A Perdição do Bilionário: Travis
Epílogo
Dois meses depois
Ally sabia que Travis estava a caminho e sussurrou a contagem regressiva usual.
— Cinco...
— Quatro...
— Três...
— Dois...
— Um...
Ela suspirou ao ver o marido bonito entrar pela porta do escritório, vestindo um dos ternos escuros favoritos dela. Ele abriu o belo sorriso malicioso que sempre fazia com que o coração dela começasse a pular alucinadamente dentro do peito.
— Bom dia, minha linda — disse ele, percorrendo-a com os olhos de forma possessiva.
— Bom dia, sr. Harrison — respondeu ela em tom brincalhão. — Deixe-me pegar um café para você. — Ally estava sempre disposta a pegar café para ele quando a cumprimentava daquela forma, o que Travis não deixara de fazer diariamente desde que voltaram do Colorado.
Na maioria dos dias, eles iam para o trabalho juntos, mas Travis tivera uma reunião muito cedo pela manhã e Ally fora sozinha em seu novo veículo. Travis lhe dera uma Ferrari F12 como presente de casamento, uma surpresa da qual ela ainda não se recuperara totalmente, apesar de terem se casado um mês antes em uma cerimônia íntima na casa dele. Apesar de a cerimônia ter sido pequena, fora o evento mais lindo da vida de Ally, o dia em que ela se uniu ao homem que sabia que amaria para sempre. Asha,
Mia, Maddie e Kara tinham ajudado a planejá-lo rapidamente e todos os familiares e amigos mais íntimos compareceram à cerimônia e à recepção, que foram tudo o que Ally sempre quisera e sonhara. Obviamente, Travis precisara ter tudo do bom e do melhor no casamento e deixara-a chocada mais tarde com a F12 nova.
Ally tinha certeza de que ele ainda ficava nervoso com a ideia de deixá-la dirigir um carro veloz e enviara duas mensagens para garantir que ela chegara ao trabalho em segurança, lembrando-a de não correr demais. Se fosse sincera, ela não conseguira resistir e usara um pouco da potência incrível do veículo, mas de forma razoável, pois ainda se sentia insegura em dirigir um carro tão caro.
Travis a levara à pista de corrida particular dele, mas Ally ainda não o vira usar as habilidades incríveis que sabia que ele podia exibir quando ela estava no carro. Ela brincara, dizendo que ele parecia um velho dirigindo alguns dos carros mais velozes, mas ele apenas resmungou que não arriscaria a vida dela com velocidades suicidas. Mas Ally adorava a sensação inebriante da velocidade quando Travis corria na pista, mesmo sabendo que ele dirigia muito mais depressa quando ela não estava junto.
Ally pegou duas xícaras de café e levou-as para o escritório dele para que pudessem ter a discussão matinal normal sobre negócios. Ela olhou para ele, que tinha uma expressão pensativa. — Você está bem? — perguntou Ally preocupada. Ele parecera muito alegre alguns minutos antes.
— Tenho uma coisa para você — disse ele lentamente, acrescentando com voz baixa e séria: — Por favor, não fique brava.
Ally ergueu a sobrancelha, imaginando se ele se referia a um dos sermões dela sobre comprar coisas de que ela não precisava. Depois que a casa fora destruída, Travis comprara coisas sem parar para ela, mesmo sabendo que, depois de algum tempo, Ally receberia o dinheiro do seguro para comprar novamente as coisas de que realmente precisava. E ele ainda não parara.
Muitas das coisas que comprava eram exageradas.
— Provavelmente não vou ficar brava — disse Ally pacientemente, apesar de sempre deixar uma margem caso ele exagerasse demais.
— Talvez fique — avisou Travis, entregando um envelope a ela. — Isto é para você.
Um pouco alarmada com a expressão séria no rosto dele, ela se aproximou e pegou a carta, olhando para o endereço do remetente e reconhecendo o nome imediatamente. — Por que eu receberia alguma coisa
deles? — perguntou ela baixinho, sentindo-se perplexa. Ela abriu o envelope, pegou os óculos de leitura que estavam sobre a cabeça e colocou-os.
Ao começar a ler a carta, seus joelhos cederam e ela teve que se sentar para ler o restante. — Ai, meu Deus. Isto não é real. É um trote. — Era uma notificação de que o primeiro livro da série de fantasia para jovens adultos ganhara um dos prêmios mais importantes de manuscritos não publicados.
— Eu nem enviei os livros.
— Eu enviei. — A voz de Travis estava baixa e ansiosa. — Mas foi mérito completamente seu, Ally. Nenhum dos juízes sabe a quem pertence o manuscrito e juro que não interferi. Só enviei. O que diz a carta?
O olhar atônito de Ally voou para o rosto dele. — Diz que fiquei em primeiro lugar, foi o livro do ano para um manuscrito não publicado. — As mãos dela tremiam quando ela se levantou e entregou a carta a Travis, observando enquanto ele lia a breve notificação.
Ele abriu um sorriso para ela. — Eu sabia que você ganharia.
Se Travis dissera que não interferira e que ela ganhara pelos próprios méritos, Ally sabia que era verdade. Se havia uma coisa que Travis nunca fazia era mentir descaradamente. Ele podia ter evitado a verdade no passado, mas nunca mentiria a ela sobre algo como aquilo. — Você o enviou por mim? — perguntou ela com a voz embargada. Só o fato de Travis ter pensado em fazer algo como aquilo era incrível. Ally sabia que ele tinha fé nela, mas aquilo era inacreditável.
— Você está brava? — Ele soou nervoso. — Eu sei que deveria ter perguntado primeiro, mas não achei que você o enviaria. E eu sabia que você ia vencer.
— Eu provavelmente não teria enviado — admitiu Ally, sabendo que ela crescera muito emocionalmente desde que terminara o relacionamento com Rick. Ainda assim, enviar o manuscrito para concorrer a um prêmio tão prestigiado teria sido assustador. E, sinceramente, ela provavelmente nem teria pensado em fazer isso.
— Eu queria que você tivesse uma prova oficial de que seu trabalho é fantástico, de pessoas que não seriam parciais. Pessoas que não fossem eu.
Ally se levantou e deu a volta na mesa, jogando os braços em volta do pescoço dele. Ele a agarrou imediatamente, puxando-a para o colo.
— Não estou brava — disse ela com os olhos cheios de lágrimas, ainda espantada com a força e a atenção do homem com quem se casara.
— Só quero que você seja feliz, Ally. Eu sei que você disse que ainda queria ficar aqui e trabalhar comigo, mas quero que faça o que tiver vontade, que busque seus sonhos. Você pode terminar o MBA ou escrever mais livros premiados, agora que todas as editoras desejarão publicá-los.
Não importa o que seja necessário para fazê-la feliz. Eu farei — disse Travis em tom feroz, apertando os braços em volta da cintura dela. —
Desde que seja sempre minha.
— Já sou absurdamente feliz, Travis, porque você me ama. — Ela tirou um cacho rebelde de cabelos da testa dele. — E não quero mais voltar para a faculdade para fazer o MBA. Acho que eu estava estudando administração porque era algo seguro e normal. Quero escrever, quero estar com você e fazê-lo feliz. São os únicos dois sonhos que tenho. E, algum dia, eu gostaria de ter um filho.
— Querida, já sou feliz. E estou mais do que disposto a me esforçar bastante para ajudar nesse seu sonho de ter um filho — disse ele entusiasmado.
Ally sorriu, sabendo que, se ele se esforçasse mais ainda naquele sentido, ela ficaria exausta. Travis já era insaciável. E ela adorava o emprego na Harrison, agora que o marido não era mais o chefe bilionário do infermo. —
Eu gostaria de ficar, a não ser que você queira outra assistente. Posso escrever à noite e nos fins de semana quando você estiver ocupado. E você prometeu que me levaria para todos os lugares. Posso escrever em qualquer lugar.
— Graças a Deus — respondeu Travis, apoiando aliviado a testa no ombro dela. — Duvido que eu consiga encontrar mais alguém que me aguente. E eu não sei como conseguiria passar o dia inteiro sem você aqui.
Preciso de você, Ally.
O coração de Ally ficou apertado, sabendo que ele queria dizer que precisava dela em vários sentidos, não apenas como assistente. E ela também precisava dele. Talvez, à medida que os dois se acostumassem com o relacionamento intenso que os deixava com uma sensação de vulnerabilidade, começassem a se sentir de forma diferente. Mas, no momento, Ally estava exatamente onde queria estar.
— Eu nunca conseguiria outro emprego com benefícios secundários tão incríveis — disse Ally em tom de brincadeira. — E seria triste se você começasse a odiar a mesa novamente. — Ela estendeu a mão, passando-a sobre a madeira polida.
Travis rosnou e levantou-se, colocando-a sobre a mesa. — Acho que preciso relembrar o quanto eu adoro esta mesa. — A expressão dele era maliciosa ao começar a desabotoar a blusa de Ally.
— Sr. Harrison, você tem uma reunião daqui a pouco — lembrou Ally em tom sério.
— Eles podem esperar. Sou o chefe aqui — retrucou ele.
Ally estendeu a mão e começou a abrir a camisa dele, sentindo necessidade de tocar na pele quente. — Preciso tocar em você — murmurou ela com o coração tão cheio de amor que ela teve receio de que explodisse.
— Puta merda. Então é capaz de eu chegar na reunião a tempo — disse ele. — Você sabe o que acontece quando faz isso.
— Então me beije — pediu ela docemente.
Travis a encarou com os olhos escuros e cheios de emoção. — Eu amo você, Ally.
O coração dela deu um salto quando ela viu a intensidade nos olhos dele e respondeu: — Eu amo você. — Ela passou os braços em volta do pescoço de Travis, abandonando os botões para mergulhar no abraço apaixonado dele.
Ele ainda chegou atrasado na reunião. Entretanto, quando finalmente chegou, ele chocou os funcionários ao entrar na sala de conferência com um sorriso enorme no rosto. No meio da reunião, o celular de Travis tocou uma música alegre muito alta. Todos os rostos em volta da mesa ficaram atônitos quando, em vez de ficar irritado por Ally ter mudado o toque do telefone...
Travis Harrison soltou uma gargalhada.
~ Fim ~