A instrução pública nas vozes dos portadores de futuros (Brasil – séculos XIX e XX)
“História, Pensamento e Educação”
COLEÇÃO
“HISTÓRIA, PENSAMENTO E EDUCAÇÃO”
Direção de
DÉCIO GATTI JÚNIOR
GERALDO INÁCIO FILHO
SÉRIE
“NOVAS INVESTIGAÇÕES”
Direção
ARMINDO QUILLICI NETO
DÉCIO GATTI JÚNIOR
VOLUME 8
A instrução pública nas vozes dos portadores de futuros (Brasil
– séculos XIX e XX)
AUTOR
CARLOS MONARCHA
Certamente, provém do século XIX brasileiro – momento em que se consuma a doutrina liberal como fundamento jurídico-político do regime dinástico, constitucional e representativo – a determinação mais clara de engendrar coletividades harmoniosas pela via da instrução pública.
Assemelhada a uma estrutura profunda, melhor, marco de esperança cravado em presentes passados, incólume, a confiança no halo da instrução, antiga figura fractal, atravessará in extenso as temporalidades do Império e da República. Formulo então uma questão que leve para além da percepção do nível manifesto da realidade e fragilidade das aparências.
Na tempestividade das épocas, comungantes, em coextensão especulativa - homens públicos da monarquia e da república, conquanto discordantes na praça de guerra das doutrinas societárias, ao se debaterem por atos fundados na moral, ética, razão, virtude, justiça, e, sobretudo, ao reivindicarem para si a autoconsciência do tempo vivido, precipitam-se nas cenas como portadores de futuros possíveis.
Nas vozes encartadas e nas atitudes de sujeitos encarnados como porta-vozes dos interesses gerais, escritores, políticos, jornalistas, professores, bacharéis, funcionários, médicos, militares, politécnicos, juristas, administradores, em suma, frações da inteligência brasileira, irmanam-se numa comunidade de propósitos: instruir a massa bruta de analfabetos, cuja linguagem, dizia-se, recordava à infância das primeiras sociedades e costumes de uma humanidade vivente no subsolo da história.
Nas visões desdobradas, a luz geral a ser propagada pelo mestre de escola do Império e pelo professor primário da República eliminaria a parte malsã dos regimes constitucionais e representativos consubstanciados em pacto de união e/ou corpo político estável. Entrementes, malformada e exígua, a instrução pública é a metonímia de um país perplexo de si, o analfabetismo nacional, o torniquete.
Carlos Monarcha é doutor em Educação: História e Filosofia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professor titular no Departamento de Ciências da Educação da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista, campus de Araraquara. Autor, entre outros, de A reinvenção da cidade e da multidão - dimensões da modernidade brasileira: a Escola Nova (Cortez/ Autores Associados, 1990), Escola Normal da Praça: o lado noturno das luzes (Editora da Unicamp, 1999), Lourenço Filho e a organização da psicologia aplicada à educação. São Paulo 1921-1934 (Inep, 2001) – obra premiada pela Academia Brasileira de Educação, e Brasil arcaico, Escola Nova: ciência, técnica e utopia nos anos 1920-1930 (Editora Unesp, 2009) – prêmio Jabuti 2010.
Compartindo do investimento de formar súditos da monarquia ou cidadãos da República, irrequietos e desacomodados, ora em chave realista ora fantasiosa, publicistas provindos de horizontes diversos, guardadas as ipseidades, convergem na urgência de uma instrução primária de Estado, gratuita e obrigatória (e no evoluir do tempo, laica), como marco da estratégia geral de governo pacificado e liberação de forças produtivas. Desnecessário dizer que nesses sobrevoos de imaginação a instrução popular aparece como propedêutica ao homem social pela efetividade da cultura. No aglomerado de vozes, paz pública, razão de Estado e economia política se entrecruzam. Endosso prático e anteparo firme viriam da instrução organizada como instituição nacional, valioso tonificante, poderoso moto-contínuo, adorável anjo da paz. Eis, leitor, o todo e o porquê de A instrução pública nas vozes dos portadores de futuros (Brasil – séculos XIX e XX).
Carlos Monarcha
A instrução pública nas vozes
dos portadores de futuros
(Brasil – séculos XIX e XX)
Carlos Monarcha
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MONARCHA, C. A instrução pública nas vozes dos portadores de futuros (Brasil – séculos XIX e XX) [online]. Uberlândia: EDUFU, 2016. História, Pensamento, Educação collection. Novas investigações series, vol. 8. ISBN: 978-65-5824-029-7. Available
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