Relatório reforma do judiciário
Lia Freitas Cavalcante
Senado, relatada pelo Senador José Jorge). Há uma
comissão do Ministério da Justiça encarregada de analisar
o assunto. Chegou a cinco pontos: a) criação Conselho
Nacional de Justiça e do Ministério Público; b) quarentena
de três anos na saída para juízes; c) unificação dos
critérios de ingresso na Magistratura e no Ministério
Público, com pelo menos três anos de experiência na área;
d) federalização dos crimes contra direitos humanos,
especificamente alguns crimes mais específicos e
contundentes; e) autonomia às defensorias públicas em
nível constitucional.
Finalmente, reafirma a importância de discutir o Sistema Judicial, mais do que o Poder Judiciário. Está satisfeito por ver que o assunto está na pauta da sociedade civil.
Lia Freitas Cavalcante
(Associação Brasileira de Organizações Não
Governamentais)
Agradece o convite. Considera um dos temas centrais e relevantes para toda a sociedade brasileira. Falará do lugar das Organizações Não Governamentais (ONGs). A sociedade civil é ampla e com agregação de diferentes formas organizativas. Neste amplo campo, a ABONG se destaca pela ótica da democratização e da participação em vista da transformação da realidade social. Neste contexto, quer um judiciário democrático, transparente e aberto às demandas da sociedade.
As ONGs atuam na perspectiva da efetivação de direitos, na interlocução e na demanda de direitos ao poder judiciário. Considerando estes aspectos, abordará os pontos que seguem.
a. Conhecimento dos direitos e do Judiciário: Somente se
busca a reparação ou a promoção se há conhecimento de
que demandas concretas constituem-se em direitos. O
próprio acesso à justiça é direito. A percepção do direito
pela população é fundamental. É também necessário
conhecer o direito e o caminho do acesso à justiça. Nos
últimos anos, tem havido ampliação da compreensão do
direito – por exemplo, de que os Direitos Humanos
Econômicos, Sociais e Culturais (DhESC) são direitos
demandáveis, mais do que meros serviços. Porém, estes
direitos ainda não são respeitados como direitos – saúde,
trabalho e alimentação, por exemplo, ainda não são
reconhecidos com tal status. As pessoas não precisam
saber de direito para se sentir injustiçadas, mas precisam
conhecer o Direito para buscar a justiça.
b. Defesa técnica é fundamental, mesmo que possamos criar
condições de mediação em outros níveis. Para isso é
fundamental ampliar a capacidade de ação das
Defensorias Públicas. A Defensoria Pública está
enfraquecida na maior parte dos estados brasileiros,
especialmente nas comarcas do interior. Esta situação
precisa mudar.
c. Poder Judiciário. Um estudo feito em 1996, no Ceará,
indicou que dos 40 homicídios dolosos ocorridos em 1994,
somente um julgamento havia sido realizado dois anos
depois e os outros estavam parados ou arquivados.
Pessoas comuns têm dificuldade de acesso e de
compreensão da Justiça. A morosidade produz injustiça.
Ademais, há situações de corrupção e de tráfico de
influência no Poder Judiciário. O Observatório do Judiciário
do Ceará é uma rede informal de organizações
independentes e pessoas que monitoram a ação do
judiciário. As denúncias que o Observatório levantou
convergiam para grupo específico de 30 magistrados dos
mais de 300 existentes. Houve muita pressão, houve
averiguações, mas os procedimentos foram atropelados
(não houve direito de contraditório e ampla defesa) e por
isso os dois desembargadores que haviam sido afastados
neste movimento acabaram reintegrados. Em linhas gerais,
o Judiciário dá prioridade clara às ações individuais e