A Perdição do Bilionário: Travis

J. S. Scott · Capítulo 9 de 21

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A Perdição do Bilionário: Travis

Capítulo 8

Com o senso de autopreservação novamente no lugar, ela foi tomar um banho, torcendo para que conseguisse manter aquela resolução.

 

Travis permaneceu o fim de semana inteiro, sem deixar a casa de Ally nem uma vez, exceto para pegar algo que tinha certeza absoluta de que ela precisaria. Ele partiu relutantemente na manhã de segunda-feira, depois que Ally insistira que ficaria bem sozinha. O fim de semana fora uma revelação para ela, mostrando cada vez mais como Travis podia ser uma pessoa incrível em uma atmosfera diferente, longe do escritório. Eles passaram horas assistindo a filmes e jogaram xadrez várias vezes, um jogo em que Ally sempre se achara muito boa... até jogar com um mestre como Travis, que ganhou todas as partidas. E eles conversaram. Algumas vezes, discutiram coisas inconsequentes, mas ele se abrira um pouco em relação a como fora sua infância, criado por um pai volátil e louco. E ela contara algumas de suas lembranças de ser criada por uma mãe alcoólatra e de como se sentira isolada e fora de controle quando era mais jovem. Quando Travis foi embora na segunda-feira, ela sentiu sua falta desde o momento em que ele saiu pela porta. A casa ficou estranhamente quieta e ela detestou tomar o café da manhã sozinha, sem ninguém com quem conversar.

Na terça e na quarta, Ally ficou ocupada demais recebendo entregas para pensar na solidão. A campainha tocou praticamente sem parar, com tantas entregas chegando que a sala de estar ficou cheia de caixas, a maioria contendo items para um novo enxoval que Travis comprara. Obviamente, ela telefonara para ele para protestar, mas Travis lhe disse para consultar o novo contrato de emprego que, pelo jeito, tinha uma cláusula sobre roupas de trabalho a serem fornecidas por ele.

Ally olhou em volta da sala de estar e revirou os olhos. Roupas de trabalho? A sala tinha mais roupas do que uma butique chique, variando de roupas íntimas a vestidos de noite. E todos os itens couberam nela

perfeitamente, até mesmo os sapatos e as botas. Como ele soubera exatamente que tamanho comprar?

— Porque ele é Travis Harrison e não faz nada sem prestar atenção a cada detalhe — sussurrou ela para si mesma, sentando-se no pedacinho do sofá que ainda estava livre. — Não posso ficar com isto tudo. Não há uma coisa aqui que não seja de alta costura e horrivelmente caro.

Ally começou a erguer caixas, finalmente encontrando o celular sob uma lingerie escandalosa.

Vou mandar tudo de volta. Você só prometeu me dar um vestido para usar no Colorado. É mais do que suficiente.

Ela enviou a mensagem de texto, determinada a escolher um item para o baile no Colorado ao qual teria que ir com Travis.

Ele respondeu momentos depois:

Não pode. Estava tudo em liquidação e não pode ser devolvido. Não gostou?

Ally suspirou, rindo alto com a referência à liquidação. Nada muito criativo nem crível vindo de Travis. Ela respondeu à mensagem dele.

É demais. Um vestido é suficiente.

Ela teve um sobressalto quando o telefone tocou, já sabendo que era Travis.

— Mulheres lindas devem ter roupas lindas — disse Travis em seu ouvido antes que ela conseguisse dizer alguma coisa. — Eu forneço as roupas para você. Leia seu contrato.

— Há alguma coisa mais nesse contrato que assinei, mas não li, sobre a qual eu deveria saber? — perguntou ela frustrada, desejando ter lido com mais cuidado o contrato que Travis lhe pedira que assinasse durante o fim de semana. Mas ela supusera que eram as coisas comuns, como os contratos de emprego que assinara anteriormente para a Harrison. Travis sabia muito bem que, quando dizia coisas como aquelas, ele a deixava desequilibrada.

Ela não estava acostumada a ser chamada de linda, nem mesmo de remotamente atraente.

— Não viu a parte em que diz que posso transar com você quantas vezes por dia nós dois quisermos? — perguntou ele calmamente, como se estivesse tendo uma conversa de negócios.

O corpo inteiro de Ally foi invadido pelo calor. Cansada de deixar que Travis sempre levasse vantagem com aquela conversa sexual, ela respondeu em uma voz lasciva que nem sabia que conseguia produzir. — Não. Só

 

notei a cláusula que diz que eu posso ficar de joelhos, abrir sua calça e passar meus lábios em volta do seu pau sempre que eu quiser, chupando você até que goze.

Ela ouviu Travis soltar a respiração com força no outro lado da linha e abriu um sorriso malicioso. Tome isso, sr. Boca Suja!

A linha ficou em silêncio absoluto por um momento antes que Travis respondesse com voz chateada: — Farei com que pague por isso, Alison.

— Você pode falar, mas não aguenta ouvir? — perguntou ela inocentemente.

— Eu vou aguentar — respondeu Travis em tom perigoso. — Jantar hoje à noite — exigiu ele. — Pegarei você às sete.

— Eu tenho escolha? — perguntou ela exasperada.

— Sim. Pode usar a lingerie vermelha ou a preta. Eu imaginei nós dois transando com as duas — respondeu ele.

A linha ficou muda. Travis obviamente não estava disposto a lhe dar a oportunidade de discutir. Ela realmente o atingira, deixando-o um pouco abalado com a resposta.

Talvez ela devesse estar chateada por não ter conseguido convencê-lo a levar algumas das roupas de volta ou irritada porque Travis acabara de supor que sairia com ele para jantar. Mas a única emoção que sentia no momento era um frio na barriga com a ideia de vê-lo de novo.

Ela riu e começou a vasculhar as caixas em busca de algo para vestir naquela noite.

Travis se recostou na cadeira e fechou os olhos, tentando não olhar para a mesa e lembrar-se de Ally espalhada sobre ela, abandonada e desesperada.

Ele tentou não ouvir os gemidos de prazer quando ela se abriu e gozou para ele.

Mas que merda! Ele odiava aquela mesa maldita. Era uma tortura trabalhar naquele escritório todos os dias, tentando não pensar no que acontecera em cima da mesa. Algumas vezes, ele podia jurar que sentia o cheiro dela, um aroma fantasmagórico de quando ela gozara.

As palavras dela sobre chupá-lo ficaram dançando em sua mente, deixando-o de pau duro e com os punhos cerrados sobre a mesa. — Preciso de uma mesa nova — disse ele, pensando, na realidade, que precisava era

de um exorcismo. Ally o assombrava praticamente todos os minutos de todos os dias. E ficara ainda pior depois que ele passara o fim de semana com ela, percebendo como adorara praticamente tudo sobre Ally. Ouvi-la falar sobre a infância e as vulnerabilidades fizera com que ele quisesse protegê-la ainda mais, determinado a transformar a vida dela em tudo o que merecia.

— Você pagou uma fortuna por essa mesa. Por que quer se livrar dela?

— A voz de Kade soou da porta do escritório de Travis.

Abrindo os olhos, Travis lançou um olhar desgostoso ao irmão gêmeo. —

Não quero.

— Ficarei com ela se quiser trocá-la — disse Kade casualmente, fechando a porta e sentando-se na cadeira em frente à mesa de Travis.

Ah, claro que não. Nunca que Kade usaria a mesa que Travis usara para fazer Ally gozar pela primeira vez. — Não — respondeu ele com raiva.

— Está bem, está bem. — Kade ergueu a mão derrotado. — Achei que tinha ouvido você dizer que queria uma mesa nova. Só estava me oferecendo para tirá-la de suas mãos. Queria saber como está Ally. Tem notícias dela?

— Sim. Ela está bem — disse Travis ao irmão em tom mais calmo. — Eu só queria que ela estivesse de volta. O escritório não é o mesmo sem ela aqui.

— Você sente falta de brigar com ela — disse Kade em tom de implicância.

— Sinto falta de tudo dela — admitiu Travis. — Ela é... eficiente.

— O ex dela foi muito filho da puta com ela. Asha me contou —

respondeu Kade furioso.

— Eu gostaria de matá-lo, mas acho que isso deixaria Ally chateada —

comentou Travis.

— Você está bem caído por ela, não está? — perguntou Kade baixinho.

— Não negue, Trav. Sei disso já faz algum tempo.

— Como sabia? — Travis olhou para o irmão desconfiado.

— Eu passei por isso. Conheço os sinais. Acho que você sempre brigou com Ally para mantê-la à distância. Desde quando?

Travis suspirou, sem querer admitir, mas sentindo a necessidade de conversar com Kade. — Desde o dia em que a contratei. Havia candidatos mais experientes, pessoas com qualificações melhores. Mas eu devo ser um maldito masoquista porque a contratei mesmo assim. Não consegui aguentar a ideia de não vê-la novamente.

— Ela sabe? — perguntou Kade.

— Deveria. Eu digo a ela todo santo dia que quero transar com ela —

resmungou Travis.

Kade tossiu várias vezes antes de dizer: — Muito romântico e suave, Trav. É só isso que quer dela?

Era? Travis não sabia. — Não sou do tipo romântico e só o que sei é que aquela mulher me deixa louco.

— Ela foi muito magoada, Travis. Ally pode bancar a durona, mas está frágil no momento. A autoestima dela sofreu muito. Se só o que você quer é uma foda, procure em outro lugar.

Travis bateu na mesa de madeira com o punho, fazendo com que tudo sobre ela estremecesse. — Não acha que tentei? Não quero mais ninguém.

Não quero outra mulher. Só quero ela. Quero matar qualquer homem que olhe para ela, que a magoe de alguma forma. Quero dar a ela tudo e qualquer coisa que queira. Quero que ela seja feliz, mas que merda.

Kade sorriu para Travis. — Por que não tentou tirá-la do idiota do ex antes?

— Porque eu não sabia que ele era um filho da puta. Achei que ela estava feliz. Eu sou um escroto, Kade. Todo mundo sabe disso. Achei que estava melhor com um cara legal.

— E agora que ela está solteira? — retrucou Kade.

— Ela é minha — resmungou Travis. — Não vou dar a ela a chance de ficar com outro filho da puta. Se ela quer um filho da puta, pode ficar comigo.

Kade riu antes de responder em tom mais sério: — É sua vez, Travis.

Você passou a vida inteira cuidando dos negócios, dos funcionários, de Mia e de mim. Chegou a hora de descobrir do que precisa.

— Eu preciso dela — respondeu Travis desesperadamente. — Jesus Cristo. Não sei como você consegue. Como você precisa tanto de uma mulher e consegue sobreviver?

Kade sorriu. — Não consegue. Então você garante que fique com ela.

— Ela é teimosa — retrucou Travis. — Nem quer ficar com as roupas novas que comprei para ela. Está no maldito contrato. Diz lá que forneço a ela um novo guarda-roupa.

Kade fez uma careta. — As mulheres são engraçadas assim. Asha fez a mesma coisa.

— E o que você fez?

— Ignorei os protestos dela. Depois de algum tempo, ela aceitou e recebeu-as de Maddie como presente da irmã.

— Ally reclama muito — comentou Travis infeliz, sabendo que ela fazia questão que ele a ouvisse. Mas ele ainda tentaria ignorar. Queria que ela ficasse com as roupas. Minha nossa! Não era como se ele não pudesse pagar.

— Eu sei — disse Kade alegre. — É um dos motivos pelos quais acho que ela é perfeita para você. — Ele hesitou antes de perguntar: — O que você teria feito se Ally não tivesse descoberto que o ex era um filho da puta? E se ela tivesse mesmo se casado?

— Não sei — respondeu Travis com sinceridade. — Tentei não pensar nisso, tentei dizer a mim mesmo que não importava. Mas, se esse dia chegasse, esse momento, não sei se não teria feito praticamente qualquer coisa para evitar que isso acontecesse. A única coisa que me impediu foi a possibilidade de arruinar a felicidade dela. Merda! Não sei como nunca notei como estava cansada nem como as coisas estavam horríveis para ela.

Eu não sabia que ela precisava trabalhar em um maldito bar para conseguir pagar as contas. Achei que ela tinha uma vida perfeita, o noivo perfeito que estava pronto para começar uma carreira próspera. Eu a queria, mas não achava que era a melhor coisa para ela. — Ele era um assassino e um escroto sem sentimentos. Ele quisera que Ally tivesse alguém melhor.

— E agora? — perguntou Kade em tom solene.

— Agora vou ficar com ela. Depois de entender a merda que ela teve que aguentar durante anos, até mesmo estar comigo seria melhor. Eu a trataria bem, Kade. Daria a ela tudo o que quisesse.

— Ninguém sabia pelo que Ally estava passando. Ela escondeu muito bem. Não é culpa sua. Acho que nenhum de nós conseguiu ver sob aquele exterior durão — disse Kade ao irmão pensativo. — Acho que Ally só precisa de um homem que se importe com ela. Pelo que Asha me diz, a autoestima de Ally sofreu muito. Aquele filho da puta obviamente a torturou mentalmente durante anos.

— Ele matou os sonhos dela — disse Travis em voz dura. — Não só a traiu e deixou-a com as contas dele, como não apoiou o sonho dela de escrever.

— Ally escreve? — perguntou Kade surpreso.

— Sim. Histórias incríveis. Ally é talentosa e não estou dizendo isso só porque sinto tesão. Ela tem um dom e ele nunca o encorajou. Fez com que ela desistisse, manipulou-a para que achasse que tudo era culpa ou responsabilidade dela. Só o que o idiota queria era dinheiro para terminar a faculdade. Tenho certeza de que ele não tinha intenção alguma de ir adiante com o casamento. Só usou as fraquezas de Ally para que ela o sustentasse.

— Travis cerrou os punhos sobre a mesa, desejando que as mãos estivessem em volta do pescoço do ex de Ally. — Ela é tão inteligente e linda. Não sei como ele conseguiu convencê-la do contrário. Mas conseguiu. Filho da puta!

— Algumas vezes, não nos vemos da mesma forma como os outros, Trav. Se alguém o massacra por tempo suficiente, você começa a acreditar

— retrucou Kade tristemente. — Ally obviamente não vê mais o próprio valor, exceto pelo trabalho. Ela pode ser confiante no trabalho, mas não em seu valor como pessoa. Olhe o que aconteceu com Asha.

Travis sabia que o Kade dizia era verdade, sabia como era ser massacrado até não conseguir ver a realidade. Ele, Kade e Mia tinham vivido aquilo durante a infância e a adolescência. Por sorte, tiveram uns aos outros.

Travis tinha dificuldade em comparar Ally a Asha, pois a personalidade na superfície das duas era muito diferente. Asha era mais quieta, mais tímida.

— Asha está melhorando.

Kade assentiu. — Sim, está. Mas nós dois sabemos que leva tempo para desfazer anos de condicionamento. Asha e Ally têm personalidades muito diferentes, mas acho que o motivo pelo qual ficaram amigas é que entendem uma à outra de uma forma que é realmente importante.

— Como posso consertá-la? — perguntou Travis.

Kade riu. — Ela não é um carro, Travis. É uma mulher. Elas são muito mais complicadas.

— Não diga. E você também não ajuda muito. — Travis olhou friamente para o irmão.

— Acho que você acabará descobrindo. Se realmente gosta dela, é a única coisa que importa. É muito mais do que ela teve no passado. — Kade se levantou e andou até a porta. Ele se virou ao abri-la, olhando primeiro para Travis e depois para a mesa. Em seguida, sorriu. — Acho que descobri por que você tem um relacionamento de amor e ódio com essa mesa.

Travis observou enquanto o irmão saía do escritório, deixando a porta se fechar silenciosamente atrás de si, ainda tentando entender exatamente o que Kade quisera dizer com aquele comentário. Certamente, Kade não tinha como...

Balançando a cabeça, Travis olhou para o relógio, convencido de que Kade nunca adivinharia por que ele estava tendo um problema de frustração com a mesa. Eram três horas da tarde. Mas que merda! Na maioria dos dias, ele não se importava com a hora por outro motivo que não fossem compromissos. Agora, queria que o maldito relógio andasse mais depressa.