Os Resgatados

Ellen G. White · Capítulo 27 de 45

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Os Resgatados

25 :: A Imutável Lei de Deus

A Imutável Lei de Deus

 

E “ ntão foi aberto o santuário de Deus nos C éus, e ali foi vista a arca da Sua aliança” (Ap 11:19). A arca da aliança está no lugar santíssimo, o segundo compartimento do santuário. No cerimonial do tabernáculo terreno, que servia como “cópia e sombra daquele que está nos C éus”, essa parte só era aberta no grande dia da expiação para a purificação do santuário. Por isso, o anúncio de que o templo de Deus estava aberto e a arca da Sua aliança era visível aponta para a abertura do lugar santíssimo do santuário em 1844, quando Cristo entrou ali para realizar a obra final de expiação. Aqueles que seguiram seu grande Sumo Sacerdote pela fé quando Ele começou Seu ministério no lugar santíssimo repararam na arca da aliança. Como já haviam estudado o tema do santuário, compreenderam a mudança de ministério do Salvador e viram que agora Ele ministrava perante a arca de Deus.

A arca da aliança na Terra continha as duas tábuas de pedra nas quais Deus escreveu Sua lei. Quando o templo de Deus se abriu no Céu, a arca de Sua aliança foi vista. Dentro do lugar santíssimo no templo, a lei divina está conservada – a lei que o próprio Deus falou e também escreveu com Seu dedo nas tábuas de pedra.

Aqueles que compreenderam esse aspecto viram, como nunca antes, a importância das palavras do Salvador: “Enquanto existirem céus e terra, de

forma alguma desaparecerá da Lei a menor letra ou o menor traço” (Mt 5:18). Por ser a revelação de Sua vontade e a transcrição de Seu caráter, a lei de Deus deve perdurar para sempre.

O sábado está no centro dos dez mandamentos. O Espírito de Deus impressionou aqueles estudiosos de Sua Palavra, mostrando a eles que, em ignorância, estavam transgredindo essa lei ao desconsiderar o dia de descanso do Criador. Começaram a examinar as razões para a guarda do primeiro dia da semana. Não conseguiram encontrar nenhuma evidência de que Deus tivesse abolido o quarto mandamento, ou mudado o sábado. Estavam buscando honestamente conhecer e fazer a vontade do Senhor. Então demonstraram sua lealdade a Deus santificando Seu sábado.

Muitas pessoas tentaram subverter a fé desses fiéis. Ninguém podia deixar de ver que a aceitação da verdade em relação ao santuário celestial envolvia cumprir os termos da lei de Deus e o sábado do quarto mandamento. Esse era o segredo por trás da oposição acirrada à explicação harmoniosa das Escrituras que revelava a ministração de Cristo no santuário celestial. As pessoas tentaram fechar a porta que Deus havia aberto e abrir a porta que Ele fechara. Mas Cristo havia aberto a porta para o ministério no lugar santíssimo. O quarto mandamento estava dentro da lei conservada ali.

Aqueles que aceitaram a luz acerca da mediação de Cristo e da lei de Deus descobriram que essas eram as verdades de Apocalipse 14, uma advertência em três partes a fim de que os habitantes da Terra se preparem para a segunda vinda do Senhor (ver o Apêndice). O anúncio de que

“chegou a hora do Seu juízo” destaca uma verdade que precisa ser proclamada até a intercessão do Salvador terminar e Ele voltar para tomar Seu povo para Si. O juízo que começou em 1844 deve continuar até os casos de todos serem decididos, tanto dos vivos quanto dos mortos. Por isso, ele se estenderá até o fim do tempo da graça. 1

Para que estejamos prontos a comparecer no juízo, a mensagem ordena: “Temam a Deus e glorifiquem-nO. [...] Adorem Aquele que fez os céus, a

terra, o mar e as fontes das águas”. A Bíblia nos conta qual é o resultado

de aceitar tais mensagens: “Aqui está a perseverança dos santos que

obedecem aos mandamentos de Deus e permanecem fiéis a Jesus” (Ap 14:7, 12).

A fim de estar preparados para o juízo, devemos guardar a lei de Deus, o

padrão do caráter no juízo. Paulo declara: “Todo aquele que pecar sem a

Lei, sem a Lei também perecerá, e todo aquele que pecar sob a Lei, pela Lei

será julgado [...] no dia em que Deus julgar os segredos dos homens.” “Os que obedecem à Lei, estes serão declarados justos” (Rm 2:12, 16, 13). A fé

é essencial para guardar a lei de Deus, pois “sem fé é impossível agradar a

Deus” (Hb 11:6). “Tudo o que não provém da fé é pecado” (Rm ١٤:٢٣).

O primeiro anjo nos chama para temer a Deus e glorificá-Lo, adorando-O por ser o Criador dos céus e da terra. Para fazer isso, precisamos obedecer à Sua lei. Sem obediência, nenhuma adoração pode ser agradável a Deus.

“Nisto consiste o amor a Deus: em obedecer aos Seus mandamentos” (1Jo 5:3; Pv 28:9).

Adoração ao Criador

O dever de adorar a Deus é baseado no fato de que Ele é o Criador. “Venham! Adoremos prostrados e ajoelhemos diante do Senhor, o nosso Criador” (Sl 95:6; Sl 96:5; 100:3; Is 40:25, 26; 45:18).

Apocalipse 14 convida as pessoas a adorar o Criador e a guardar os mandamentos de Deus. Um desses mandamentos aponta para Deus como

Criador: “O sétimo dia é o sábado dedicado ao Senhor, o teu Deus. [...]

Pois em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles

existe, mas no sétimo dia descansou. Portanto, o Senhor abençoou o sétimo dia e o santificou” (Êx 20:10, 11). O Senhor diz que o sábado é “um sinal. [...] Então vocês saberão que Eu sou o Senhor, o seu Deus” (Ez 20:20). Se todos ao longo das eras tivessem guardado o sábado, isso os teria levado ao Criador como o alvo de sua adoração. Nunca teria existido um adorador de ídolos, um ateu ou um descrente. A guarda do sábado é um

sinal de lealdade À quele “que fez os céus, a terra, o mar e as fontes das águas”. A mensagem que ordena à s pessoas adorarem a Deus e guardarem Seus mandamentos as chama de maneira especial a observar o quarto mandamento.

Em contraste com aqueles que guardam os mandamentos de Deus e a fé

de Jesus, o terceiro anjo faz referência a outro grupo: “Se alguém adorar a

besta e a sua imagem e receber a sua marca na testa ou na mão, também

beberá do vinho do furor de Deus que foi derramado sem mistura no 

cálice da Sua ira” (Ap 14:9, 10). O que a besta, a imagem e a marca representam?

A Identidade do Dragão

A profecia na qual esses símbolos são encontrados começa com Apocalipse 12. O dragão que tentou destruir a Cristo por ocasião de Seu nascimento foi Satanás (Ap 12:9), o qual incitou Herodes a ordenar a morte do Salvador. E o império romano foi o agente que Satanás usou para guerrear contra Cristo e Seu povo durante os primeiros séculos quando o paganismo era sua religião preponderante. Por isso, em sentido secundário, o dragão é símbolo de Roma pagã.

Apocalipse 13 apresenta outra besta “semelhante a um leopardo”, a quem

o dragão deu “o seu poder, o seu trono e grande autoridade” (Ap 13:2). Esse símbolo, conforme historicamente a maioria dos protestantes tem acreditado, representa o papado, o qual assumiu o poder, o trono e a autoridade que o império romano teve no passado. A Bíblia diz o seguinte

acerca dessa besta semelhante a um leopardo: “À besta foi dada uma boca para falar palavras arrogantes e blasfemas [...]. Ela abriu a boca

para blasfemar contra Deus e amaldiçoar o Seu nome e o Seu tabernáculo,

os que habitam nos Céus. Foi-lhe dado poder para guerrear contra os santos e vencê-los. Foi-lhe dada autoridade sobre toda tribo, povo, língua e nação” (Ap 13:5-7). Essa profecia, praticamente idêntica à descrição do chifre pequeno de Daniel 7, aponta de maneira inquestionável para o papado.

“E lhe foi dada autoridade para agir durante quarenta e dois meses” (Ap 13:5) – os três anos e meio ou 1.260 dias de Daniel 7 – durante os quais o poder papal oprimiria o povo de Deus. Esse período, conforme salientado em capítulos anteriores, começou a supremacia, em 538 d.C. e terminou em 1798. Na época, o poder papal recebeu sua “ferida mortal” e a predição se

cumpriu: “Se alguém leva para cativeiro, para cativeiro vai” (v. 10, ARA).

A Ascensão de um Novo Poder

Nesse momento, a profecia introduz um novo símbolo: “Então vi outra

besta que saía da terra, com dois chifres como cordeiro, mas que falava como dragão” (Ap 13:11). Essa nação é diferente das apresentadas pelos símbolos anteriores. Os grandes reinos que governaram o mundo foram apresentados ao profeta Daniel como animais predadores, os quais se

levantaram quando “os quatro ventos do céu agitavam o Mar Grande” (Dn 7:2, ARA).

Em vez disso, porém, João viu a besta com chifres de cordeiro saindo “da terra”. Em lugar de derrubar outros poderes para se estabelecer, a nação representada dessa maneira deveria se levantar em território até então desocupado e crescer de maneira pacífica. Por isso, não poderia surgir em meio às populosas e conflitantes nações do Velho Mundo. Devemos procurá-la no continente ocidental.

Que nação do Novo Mundo estava ascendendo em poder em 1798, dando promessas de força e chamando a atenção do mundo? Uma nação e somente uma cumpre essa profecia: os Estados Unidos da América. Ao descrever a ascensão dessa nação, inconscientemente, o historiador usa quase que as palavras exatas da Bíblia. Um escritor proeminente fala sobre “ ” e completa: “Como , cresceu e se transformou em império.”2 Um jornal europeu de 1850 se referiu aos Estados Unidos como uma nação que “emergiu” e “em meio ao silêncio da Terra diariamente aumenta em poder e orgulho”.3

“Com dois chifres como cordeiro.” Os chifres de cordeiro indicam juventude, inocência e bondade. Dentre os eLivross cristãos que fugiram da opressão real e da intolerância religiosa para a América, havia muitos que estavam determinados a instituir a liberdade civil e religiosa. A Declaração da Independência proclama a verdade de que “todos os homens foram criados iguais” e foram dotados do direito inalienável à “vida, liberdade e busca da felicidade”. A Constituição garante ao povo o direito do autogoverno, exigindo que os representantes eleitos por voto popular promulguem e administrem as leis. Também concede liberdade de religião. O republicanismo e o protestantismo se tornaram os princípios fundamentais da nação, o segredo para seu poder e sua prosperidade. Milhões se dirigiram a suas praias e os Estados Unidos ascenderam a uma posição entre as mais poderosas nações da Terra.

Contradição Gritante

Entretanto, a besta com chifres como cordeiro “falava como dragão.

Exercia toda a autoridade da primeira besta, em nome dela, e fazia a Terra e seus habitantes adorarem a primeira besta, cujo ferimento mortal havia

sido curado. [...] Ordenou-lhes que fizessem uma imagem em honra à besta

que fora ferida pela espada e contudo revivera” (Ap 13:11, 12, 14).

Os chifres como cordeiro e a voz de dragão apontam para uma contradição. A predição de que falaria “como dragão” e exerceria “toda a autoridade da primeira besta” prevê que ela desenvolveria um espírito de intolerância e perseguição semelhante ao do dragão e da besta com aspecto

de leopardo. E a declaração de que a besta com dois chifres faz “a Terra e seus habitantes adorarem a primeira besta” indica que a autoridade dessa nação estenderá sua lealdade ao papado.

Esse ato seria contrário aos princípios básicos de suas instituições livres, às afirmações solenes da Declaração de Independência e à Constituição. A Constituição estipula que “o Congresso não fará nenhuma lei acerca do estabelecimento de uma religião ou da proibição de seu livre exercício” e “nenhuma prova religiosa será necessária como qualificação para ocupar qualquer ofício ou cargo público nos Estados Unidos”. No entanto, o símbolo aponta para a violação flagrante desses elementos de proteção à liberdade. A besta com chifres de cordeiro – professando ser pura, bondosa e inofensiva – fala como dragão.

“Dizendo que façam uma imagem à besta” (ARA). Aqui a profecia apresenta uma forma de governo na qual o poder legislativo está nas mãos do povo, uma evidência bastante clara de que os Estados Unidos são a nação indicada.

O que é a “imagem à besta”? Como ela se forma?

Quando a igreja primitiva se tornou corrupta, foi em busca do apoio do poder secular. Resultado: o papado, a igreja que controlava o Estado, especialmente para punir “heresias”. Para que os Estados Unidos formem uma “imagem à besta”, o poder religioso deve controlar o governo civil, a fim de que a Igreja use o Estado para cumprir os próprios objetivos.

As igrejas protestantes que seguiram os passos de Roma têm demonstrado um desejo semelhante de restringir a liberdade de consciência. Um exemplo é a antiga perseguição de dissidentes feita pela Igreja Anglicana. Durante os séculos 16 e 17, pastores e membros não conformistas enfrentaram multas, cárcere, tortura e martírio.

A apostasia levou a igreja primitiva a buscar o auxílio do governo civil e isso abriu caminho para o papado – a besta. Paulo disse: “Antes daquele

 dia virá a apostasia e, então, será revelado o homem do pecado, o filho da perdição” (2Ts 2:3).

A Bíblia declara: “Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens serão , avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos,

desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem amor pela família,

irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, , traidores,

precipitados, soberbos, , mas negando o seu poder” (2Tm 3:1-5). “O

Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios” (1Tm 4:1).

Todos aqueles que “rejeitaram o amor à verdade que os poderia salvar” aceitarão “um poder sedutor, a fim de que creiam na mentira” (٢Ts ٢:١٠ , 11). Quando isso acontecer, os resultados serão os mesmos dos primeiros séculos.

Muitos acham que a grande diversidade de crenças entre as igrejas protestantes é prova de que jamais acontecerá uma uniformidade forçada. Por anos, porém, tem crescido dentro das igrejas protestantes o desejo por união. A fim de colocar em prática essa união, precisam evitar o debate de temas com os quais não concordam. No esforço para ter uniformidade completa, estarão a apenas um passo do uso da força.

Quando as principais igrejas dos Estados Unidos se unirem em torno dos pontos doutrinários que têm em comum e na influência junto ao Estado para colocar em vigor seus decretos e apoiar suas instituições, a América protestante terá formado uma imagem à hierarquia romana e penalidades civis sobre os dissidentes serão a consequência inevitável.

A Besta e sua Imagem

A besta com dois chifres “obrigou todos, pequenos e grandes, ricos e

pobres, livres e escravos, a receberem certa marca na mão direita ou na testa, para que ninguém pudesse comprar nem vender, a não ser quem tivesse a marca, que é o nome da besta ou o número do seu nome” (Ap

13:16, 17). O terceiro anjo adverte: “Se alguém adorar a besta e a sua

 imagem e receber a sua marca na testa ou na mão também beberá do vinho

do furor de Deus que foi derramado sem mistura no cálice da Sua ira” (Ap 14:9, 10).

“A besta” cuja adoração é imposta é a primeira de Apocalipse 13, com aspecto de leopardo – o papado. A “imagem à besta” representa a forma de protestantismo apostatado que se desenvolverá quando as igrejas protestantes procurarem auxílio do poder civil para compelir todos a aderirem a suas crenças. Resta ainda a “marca da besta” para ser definida.

Aqueles que guardam os mandamentos de Deus são contrastados com os que adoram a besta, sua imagem e recebem sua marca. De um lado, a guarda da lei de Deus e, do outro, sua transgressão será o ponto de distinção entre os adoradores do Senhor e os adoradores da besta.

A característica especial da besta e de sua imagem é a quebra dos mandamentos divinos. Daniel diz que o chifre pequeno, o papado, “tentará mudar os tempos e as leis” (Dn 7:25). Paulo chamou o mesmo poder de “homem do pecado” (2Ts 2:3), o qual se exaltaria acima de Deus. Somente por meio da mudança da lei divina o papado poderia se exaltar acima do Senhor. Todo aquele que, conscientemente, guardar a lei modificada estará dando honra suprema à s leis papais, uma marca de aliança ao papa em lugar de lealdade a Deus.

O papado tem procurado mudar a lei de Deus. Mudou o quarto mandamento na tentativa de autorizar a observância do primeiro dia em lugar do sétimo dia, o sábado. A Bíblia apresenta esse ato como uma mudança deliberada e intencional: ele “tentará mudar os tempos e as leis” (Dn 7:25). A mudança no quarto mandamento cumpre com exatidão a profecia. Nela, o poder papal se coloca abertamente acima de Deus.

Os adoradores do Senhor serão conhecidos de maneira especial por guardarem o quarto mandamento, o sinal de Seu poder criador. Os adoradores da besta se destacarão pelos esforços em derrubar o memorial do Criador, a fim de exaltar o sábado de Roma. Foi em favor do domingo como “dia do Senhor” que a igreja de Roma fez suas primeiras declarações arrogantes (ver o Apêndice). Mas a Bíblia revela que o sétimo dia é o dia do

Senhor. Cristo disse: “O Filho do homem é Senhor até mesmo do sábado” (Mc 2:28; Is 58:13, 14; Mt 5:17-19). Suas próprias palavras refutam a alegação frequente de que Cristo mudou o sábado.

Silêncio Total do Novo Testamento

Os protestantes admitem que “o Novo Testamento fica em silêncio absoluto a respeito de qualquer ordem explícita para a guarda do sábado [referindo-se, neste caso, ao domingo, o primeiro dia da semana] ou a regras definidas para sua observância”.4

“Até a ocasião da morte de Cristo, não havia acontecido mudança nenhuma no dia”; “de acordo com o que mostram os registros, eles [os apóstolos] não [...] deram nenhuma ordem explícita de abandono do sétimo dia, o sábado, a fim de observá-lo no primeiro dia da semana”.5

Os católicos romanos reconhecem que sua igreja fez a mudança do sábado e declaram que os protestantes reconhecem seu poder ao guardar o domingo. Afirmam: “Durante a antiga lei, o sábado era o dia para ser santificado; mas , instruída por Jesus Cristo e dirigida pelo Espírito de Deus, substituiu o sábado pelo domingo. Por isso, agora santificamos o primeiro dia, não o sétimo. O domingo significa e hoje é o dia do Senhor”.6

Como sinal da autoridade da Igreja Romana, escritores católicos citam “o próprio ato da mudança do sábado para o domingo, aceito pelos protestantes. [...] Pois ao guardar o domingo, reconhecem o poder da igreja para autorizar festas e ordenar que é pecado ignorá-las”.7

O que, então, seria a mudança do sábado senão o sinal, a marca da autoridade da igreja de Roma – “a marca da besta”?

A Igreja Romana ainda não abriu mão de sua reivindicação à supremacia. Quando o mundo e as igrejas protestantes aceitam o sábado que ela criou, ao passo que rejeitam o sábado bíblico, estão praticamente concordando com sua alegação. Ao fazer isso, ignoram o princípio que as separa de Roma, segundo o qual “a Bíblia e somente a Bíblia é a religião dos protestantes”. À medida que o movimento de imposição do domingo conquistar favor, reunirá, com o tempo, todo o mundo protestante sob o estandarte de Roma.

Porta-vozes católicos declaram que “a observância do domingo pelos protestantes é um tributo que prestam, a despeito de si mesmos, à autoridade da Igreja [Católica]”. 8 Se uma igreja impuser um dever religioso usando o poder secular, isso formará a imagem à besta. Logo, a imposição da guarda do domingo nos Estados Unidos significará a imposição da adoração da besta e de sua imagem.

Os cristãos de gerações passadas guardaram o domingo pensando que estavam observando o sábado bíblico. Existem hoje cristãos verdadeiros em todas as igrejas. Eles creem honestamente que Deus estabeleceu o domingo como dia de guarda. O Senhor aceita sua sinceridade e integridade. Mas, quando a observância do domingo for imposta por lei e o mundo for iluminado em relação ao sábado verdadeiro, todo aquele que transgredir a ordem divina a fim de obedecer a um ensino de Roma estará, por meio desse ato, honrando o papado acima de Deus. Essas pessoas estarão prestando tributo a Roma. Adorarão a besta e sua imagem. Ao fazê-lo, aceitarão o sinal da lealdade a Roma – “a marca da besta”. Somente quando a questão for claramente explicada às pessoas e elas fizerem a escolha entre os mandamentos de Deus e os mandamentos dos homens, aqueles que continuarem a transgredir a lei de Deus receberão a “marca da besta”.

A Advertência do Terceiro Anjo

A mensagem do terceiro anjo contém a advertência mais temível já dirigida aos mortais. As pessoas não serão deixadas na escuridão a respeito dessa importante questão. Esse aviso será dado ao mundo antes que venham os juízos divinos, a fim de que todos tenham a oportunidade de escapar deles. O primeiro anjo faz seu anúncio “a toda nação, tribo, língua e povo”. A advertência do terceiro anjo não será menos abrangente do que isso. Será proclamada em grande voz e atrairá a atenção do mundo.

A mensagem dividirá a população mundial em dois grandes grupos: aqueles que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus, e aqueles que adoram a besta, sua imagem e recebem sua marca. Igreja e Estado se unirão para obrigar “todos” a receberem “a marca da besta”, porém o povo de Deus não a receberá. O profeta viu “em pé, junto ao mar, os que tinham

vencido a besta, a sua imagem e o número do seu nome. Eles seguravam harpas que lhes haviam sido dadas por Deus” (Ap 15:2).

1 Isto é, o fim da oportunidade que Deus estende às pessoas para sua salvação. 2 G. A. Townsend, , p. 462.

3 .

4 George Elliott, , p. 184.

5 A. E. Waffle, , p. 186-188.

6 .

7 Henry Tuberville, , p. 58.

8 Monsignor Segur, , p. 213.