Os Resgatados

Ellen G. White · Capítulo 26 de 45

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Os Resgatados

24 :: O que Cristo está Fazendo Agora?

O Que Cristo Está Fazendo Agora?

 

O assunto do santuário desvendou o mistério do desapontamento de 1844. Revelou um sistema completo da verdade, conectado e harmonioso, mostrando que a mão de Deus havia dirigido o grande movimento adventista. Aqueles que aguardaram com fé Sua segunda vinda esperavam que Ele retornasse em glória. Entretanto, quando suas esperanças foram desapontadas, perderam Jesus de vista. Agora, no lugar santíssimo, mais uma vez eles viram seu Sumo Sacerdote, prestes a aparecer como rei e libertador. A luz do santuário iluminou o passado, o presente e o futuro. Embora tenham falhado em compreender a mensagem que lhes havia sido concedida, ela era correta.

O erro não estivera no cálculo dos períodos, mas no que aconteceria ao fim das 2.300 tardes e manhãs. No entanto, tudo que a profecia previra havia acontecido.

Cristo não viera à Terra, mas ao lugar santíssimo do templo celestial: “Eu

estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens

do céu um como o Filho do Homem” – não para a Terra, mas – “dirigiu-se ao Ancião de Dias, e O fizeram chegar até Ele” (Dn 7:13, ARA).

Malaquias também predisse essa vinda: ‘“E então, de repente, o Senhor que vocês buscam virá para o Seu templo; o mensageiro da aliança, Aquele que vocês desejam, virá’, diz o Senhor dos Exércitos” (Ml 3:1). A chegada do Senhor a esse templo seria “súbita”, inesperada para Seu povo. Eles não estavam procurando por Ele ali.

As pessoas não estavam prontas para encontrar seu Senhor. Ainda necessitavam de uma obra de preparação. À medida que, pela fé, seguissem o Sumo Sacerdote em Seu ministério, descobririam os novos deveres revelados. Havia outra mensagem de advertência e instrução a ser dada para a igreja.

Quem Pode Resistir?

O profeta escreveu: “Mas quem suportará o dia da Sua vinda? Quem

ficará em pé quando Ele aparecer? [...] Ele Se assentará como um refinador

e purificador de prata; purificará os levitas e os refinará como ouro e prata. Assim trarão ao Senhor ofertas com justiça” (Ml 3:2, 3). Aqueles que estiverem vivos na Terra quando a intercessão de Cristo terminar terão que comparecer diante de Deus sem mediador. Suas vestes devem ser imaculadas, e seu caráter precisa estar purificado do pecado pelo sangue aspergido. Pela graça de Deus e o próprio esforço diligente, devem ser vencedores na batalha contra o mal. Enquanto o juízo investigativo está em andamento no C éu, enquanto os pecados dos pecadores arrependidos são removidos do santuário, o povo de Deus na Terra deve se envolver na obra especial de deixar o pecado de lado. Essa obra é apresentada na mensagem de Apocalipse ١٤. Quando essa atividade for concluída, os seguidores de Cristo estarão prontos para Sua vinda. Então a igreja que nosso Senhor receber em Sua vinda será “sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável” (Ef 5:27).

“O Noivo se Aproxima!”

A vinda de Cristo como Sumo Sacerdote ao lugar santíssimo para a purificação do santuário (Dn 8:14), a vinda do Filho do Homem ao Ancião de Dias (Dn 7:13) e a vinda do Senhor a Seu templo (Ml 3:1) são o mesmo evento. Isso também é representado pela chegada do noivo ao casamento na parábola das dez virgens de Mateus 25.

Na parábola, quando o noivo chegou, “as virgens que estavam preparadas

entraram com ele para o banquete nupcial” (Mt 25:10). A chegada do noivo acontece antes do casamento. O casamento representa o momento em que Cristo recebe Seu reino. A Cidade Santa, a nova Jerusalém, capital e símbolo do reino, é chamada de “a noiva, a esposa do Cordeiro”. O anjo disse a João: “Venha, eu lhe mostrarei a noiva, a esposa do Cordeiro”. “Ele me levou no Espírito”, conta o profeta, “e mostrou-me a Cidade Santa, Jerusalém, que descia dos céus, da parte de Deus” (Ap 21:9, 10).

A noiva representa o Espírito Santo, e as virgens que saem para encontrar o noivo são um símbolo da igreja. No Apocalipse, o povo de Deus é descrito como convidado das bodas. Se eles são , não podem ser Cristo

receberá do Ancião de Dias no Céu “autoridade, glória e o reino” , a nova Jerusalém, a capital de Seu reino, “preparada como uma noiva adornada para o seu marido” (Dn 7:14; Ap 21:2). Quando Ele receber o reino, virá como Rei dos reis e Senhor dos senhores resgatar Seu povo que comerá do banquete das bodas do Cordeiro.

Esperando o Senhor

A proclamação: “O noivo se aproxima!” levou milhares a esperar que o Senhor viesse imediatamente. No momento designado, o Noivo veio – não para a Terra, mas para o Ancião de Dias no C éu, para o casamento, a recepção de Seu reino. “As virgens que estavam preparadas entraram com

Ele para o banquete nupcial.” Não estariam presentes pessoalmente, já que

estavam na Terra. Os seguidores de Cristo devem esperar “seu senhor 

voltar de um banquete de casamento” (Lc 12:36). Mas precisam entender Sua obra e segui-Lo pela fé. É nesse sentido que se afirma que vão ao casamento.

Nessa parábola, aquelas que tinham óleo na lâmpada comparecem às bodas. Aqueles que, na noite de sua amarga prova, aguardaram com paciência, examinando as Escrituras em busca de luz mais clara viram a verdade acerca do santuário celestial e da mudança no serviço sacerdotal do Salvador. Pela fé, seguiram-nO em Sua obra no santuário celestial. E todos aqueles que aceitarem as mesmas verdades, seguindo a Cristo pela fé à medida que Ele desempenha a última obra de mediação, entrarão nas bodas.

Obra Final no Santuário

De maneira semelhante, na parábola de Mateus 22, o julgamento acontece antes das bodas. Antes do casamento, o rei entra para ver se todos os convidados estão usando as vestes nupciais, o manto imaculado do caráter lavado no sangue do Cordeiro (Ap 7:14). De acordo com o exame de Deus, todos aqueles que estão trajando as vestes nupciais são aceitos e julgados dignos de sua parte no reino de Deus e de um lugar em Seu trono. Essa obra de exame do caráter corresponde ao juízo investigativo, a obra final no santuário do alto.

Quando o caso daqueles que, em todas as eras, professaram a Cristo for examinado e decidido, o tempo da graça terminará e a porta da misericórdia será fechada. Assim, em duas curtas frases: “As virgens que estavam

preparadas entraram com ele para o banquete nupcial. E a porta foi fechada”, somos levados ao momento em que a grande obra em prol de nossa salvação será concluída.

No santuário terrestre, quando o sumo sacerdote entrava no lugar santíssimo no dia da expiação, terminava o serviço no primeiro compartimento. De igual maneira, quando Cristo entrou no lugar santíssimo para realizar a obra final de expiação, Ele finalizou Seu ministério no primeiro compartimento. Então começou o ministério no segundo compartimento. Cristo havia terminado apenas uma parte de Sua obra como nosso intercessor, a fim de começar outra parte do trabalho. Ele ainda suplicava em prol dos pecadores perante o Pai com Seu sangue.

Embora seja verdade que se fechou a porta de esperança e misericórdia por meio da qual os pecadores encontraram acesso a Deus por mil e oitocentos anos, outra porta se abriu. Deus ainda oferece perdão dos pecados por meio da intercessão de Cristo no lugar santíssimo. Ainda há uma “porta aberta” para o santuário celestial, onde Cristo ministra pelos pecadores.

Agora as pessoas conseguiam entender o significado das seguintes palavras de Cristo em Apocalipse, ditas especialmente para este tempo:

“Estas são as palavras dAquele que é santo e verdadeiro, que tem a chave de Davi. O que Ele abre ninguém pode fechar, e o que Ele fecha ninguém

pode abrir. [...] Eis que coloquei diante de você uma porta aberta que ninguém pode fechar” (Ap 3:7, 8).

Aqueles que, pela fé, seguem a Jesus na grande obra de expiação receberão os benefícios de Sua mediação, ao passo que aqueles que rejeitam a luz não extrairão benefício nenhum dela. Os judeus que se recusaram a crer em Cristo como Salvador não poderiam receber perdão por meio dEle. Quando Jesus ascendeu ao Céu e entrou no santuário a fim de derramar sobre Seus discípulos as bênçãos de Sua mediação, aqueles judeus foram deixados em trevas para continuar com seus sacrifícios e suas ofertas inúteis. A porta que antes dera ao povo acesso a Deus não estava mais aberta. Os judeus haviam se recusado a buscá-Lo da única maneira que Ele podia ser encontrado naquela época, por intermédio do santuário no Céu.

Os judeus incrédulos ilustram a condição dos descuidados e descrentes em meio a professos cristãos que ignoram voluntariamente a obra de nosso Sumo Sacerdote. No cerimonial simbólico, quando o sumo sacerdote entrava no lugar santíssimo, todos os israelitas precisavam se reunir em torno do santuário e humilhar o coração perante Deus, a fim de receber perdão dos pecados e não ser “eliminado” da congregação. Muito mais essencial, em relação ao dia final da expiação, é compreender a obra de nosso Sumo Sacerdote e saber quais deveres são exigidos de nós.

O Céu enviou uma mensagem ao mundo nos dias de Noé, e a salvação das pessoas dependia de como reagiriam à mensagem (Gn 6:6-9; Hb 11:7). Nos tempos de Sodoma, todos, com exceção de Ló, sua esposa e suas duas filhas, foram consumidos pelo fogo mandado do Céu (Gn 19). O mesmo se passou nos dias de Cristo. O Filho de Deus declarou aos judeus incrédulos

daquela geração: “Eis que a casa de vocês ficará deserta” (Mt 23:38). Olhando para os últimos dias, o mesmo Poder Infinito exprime preocupação

por aqueles que “rejeitaram o amor à verdade que os poderia salvar. Por

essa razão Deus lhes envia um poder sedutor, a fim de que creiam na mentira” (2Ts 2:10, 11). Por rejeitarem os ensinos de Sua Palavra, Deus retira deles Seu Espírito e os deixa entregues aos enganos que tanto amam. Cristo, porém, continua a interceder pela humanidade, e Deus dará luz a quem a buscar.

A passagem do tempo em 1844 trouxe grande prova àqueles que aceitaram a fé no advento. Seu único alívio foi a luz que lhes dirigiu a mente ao santuário celestial. Enquanto aguardavam e oravam, viram que seu grande Sumo Sacerdote havia iniciado outra obra de ministração. Seguiram-nO pela fé, e Ele os conduziu a ver também a obra final da igreja. Receberam uma compreensão mais clara da primeira e segunda mensagens angélicas. Estavam então preparados para receber a solene advertência do terceiro anjo de Apocalipse 14 e anunciá-la ao mundo.