Os Resgatados

Ellen G. White · Capítulo 22 de 45

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Os Resgatados

20 :: Amor pela Vinda de Cristo

Amor pela Vinda de Cristo

 

A primeira mensagem angélica de Apocalipse 14 prediz um grande

despertamento religioso. Retrata um anjo “que voava pelo céu e tinha

na mão o evangelho eterno para proclamar aos que habitam na Terra, a toda nação, tribo, língua e povo”. “Em alta voz” ele proclama: “Temam a Deus e

glorifiquem-nO, pois chegou a hora do Seu juízo. Adorem Aquele que fez

os céus, a terra, o mar e as fontes das águas” (Ap 14:6, 7).

Um anjo representa tanto o caráter elevado da obra que a mensagem realizaria como o poder e a glória que a acompanhariam. O voo do anjo “pelo céu”, a “alta voz” e o fato de ir “a toda nação, tribo, língua e povo” mostram o alcance rápido e mundial do movimento. Quanto ao tempo em que isso deve acontecer, anuncia a abertura do juízo.

Essa mensagem faz parte do evangelho que só poderia ser proclamado nos últimos dias, pois somente então seria verdade que a hora do juízo . Daniel recebeu a ordem de fechar a parte da profecia ligada aos últimos dias e selá-

la “até o tempo do fim” (Dn 12:4). Somente nesse tempo seria possível proclamar uma mensagem sobre o juízo, baseada no cumprimento dessas profecias.

Paulo advertiu a igreja a não aguardar a vinda de Cristo em seus dias. Somente após a grande apostasia e o grande reinado do “homem do pecado” poderíamos esperar o advento de nosso Senhor (2Ts 2:3). O “homem do pecado” – também “mistério da iniquidade”, “filho da perdição” e “a apostasia” – representa o papado, o qual manteria sua supremacia por 1.260 anos. Esse período chegou ao fim em 1798. A vinda de Cristo não poderia acontecer antes desse tempo. A palavra de cautela dada por Paulo abrange toda a era cristã até o ano de 1798. A mensagem da segunda vinda de Cristo deveria ser proclamada após esse período.

Nenhuma mensagem dessa natureza foi anunciada em eras passadas. Conforme vimos, Paulo não a pregou. Ele apontou para a vinda do Senhor em um futuro então distante. Os reformadores não a proclamaram. Martinho Lutero disse que o juízo ocorreria cerca de trezentos anos depois de sua época. Desde 1798, porém, o livro de Daniel perdeu o selo, e muitos têm proclamado a mensagem de que o juízo está próximo.

Proclamação Simultânea em Diversos Países

Assim como a Reforma do século 16, o movimento adventista apareceu em diferentes países na mesma época. Deus dirigiu pessoas de fé a estudar as profecias e elas encontraram evidências convincentes de que o fim estava próximo. Grupos isolados de cristãos chegaram à crença de que a vinda do Salvador estava às portas , somente por meio do estudo das Escrituras.

Três anos depois de Miller chegar a suas conclusões acerca das profecias, o Dr. Joseph Wolff, “o missionário ao mundo”, começou a proclamar o breve retorno do Senhor. Alemão, filho de pais judeus, ele sentiu a convicção, desde muito jovem, de que a religião cristã era verdadeira. Ele ouvia com atenção as conversas na casa de seu pai, nas quais judeus devotos se reuniam para conversar sobre a esperança de seu povo, a glória do Messias vindouro e a restauração de Israel. Certo dia, ao ouvir menção a Jesus de Nazaré, o menino perguntou quem Ele era.

“Um judeu de enorme talento”, foi a resposta do pai. “Mas por fingir ser o Messias, o tribunal judaico o sentenciou à morte.”

O garoto perguntou: “Por que Jerusalém está destruída e nós estamos em cativeiro?”

“Ai, ai!”, respondeu o pai. “Porque os judeus mataram os profetas.”

Imediatamente veio à mente do menino o pensamento: “Talvez Jesus também tenha sido um profeta e os judeus O mataram, embora fosse inocente.” Conquanto fosse proibido de entrar em igrejas cristãs, com frequência, ele se demorava do lado de fora a fim de ouvir as pregações. Quando tinha apenas sete anos de idade, o menino estava se gabando para um vizinho cristão do triunfo futuro de Israel, na ocasião em que o Messias viesse. O velhinho disse com bondade: “Caro menino, eu vou lhe contar quem foi o verdadeiro Messias. Foi Jesus de Nazaré [...] a quem seus antepassados crucificaram. [...] Vá para casa e leia o capítulo 53 de Isaías e você se convencerá de que Jesus Cristo é o Filho de Deus.” 1

Ele foi para casa e leu a passagem bíblica. Ficou surpreso ao ver como esta havia se cumprido com perfeição em Jesus de Nazaré. As palavras daquele cristão seriam verdadeiras? O garoto pediu ao pai uma explicação para aquela profecia, mas a resposta foi um silêncio tão severo que ele nunca mais ousou se referir ao assunto.

Quando tinha apenas onze anos de idade, saiu de casa para estudar, escolher sua religião e seu ofício. Sozinho e sem dinheiro, precisava se virar por conta própria. Estudava com afinco, sustentando-se por meio de aulas de hebraico. Ele aceitou a fé católica e foi continuar seus estudos no Colégio da Propaganda Fide, em Roma. Ali atacou abertamente os abusos da igreja e apelou por uma reforma. Depois de um tempo, foi mandado embora de Roma. Ficou claro que ele nunca se sujeitaria ao domínio católico romano. Seguiu para a Inglaterra e se uniu à Igreja Anglicana. Após dois anos de estudo, em 1821 foi enviado em sua missão.

Wolff entendeu que as profecias apontavam para a segunda vinda de Cristo com poder e glória. Enquanto tentava conduzir seu povo a Jesus de Nazaré, o Messias prometido, e mostrar a eles que Sua primeira vinda, além de representar o sacrifício pelo pecado, também lhes ensinava sobre a segunda vinda.

Wolff acreditava que a vinda do Senhor estava muito próxima. Sua interpretação dos períodos proféticos identificavam o acontecimento com poucos anos de diferença na predição de Miller. “O Senhor [...] não nos deixou os sinais dos tempos para que conhecêssemos pelo menos a aproximação de Sua vinda, assim como sabemos que o verão se aproxima pelas folhas da figueira? Saberemos o suficiente [...] pelos sinais dos tempos para nos convencer a nos preparar para Seu retorno, assim como Noé preparou a arca.” 2

Contra as Interpretações Populares

Acerca do sistema popular de interpretação das Escrituras, Wolff escreveu: “A maior parte da igreja cristã se afastou do sentido claro das Escrituras e [...] supõe que, onde lê deveria ler ; e onde se lê deve interpretar ; e se diz , significa ; e sobre a vinda do compreende o progresso de suas ; e subir ao monte da casa do Senhor quer dizer ” 3

De 1821 a 1845, Wollf viajou para o Egito, Etiópia, Palestina, Síria, Pérsia, Bucara, 4 Índia e Estados Unidos.

Poder da Palavra

O Dr. Wolff viajou pelos países mais desprovidos de civilização sem proteção alguma, suportando dificuldades e cercado por perigos incontáveis. Passou fome, foi vendido como escravo, foi três vezes condenado à morte, sofreu ataques de ladrões e houve ocasiões em que quase morreu de sede. Certa vez, foi destituído de todas as suas posses e precisou viajar centenas de quilômetros a pé pelas montanhas, com a neve assolando seu rosto e os pés descalços amortecidos pelo chão congelado.

Quando as pessoas o advertiam a não sair desarmado em meio a tribos selvagens hostis, ele respondia que estava “munido de armas” – “oração, zelo por Cristo e confiança em Seu auxílio”. “Também estou cercado pelo amor de Deus e do próximo no coração, com a Bíblia em mãos.” “Sinto que meu poder está na Palavra e que sua força pode me sustentar.” 5

Ele continuou a trabalhar até a mensagem haver se espalhado por boa parte do mundo povoado. Em meio a judeus, turcos, persas, hindus e outras nações e raças, ele distribuiu a Palavra de Deus em diversos idiomas e, em todos os lugares, anunciava a vinda do Messias.

Em Bucara, encontrou um povo isolado que defendia a doutrina do breve retorno do Senhor. Os árabes do Iêmen, contou, “possuem um livro chamado , o qual prediz a segunda vinda de Cristo e Seu reinado em glória. Eles esperam que acontecimentos grandiosos ocorram no ano de 1840”. “Encontrei filhos de Israel da tribo de Dã [...] que esperam, com os filhos de Recabe, a chegada iminente do Messias nas nuvens do céu.” 6

Outro missionário encontrou uma crença semelhante na Tartária, região da Europa oriental. Um sacerdote t ártaro lhe perguntou quando Cristo viria pela segunda vez. Quando o missionário respondeu que não sabia nada a esse respeito, o padre pareceu surpreso ao encontrar tamanha ignorância em um professor da Bíblia. Afirmou que, de acordo com suas crenças, baseadas nas profecias, Cristo voltaria por volta de 1844.

A Mensagem do Advento na Inglaterra

Já em 1826 a mensagem do advento começou a ser pregada na Inglaterra. De modo geral, ela não envolvia o ensino do tempo exato do retorno de Jesus. Mesmo assim, a verdade do breve retorno de Cristo em poder e glória era proclamada por toda parte. Um escritor inglês afirmou que cerca de setecentos ministros da Igreja Anglicana estavam pregando “esse evangelho do reino”.

A Grã-Bretanha recebeu a mensagem apontando para o ano de 1844 como o momento da volta do Senhor também. Publicações adventistas dos Estados Unidos recebiam ampla circulação. Em 1842, Robert Winter, inglês que havia aceitado a fé adventista no continente americano, retornou para seu país natal a fim de espalhar as novas do retorno do Senhor. Muitos se uniram a ele na obra em várias partes da Inglaterra.

Na América do Sul, Lacunza, jesuíta da Espanha, aceitou a verdade do breve retorno de Cristo. Na tentativa de evitar a condenação de Roma, ele publicou sua versão sob o pseudônimo de Rabino Ben-Ezra, que afirmava ser um judeu convertido. Por volta de 1825, seu livro foi traduzido para o inglês e ajudou a aprofundar o interesse já despertado na Inglaterra

A Revelação Desponta para Bengel

Na Alemanha, Bengel, pastor luterano e estudioso da Bíblia, ensinava a doutrina do breve retorno de Cristo. Enquanto preparava um sermão baseado em Apocalipse 21, a luz da segunda vinda de Cristo surgiu em sua mente e as profecias do Apocalipse se abriram para seu entendimento. A importância e a glória das cenas proféticas o sobrecarregaram, e ele precisou se afastar do assunto por um tempo. No púlpito, a lembrança veio à tona vividamente. A partir de então, ele se dedicou ao estudo das profecias e logo passou a crer que a volta de Cristo estava próxima. A data que marcou para o tempo do segundo advento diferia em poucos anos da que Miller defendeu mais tarde.

Os escritos de Bengel se espalharam em seu estado, Würtemberg, e em outras partes da Alemanha. Os alemães ouviram a mensagem do advento na mesma época em que ela atraía a atenção em outras terras.

Em Genebra, na Suíça, Gaussen pregou o segundo advento. Quando iniciou o ministério, sentia-se inclinado a duvidar. Quando jovem, havia se interessado pelas profecias. Após ler [História Antiga], de Rollin, ele leu o segundo capítulo de Daniel. Ficou perplexo ao perceber como as profecias haviam se cumprido com exatidão. Aquele era um indício de que as Escrituras de fato eram inspiradas. Ele não poderia continuar se satisfazendo com o racionalismo e, ao estudar a Bíblia, encontrou uma fé positiva.

Ele passou a crer que a vinda do Senhor estava próxima. Impressionado com a importância dessa verdade, sentiu o desejo de apresentá-la ao povo. No entanto, a crença popular de que ninguém era capaz de compreender as profecias de Daniel consistia em um grave obstáculo. Assim como Farel fizera antes dele ao evangelizar em Genebra, finalmente decidiu começar com as crianças, na esperança de interessar os pais por meio delas. Contou: “Reúno um público de crianças. Se o grupo cresce e vejo que elas ouvem, se agradam e se interessam, que entendem e explicam o assunto, com certeza tenho um segundo círculo em breve. E, dentro de pouco tempo, os adultos veem que vale a pena dedicar tempo para se assentar e estudar. Quando isso acontece, a causa vence”. 7

Quando falava às crianças, pessoas mais velhas vinham para ouvir. Os assentos de sua igreja ficavam cheios de ouvintes, pessoas de posição e saber, bem como de estrangeiros e desconhecidos que visitavam Genebra. Por sua vez, eles levavam a mensagem a outras partes.

Incentivado por isso, Gaussen publicou suas lições com a esperança de promover o estudo dos livros proféticos. Posteriormente, tornou-se professor na faculdade de teologia; mas, aos domingos, continuava sua obra de falar às crianças e instruí-las nas Escrituras. De sua cátedra professoral, por meio da imprensa e como mestre dos pequeninos, por muitos anos ele atuou como um instrumento para chamar a atenção do povo às profecias que mostravam a proximidade da vinda do Senhor.

Crianças Pregadoras na Escandinávia

A mensagem do advento também foi proclamada na Escandinávia. Despertou muitas pessoas a confessar e abandonar seus pecados, pedindo perdão em nome de Cristo. Contudo, o clero da igreja estatal se opôs ao movimento e alguns dos que pregavam a mensagem foram lançados na prisão.

Em muitos lugares onde os oficiais silenciaram os pregadores do breve retorno do Senhor, Deus proclamou a mensagem por meio de criancinhas. Como eram menores de idade, o Estado não podia detê-las e tinham permissão de falar sem interferência.

Nos lares simples dos trabalhadores, as pessoas se reuniam para ouvir a advertência. Alguns dos pregadores infantis não tinham mais do que seis ou oito anos de idade. Embora sua vida demonstrasse que amavam o Salvador, normalmente manifestavam apenas a inteligência e capacidade que as crianças de sua idade costumam ter. Entretanto, quando se levantavam diante das pessoas, uma influência além de seus dons naturais as movia. Seu tom e seus modos mudavam e, com poder solene, davam o alerta do

juízo: “Temam a Deus e glorifiquem-nO, pois chegou a hora do Seu juízo.”

As pessoas ouviam com tremor o Espírito de Deus falar aos corações. Muitos começaram a sondar as Escrituras; bêbados e imorais mudavam de vida; ocorreu uma mudança tão notável que até os pastores da igreja estatal precisaram admitir que a mão de Deus estava no movimento.

Era da vontade de Deus anunciar as novas da vinda do Salvador na Escandinávia e Ele colocou Seu Espírito em crianças para cumprir a obra. Quando Jesus Se aproximou de Jerusalém, as pessoas, intimidadas pelos sacerdotes e governantes, cessaram a alegre proclamação ao adentrarem as portas da cidade. Mas as crianças no pátio do templo aprenderam o refrão e bradaram: “Hosana ao Filho de Davi!” (Mt 21:8-16). Assim como Deus trabalhou por intermédio de crianças na época do primeiro advento de Cristo, atuou por meio delas ao dar a mensagem de Seu segundo advento.

A Mensagem se Espalha

Os Estados Unidos se tornaram o centro do grande movimento adventista. Os escritos de Miller e seus companheiros saíram de lá para chegar a terras distantes, onde quer que houvesse missionários pelo mundo. A mensagem do evangelho eterno se espalhou por toda parte: “Temam a Deus e

glorifiquem-nO, pois chegou a hora do Seu juízo.”

As profecias que pareciam apontar para a vinda de Cristo na primavera de 1844 chamaram profundamente a atenção das pessoas. Muitos se convenceram de que os argumentos quanto aos períodos proféticos estavam corretos. Sacrificando o orgulho da opinião, aceitavam a verdade com alegria. Alguns ministros deixaram salário e igreja para se unir à proclamação da vinda de Jesus. No entanto, eram poucos os pastores que aceitavam essa mensagem, por isso Deus a confiou principalmente a leigos humildes. Fazendeiros deixaram os campos; mecânicos, suas ferramentas; comerciantes, sua mercadoria; profissionais, os seus ofícios. Voluntariamente enfrentavam trabalho duro, pobreza e sofrimento a fim de conclamar as pessoas ao arrependimento e à salvação. Milhares aceitaram a mensagem do advento.

A Simplicidade da Bíblia Traz Convicção

Assim como João Batista, os pregadores miravam o machado na raiz da árvore e apelavam para que todos dessem “fruto que mostre o arrependimento” (Mt 3:8). Em forte contraste com a certeza de paz e segurança proveniente dos púlpitos populares, o testemunho simples das Escrituras levava convicção que poucos eram capazes de resistir por completo. Muitos se achegaram ao Senhor em arrependimento. O sentimento que haviam dedicado às coisas terrenas por tanto tempo agora se destinava ao C éu. Com o coração abrandado e submisso, uniram-se na proclamação da mensagem: “Temam a Deus e glorifiquem-n O, pois

chegou a hora do Seu juízo.”

Pecadores perguntavam em lágrimas: “Que devo fazer para ser salvo?” Aqueles que haviam sido desonestos estavam ansiosos para consertar as coisas. Todos que encontravam paz em Cristo ansiavam por ver outros partilharem as mesmas bênçãos. O coração dos pais se voltou ao dos filhos, e o coração dos filhos ao dos pais (Ml 4:5, 6). Barreiras de orgulho e relutância foram derrubadas. As pessoas faziam confissões sinceras. Em toda parte, corações suplicavam diante de Deus. Muitos lutavam a noite inteira em oração para ter a certeza de que seus pecados haviam sido perdoados ou pela conversão de parentes e vizinhos.

Todas as classes, ricas e pobres, altas e baixas, estavam ansiosas por ouvir o ensino do segundo advento. O Espírito de Deus deu poder à Sua verdade. As pessoas sentiam a presença de santos anjos nessas reuniões, e muitos se uniam aos fiéis todos os dias. Multidões imensas ouviam em silêncio as solenes palavras. Céu e Terra pareciam se aproximar um do outro. As pessoas voltavam para casa com louvores nos lábios, e o alegre som ecoava pelo ar silencioso da noite. Ninguém que tivesse participado daquelas reuniões conseguiria esquecer as cenas do mais profundo interesse.

Oposição à Mensagem

A mensagem de um momento definido para a vinda de Cristo despertou forte oposição de muitas pessoas em todas as esferas da sociedade, do ministro no púlpito ao mais ousado e rebelde pecador. Muitos afirmavam que não eram contrários à doutrina da segunda vinda, apenas objetavam ao tempo definido. Mas o olho de Deus, que tudo vê, lia o coração de cada um. Aquelas pessoas não queriam ouvir que Cristo viria julgar o mundo com justiça. Suas obras não passariam na inspeção do Deus que sonda o coração e tinham medo de encontrar seu Senhor. Assim como os judeus na época do primeiro advento de Cristo, aquelas pessoas não estavam preparadas para receber Jesus. Além de se recusar a ouvir os argumentos claros da Bíblia, ridicularizavam aqueles que aguardavam o Senhor. Satanás escarneceu de Cristo dizendo que Seu professo povo O amava tão pouco que não queria que Ele voltasse.

Aqueles que rejeitavam a fé do advento costumavam usar o argumento: “Ninguém sabe o dia, nem a hora.” A passagem bíblica diz: “Quanto ao

 dia e à hora ninguém sabe, nem os anjos dos C éus, nem o Filho, senão somente o Pai” (Mt ٢٤:٣٦). Aqueles que aguardavam o Senhor davam uma explicação clara desse versículo e mostravam com toda clareza como seus oponentes o usavam de maneira equivocada.

Uma declaração do Salvador não deve ser usada para invalidar outra. Embora ninguém saiba o dia, nem a hora de Sua vinda, somos instruídos a saber quando ela está próxima. Recusar ou negligenciar saber o quanto Seu advento está perto será tão fatal para nós quanto foi para o povo dos dias de Noé não estar ciente da aproximação do dilúvio. Cristo disse: “Mas se você

não estiver atento, virei como um ladrão e você não saberá a que hora virei contra você” (Ap 3:3).

Paulo fala sobre aqueles que aceitaram a advertência do Salvador: “Mas

vocês, irmãos, não estão nas trevas, para que esse dia os surpreenda como ladrão. Vocês todos são filhos da luz, filhos do dia” (1Ts 5:4, 5).

Entretanto, aqueles que queriam uma desculpa para rejeitar a verdade se recusavam a ouvir essa explicação, e as palavras “ninguém sabe o dia, nem a hora” continuavam a ecoar na boca do escarnecedor e até do suposto ministro de Cristo. Quando as pessoas começavam a perguntar sobre o caminho da salvação, líderes religiosos se intrometiam entre elas e a verdade, interpretando falsamente a Palavra de Deus.

Em geral, os mais devotos nas igrejas eram os primeiros a aceitar a mensagem. Onde quer que as pessoas não fossem controladas pelo clero, onde quer que buscassem a Palavra de Deus por si mesmas, só precisavam comparar a doutrina do advento com as Escrituras para se convencer de sua autoridade divina.

Muitos eram desencaminhados por maridos, esposas, pais ou filhos e levados a crer que era pecado até mesmo ouvir as “heresias” que os adventistas ensinavam. Deus enviou anjos para vigiar fielmente tais pessoas, pois outra luz brilharia sobre elas de Seu trono.

Aqueles que haviam aceitado a mensagem aguardavam a vinda de seu Salvador. O momento no qual esperavam encontrá-Lo estava quase chegando. Aproximavam-se dessa hora com calma e solenidade. Ninguém que tivesse passado por isso seria capaz de esquecer aquelas horas preciosas de espera. Algumas semanas antes do tempo, a maioria deixou de lado as atividades mundanas. Os cristãos sinceros sondavam cuidadosamente o coração como se, em poucas horas, sua vida terrena fosse chegar ao fim. Ninguém preparou “roupas de ascensão” (ver o Apêndice), mas todos sentiram necessidade de encontrar a certeza interna de que estavam prontos para o encontro com o Salvador. Suas vestes brancas eram a pureza de coração – um caráter purificado pelo sangue expiatório de Cristo. Ah, se tão somente o povo de Deus ainda demonstrasse a mesma busca de coração e a mesma fé intensa!

Deus desejava provar Seu povo. Sua mão cobriu um erro no cálculo dos períodos proféticos. O momento de expectativa [isto é, que Cristo voltaria na primavera de 1844] passou e Jesus não voltou. Aqueles que aguardavam o Salvador sentiram amargo desapontamento. No entanto, Deus estava provando o coração daqueles que afirmavam estar aguardando Sua vinda. Muitos haviam agido por medo. Tais pessoas declararam que nunca tinham acreditado que Cristo viria. Estiveram entre os primeiros a ridicularizar a tristeza dos verdadeiros fiéis.

Mesmo assim, Jesus e todo o C éu olhavam com amor e simpatia para os fiéis desapontados. Se o véu que separa o visível do invisível pudesse ter se afastado um pouco, esses cristãos leais teriam visto anjos se aproximando deles para protegê-los das flechas de Satanás.

1 , v. 1, p. 6, 7.

2 Joseph Wolff, , p. 404, 405.

3 , p. 96.

4 Região remota do Turquestão, entre o Afeganistão e a Rússia. 5 W. H. D. Adams, , p. 192, 201.

6 , p. 377, 389.

7 L. Gaussen, , v. 2, prefácio.