Os Resgatados

Ellen G. White · Capítulo 42 de 45

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Os Resgatados

40 :: O Livramento do Povo de Deus

O Livramento do Povo de Deus

 

Q uando a proteção das leis humanas for retirada daqueles que honram a lei de Deus, em diferentes países haverá um movimento simultâneo para destruí-los. À medida que o tempo estabelecido pelo decreto se aproximar, as pessoas conspirarão para atacar em uma noite e dar um golpe decisivo que silenciará toda dissidência e censura.

O povo de Deus – alguns em celas de prisões, outros em florestas e montanhas – suplicará por proteção divina. Homens armados, instigados por anjos maus, estarão se preparando para a obra de matar. Então, no momento mais extremo, Deus intervirá: “E vocês cantarão como em noite de festa sagrada; seus corações se regozijarão como quando se vai [...] ao monte do Senhor, à Rocha de Israel. O Senhor fará que os homens ouçam Sua voz majestosa e os levará a ver Seu braço descendo com ira impetuosa

e fogo consumidor, com aguaceiro, tempestades de raios e saraiva” (Is 30:29, 30).

Multidões de pessoas más estarão prestes a se lançar sobre suas presas, quando uma densa escuridão, mais intensa do que as trevas da noite, cairá sobre a Terra. Então um arco- íris se espalhará pelo céu, parecendo circundar cada grupo em oração. As multidões iradas serão detidas. Esquecerão os alvos de sua raiva. Contemplarão o símbolo da aliança divina e desejarão ser protegidas de seu resplendor.

O povo de Deus ouvirá uma voz dizendo: “Olhem para cima.” Assim como Estêvão, olharão para cima e verão a glória de Deus e o Filho do homem em Seu trono (At 7:55, 56). Reconhecerão as marcas de Sua humilhação e ouvirão Seu pedido: “Quero que os que Me deste estejam comigo onde Eu estou” (Jo 17:24). Ouvirão uma voz a falar: “Eles vêm, santos, inocentes e sem mácula! Guardaram Meu mandamento de perseverar.”

Chega o Livramento

À meia-noite, Deus revela Seu poder para livrar Seu povo. O sol aparece brilhando em toda a intensidade. Ocorrem sinais e maravilhas. Os ímpios contemplam a cena com terror, ao passo que os justos percebem os indícios de seu livramento. Em meio ao céu irado, vê-se um espaço claro de glória indescritível. A voz de Deus ecoa como som de muitas águas, dizendo: “Está feito!” (Ap 16:17).

A voz abala os céus e a terra. Acontece um grande terremoto. “Nunca

havia ocorrido um terremoto tão forte como esse desde que o homem existe sobre a Terra” (v. 18). Rochas partidas se dispersam por todos os lados. O mar se agita em fúria. Ouve-se o agudo grito do furacão, como a voz de demônios. A superfície da Terra começa a se quebrar. É como se seus fundamentos estivessem cedendo. Cidades portuárias que se tornaram como

Sodoma em sua maldade são tragadas pelas águas iradas. “Deus lembrou-

Se da grande Babilônia e lhe deu o cálice do vinho do furor da Sua ira” (v. 19). Grandes pedras de granizo fazem sua obra de destruição. Cidades orgulhosas vão ao chão. Imensos palácios nos quais as pessoas desperdiçaram suas riquezas sucumbem diante de seus olhos. As paredes das prisões são derrubadas, e o povo de Deus é liberto.

As sepulturas se abrem e “multidões que dormem no pó da terra acordarão: uns para a vida eterna, outros para a vergonha, para o desprezo eterno” (Dn 12:2). “Até mesmo aqueles que O traspassaram”, aqueles que zombaram da agonia de Cristo ao morrer e os oponentes mais impetuosos de Sua verdade serão ressuscitados para ver a honra colocada sobre o leal e obediente (Ap 1:7).

Relâmpagos atrozes envolverão a Terra como em um lençol de fogo. Acima do trovão, vozes – misteriosas e terríveis – declararão a ruína dos ímpios. Aqueles que foram arrogantes e cheios de orgulho, cruéis com o povo que guarda os mandamentos de Deus, agora tremer ão de medo. Demônios estremecerão enquanto homens e mulheres clamam por misericórdia.

O Dia do Senhor

O profeta Isaías disse: “Naquele dia os homens atirarão aos ratos e aos morcegos os ídolos de prata e os ídolos de ouro, que fizeram para adorar. Fugirão para as cavernas das rochas e para as brechas dos penhascos, por causa do terror que vem do Senhor e do esplendor da Sua majestade, quando Ele Se levantar para sacudir a Terra” (Is 2:20, 21).

Aqueles que sacrificaram tudo por Cristo estão seguros agora. Perante o mundo e diante da morte, demonstraram sua lealdade por Aquele que morreu por eles. O rosto, pouco antes tão pálido e abatido, agora brilha com admiração. As vozes se levantam em triunfante cântico: “Deus é o nosso

refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade. Por

isso não temeremos, ainda que a terra trema e os montes afundem no

coração do mar, ainda que estrondem as suas águas turbulentas e os montes sejam sacudidos pela sua fúria” (Sl 46:1-3).

Enquanto essas palavras de confiança santa sobem até Deus, a glória da cidade celestial raia das portas abertas do C éu. Então, contra o céu, aparece uma mão segurando duas tábuas de pedra. A santa lei, que Deus proferiu no Sinai, agora é revelada como o padrão para o juízo. As palavras são tão claras que todos conseguem lê-las e despertam lembranças que removem as trevas da superstição e da heresia de todas as mentes.

É impossível descrever o horror e o desespero daqueles que rejeitaram a lei de Deus. Para ganhar a aprovação do mundo, deixaram de lado as exigências da lei e ensinaram outros a lhe desobedecer. A lei que tanto desprezaram agora os condena. Veem que não têm nenhuma desculpa. Os inimigos da lei de Deus adquirem nova compreensão sobre a verdade e o dever. Tarde demais, reconhecem que o sábado é o selo do Deus vivo. Tarde demais, veem o solo arenoso sobre o qual edificaram. Estavam lutando contra Deus. Mestres religiosos conduziram as pessoas à destruição enquanto alegavam guiá-las ao paraíso. Como é grande a responsabilidade daqueles no sagrado ofício e como são terríveis as consequências de sua infidelidade!

O Rei dos Reis Aparece

A voz de Deus será ouvida declarando que chegou o dia e a hora da volta de Jesus. O povo de Deus vai se colocar em pé ouvindo, com o rosto iluminado pela glória divina. Logo, no leste, surge uma pequena nuvem escura. É a nuvem que cerca o Salvador. Em silêncio solene, o povo de Deus contempla sua aproximação, até se tornar uma grande nuvem branca, cuja base é uma glória como fogo consumidor e, acima dela, o arco-íris da aliança. Não mais um “Homem de dores”, Jesus avança como poderoso conquistador. Santos anjos, em vasta multidão, numerosa demais para ser contada, vêm com Ele, “milhares de milhares e milhões de milhões” (Ap 5:11). Todo olho vê o Príncipe da vida. Uma coroa de glória repousa em

Sua fronte. Sua face brilha mais que o sol ao meio-dia. “Em Seu manto e

em Sua coxa está escrito este nome: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES” (Ap 19:16).

O Rei dos reis desce na nuvem, envolto por fogo ardente. A Terra treme

diante dEle: “Nosso Deus vem! Certamente não ficará calado! À Sua

frente vai um fogo devorador, e, ao Seu redor, uma violenta tempestade. Ele

convoca os altos C éus e a Terra, para o julgamento do Seu povo” (Sl 50:3, 4).

“Então os reis da Terra, os príncipes, os generais, os ricos, os poderosos – todos, escravos e livres, esconderam-se em cavernas e entre as rochas das montanhas. Eles gritavam às montanhas e às rochas: ‘Caiam sobre nós e

escondam-nos da face dAquele que está assentado no trono e da ira do

Cordeiro! Pois chegou o grande dia da ira deles; e quem poderá suportar?’” (Ap 6:15-17).

As piadas zombeteiras terminaram; os lábios mentirosos são silenciados. Nada se ouve, a não ser a voz de oração e o som de pranto. Os ímpios oram para ser enterrados debaixo das rochas, em vez de precisar enfrentar a face dAquele a quem desprezaram. Conhecem muito bem aquela voz que penetra o ouvido dos mortos. Quantas vezes, em tons mais ternos, essa mesma voz os chamou ao arrependimento! Quantas vezes eles a ouviram nos apelos de um amigo, um irmão, um Redentor. Oh, se tão somente fosse a voz de um estranho! A voz desperta memórias de advertências que eles desprezaram e de convites que recusaram.

Aqueles que zombaram de Cristo em Sua humilhação estão ali. Ele

declarou: “Chegará o dia em que vereis o Filho do homem assentado à

direita do Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu” (Mt 26:64). Agora, eles O contemplam em Sua glória; e ainda O verão assentado à direita do Poderoso. Ali está o arrogante Herodes que ridicularizou Seu título real. Ali estão os homens que colocaram a coroa de espinhos em Sua fronte e a imitação de cetro em Sua mão – aqueles que se prostraram perante Ele em zombaria blasfema, que cuspiram no Príncipe da vida. Aqueles que cravaram os pregos em Suas mãos e pés olharão para as marcas com terror e remorso.

Com terrível clareza, sacerdotes e governantes vão se lembrar dos acontecimentos do Calvário e de como, movendo a cabeça de um lado para

o outro em exultação satânica, exclamaram: “Salvou os outros, mas não é capaz de salvar a Si mesmo!” (Mt 27:42). Mais alto que o clamor “Crucifica-O, crucifica-O”, que ecoou por Jerusalém, vai se espalhar o lamento desesperado: “Ele é o Filho de Deus!” Então tentarão fugir da presença do Rei dos reis.

Na vida de todos aqueles que rejeitam a verdade, há momentos em que a consciência desperta, nos quais a mente é perturbada com vãos arrependimentos. Mas isso não é nada em comparação com o remorso desse dia! Em meio ao terror que sentem, ouvirão a voz dos remidos exclamando: “Este é o nosso Deus; nós confiamos nEle, e Ele nos salvou” (Is 25:9).

A Ressurreição do Povo de Deus

A voz do Filho de Deus chamará os santos que dormem de seus túmulos. Por toda a Terra, os mortos ouvirão Sua voz, e aqueles que a escutam viverão – um grande exército de toda nação, tribo, língua e povo. Das cadeias da morte, eles vão se levantar, revestidos de glória imortal, exclamando: “Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão?” (1Co 15:55).

Todos sairão da sepultura da mesma altura com a qual entraram no túmulo. Mas todos despertarão com o frescor e o vigor da juventude eterna. Cristo veio restaurar aquilo que se perdeu. Ele transformará nosso corpo humilde e o modelará conforme Seu corpo glorioso. A forma mortal e corruptível, poluída pelo pecado no passado, vai se tornar perfeita, bela e imortal. Defeitos e deformidades serão deixados na sepultura. Os remidos crescerão (Ml 4:2) até a plena estatura da raça humana em sua glória original. Os últimos traços da maldição do pecado serão removidos. Na mente, na alma e no corpo, os fiéis de Cristo refletirão a perfeita imagem de seu Senhor.

Os justos vivos serão transformados “num momento, num abrir e fechar de olhos” (1Co 15:52). Obedecendo à voz de Deus, vão se tornar imortais e, com os remidos ressuscitados, serão levados para encontrar seu Senhor no

ar. Anjos “reunirão os seus eleitos dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus” (Mt 24:31). Levarão criancinhas para os braços de suas mães. Amigos separados por muito tempo pela morte vão se reunir para nunca mais se separar e, com cânticos de alegria, subirão juntos para a cidade de Deus.

Na Cidade Santa

O olhar de cada um dos incontáveis resgatados repousará firmemente em Jesus. Todo olho contemplar á a glória dAquele cuja “ aparência estava tão desfigurada, que Ele Se tornou irreconhecível como homem; não parecia um ser humano” (Is 52:14). Jesus colocará a coroa de glória na cabeça dos vencedores. Para cada um existe uma coroa com seu “novo nome” (Ap 2:17) e a inscrição que diz “Santidade ao Senhor”. Cada mão receberá a palma da vitória e uma harpa brilhante. Então, quando os anjos dirigentes começarem a tocar, todos os remidos dedilharão as cordas com habilidade em ricos e melodiosos tons. Toda voz se erguerá em grato louvor: “Àquele que nos ama, e, pelo Seu sangue, nos libertou dos nossos pecados, e nos

constituiu reino, sacerdotes para o Seu Deus e Pai, a Ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos” (Ap 1:5, 6, ARA).

Acima da reunião de resgatados está a cidade santa. Jesus abre as portas e pessoas de todas as nações que guardaram a verdade começam a entrar. Então Ele diz: “Venham, benditos de Meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo” (Mt 25:34). Cristo apresenta ao Pai aqueles que Seu sangue comprou, declarando: “Aqui estou Eu com os filhos que Deus Me deu” (Hb 2:13). “Eu os protegi e os guardei no nome que Me deste” (Jo 17:12). Ah, que alegria quando o Pai infinito, ao olhar para os remidos, contemplar Sua imagem, após a decadência do pecado ser removida e o humano mais uma vez se encontrar em harmonia com o divino!

A alegria do Salvador estará em ver, no reino de glória, as pessoas que foram salvas por Sua agonia e humilhação. Os remidos partilharão de Sua alegria, ao verem outros que foram ganhos por meio de suas orações, seus esforços e seu sacrifício amoroso. Júbilo encherá o coração dos salvos ao verem que um trouxe outros, e estes, outros mais.

Encontro dos Dois Adões

Quando os resgatados forem recebidos na cidade de Deus, um brado de triunfo ecoará. Os dois Adões estão prestes a se encontrar. O Filho de Deus receberá o pai da humanidade – aquele que Ele criou, pecou e cujo pecado causou as marcas da crucifixão no corpo do Salvador. Ao ver as marcas dos pregos, Adão vai se prostrar em humilhação aos pés de Cristo. O Salvador vai levantar Adão e convid á-lo a contemplar mais uma vez o lar edênico do qual ele foi eLivros há tanto tempo.

A vida de Adão foi cheia de tristeza. Cada folha caída, cada sacrifício animal, cada mancha na pureza da humanidade era um lembrete de seu pecado. A agonia de seu remorso era terrível, pois era culpado de ser a causa do pecado. Fielmente se arrependeu de seus erros e morreu na esperança da ressurreição. Agora, por meio da expiação, Adão é recolocado em seu lar edênico.

Cheio de alegria, ele vê as árvores que foram seu deleite no passado, cujos frutos ele mesmo havia colhido nos dias de sua inocência. Vê as vinhas que suas próprias mãos organizaram, as mesmas flores que ele tanto amava cuidar. Verdadeiramente é o Éden restaurado!

O Salvador o conduz à árvore da vida e o convida a comer. Ele vê que muitos de sua família foram remidos. Então lança sua coroa aos pés de Jesus e abraça o Redentor. Toca a harpa, e o céu ecoa com o cântico de triunfo: “Digno é o Cordeiro que foi morto” (Ap 5:12). A família de Adão lança as coroas aos pés do Salvador e se prostra em adoração. Anjos choraram quando Adão pecou e se alegraram quando Jesus abriu a sepultura para todos aqueles que creram em Seu nome. Agora, eles veem a obra da redenção concluída e unem as vozes em louvor.

No “mar de vidro misturado com fogo” estão reunidos aqueles que “tinham vencido a besta, a sua imagem e o número do seu nome”. Os cento e quarenta e quatro mil foram remidos dentre a humanidade e cantam um cântico novo, o cântico de Moisés e do Cordeiro (Ap 15:2, 3). Ninguém além dos cento e quarenta e quatro mil sabe esse cântico, pois ele conta uma experiência que nenhum outro grupo vivenciou. “São eles os seguidores do

 Cordeiro por onde quer que vá.” Esses, tendo sido levados para o C éu

dentre os vivos, são as “ primícias para Deus e para o Cordeiro” (Ap 14:4, ARA). Passaram pelo tempo de angústia como nunca houve desde que existe nação. Suportaram as aflições do tempo de angústia de Jacó. Permaneceram sem intercessor durante o derramamento final dos juízos de Deus. Eles “lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro”. “E não se achou mentira na sua boca ” perante Deus. “Nunca mais terão fome, nunca mais terão sede. Não os afligirá o sol, nem qualquer calor abrasador, pois o Cordeiro que está no centro do trono será o seu Pastor; Ele os guiará às fontes de água viva. E Deus enxugará dos seus olhos toda lágrima” (Ap 7:14; 14:5, ARA; 7:16, 17).

Os Resgatados na Glória

Em todas as eras, os escolhidos do Salvador trilharam um caminho estreito. Foram purificados no fogo da aflição. Por amor a Jesus, suportaram ódio, calúnia, negação do eu e amargos desapontamentos. Descobriram o mal do pecado, seu poder, sua culpa e sua miséria. Agora, eles o abominam. O reconhecimento do sacrifício infinito de Jesus para sua cura os torna humildes e enche seu coração de gratidão. Amam muito porque muito foram perdoados (Lc 7:47). Participantes dos sofrimentos de Cristo, eles estão preparados para participar de Sua glória.

Os herdeiros de Deus vêm de sótãos, choupanas, calabouços, cadafalsos, montanhas, desertos e cavernas. Foram “necessitados, afligidos e maltratados” (Hb 11:37). Milhões desceram ao túmulo desonrados por quase todos porque se recusaram a ceder a Satanás. Agora, porém, não são mais afligidos, dispersos e oprimidos. A partir desse momento, os remidos usarão trajes mais ricos do que aqueles que foram os mais honrados da Terra usaram, portando coroas mais gloriosas do que qualquer uma já colocada na cabeça de monarcas terrenos. O Rei da glória enxuga as lágrimas de toda face. Os remidos se unem em cântico de louvor, claro, doce e harmonioso. O hino se espalha pelo C éu: “A salvação pertence ao nosso Deus, que Se assenta no trono, e ao Cordeiro”. E todos respondem:

“Amém! Louvor e glória, sabedoria, ação de graças, honra, poder e força

sejam ao nosso Deus para todo o sempre” (Ap 7:10, 12).

Nesta vida, só conseguimos começar a entender o maravilhoso tema da redenção. Com nossa compreensão limitada, podemos até refletir profundamente na vergonha e na glória, na vida e na morte, na justiça e na misericórdia que se unem na cruz. No entanto, nem mesmo o maior esforço de nossa capacidade mental é capaz de compreender sua plena significância. Só compreendemos obscuramente o tamanho e a largura, a profundidade e a altura do amor redentor. O plano da redenção não será plenamente compreendido nem quando os resgatados virem como são vistos e conhecerem como são conhecidos; mas, ao longo das eras eternas, novas verdades serão descortinadas continuamente diante de sua mente surpresa e agradecida. Embora as tristezas, dores e tentações da Terra tenham acabado e sua causa tenha sido removida, o povo de Deus sempre terá o conhecimento distinto e inteligente do preço de sua salvação.

A cruz será o cântico dos remidos ao longo de toda a eternidade. No Cristo glorificado, eles verão o Cristo crucificado. Nunca se esquecerão de que a Majestade do C éu Se humilhou a fim de exaltar homens e mulheres, de que Ele carregou a culpa e a vergonha do pecado e se escondeu da face de Seu Pai até a angústia de um mundo perdido partir Seu coração e acabar com Sua vida. O Criador de todos os mundos abriu mão de Sua glória por amor à humanidade – isso inspirará a admiração do Universo para sempre. Quando as nações dos salvos olham para o Redentor com a certeza de que Seu reino jamais terá fim, irrompem em canção: “Digno é o Cordeiro que foi morto e nos redimiu diante de Deus com Seu tão precioso sangue!”

O mistério da cruz explica todos os outros mistérios. Ficará claro que o Deus infinito em sabedoria não poderia inventar nenhum plano para nossa salvação, com exceção do sacrifício do próprio Filho. Sua recompensa por esse sacrifício será a alegria de povoar a Terra com os seres resgatados, santos, felizes e imortais. O valor de cada pessoa é tão grande que o Pai ficará satisfeito com o preço pago. O próprio Cristo, ao ver os frutos de Seu grande sacrifício, estará satisfeito.