Schistosoma mansoni e esquistossomose

Omar dos Santos Carvalho · Capítulo 3 de 40

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Schistosoma mansoni e esquistossomose

Prefácio

 

Comemorando o centenário da brilhante contribuição do cientista baiano Pirajá da Silva, que em 1908 fez a completa descrição de Schistosoma mansoni, um grupo de pesquisadores brasileiros lança esta que é a mais completa obra sobre esquistossomose já publicada no Brasil: Schistosoma mansoni e Esquistossomose: uma visão multidisciplinar. Certamente é fruto de uma necessidade e de um sonho!

Necessidade, porque continua tendo enorme importância epidemiológica: estima-se que a doença ainda esteja presente em mais de cinqüenta países, totalizando cerca de duzentos milhões de casos no mundo. Endêmica em várias regiões tropicais e subtropicais da Terra, calcula-se que ainda seja responsável por mais de duzentas mil mortes por ano, além do enorme sofrimento que traz, pela sua cronicidade. No Brasil, a transmissão ainda ocorre em 19 estados e constitui uma de nossas mais importantes endemias: apesar de todo o esforço do sistema de saúde, estima-se que ainda tenhamos cerca de cinco milhões de casos.

Sonho, por reunir o esforço de pesquisadores e professores brasileiros das mais diversas áreas e especialidades e de entregar à sociedade uma obra definitiva sobre esquistossomose. Sonho alcançado! Foram 78 profissionais trabalhando em conjunto, nos últimos anos, para produzir este livro-marco sobre aquela endemia no Brasil.

Desde que Pirajá da Silva realizou suas primeiras observações sobre a esquistossomose, quando pioneiramente (1904) estudou no Brasil os ovos do parasito eliminados por um doente em Salvador, e descobriu e fez completa descrição de Schistosoma mansoni (1908), inúmeros cientistas brasileiros envolveram-se com o tema, produzindo uma das mais brilhantes contribuições nacionais a uma doença. Este livro é, portanto, parte não só de uma notável tradição da ciência nacional, mas também da ciência desenvolvida na Fiocruz pelos 43 pesquisadores pertencentes aos quadros da Instituição.

A publicação trata da esquistossomose como se requer: esquadrinhando em detalhes o parasito, seus hospedeiros intermediários, a patologia e a clínica, o diagnóstico e o tratamento, a epidemiologia e o controle. Não irei fazer referência aos conteúdos de cada um dos 35 capítulos. Além de não ter tamanha capacidade de síntese, tampouco sou um especialista no tema. Mas, afirmo aos pacientes leitores que me acompanharam até aqui, que é verdadeiramente impressionante a erudição técnica demonstrada pelos autores, o agrado que produz a leitura – o texto foi escrito em bom português – e a extraordinária atualização do conteúdo, expressada na vasta e atual bibliografia utilizada. A esta altura, devo parabenizar entusiasticamente os organizadores e autores pelo fôlego e extrema qualidade que conferiram ao livro.

Portanto, estamos diante de uma grande obra, que vem enriquecer a ciência brasileira e ajudar a tantos cientistas, clínicos, epidemiologistas e sanitaristas que dão o melhor de si, todos os dias, para ajudar seus patrícios a superar as doenças do subdesenvolvimento, decorrentes das iniqüidades sociossanitárias em que ainda estamos submergidos.

Este livro é um marco definitivo. Produto de anos de acúmulo de conhecimentos institucionais e pessoais, também aponta questões que deverão figurar no cenário futuro dos estudos sobre esquistossomose no Brasil. Ganham os leitores de suas páginas e, certamente, também a sociedade brasileira.

Paulo Marchiori Buss

Presidente da Fiocruz e membro titular da Academia Nacional de

Medicina