Ovelha Negra
Capítulo XVII
Nesse ínterim, a estrela do Sr. Stacy Calverleigh estivera em ascendência, e isso apesar de seus desconfortavelmente parcos recursos. Havia sido obrigado a suspender o pagamento ao White Hart por várias semanas; e sabia que somente sua intimidade cada vez maior com a rica Sra. Clapham estava impedindo que o proprietário do estabelecimento lhe comunicasse que apreciaria que saldasse sua conta. Seus esforços para persuadir a viúva a se mudar para Leamington tinham fracassado, e ele tinha-se visto obrigado a aparecer em público com ela mais vezes do que seria prudente; mas esses eram males pequenos quando comparados ao encorajamento coquete às suas investidas por parte dela. Stacy não gostara do encontro com o Sr. James Wendover, mas havia sido rápido em tirar proveito da situação. Com grande dificuldade, redigira uma carta a Fanny, e quando refinou bem suas frases e as copiou para o papel definitivo, realmente achou que, renunciando a ela, estava agindo tão nobremente quanto acreditava que ela acharia. Sentiu um pouco de receio que ela lhe mandasse uma resposta apaixonada ou, até mesmo, que o abordasse em público, e silenciosamente amaldiçoou a obstinação da Sra. Clapham cm se recusar a se retirar de Bath; mas quando não recebeu nenhuma carta de Fanny e foi saudado apenas com um leve e distante movimento da cabeça quando a carruagem dela parou por causa do trânsito na Cheap Street, sua mente relaxou e se sentiu livre para propor casamento à Sra. Clapham.
Não lhe ocorrera que poderia ter uma recusa como resposta, nem que a reação dela o alarmasse.
— Casar-me com você? — A Sra. Clapham riu. — Eu? Deus do céu, não!
Ele considerou isso modéstia, e se impacientou, mas falou com a voz mais sedutora que pôde: — Acho que foi seu humor que fez com que eu me apaixonasse loucamente por você. E eu que estava convencido de ser completamente insensível!
A réplica da Sra. Clapham foi desconcertante: — Bem, pelo que sei, não era tão insensível, se insinuando para a garota bonita que o cumprimentou na Cheap Street, antes de eu chegar!
Foi a maneira como ela falou que o perturbou mais do que suas palavras. Sempre existira o risco de ela vir a descobrir como tinha-se ligado a Fanny, e sabia como lidaria com isso. Mas não estava preparado para a mudança em sua voz, e em sua conduta, o que o espantou. Até então, havia suposto que era uma ingénue tola e frívola, mas ela não estava parecendo nada ingênua, e sua voz não só ressoava decididamente mordaz, como perdera, de certa maneira, sua distinção. Ficou desconcertado, mas só por um momento. Percebeu que ela estava desconfiada de ter uma rival, e que sentia ciúmes. Ele riu, jogando as mãos para cima.
— O que, a pequena Fanny Wendover? Oh, Nancy, Nancy, sua bruxa adorável e absurda! Querida, sabe a idade dela? Dezessete! Ainda nem deixou a escola!
— Maior a sua vergonha!
— Sim, realmente, se eu a tivesse cortejado. Ah, essas fofocas de Bath! Avisei que seria assim! Mas admito que não achei que, na minha idade, pudesse vir a me tornar suspeito de cortejar uma criança porque a notei, e lhe permiti um flerte inofensivo!
Foi até a cadeira em que ela estava e caiu graciosamente de joelhos, pegando suas mãos e sorrindo para ela.
— Tive muitos flertes, mas nunca um amor verdadeiro, até agora! — proclamou ele, afetado.
— Bem, com certeza não encontrou um em mim! Também tive muitos flertes, mas não quero um marido, por isso pode parar de bancar o bobo! Ajoelhando-se como se estivesse representando Romeu!
— Sei como sou indigno de você, mas me atrevo a achar que não é indiferente a mim! — persistiu ele.
— Levante-se, vamos! — ordenou a mulher de maneira nada romântica, retirando suas mãos.
Ele obedeceu, parecendo um perfeito tolo, e tremendo a ponto de quase perder o equilíbrio.
— Como foi isso? — gaguejou ele. — Não é possível que tenha brincado comigo! Não acredito que seja tão sem coração!
— Oh, não? — Ela se levantou e ajeitou a saia. — Agora, escute bem, Sr. Otário Calverleigh! Não lhe convém falar de corações, e não vai adiantar absolutamente nada insistir em suas artimanhas comigo, porque nada disso me toca! Tivemos um flerte agradável, e o melhor que pode fazer agora é reconhecer que foi derrotado em seu próprio jogo, e partir! Senão pode escutar coisas de que não vai gostar. Reparar em uma colegial! Mentindo para uma herdeira era o que estava fazendo, e não pela primeira vez! Bem, não gostaria de dizer nada grosseiro, mas — concluiu vencendo a relutância — o senhor é um partido tão bom para o casamento quanto uma pilha de lixo é boa para os ratos, essa é a verdade!
Ele ficou lívido do choque e da raiva que sentiu. Abriu a boca para falar, mas tornou a fechá-la, pois não havia nada que pudesse dizer. Virou-se e saiu da sala.
Não era de natureza sensível. Podia desprezar uma ofensa; podia ouvir com indiferença as críticas do Sr. James Wendover. Mas o desprezo do Sr. Wendover tinha sido expresso com uma dignidade gélida. Ninguém nunca havia destruído seu caráter com a vulgaridade crua da Sra. Clapham e foi preciso algum tempo para que pudesse se recuperar de sua fúria. Não tinha sido a verdade que ela dissera que tinha provocado sua fúria. Havia sido a incrível insolência ao se atrever a se dirigir a ele — um Calverleigh! — daquela maneira.
Quando sua raiva diminuiu, foi sucedida pelo medo, um medo mais mortal do que já sentira em toda a sua vida, pois não foi acompanhado de nenhum otimismo. Não lhe restava mais nenhum recurso para repelir seus credores; seria obrigado a hipotecar suas poucas joias para poder pagar ao White Hart e comprar uma passagem na diligência para Londres. Tentou pensar em alguém a quem pudesse pedir 100 libras, ou mesmo 50, mas não havia ninguém. Certamente não em Bath.
Havia chegado ao ponto de nutrir ideias desvairadas de abandonar sua bagagem e fugir sem pagar a conta do hotel, quando foi interrompido pela entrada de um dos empregados que lhe apresentou uma carta, que havia sido trazida, disse ele, por um dos empregados do York House Hotel. Stacy não reconheceu os garranchos descuidados, mas quando desdobrou a única folha de papel, viu que era do seu tio que o convidava para jantar naquela noite, no York House.
Seu primeiro impulso foi responder com uma recusa. Depois, lhe ocorreu que poderia convencer Miles a lhe emprestar algum dinheiro, nem que fossem somente 25 libras. Ele devia estar com dinheiro, pensou, pois apesar de não ostentar nenhum dos sinais de alguém rico, se hospedara mais uma vez no hotel mais caro de Bath, o que não poderia ter feito se não houvesse pagado sua conta ao partir para Londres de forma tão repentina. Pediu ao empregado para esperar enquanto redigia uma resposta à carta do tio e ficou irritado quando soube que o mensageiro já partira, instruído de que não haveria resposta. Junto com a brevidade do convite, que poderia muito bem ser tomado como uma ordem, isso significou uma afronta, o que deixou Stacy furioso. Decidiu fazer vista grossa. As maneiras do seu tio eram deploravelmente informais, e provavelmente não tivera a intenção de ofender.
Ao chegar ao York House, foi conduzido à sala do Sr. Calverleigh, onde uma mesa já estava posta para o jantar. Decidido a agradar, esforçou-se para ser um convidado afável, sociável e, até mesmo, reverente. Elogiou os pratos; disse que era raro lhe oferecerem um Borgonha daquela qualidade; contou notícias de Bath que supostamente seriam interessantes; tentou fazer Miles falar da índia. Miles o fitava com um olhar divertido, pouco contribuindo para a conversa, mas o superou em amabilidade.
Quando a toalha da mesa foi retirada e o brandy foi servido, Stacy disse, com seu ar de franqueza que inspirava pena:
— Devo confessar-lhe, senhor, que fiquei muito feliz ao receber sua carta! Andei gastando muito dinheiro e acabei me endividando. Apenas temporariamente, é claro, mas não tenho nenhum crédito no banco de Bath, o que me deixa em uma situação embaraçosa. Não gosto de ter de lhe pedir, mas ficaria muito grato se pudesse me emprestar um pouco, só para superar um período constrangedor, sabe!
Miles retirou a tampa do decanter, de sua maneira casual, e serviu os copos de brandy.
— Não, não vou lhe emprestar dinheiro — disse ele. Falou no tom amável de sempre, mas havia algo na voz dele que Stacy nunca ouvira antes. Era quase um tom implacável, pensou. Surpreso, e ligeiramente vexado, insistiu: — Deus do céu, senhor, não quero nenhuma quantia alta!
Miles sacudiu a cabeça. Sem saber por que, Stacy sentiu uma agitação de alarme em peito. Forçou o riso.
— Como deve saber, a minha situação é realmente difícil... até eu poder me recuperar! Não tenho nem um centavo!
— Sei que não.
A placidez com que isso foi dito fez Stacy se enfurecer. Ficou em pé de um pulo, fechando e abrindo as mãos.
— Sabe mesmo? Bem, meu prezado tio, devo lhe dizer que a menos que eu tenha tempo de encontrar meios de levantar dinheiro, receberei uma ordem de confisco dos meus bens!
— Ah, não é preciso chegar a isso.
— Não é preciso? Está completamente maluco? Não... Miles riu.
— Não, não sou de jeito nenhum maluco!
— Desculpe. — Stacy reprimiu a raiva. — Não quis dizer isso! A questão é...
— Não precisa se desculpar — disse Miles, gentilmente. — Não precisa tampouco dizer qual é a questão.
— Receio, senhor — Stacy tentou falar de maneira cordial —, que devido, sem dúvida, à sua longa residência no exterior, não esteja familiarizado com... as diversas cláusulas de uma hipoteca. Devo lhe explicar...
— Você está em atraso no pagamento e não tem a menor possibilidade de conseguir recursos para saldar a hipoteca. Sente-se! — Pegou seu copo e bebeu alguns goles do brandy. — Foi por isso que mandei chamá-lo.
— Mandou me chamar? — interrompeu Stacy.
— Eu disse mandei chamá-lo? Deve ter sido um lapso de linguagem. Pedi para ter a honra da sua companhia!
— Não posso imaginar por quê — murmurou Stacy, ressentido.
— Apenas uma questão de negócios. Quero duas coisas de você: a primeira é um direito de remissão; a segunda, Danescourt. O que inclui a casa e a pequena extensão de terra desimpedida que também faz parte da propriedade. Por essas duas coisas estou disposto a abrir mão dos juros devidos na hipoteca existente e a lhe pagar 15 mil libras.
Stacy ficou de tal modo pasmo com essas palavras proferidas calmamente que sua cabeça deu voltas. Chegou a ter dúvidas se teria ouvido direito o tio, pois o que havia dito era absolutamente fantástico.
Sentindo-se tonto e incrédulo, observou Miles ir até a lareira e pegar um espicho em um jarro sobre o console. Recuperou a voz, mas só conseguiu tagarelar:
— M-mas... di-direito de remissão... por que, o que significa... Droga! É uma piada?
— Não, não, nunca faço piadas quando trato de negócios! — Miles voltou para a sua cadeira com um charuto aceso entre os dedos e se sentou de novo, estendendo as pernas longas, com um tornozelo sobre o outro, como costumava fazer. Olhou para o sobrinho atônito com um certo divertimento: — Sou um homem muito rico, sabe?
Como Stacy não sabia de nada disso, sentiu ainda mais forte que antes que havia se extraviado para um mundo da fantasia.
— Não acredito! — falou, sem pensar.
— Receio — disse Miles, apologeticamente — que se enganou ao pensar que como não tenho a menor vontade de me exibir na moda, ser admirado por minhas roupas elegantes, ou me encher de coisas que não tenho a menor vontade de possuir, minha situação pudesse ser tão incerta quanto a sua. Não deve nunca julgar pelas aparências, sobrinho!
Pareceu monstruoso a Stacy que o tio não lhe tivesse informado de sua riqueza. Exclamou, inflamado:
— O senhor me enganou! Enganou-me deliberadamente!
— De jeito nenhum. Você iludiu a si mesmo. O que não quer dizer que eu não o teria enganado, se houvesse sido necessário. Mas para falar a verdade, não tem importância para mim se me achava um nababo ou um rato de igreja. Exceto, é claro — acrescentou ele, pensativo —, que se soubesse que eu estava cheio de dinheiro, você seria uma amolação intolerável. Sabe, nunca empresto dinheiro sem garantia.
Stacy enrubesceu, mas replicou: — Se tem realmente recursos para saldar a dívida da hipoteca... se não quer ver Danescourt sair das nossas mãos... se está disposto a me ajudar a me recuperar... podemos chegar a um acordo! Podemos... — Interrompeu-se se deparando com os olhos do tio, tão implacáveis quanto o tom que detectara em sua voz. Não havia sorriso neles, nenhuma ternura. Tampouco percebeu neles raiva, impaciência, desprezo, ou qualquer emoção que fosse. O olhar era absolutamente desapaixonado, tão duro quanto quartzo.
— Sabe, você está muito equivocado — comentou Miles, sem se abalar.
— Mas... Deus do céu! Não pode me desapossar!
— O que o faz pensar que não?
— Não faria isso! Somos Calverleigh, nós dois! O senhor é meu tio!
— Faz uma ideia absolutamente falsa de meu caráter se pensa que essa circunstância poderia prevalecer para eu manter Danescourt para o seu benefício. Não consigo imaginar como pensou isso.
A visão breve e vaga de ser capaz mais uma vez de fazer uso de suas propriedades para suas necessidades se esvaneceu. Miles havia falado amavelmente, mas com determinação. Stacy estava ciente de um ressentimento irracional.
— O que está pretendendo?—perguntou ele.—Até parece que se importa muito com o fato de ser um Calverleigh de Danescourt! Ou se importa?
— Oh, Deus, não! Gosto de Danescourt, só isso.
— Foi o que eu disse!
— Não é a que se referiu ou a que eu me referi. Quero Danescourt porque gosto de lá, e pela mesma razão não quero vê-la em ruínas. Se não gostasse, não moveria um dedo para salvá-la. Toda essa sua conversa sobre ser um Calverleigh de Danescourt nada significa para mim.
— Ora, não me venha com essa, tio! E mesmo que fosse verdade, eu sou o chefe da família, e enquanto viver serei Calverleigh de Danescourt!
— Sim, sim! — concordou Miles, em um tom confortante. — Pode continuar a se chamar Calverleigh de Danescourt, ou qualquer outra coisa que quiser. Não faço objeção.
— Como diabos, posso fazer isso se não possuo nem mesmo a casa? — indagou Stacy, colérico. — Vou lhe vender o direito de remissão, mas não venderei a casa nem o terreno!
— Bem, quando eu mandar executá-lo, não vai ter escolha, vai? Vai ficar feliz em vendê-los a mim por qualquer quantia que eu determinar. Stacy olhou espantado para ele, lívido.
— Faria isso? Mandar me executar... o seu próprio sobrinho!... Obrigar-me a sair do meu local de nascimento? Meu Deus, foi isso que fez durante todos esses anos? Esperou a chance de se vingar?
— Não, eu estive ocupado demais. Gostaria que tirasse de sua cabeça essa aparente convicção de que eu me acho injustiçado. Não acho, nem nunca achei. Não gostava do seu avô, tampouco do seu pai, mas muitas vezes lhes agradeci o bem que me fizeram sem saber. A Índia foi perfeita para mim. E tem mais: se não tivessem me mandado para lá, eu nunca teria descoberto que levava jeito para negócios. Mas levava, Stacy, e é bom não se esquecer disso. Quando tagarela sobre o nosso parentesco, perde seu tempo. Sentimentos não têm lugar nos negócios, nem mesmo se eu tivesse algum, o que não tenho. Quanto à sua conversa de vingança, é puro palavrório! Não gosto mais de você do que gostava de seu pai... na verdade, menos, mas por que diabos eu ia querer me vingar de você?
— Oh, porque sou seu filho!
— Deus meu! Deve ter assistido a melodramas demais quando menino! Até eu conhecê-lo, não nutria nenhum sentimento por você, de espécie alguma. Por que deveria? Se houvesse encontrado Danescourt como a deixei, ou se houvesse, até mesmo, percebido um esforço seu para restaurá-la, eu não teria interferido. Mas não. Tinha sido avisado, e por isso resolvi retornar, mas não estava preparado...
— A culpa não foi minha! — protegeu-se Stacy, depressa, a cor subindo ao seu rosto. — Foi meu pai o primeiro que a hipotecou! Ele estava arruinado quando morreu, e como diabos eu poderia...
— Não se justifique! Não me importa qual de vocês a deixou decair.
— Eu teria ficado muito feliz em recuperá-la, mas não tinha como!
— Não, e como não teria gasto nem um groat a mais do que era obrigado, se tivesse como, a venderia amanhã, se pudesse encontrar um tolo disposto a comprar um lugar que você me descreveu, por ocasião do nosso primeiro encontro, como uma maldita cabana, penhorada até a alma, e em ruínas. Vou libertá-lo dela agora.
— Seria melhor para o senhor deixá-la em minha posse! O que imagina que dirão do senhor, se... usurpar o meu lugar?
— Bem, segundo o Coronel Ongar, a minha chegada será encarada como uma bem-sucedida tropa de reforço. Parece que se fez detestável para todo o condado.
— Exatamente como o senhor, na verdade!
— Não, não, nunca fui detestável! Meramente um tratante! Meus pecados da juventude serão perdoados assim que eu remover cadeado do portão principal e aparar aquele seu campo de feno.
— Campo de feno?. Que diabos...?
— Na minha época, era South Lawn.
Houve um silêncio incômodo.
— Então esteve lá, não esteve? — indagou Stacy, taciturno.
— Sim, estive lá. Achei que o pobre Penn ia se debulhar em lágrimas. A Sra. Penn se debulhou. Suas lágrimas escorreram por meu pescoço, e foram matar um novilho gordo. A volta do Filho Pródigo não foi nada perto disso. Não, não creio que serei hostilizado pelo condado, Stacy.
De novo o silêncio se impôs, durante o qual Stacy sentou-se, carrancudo, à mesa.
— Quinze mil? — disse de súbito. — Uma bagatela!
— Talvez esteja se esquecendo da questão da hipoteca.
Stacy mordeu os lábios, mas insistiu: — Vale mais... muito mais!
— Na verdade, vale muito menos. No entanto, se acredita que consegue vendê-la por mais, tente!
— Com você na posse de todo o resto da propriedade? Quem diabos compraria um lugar como Danescourt com apenas os jardins e o parque?
— Acho que ninguém.
— Você me levou a um beco sem saída, não levou? — Stacy soltou uma risada aflita.
— Certamente você está lá, mas o que tenho de fazer com isso, não sei.
— Poderia me ajudar a me restabelecer... me dê um tempo!
— Poderia. Também poderia arruiná-lo. Não vou fazer nenhum dos dois, se bem que quando vi Danescourt, senti-me fortemente tentado a deixá-lo fixar residência na prisão de King's Bench, e apodrecer lá! E é isso o que irá acontecer, caso recuse a minha oferta.
— Ah, dane-se, não posso recusar! Quando vou receber o dinheiro?
— Assim que a transferência estiver concluída. Os documentos necessários estão sendo preparados, e você os pegará com o meu advogado. Eu lhe darei o endereço. A propósito, é melhor levar alguém seu, para ver se está tudo certo.
— Certamente farei isso! E ficaria muito grato ao senhor se me adiantasse 100 libras, agora!
— Vou dar-lhe um presente. — Miles tirou um rolo de notas do bolso.
— O senhor é muito bom — elogiou Stacy, irônico. — E se não tem mais nada a dizer, desejo-lhe uma boa noite!
— Não, mais nada — confirmou Miles. — Boa-noite!