Redes regionalizadas de atenção à saúde
Terceiro cenário
Fluxograma descritor 2 (Cenário 2):
Trajetória para acessar pontos de atenção secundária e os sistemas de
apoio na rede de atenção da região de saúde
Terceiro cenário
Fluxos (1A) e (1B) – Usuários sentem a necessidade e buscam um serviço de saúde. A porta de entrada pode ser uma das dez USF, na zona rural ou urbana. Contudo, o município possui 77% de cobertura de ESF; por isso, há também uma UBS (não ESF) como importante porta de entrada na atenção primária do município. Os usuários devem procurar as USF ou UBS de segunda a sexta-feira, em horário comercial. Porém, quando buscam uma USF/UBS, caso a necessidade seja por uma consulta com o médico, encontram restrições, pois as unidades não dispõem desse profissional todos os dias, nem em todos os turnos. Nesses casos, as equipes fazem contato com a SMS ou com outras USF/UBS e tentam encaminhar alguns usuários que não possam ser agendados para outro dia, na tentativa de que eles não busquem o hospital. No caso da UBS, por ser central e de fácil localização, estando inclusive junto ao hospital, recebe demanda de todo o município e de usuários que vão ao hospital e não são atendidos – demanda do usuário não se enquadra nas urgências. Além disso, por conta de uma zona rural extensa e com população rarefeita, existe uma UM que presta atendimento à população cujo acesso às USF/UBS é mais difícil.
Fluxo (1C) – Para os dias em que as USF/UBS oficialmente não
funcionam – feriados, finais de semana etc. –, a população busca o PA no hospital, localizado na sede. Além disso, usuários que não conseguem atendimento nas USF/UBS por falta de vaga ou ausência do profissional, particularmente o médico, no dia da busca; aqueles que não procuram a USF, pois não a consideram como primeira escolha; e outros usuários cuja necessidade é uma demanda que não pode ser resolvida nas USF procuram ou são encaminhadas ao PA/hospital. A dinâmica de atendimento por queixa-conduta, a rapidez no atendimento, a existência de médicos 24h por dia, a possibilidade de resolver problemas inclusive de pequenas urgências, fazem do PA uma porta de entrada utilizada frequentemente pela população; contudo, há um esforço para que as demandas não urgentes sejam reencaminhadas à USF ou UBS.
Fluxo (1D) – Usuários em tratamento contínuo, como hemodiálise e
quimioterapia, por exemplo, podem procurar diretamente a CMC para marcação de consultas e exames especializados.
Fluxos (2A), (2B) e (2C) – Após conseguirem uma consulta com o
profissional de saúde na USF, UBS, UM ou PA, caso haja solicitação de exames e/ou consultas com especialistas, o usuário recebe uma guia de solicitação. O caminho varia conforme a USF/UBS seja informatizada ou não.
Fluxos (3B1) e (3B2) – Nas USF/UBS informatizadas, a recepção agenda
diretamente, via Sisreg III, segundo cotas pré-fixadas para cada unidade e para cada grupo de exames, procedimentos e consultas, caso o prestador oferte o serviço no Cenário 3. Caso o prestador seja em outro município, a USF/UBS não faz o agendamento; por isso, recolhe as guias de solicitação e encaminha à CMC.
Fluxos (4B1), (4B2), (5B1), (5B2), (6B1), (6B1) – Caso tenha vaga para o
prestador do Cenário 3, a USF/UBS agenda a consulta (dia e local) e entrega a guia autorizada para o usuário – ou via ACS. Este, por sua vez, procurará o serviço de referência. Quando não há vaga, os marcadores da USF/UBS informatizada tentam regular no próprio sistema, colocando a necessidade de prioridade e esperam a resposta da CMC do Cenário 3. Em algumas circunstâncias – urgências, por exemplo –, os profissionais ligam via Skype diretamente para coordenação da CMC e tentam argumentar para conseguir a vaga. Não conseguindo agendar, a solicitação é entregue ao usuário e este deverá voltar a USF/UBS na próxima data de marcação de consulta para especialista/exame, ou a solicitação é recolhida numa pasta e após marcação o usuário é avisado (via ACS).
Fluxo (7B) – Caso seja necessária uma consulta de retorno ou solicitado novo procedimento/exame pelo serviço de referência, o usuário deverá retornar a USF/UBS e agendar, ou então deverá ir diretamente à CMC – a CMC liga para o usuário quando conseguir a vaga/autorização e/ou avisa via rádio local.
Fluxo (3A) – Caso o prestador não seja no Cenário 3 e para todas as solicitações feitas por USF não informatizada, a guia é recolhida e encaminhada por "malote" à CMC do Cenário 3.
Fluxos (4A1) a (7A1) – A CMC verifica se há cota nos prestadores locais (Sisreg III) ou via regulação (on-line, sistema regional) com a CMC de Vitória da Conquista. Em caso negativo, verifica-se se a solicitação é urgente/prioridade. Caso também não seja, a solicitação é recolhida numa pasta na CMC para agendá-la em data posterior. Caso tenha a vaga ou se trate de uma urgência/prioridade, para um prestador no Cenário 3, a solicitação é entregue à USF – não informatizada – e esta encaminha ao usuário, via ACS, para que o mesmo procure o serviço. Nos casos de urgência/prioridade para prestadores no Cenário 3, a CMC reserva uma cota mensal e, caso tenha utilizado a reserva, a CMC recorre às cotas das USF/UBS ainda não utilizadas e agenda, independente da adscrição do usuário. Caso não tenha conseguido marcar com o prestador por falta de vaga, o usuário pode aguardar até que a CMC consiga novo aprazamento.
Fluxo (7A2) – Sendo o prestador em Vitória da Conquista, caso tenha a vaga ou trate-se de uma urgência/prioridade – o técnico-marcador separa as diferentes solicitações por especialidade, por grupo de exames e procedimento, depois checa o motivo da solicitação, priorizando aqueles em que o profissional solicitante destaca como urgente ou que traz uma descrição que informa a necessidade de priorização –, a solicitação – a depender do procedimento/exame, a autorização conterá orientações básicas de como se preparar para a consulta/procedimento – é entregue a USF/UBS e esta encaminha ao usuário, via ACS, para que o mesmo procure o serviço. Em caso de urgência/prioridade, mas sem a autorização imediata, a coordenadora da CMC liga diretamente para o médico regulador da CMC de Vitória da Conquista e negocia uma vaga. Geralmente, as autorizações seguem com uma observação que prevê uma vaga num transporte ofertado pelo município.
Fluxo (8A) – No prestador em Vitória da Conquista, caso haja necessidade de retorno ou haja solicitação de exames complementares ou consulta com outra especialidade, o usuário deverá retornar à CMC do Cenário 3 para agendamento. Caso não necessite de retorno e tenha resultados de exames/procedimentos solicitados pela USF/UBS, buscará a USF/UBS. O usuário terá que percorrer todo o itinerário novamente caso necessite de novos cuidados em unidades especializadas.
Fluxo (9A) – Caso não tenha sido agendado, independente do tempo de
espera ou necessidade, alguns usuários não desejam aguardar o fluxo "normal". Para tanto, fazem o desembolso direto a fim de agilizar as solicitações de consultas com especialistas, exames e/ou procedimentos e retornam aos serviços públicos. Usuários podem, ainda, acessar o serviço via clientelismo. Nesse caso, podem percorrer diferentes etapas do fluxograma, buscando outras formas de acesso ao serviço público. De maneira geral, o usuário contorna toda lógica de fluxo assistencial, criando novos circuitos de acordo com sua conveniência.
Observações no fluxo assistencial no Cenário 3
Quando uma consulta, um exame ou um procedimento é agendado, a CMC avisa numa rádio local, especialmente para as pessoas da zona rural. Outra forma é por meio dos ACS. Por conta de não ouvirem ou de não serem avisados a tempo, muitas pessoas acabam perdendo a consulta.
Outra possibilidade para agilizar o acesso a consultas/exames especializados é encaminhar o usuário à SMS para procurar a Secretaria de Saúde e, assim, tentar conseguir uma vaga. Os especialistas dos serviços privados (não contratados) costumam solicitar outros exames, procedimentos ou medicação; assim, alguns usuários retornam à USF/UBS. Contudo, tais solicitações, para serem aceitas na rede SUS, precisam ser transcritas para uma "Guia SUS", e o usuário terá que percorrer todo o itinerário. As solicitações do serviço privado criam demandas e vias paralelas à rede formal. Alguns profissionais que trabalham como prestadores do SUS e têm também consultórios particulares, muitas vezes, atendem o usuário com desembolso direto, mas solicitam as consultas e procedimento sem "Guia SUS".