Se Ela Visse
Capítulo Dez
Um simples telefonema para a polícia foi o suficiente para Kate descobrir que Davey Armstrong não havia sido informado das mortes dos Langley. Ele não estava listado como um membro da família em nenhum dos relatórios, a única ligação era um formulário médico de oito anos atrás, onde Bethany Langley tinha sido listada como seu contato de emergência.
Isso fez com que a visita repentina fosse ainda mais crucial. Elas não só o questionariam sobre o seu paradeiro durante o período dos assassinatos como teriam uma ideia do seu estado mental, mas elas aparentemente iriam informá-lo sobre a morte de seus tios.
As instruções de Teddy foram bem detalhadas, então facilmente encontraram o conjunto de apartamentos. Não era realmente um conjunto, pois era uma estrutura grande parecendo uma casa, com cinco apartamentos separados. Ficava em um pequeno complexo com três outras estruturas. Quando Kate e DeMarco saíram do carro, elas ouviram uma das características de Teddy, que foi muito bem descrita: o som estrondoso da música transformava-se em um barulho detestável. Era uma espécie de metal pesado pelo que Kate poderia dizer, guitarras rangendo e uma baterias soando como metralhadoras.
Vinha do apartamento 3B, como Teddy dissera. As Agentes se aproximaram da porta e Kate não perdeu tempo tentando ser educada. Ela bateu com força na porta, certificando-se de que ela podia para sobrepor o rugido da música. Uma voz demoníaca e gutural juntava-se às guitarras e baterias agora.
Depois de alguns minutos, a música parou. Passos apressados podiam ser ouvidos vindo em direção à porta. Abriu-se rapidamente, o suficiente para um homem de aparência agitada olhar pela porta para elas.
—Sim? Ele perguntou, claramente parecendo que estava sendo terrivelmente incomodado.
—Você é David Armstrong? Kate perguntou.
—Sim. E você é?
Kate e DeMarco mostraram seus IDs quase em perfeita sincronia. Davey estudou-as com grande atenção, sua expressão indo do espanto ao medo. Ele olhou desconfiado para elas, mas ainda mostrava uma ponta de irritação.
—Sou a Agente Wise, e esta é minha parceira, a Agente DeMarco. Chegou ao nosso conhecimento que você é sobrinho de Scott e Bethany Langley.
—Eu sou, disse ele. Então ele espiou por cima do ombro. Kate podia ver um computador atrás dele, viu a tela do menu de um jogo.
—Por que o FBI está interessado em mim ou nos Langley?
—Podemos entrar? Kate perguntou.
—Isso é mesmo necessário? Davey perguntou.
—Isso tornaria as coisas muito mais fáceis e nós largaremos do seu pé mais rápido, disse Kate.
—OK.
Davey deu um passo para o lado e permitiu que entrassem. Quando passaram pela porta, DeMarco perdeu pouco tempo. Quando foi a última vez que você falou com eles? Ela perguntou.
—Eu não sei, disse Davey. Ele sentou-se atrás da mesa do computador e verificou algo na tela. Estava jogando Fortnite, como Teddy havia sugerido.
—Talvez um mês ou mais. Tia Bethany ligou para dizer oi. Apenas para saber se estava bem.
Kate olhou para DeMarco e deu um olhar que ela esperava comunicar: “não se preocupe, estou no controle”
—Sr. Armstrong, lamento ser a única a lhe dizer isso, mas Bethany e Scott estão mortos. Eles foram mortos em casa há quatro ou cinco dias.
Algo semelhante a um choque surgiu no rosto de Davey, mas não ficou lá por muito tempo. Olhou para o chão por um momento e foi então que Kate teve certeza de que iria cair em lágrimas. Mas ele não fez nada disso. Olhou de volta para as Agentes, olhando para uma e para outra.
—Vocês já sabem quem fez isso? Davey perguntou. Vocês o pegaram?
—Não, disse Demarco. É por isso que estamos aqui. Esperávamos que você pudesse esclarecer o porquê de alguém querer matá-los.
—Ah, ele disse, distraidamente. Pelo menos parecia não importar tanto com o jogo atrás dele, mas ele também não parecia tão chateado quanto Kate esperava. Parecia distante, quase como se estivesse pensando em outra coisa completamente diferente. ——Bem, eu não sei. Eles eram bons, sabe? Boas pessoas. Eu não consigo pensar em ninguém que queira matá-los...
—Davey, você está bem? Kate perguntou.
Ele olhou para ela e quando o fez, ela viu o medo em seus olhos. Estava assustado e claramente desconfortável. Kate sabia que a mente humana passava por vários estágios enquanto tentava aceitar uma perda monumental, mas isso parecia fora do comum.
—E você tem certeza de que não falou com eles recentemente? Kate perguntou.
—Eu te disse, há semanas, ele disse, apontando para ela. Olha... eu preciso ir. Eu preciso sair e...
Ele se levantou e foi para a porta. Ele se moveu de tal maneira que, por uma fração de segundo, Kate achou que ele ia atacá-la ─ talvez puxando uma arma. Mas ele apenas foi direto para a porta da frente, fazendo tudo que podia para não olhar para elas.
DeMarco surpreendeu Kate pondo-se de pé e movendo-se como um felino. Ela chegou até a porta antes de Davey, bloqueando seu caminho.
—Davey, sabemos que esta é uma notícia miserável para digerir, mas nós realmente precisamos que você fique aqui conosco por um pouco mais de tempo. Apenas mais algumas perguntas e nós podemos ─
Davey soltou um grito de revirar as entranhas que era meio irado e meio desesperado. Ele jogou o ombro em DeMarco, jogando-a de volta com força contra o batente da porta. Assim que a cabeça dela bateu na porta, Davey passou por ela. Kate notou que ele não a havia fechado quando elas entraram, indicando que tinha planejado correr lá para fora.
Kate ficou de pé e correu atrás dele. DeMarco parecia um pouco tonta, apoiando-se contra a parede para se certificar de que não cairia. Ela deu dois passos largos atrás dele, foi quando ele bateu a porta na cara dela pelo lado de fora. Ela bloqueou a porta com o antebraço e a empurrou. Saiu para a varanda assim que Davey desceu o pequeno lance de escadas.
Kate soube imediatamente que não seria capaz de alcançá-lo, então decidiu não correr. Em vez de correr atrás dele, deu um grande passo até a beira da varanda e se lançou para frente. Soube imediatamente que havia superestimado a distância; em vez de pegá-lo na parte de trás dos joelhos, ela acabaria batendo na parte superior das costas dele.
Ela se preparou para o impacto e sentiu uma pontada de dor em seu pescoço quando colidiram. Seu peso todo bateu nele por trás. Ele caiu tão rápido, que quando caiu, suas pernas quase subiram por cima da cabeça em um meio mortal. Kate conseguiu travar o braço direito em volta do pescoço dele quando os dois caíram, aplicando um estrangulamento quando atingiram o chão, o ar saindo de seus pulmões e a dor dissonante que a atravessou a lembraram que estava bem perto dos cinquenta anos de idade.
Ainda assim, a adrenalina foi suficiente para ajudá-la a rolar por cima dele, plantar um joelho nas suas costas e puxar os braços dele para trás. Era uma especialista no assunto e ficou aliviada quando ouviu DeMarco se aproximando por trás. Com a ajuda dela, puxaram Davey Armstrong pelos pés. Kate tentou disfarçar uma careta quando viu que ele tinha esfolado o lado do rosto com a queda. A culpa era dela, já que poderia ter sido um pouco mais gentil.
—Por que você correu? DeMarco perguntou.
Davey não disse nada. Elas o levaram para o carro, Kate correu à frente. Ela abriu o porta-malas, procurando por um kit de primeiros socorros. Ela encontrou um, tirou o pacote de lenços antibacterianos e o abriu. Antes de colocar Davey na parte de trás do carro, ela limpou o sangue do desagradável arranhão em seu rosto. Ele estremeceu com a pontada mais não disse nada.
—Você sabe por que estamos levando você com a gente, David? DeMarco perguntou.
—Porque eles estão mortos, disse ele. E eu acho que você pensou que eu fiz isso.
Quando ele entrou no banco de trás, Kate e DeMarco compartilharam um olhar desconfortável por cima do teto do carro. Você está bem? DeMarco perguntou em voz baixa.
Kate concordou, embora fosse difícil dizer se estava ferida de alguma forma. A adrenalina ainda estava correndo através dela. Naquele momento, ela se sentia mais do que bem. Ela se sentia ótima.
—E você? Kate perguntou.
—Minha cabeça dói. Ele me deu uma boa pancada. Mas eu estou bem.
—Eu deveria dirigir, então, disse Kate. Vou ligar para a estação e avisá-los que estamos chegando com... com o que? Acredita que ele seja um suspeito?
—Parece que sim, Kate disse ao tomar o lugar atrás do volante. Ela recordou o medo que viu em seus olhos e a velocidade e fúria absoluta em sua fuga e grito. Não fazia sentido para ela que ele fosse o assassino, mas, novamente, por que ele permanecia em silêncio? Por que ele correu?
Com os últimos resíduos de adrenalina percorrendo-a, Kate ponderou essas questões. Na parte de trás do carro, Davey Armstrong permaneceu quieto, como se estivesse guardando algum segredo sombrio.