o Reino de
Deus está próximo” (Lc 21:28, 30, 31).
Na igreja, porém, o amor por Cristo e a fé em Sua vinda haviam se esfriado. Aqueles que afirmavam ser o povo de Deus estavam cegos para as instruções do Salvador acerca dos sinais de Seu aparecimento. Negligenciaram a doutrina do segundo advento até ela ser, em grande medida, ignorada e esquecida, em especial nos Estados Unidos. A devoção desgastante por ganhar dinheiro, a corrida em busca de popularidade e poder levaram o povo a adiar para um futuro bem distante o dia solene no qual o mundo conforme o conhecemos irá passar.
O Salvador predisse a condição espiritual vulgar dos crentes que predominaria pouco antes de Seu segundo advento. O conselho de Cristo para quem vivesse nesse tempo foi: “Tenham cuidado, para não sobrecarregar o coração de vocês de libertinagem, bebedeira e ansiedades
da vida, e aquele dia venha sobre vocês inesperadamente. [...] Estejam
sempre atentos e orem para que vocês possam escapar de tudo o que está
para acontecer, e estar em pé diante do Filho do homem” (Lc 21:34, 36).
Era importante alertar as pessoas a se prepararem para os acontecimentos
solenes ligados ao fechamento da porta da graça. “Como é grande o dia do Senhor! Como será terrível! Quem poderá suportá-lo?” (Jl 2:11). Quem será capaz de permanecer de pé quando vier Aquele que tem olhos “tão puros que não suportam ver o mal” e não podem “tolerar a maldade” (Hc 1:13)?
“Castigarei o mundo por causa da sua maldade, os ímpios pela sua iniquidade. Darei fim à arrogância dos altivos e humilharei o orgulho dos
cruéis” (Is 13:11). “Nem a sua prata nem o seu ouro poderão livrá-los”; “a riqueza deles será saqueada, suas casas serão demolidas” (Sf 1:18, 13).
Chamado para o Preparo
Com a aproximação do grande dia, a Palavra de Deus conclama Seu povo a se voltar para Ele com arrependimento.
“O dia do Senhor está chegando. Está próximo!” “Toquem a trombeta em
Sião, decretem jejum santo, convoquem uma assembleia sagrada. Reúnam o povo, consagrem a assembleia; ajuntem os anciãos, reúnam as crianças [...]. Que os sacerdotes, que ministram perante o Senhor, chorem entre o
pórtico do templo e o altar.” “Agora, porém [...] voltem-se para Mim de todo o coração, com jejum, lamento e pranto.” “Rasguem o coração, e não as vestes. Voltem-se para o Senhor, o seu Deus, pois Ele é misericordioso e compassivo, muito paciente e cheio de amor; arrepende-Se, e não envia a desgraça” (Jl 2:1, 15-17, 12, 13).
A fim de preparar um povo para permanecer firme no dia de Deus, uma grande obra de reforma deveria ser feita. Em Sua misericórdia, o Senhor estava prestes a enviar uma mensagem para despertar aqueles que afirmavam ser o Seu povo e conduzi-lo a se preparar para a vinda de Jesus.
Encontramos essa advertência em Apocalipse 14. Ali uma mensagem em três partes é representada sendo proclamada por seres celestiais e seguida imediatamente pela vinda do Filho do homem para colher “a safra da terra”
(Ap 14:15). O profeta viu um anjo “que voava pelo céu e tinha na mão o
evangelho eterno para proclamar aos que habitam na Terra, a toda nação, tribo, língua e povo. Ele disse em alta voz: ‘Temam a Deus e glorifiquem-
nO, pois chegou a hora do Seu juízo. Adorem Aquele que fez os céus, a
Terra, o mar e as fontes das águas’” (Ap 14:6, 7).
Essa mensagem faz parte do “evangelho eterno”. Deus confiou a nós a obra de pregação. Santos anjos direcionam, mas são os servos de Cristo na Terra que fazem o trabalho de proclamar o evangelho. Homens e mulheres fiéis, obedientes aos impulsos do Espírito de Deus e aos ensinos de Sua Palavra deveriam anunciar essa advertência. Eles são os que buscam o conhecimento de Deus, considerando a sabedoria divina “mais proveitosa do que a prata e rende mais do que o ouro” (Pv 3:14). “O Senhor confia os Seus segredos aos que O temem, e os leva a conhecer a Sua aliança” (Sl 25:14).
Uma Mensagem Dada por Homens Humildes
Se os teólogos eruditos fossem guardas fiéis, que buscam as Escrituras com diligência e oração, eles teriam percebido a chegada do tempo. As profecias teriam revelado a eles os acontecimentos prestes a ocorrer. Em vez disso, porém, foram pessoas humildes que deram a mensagem. Aqueles que negligenciam buscar a luz quando ela está a seu alcance são deixados na escuridão. Mas o Salvador diz: “Quem Me segue, nunca andará em
trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8:12). Deus envia uma estrela de brilho celeste para essa pessoa a fim de guiá-la em toda a verdade.
Na época da primeira vinda de Cristo, os sacerdotes e escribas da cidade santa poderiam ter reconhecido os “sinais dos tempos” e anunciado a vinda do Messias prometido. Miqueias identificou Sua cidade natal e Daniel apontou para o tempo de Sua chegada (Mq 5:2; Dn 9:25). Os líderes judeus não tinham desculpas válidas para não saber. Sua ignorância era resultado de negligência pecaminosa.
Com o mais profundo interesse, os anciãos de Israel deveriam estar estudando o local, o tempo e as circunstâncias do maior acontecimento da história do mundo: a chegada do Filho de Deus. As pessoas deveriam estar vigiando, para que pudessem receber o Redentor do mundo. Contudo, em Belém, dois viajantes exaustos de Nazaré andaram toda a extensão da estreita rua até a extremidade leste da cidade sem encontrar refúgio para passar a noite. Nenhuma porta se abriu para recebê-los. Em um rústico estábulo preparado para o gado, eles finalmente encontraram abrigo e ali nasceu o Salvador do mundo.
Deus designou anjos para levar as alegres novas àqueles que já estavam prontos para recebê-las e que as contariam com alegria aos outros. Cristo havia descido para assumir a natureza humana, a fim de suportar agonia infinita enquanto se fazia oferta pelo pecado. No entanto, os anjos queriam que o Filho do Altíssimo, mesmo em Sua humilhação, aparecesse perante o mundo com dignidade e glória compatíveis com Seu caráter. Os poderosos da Terra se reuniriam na capital de Israel para saudar Sua chegada? Anjos O apresentariam para aqueles que estivessem aguardando Sua chegada?
Um anjo visitou a Terra a fim de ver quem estava preparado para dar as boas-vindas a Jesus. Mas não ouviu voz de louvor agradecendo porque o tempo da vinda do Messias havia chegado. O anjo pairou sobre a cidade escolhida e sobre o templo onde a presença de Deus aparecera por eras, mas até ali encontrou a mesma indiferença. Com pompa e orgulho, os sacerdotes ofereciam sacrifícios maculados. Com voz alta, os fariseus falavam com o povo ou faziam orações orgulhosas nas esquinas das ruas. Reis, filósofos e rabinos – todos desconheciam o maravilhoso fato de que o Redentor estava prestes a aparecer.
Pasmo, o anjo mensageiro estava prestes a voltar para o C éu com a vergonhosa notícia quando descobriu um grupo de pastores cuidando do rebanho. Enquanto olhavam para o céu estrelado, pensavam na profecia do Messias por vir e ansiavam pela chegada do Redentor do mundo. Ali estava um grupo preparado para receber a mensagem celestial. De repente, a glória celestial inundou toda a planície, revelando uma companhia imensurável de anjos. Então, como se a alegria fosse grande demais para apenas um mensageiro trazer do C éu, muitas vozes se uniram em um hino que, um
dia, todas as nações dos salvos cantarão: “Glória a Deus nas alturas, e paz
na Terra aos homens aos quais Ele concede o Seu favor” (Lc 2:14).
Que lição há nessa maravilhosa história de Belém! Como repreende nossa descrença, nosso orgulho e nossa autossuficiência! Como nos ensina a vigiar, para que também não falhemos em reconhecer os sinais dos tempos e perder da mesma maneira nossa hora de oportunidade.
Não foi somente em meio aos humildes pastores que os anjos encontraram pessoas aguardando a chegada do Messias. Em terras pagãs também havia aqueles que O buscavam: homens ricos, nobres e sábios – os filósofos do Oriente. Nas Escrituras hebraicas, haviam aprendido sobre a Estrela que se levantaria de Jacó. Aguardaram com expectativa a chegada dAquele que seria não só a “consolação de Israel”, mas também “luz para revelação aos gentios” (Lc 2:25, 32) e “luz para [...] a salvação até aos confins da Terra” (At 13:47). A estrela enviada pelo C éu guiou os estranhos gentios até o local de nascimento do recém-nascido Rei.
É aos que O aguardam ansiosamente que Cristo “aparecerá segunda vez,
não para tirar o pecado, mas para trazer salvação ” (Hb 9:28). Assim como aconteceu com a notícia do nascimento do Salvador, Deus não confiou a mensagem do segundo advento aos líderes religiosos do povo. Eles recusaram a luz do C éu e, por isso, não f izeram parte do grupo que o apóstolo Paulo descreveu: “Mas vocês, irmãos, não estão nas trevas, para
que esse dia os surpreenda como ladrão. Vocês todos são filhos da luz, filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas” (1Ts 5:4, 5).
Os líderes religiosos deveriam ter sido os primeiros a receber a notícia da chegada do Salvador, os primeiros a anunciar que Ele estava próximo. No entanto, estavam descuidados e desatentos; e o povo, adormecido em seus pecados. Jesus viu Sua igreja como uma figueira estéril, coberta com uma capa de folhas; porém, sem nenhum fruto precioso. Faltava-lhes o espírito de verdadeira humildade, penitência e fé. Em seu lugar, havia orgulho, formas religiosas, egoísmo e opressão. Uma igreja apostatada fecha os olhos aos sinais dos tempos. Deixa a Deus e separa-se de Seu amor. Por haver se recusado a aceitar as condições, as promessas divinas não se cumpriram nela.
Muitos dos que diziam ser seguidores de Cristo se negaram a aceitar a luz do C éu. Assim como os judeus de tanto tempo atrás, não reconheceram o tempo de oportunidade. O Senhor passou por eles e revelou Sua verdade àqueles que, assim como os pastores de Belém e os magos do Oriente, seguiam toda a luz que haviam recebido.
1 Veja Daniel T. Taylor, , p. 33.
2 Sir Charles Lyell, , p. 495.
3 Ibid.
4 , verbete “Lisbon” (ed. 1831).
5 , abril de 1899, v. 3, nº 4, p. 53, 54.
6 William Gordon, , v. 3, p. 57.
7 Isaiah Thomas, , v. 10, n º 472 (25 de maio de 1780). 8 Carta do Dr. Samuel Tenney, de Exeter, New Hampshire, de dezembro de 1785, em , 1792, primeira série, v. 1, p. 97.