A Perdição do Bilionário: Travis
Prólogo
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Capítulo 15
Capítulo 16
Capítulo 17
Capítulo 18
Epílogo
Biografia
M erda! Estou atrasada. Estou atrasada.
Alison Caldwell quase tropeçou com os saltos altos ao subir correndo os degraus da casa recém-comprada, desesperada para chegar ao segundo emprego no horário. Na noite anterior, ela e o noivo, Rick, passaram a primeira noite na nova casa comemorando e Alison se esquecera de levar as roupas para o outro emprego consigo quando saíra pela manhã.
Por sorte, ela estava quase acabando aquela vida maluca. Finalmente, a vida entraria nos eixos, pois Rick acabara de se formar em odontologia e começaria no primeiro emprego em breve.
— Posso aguentar isto por mais um tempinho — sussurrou ela para si mesma, colocando a chave na porta da casa de dois andares. Ela mesma financiara a casa porque Rick não tinha muito crédito. E, apesar de tê-lo ajudado na faculdade nos cinco anos anteriores, ele ainda tinha empréstimos estudantis a pagar.
Os saltos escorregaram novamente quando ela entrou no saguão e as pedras lisas fizeram com que deslizasse. Malditos saltos! Se ela não tivesse que usar os malditos saltos para se sentir mais alta perto do chefe milionário do inferno, os pés não doeriam tanto.
Ally tirou os sapatos dos pés no saguão e subiu rapidamente os degraus acarpetados, desabotoando a blusa conversadora e a saia enquanto corria para economizar tempo.
Sua vida fora assim nos anos anteriores, desde que conseguira um segundo emprego para ajudar Rick na faculdade. Mas compensaria. Ela sabia que compensaria. Seu plano de vida era exatamente como deveria. A cerimônia de casamento íntima dela e de Rick aconteceria pouco mais de um mês depois. Eles raramente se viam por causa dos horários dela, mas
Ally sabia que o sacrifício compensaria. Eles precisavam de mais dinheiro e ela o conseguira, apesar de estar quase morrendo com dois empregos. Em breve, ela teria a oportunidade de voltar à faculdade para terminar o curso.
Aquele era o plano, o acordo que tinham feito quando ficou claro que ela e Rick não conseguiriam fazer faculdade ao mesmo tempo. Fazia sentido que ela adiasse o seu curso. Rick ganharia mais do que ela ao sair da faculdade e o emprego na Corporação Harrison pagava bem para uma mulher que não terminara o curso. Infelizmente, manter a posição tinha um preço: ela precisava trabalhar para Travis Harrison.
Soltando a presilha dos cabelos ao percorrer o corredor até o quarto principal, Ally tentou tirar Travis da mente. Eles tinham discutido durante o dia e ele a demitira... mais uma vez. Não que ela ainda levasse aquela ameaça a sério. Travis Harrison a demitia diariamente e, em seguida, entregava uma pilha de trabalho para que ela concluísse até o dia seguinte.
Mas aquela parte do dia terminara e ela precisava ir para o Sully’s Oasis, seu emprego noturno. Já estava atrasada. E Travis era absurdamente irritante todos os dias. Não era nada novo nem algo que mudaria em um futuro próximo.
Quando Ally se aproximou da porta do quarto, ouviu vozes, uma masculina, que reconheceu muito bem, e uma feminina desconhecida. Ela ouviu um gemido apaixonado de Rick, um som que nunca ouvira, e um gemido feminino em resposta. A porta não estava completamente fechada e ela a empurrou com o pé.
No meio da cama nova enorme em que ela e Rick tinham dormido pela primeira vez na noite anterior, estava o noivo. A cabeça dele estava jogada para trás em um abandono apaixonado, com uma expressão de êxtase no rosto que ela nunca vira. A mulher, que estava nua e de quatro em frente a ele, gemeu novamente. O casal não percebeu a presença dela. Obviamente, Rick não imaginara que ela voltaria para casa antes de ir para o segundo emprego. Normalmente, ela não voltava e ia diretamente da Harrison para o Sully’s.
Ally observou em fascinação mórbida enquanto o homem com quem estivera envolvida e em quem confiara nos cinco anos anteriores matava sua devoção com cada movimento dos quadris, cada encontro da virilha contra as nádegas nuas da mulher. E, à medida que o amor que sentia por ele desaparecia, ela percebia que, mesmo depois de cinco anos, aquele Rick era um estranho completo.
Quem era aquele homem e o que acontecera com o noivo reservado e solene que fazia amor com ela esporadicamente, pois estava sempre cansado demais? Ela não ganhara muito mais do que um beijo no rosto nos dois anos anteriores. E, mesmo quando eles faziam sexo, não era aquele tipo de frenesi furioso que parecia transformá-lo em um homem totalmente desconhecido. Ela sempre arrumara desculpas para os motivos pelos quais o relacionamento deles não era tão incrível. Era apenas porque os dois trabalhavam muito e as coisas mudariam quando passassem por aquela fase difícil.
Eu nunca o conheci de verdade.
Ally entrou no quarto, afastando o olhar da visão da cama e cruzando o aposento para pegar as calças jeans, a camiseta e os tênis que usava para o trabalho no Sully’s.
— Ally — exclamou Rick, finalmente notando que ela estava no quarto.
Ally ergueu a mão. — Não ligue para mim. Só preciso das minhas roupas para trabalhar para sustentar você enquanto fode outra mulher. Continue.
Ouvi dizer que o coito interrompido é algo extremamente desconfortável.
— Era algo com que estava familiarizada. Quantas vezes Rick parara, deixando-a insatisfeita quando faziam sexo? Mais vezes do que podia contar, mas ela sempre arrumara desculpas para o comportamento dele antes. Depois do que acabara de ver, ela sabia que fora muito idiota. Não era que ele não queria fazer sexo. Só não quisera fazer sexo com ela.
Ally não olhou novamente na direção de Rick. Não queria vê-lo nem à mulher bonita e esguia com quem ele trepava. Com as roupas na mão, Ally saiu do quarto e fechou a porta atrás de si. Tirando o traje conservador que usara durante o dia o mais depressa que conseguiu, ela vestiu as roupas que carregava, juntou as que estavam sujas e largou-as no banheiro a caminho da escada, com os tênis na mão.
— Ally, espere.
Ignorando Rick, que saíra correndo do quarto, ela rapidamente vestiu os sapatos confortáveis ao chegar ao saguão.
— Você não pode simplesmente sair assim. Eu posso explicar — gritou Rick desesperadamente do andar de cima.
Como se houvesse alguma explicação razoável para o que ela acabara de testemunhar. Erguendo a voz o suficiente para que ele escutasse, ela
respondeu: — Saia. Não quero ver você aqui quando voltar do trabalho. Se ainda estiver aqui, chamarei a polícia.
— Estivemos juntos por cinco anos. Isso deve contar para alguma coisa
— implorou Rick.
Sim, contava para muitas coisas, mas nenhuma delas agradável. Ally trabalhara muito todos os dias e perdera a chance de terminar o curso da universidade por causa daqueles cinco anos que perdera para garantir que Rick tivesse uma carreira. Ela fizera um plano, prendera-se a tudo que jurara fazer para que tivesse uma vida perfeita com Rick. Sempre dissera a si mesma que, se conseguisse aguentar firme enquanto ele estivesse na universidade, teria a própria chance. E, agora, aquele plano cuidadosamente preparado fora apagado, como se nunca tivesse existido, deixando-a no vazio. Apenas anos de vazio.
Ally não respondeu nem olhou para cima, para o homem a quem dera cinco longos anos de sua vida. Ele não merecia.
Preciso continuar em frente. Vou sobreviver.
Saindo da casa, ela fechou a porta atrás de si. Quando entrou no carro e acelerou, a caminho do Sully’s, viu Rick sair correndo pela porta da frente, com apenas uma calça vestida às pressas, e xingando porque ela já partira.
Ally chegou ao Sully’s com um atraso de dez minutos, mas fez seu trabalho. Ninguém sequer suspeitou de que seu mundo acabara de desabar à sua volta e que seus planos para o futuro tinham desaparecido.
Quando voltou para casa, exausta, Rick se fora. Ela arrastou o corpo cansado para um dos quartos extras, sentindo-se completamente drenada.
Ally sabia que, se parasse nem que fosse por um momento para pensar no que acontecera, perderia o controle completamente, algo que não poderia deixar acontecer.